Balanço Olímpico

Antes de se iniciarem as Olimpíadas, a expectativa era de um campeonato bem equilibrado e pouco previsível com 5 / 6 times mais ou menos no mesmo nível. Só que agora, ao final dos Jogos, não há como evitar uma pontinha de decepção com as atuações das equipes consideradas favoritas. Digo ‘pontinha’ porque o que realmente interessava – o Brasil – foi espetacular.

Mas falando como uma admiradora do vôlei, não posso negar que esperava mais. Mais equilíbrio, mais consistência e melhor desempenho das seleções. Grandes confrontos acabaram em 3x0. Tá certo que muitas vezes o placar não traduz o que foi o jogo. Mas nesses casos, traduziu. Dos jogos que foram disputados em 5 sets, vimos os times com alternâncias de altos e baixos, fazendo o confronto ser equilibrado mais nos erros do que na qualidade.


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Ao final do GP restava a dúvida se o Brasil não tinha enfrentado equipes muito abaixo do seu padrão, se elas não tinham escondido o jogo, se as brasileiras levaram mais a sério o torneio que as outras, se o Brasil tinha chegado ao seu ápice antes da hora, etc.

Os times melhoraram, mas a diferença entre o Brasil e eles continuou abismal. Enquanto as brasileiras apresentavam um alto nível de jogo e regularidade, as adversárias demonstravam que, a cada etapa, a medalha de ouro chegava mais perto do nosso peito.


A tão temida e escondida Rússia foi quase uma piada. Exatamente por ter-se criado uma imagem de “carrasca” e “perigosa” é que a campanha dela nos Jogos tornou-se ridícula. Perdeu de todos os seus grandes adversários (Itália, Brasil e China) e ganhou deles apenas um set. Fora o modo como as jogadoras apareciam em quadra, sem demonstrar grande envolvimento e transparecendo cansaço. Tá certo que elas nunca foram um exemplo de entusiasmo e ânimo, mas elas estavam diferentes do habitual ‘blasé’.


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A Itália depois de vencer tudo em 2007, foi outra decepção. A levantadora Lo Bianco não esteve bem, assim como a principal atacante Aguero. Quando ganhou da Rússia logo no primeiro jogo, parecia que confirmaria toda a expectativa em torno da equipe. Mas nos jogos contra o Brasil e, principalmente, contra os EUA desapareceu. Aliás, este último jogo tinha tudo para ser o mais disputado das quartas-de-finais. E foi, até chegar aos dois últimos sets nos quais as italianas pareciam zumbis em quadra.
 

A China foi a equipe mais bipolar dos últimos anos. Nos Jogos repetiu essa “variação de humor”, com lapsos da antiga China – rápida e com a habilidosa Feng – e com recaídas demonstrando um vôlei “sei lá” (não acho um nome que possa definir o “estilo”). Fiquei com aquela sensação pairando no ar, durante os Jogos inteiros, que a China iria engrenar. O que, obviamente, não aconteceu. Tantas oscilações custaram-lhe duas derrotas, contra EUA e Cuba, na primeira fase. Mas beliscou o bronze ao se reencontrar com um time tanto ou mais oscilante do que ela: Cuba.

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Cuba parecia ter crescido na hora certa. Chegou bem à final do GP e ficou invicta no grupo A das Olimpíadas. Mas mesmo assim, continuava sendo aquele time imprevisível em que uma hora passa o rodo em cima do adversário e na outra é esmagado. Foi considerada favorita e candidata a final contra o Brasil. Talvez tenha sido esse o maior pecado de Cuba: acreditar no favoritismo. Com o olho maior que a barriga, foi surpreendida pelos EUA e fraquejou diante da China.

Pra finalizar, os Estados Unidos. Correndo por fora na briga por medalha, acabou passando a rasteira em (quase) todo mundo. Ainda não sei se chegaram a final olímpica mais por mérito próprio ou pela 'bobeira' adversária. Bom, não se pode negar que forçar os erros dos adversários seja um mérito. Assim sendo, exploraram o caminho da melhor forma possível, valendo-se da suas próprias qualidades e das fraquezas adversárias. A verdade é que foram uma surpresa, deram alguma graça a competição, mas nunca convenceram, sempre dando a impressão de que qualquer uma das equipes eliminadas nas fases anteriores poderia tranquilamente estar no seu lugar.

Comentários

Anônimo disse…
Vou mais longe. Os EUA, se tivessem encontrado o BRA no meio do caminho, teriam virado suco. Nao cresceram, no sentido clássico da expressão. Foram "crescidas" pelas fraqezas e qedas de producão das adversárias, vindo de chave c/ "bábas". A ITA de 2007, ganhou o q não valia (e não dá prá comparar c/ o masc. do BRA, q ganhou até a prata, mesmo jogando mal, vindo de chave forte). CUB ainda está se reorganizando, vai dar trabalho. A CHN resolveu jogar como a URSS ... balão prá lá + balão prá cá. Murchou e só não virou suco tmbm, porq jogou em casa. Já a RUS, terá q chamar de volta Nikolaj Karpol, ou se modernizar. Enqto as brazucas, muito bem do ponto de vista físico e técnico, aprenderam a jogar psicologicamente e foi assim: venceram e convenceram.
Inté,
Mg
La Cauda disse…
Tens razão, Cuba é a equipe q promete para os próximos anos. Fora o Brasil (que não mudará a base, mas perderá uma peça importantíssima) todas estas outras equipes vão ter que passar por uma reformulação seja de elenco e/ou de estilo.

Valeu pelos comentários!