De Olho Nelas: As Italianas

Saiu a convocação da Itália para os Jogos de Pequim:

Taismary Aguero, Jenny Barazza, Paola Cardullo, Nadia Centoni, Paola Croce, Francesca Ferretti, Simona Gioli, Martina Guiggi , Eleonora Lo Bianco, Serena Ortolani, Francesca Piccinini , Manuela Secolo.

A escolha de Massimo Barbolini, técnico italiano, certamente foi dificultada com o corte de Del Core por motivos de saúde. Com ela no time, tudo estava muito bem encaminhado. Teria um corte no meio-de-rede e uma escolha entre levar a segunda líbero ou mais uma atacante.

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Barbolini fez o que melhor podia. Optou trazer ao time mais uma oposto, a Centoni, deslocando assim Aguero para ponta. Escolheu, também, trazer mais uma líbero: Paola Croce. Nos momentos mais caóticos para a recepção, ela será a solução do problema.

Não havia muitas saídas. As demais opções de Barbolini não eram muito inspiradoras. Dentre as pré-convocadas, ele poderia ter optado por apostar em Bosseti, jovem promessa, mas provavelmente sem ‘taco’ pra segurar tamanha missão; e Fiorin, também jovem, já com outras passagens pela seleção, mas que, ao que parece, não está em grande fase – não deve ter sido à toa que ficou treinando com a seleção 'B' italiana.

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Mesmo com essas resoluções, o ‘buraco’ deixado por Del Core na recepção não será fácil de ser preenchido. Não há na seleção italiana alguém que a substitua à altura.

O Grand Prix foi uma amostra do problema que a Itália terá que gerir nessas próximas semanas. Manuela Secolo, apesar de melhor qualificada para a recepção, não demonstrou ter a mesma utilidade quando inicia o jogo, parece ser jogadora para entrar no meio da partida. Aguero perdeu muito seu poder de ataque jogando como ponteira. Fora que com uma atuação irregular no passe, transferiu muita responsabilidade para Piccinini. Aliás, esta, coitada, ficou sobrecarregada no GP com a missão de cuidar da recepção e ainda ser uma das maiores pontuadoras em boa parte das partidas da fase final, já que Aguero fez um campeonato muito abaixo de suas qualidades. Ortolani, por sua vez, também é uma jogadora que se destaca muito mais na posição de oposto do que como ponta.

A grande conclusão é que, independente das escolhas, o calcanhar-de-Aquiles da Itália está mais exposto do que nunca, e à disposição dos adversários.

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Detalhes tão pequenos...

- Centoni praticamente teve ressuscitada sua esperança de ir as Olimpíadas no momento em que Del Core foi cortada. Ela treinava separada da equipe principal - com a seleção ‘B’, na Itália - e as escolhas do técnico para a posição de oposto tendiam para Aguero e Ortolani. É uma ótima jogadora, e, independente do problema “Del Core”, deveria constar nesta lista das 12.
 
- Fiquei surpreendida ao ler em um fórum italiano de vôlei, alguns torcedores defendendo a idéia de cortar a Aguero, baseados na inconstante atuação dela durante GP. Em primeiro lugar, ela é cubana. Ou seja, esperem as Olimpíadas pra ver o quanto ela vai jogar. A gente sabe muito bem como elas crescem nesses grandes campeonatos. Depois, caiam na realidade. O time da Itália não seria apontado como um dos favoritos a medalha de ouro se não fosse a presença da Aguero. Não passaria de um time razoável, sem qualquer diferencial.

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