Gratidão Olímpica



Saiu sexta-feira a lista das 12 convocadas para representar a seleção brasileira em Pequim. Para a última vaga em aberto, Zé Roberto optou por Valeskinha. Opção, segundo ele, pela versatilidade. Isso quer dizer exatamente o quê? Será só essa a justificatiava para levar a veterana meio-de-rede?
 
Acho que há algo mais por trás desta escolha do que um mero critério técnico. Me parece que o Zé, meio que inconscientemente, está tentando premiar a Valeskinha por sua lealdade nesses últimos anos.
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Façamos uma viagem no tempo: Valeskinha foi a única jogadora titular de 2004 a participar do início deste ciclo olímpico em 2005. Com o equipe renovada, foi a capitã, a jogadora mais experiente e ajudou o grupo de novatas em cada campeonato.
 
Passado o ano de 2005, Zé Roberto decidiu, por falta de jogadoras nesta posição, transformá-la também em uma ponteira. Seria o tipo de jogadora Bombril, de mil e uma utilidades.
Acontece é que ela nunca se adaptou muito bem a essa função. E a mudança a impediu de se focar e brigar por sua posição original de meio-de-rede. Desde 2005 seu rendimento tinha caído - tanto que Gattaz assumiu o lugar dela muitas vezes. Com a nova função ela ficou no meio do caminho: não alcançou um bom nível como ponteira e não melhorou seu rendimento como meio.

Tanto foi assim que, depois de todo o sacrifício, o Zé não a convocou pro Mundial. Preferiu optar por Paula Pequeno, ponteira de origem e recém saída de uma gravidez. Ou seja, Valeskinha seguiu a idéia do mestre e se deu mal. Será que no fundo o Zé não está querendo compensar esse fato?

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Acho a Valeskinha uma baita jogadora. É dona de um ataque de uma velocidade impressionante e de um bloqueio de qualidade. Mas, sinceramente, seu momento já passou. Sei que ela fez uma boa temporada no Novara, mas ainda sim, sua convocação não se justifica. Deu até medo. Temi que neste arroubo nostálgico, o Zé trouxesse a Bia de volta.

E, na prática, não vejo assim tanta utilidade à presença dela neste grupo atual. Vejamos:

- Como meio-de-rede: a fila é imensa para alcançar o posto.

- Como ponteira: ela funciona tão bem na posição quanto a Érika no levantamento.

- Recepção e defesa: talvez a maior razão da sua presença, mas ainda sim temos a Sassá e as outras meninas estão dando conta do recado.

- Como líbero: de repente, no caso de, numa chance remota, aconteça uma fatalidade e a Fabi não possa jogar... temos de novo a opção da Sassá.

- Saque: acho que não, né?

- Bloqueio: nossa, eu consigo imaginar o medo das adversárias na final do GP quando viram uma jogadora de 1,80 m entrar para “aumentar” a rede. Apesar da imensa qualidade no fundamento, nesses casos o que conta é altura, o quanto você consegue impressionar o adversário. Uma coisa é você olhar pra rede e ver Mari, Walewska e Fabiana. Outra é ver Mari, Walewska e Valeskinha. Desculpem, mas não deve nem fazer cócegas.

Por tudo isso, meu voto seria pela permanência da Gattaz. Apesar de achar que a 12ª jogadora, independente de quem seja, mal vai por os pés na quadra.

Comentários

Raquel disse…
Acho que a Valeskinha está sendo levada para Pequim por ser uma força no grupo. Não vai por méritos técnicos, vai para ajudar a levantar a moral da tropa e manter coesa a equipe. Foi união o que faltou em 2004, não foi? Pois Valeskinha é uma garantia, para Zé Roberto, de que desta vez a maionese não vai desandar. Ela vai ser a representante do Zé entre as atletas.
Cético das Quadras disse…
Tb ñ entendi essa de levar a Valesquinha. Axei até o final que a Carol G. fosse continuar. Axo que vai dar m... de novo!!!
Leandra disse…
Tinha era que levar a Venturini pra Pequim. Fazer um esforço para suportar a arrogância dela, mas garantir a qualidade técnica. Não adianta, se tem diferencial tem que usar. Lembram do Romário em 1994? Se perderem a medalha de novo, a Venturosa vai rir sozinha...