segunda-feira, 22 de agosto de 2016

2020 e mais além


Com ou sem medalha, a seleção feminina chegaria neste momento. Finda a Olimpíada do Rio, o Brasil entra num processo obrigatório de renovação. Processo que por si só já é difícil e que, pelo conservadorismo do Zé Roberto e a falta de uma geração jovem mais qualificada, será ainda mais complicado.

As saídas de Fabiana e Sheilla deixam um hiato nas suas respectivas posições. Há tempos não temos ninguém em condições de disputar com titularidade da Sheilla, muito menos teremos uma substituta a sua altura agora. O mesmo se pode dizer da Fabiana. Temos centrais competentes até, mas sem o mesmo físico e capacidade de decisão da capitã.

Estas saídas vão exigir que a seleção se reinvente no modo de jogar e, mais importante, não tenha medo de fazer isso. O Brasil vai precisar romper com alguma de suas crenças e, provavelmente, rever nomes cativos até o momento. Por isso, acho que o Zé Roberto não tem o perfil que a seleção precisa daqui para frente. 


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O Zé teve a capacidade de reerguer a seleção em 2005 depois de um trauma parecido ao sofrido este ano. Mas construiu a base do que seria o time supercampeão aproveitando a renovação que o Marco Aurélio teve que fazer
à força depois da “rebelião” das comandadas titulares em 2002. Também teve ali, à disposição, uma geração especial: Paula, Jaqueline, Sheilla, Fabizinha, Fabi. Uns nomes com mais, outros com menos rodagem internacional, mas todos que, à época, já mostravam potencial.

Agora não há nomes que se destaquem da mesma maneira. Ao menos não na quantidade necessária. E aqueles poucos que se destacam, não tiveram oportunidades suficientes de defender a seleção principal. 

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Eu não sei qual é a intenção da CBV para o comando da seleção feminina. Arrisco o palpite de que tudo depende da vontade do Zé Roberto. Se ele quiser continuar, a CBV não o impedirá. E eu acho que (puro palpite mesmo) ele não vai querer encerrar seu ciclo na seleção desta maneira, sem uma medalha olímpica.

Sei que dizer adeus ao Zé provavelmente é dizer adeus a uma comissão técnica extremamente competente. Fisicamente nesta Olimpíada, não teve seleção melhor do que a brasileira. Ainda assim, a mudança me parece extremamente necessária neste momento. Não trocar agora pode nos custar muito caro mais adiante, ainda mais se o Zé não revir sua filosofia de trabalho.

Só não sei, sinceramente, qual nome poderia substituí-lo. Além de ser, obviamente, competente, o novo treinador teria que ter uma personalidade firme para defender seu trabalho das cobranças por resultados. Não pode ter medo de tentar, ainda que isso custe um período de seca de conquistas ao Brasil.

Marco Aurélio? Paulo Coco? Spencer Lee? Bernardinho? Fora o Bernardo, nenhum nome convence por completo. Uma prova de que temos um hiato nesta “posição” também e que o Brasil precisa se preparar melhor para o adeus do Zé e do Bernardinho que, mais cedo ou mais tarde, virá. 



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O desafio brasileiro estará não só na reconstrução do time como também no de acompanhar as demais seleções que já agora estão em um estágio mais avançado de renovação ou mesmo têm um grupo com mais vigor para enfrentar o novo ciclo.

A China nem se fala. Tem a “monstra” Zhu, de 22 anos, a central bloqueadora Yuan, de 20, que assumiu a titularidade somente nos Jogos, a levantadora Ding, de 26. Todas com um título olímpico nas costas.

A Sérvia também já tem um time bem estruturado para os próximos anos. Tem a Boskovic, com 19 anos. As centrais titulares e a reserva, além da Mihajlovic estão na casa dos 25 anos pra baixo. O cérebro da equipe, a levantadora Ognenovic, mesmo com 32 anos, pode fácil jogar mais um ciclo.

Os EUA têm um time novo também e está sempre formando boas peças de substituição. Até a Holanda começa este novo ciclo com uma base boa para se apoiar e crescer, e com nomes que podem chegar no auge nos próximos anos. 


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No Brasil, nosso “expoente” é a Natália, com 27 anos. E as aspas aqui não são nenhum demérito. É só uma indicação de que a jogadora não é nenhuma novidade e está se firmando, por diversas razões, somente agora na seleção. Acho que sim, ela será uma importante referência para o Brasil nos próximos anos e, ao contrário de muitos, confio na sua capacidade nesta função (não vou me estender para o post não ficar gigante, mas podemos debater isso mais a frente)

Além da Natália, vejo o novo caminho brasileiro sendo montado sobre outros dois experientes pilares: Thaisa e Garay.

A Jaqueline pode me contrariar, mas acho difícil ela conseguir se manter num alto nível, até pelo seu histórico de lesões. Deve seguir a mesma trajetória da Paula depois de Londres. Não a vejo como um dos esteios do novo ciclo, no máximo a vejo complementando o grupo.

Fica difícil imaginar, também, a Gabi, a nossa ‘baby’, como uma jogadora base para esta nova seleção. Acho que os próximos anos dirão se ela tem condições de compensar a baixa estatura e encarar jogos de nível internacional como titular. Por enquanto, não.

Para as demais vagas, deixo tudo em aberto para renovação, inclusive e principalmente no levantamento. É tempo de arriscar. Já se sabe o que vem da Dani Lins. Então, não teria medo de colocar Roberta, Naiane ou Claudinha pra comandar o time. 


 
Se o Zé permanecer, ele será obrigado a substituir algumas peças. Só que “renovação”, para ele, costuma ser chamar nomes diferentes dos atuais, mas que, no fim, representam o mesmo de sempre. Ou seja, se ele não se inovar, é capaz de voltar as irmãs Pavão, Gattaz ou, meu pior pesadelo, Ana Tiemi e Joycinha. 

E, independentemente da qualidade (ou não) de cada uma delas, o momento pede outra coisa. Pede olhar para 2020, 2024 e além.

domingo, 21 de agosto de 2016

Vermelhou


Senta que lá vem textão...


China 3x1 Sérvia

2008. O Brasil elimina a China, última campeã olímpica, em Pequim, e é pela primeira vez medalhista de ouro. Passam-se oito anos e os papeis se invertem. A China nos devolve a eliminação e se consagra campeã em solo brasileiro. 

Uma campeã que, se ainda requer alguns ajustes para se tornar um time mais confiável e redondo, trouxe à quadra um estilo de jogo moderno e arejado.

A China tem formado o seu estilo de jogo na mistura de escolas do vôlei. Tem grandes pitadas orientais, como o volume de jogo e a aceleração das jogadas; mas tem também uma dose de leste europeu, com gigantes em quadra e uma bola de segurança do estilo alta na ponta com a Zhu. E, para completar, é uma seleção com toques brasileiros na superação e na persistência.

Não é porque o ouro veio que a China se tornou a oitava maravilha do mundo e um modelo a ser copiado. Como comentarei mais abaixo, outros resultados poderiam acontecer facilmente nesta equilibrada edição dos Jogos. Mas não há como negar que a China com este título confirma o que já indicava no Mundial: o vôlei feminino está mudando de cara. Já passou da hora do Brasil se ligar e se mexer para não perder o trem dos acontecimentos. 

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Sobre a final especificamente, o passe acabou sendo decisivo nos dois primeiros sets. Os problemas na recepção tiraram um pouco a qualidade da disputa. No terceiro, a situação foi semelhante, mas o set ainda teve uma sobrevida de emoção com uma recuperação extraordinária da Sérvia no placar.

Com exceção do primeiro set, a China mostrou ter mais o controle da partida. Primeiro pelo volume de jogo que apresentou , segundo pela maior regularidade. A Sérvia perdeu ao longo da partida a paciência na troca de bolas e caiu na sua própria armadilha dos erros não forçados.

Sem contar que a Mihajlovic não se encontrou na partida. Ela foi bem marcada pela China e sem conseguir virar, saiu do jogo nos outros fundamentos. Em compensação, a Boskovic travou um duelo belíssimo com a Zhu, principalmente no quarto set. 



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EUA 3x1 Holanda

Falei tanto da pouca força de superação dos EUA que acabei queimando a língua nesta disputa de bronze. As meninas saíram de uma situação bastante delicada no terceiro set quando a Holanda se encaminhava para virar a partida em 2x1. Baixou uma cubana na Larson, que gritou na cara da adversária após um bloqueio. Ali acendeu a centelha da recuperação norte-americana.

Até então os EUA estavam naquele ritmo blasé olhando as holandesas brigarem até o fim por cada bola. Claro que a inferioridade técnica exigiria da Holanda este algo a mais para conseguir o bronze e elas colocaram tudo o que podiam dentro de quadra para equilibrar a partida.

Mas os EUA acordaram a tempo e fizeram valer a sua melhor qualidade. Inverteram a pressão que estavam levando no passe, caçando a Buijs no saque. A atacante, aliás, passou de heroína no segundo set, quando entrou e virou tudo que foi bola, à vilã do terceiro, quando foi pega no bloqueio e quinou os passes.

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No fim, os EUA saem dos Jogos com uma medalha de bronze e também com uma lição a trabalhar para os próximos anos. O time precisa saber se reinventar durante as partidas, ter bem mais jogo de cintura para quando as estatísticas não derem resposta dentro de quadra.

Já a Holanda sai com um honroso e surpreendente quarto lugar. Além da coragem que mencionei anteriormente, o time soube ler suas limitações e usar a força do grupo para amenizar suas fragilidades. 


No entanto, para se manter no grupo de elite, disputando as medalhas das principais competições, terá que ter uma parceira mais sólida para a Sloetjes. Até porque se viu que a oposto sentiu o peso nos momentos finais. Acho que Pietersen apareceu bem nesta Olimpíada no ataque e foi uma jogadora mais confiável neste fundamento do que a Buijs. Mas todas elas ainda pecam no fundo de quadra, tanto no passe como na defesa. Falta uma jogadora mais técnica até para possibilitar a Dikjema utilizar mais a Robin no meio. Quem sabe o Bernardinho, trabalhando com a Buijs nesta temporada no Rexona, dê uma mão neste sentido. 


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Balanço final
 
Antes de começar esta Olimpíada, fiz um post falando do equilíbrio que deveria ter nesta edição. Ainda assim, fui capaz de me surpreender com boa parte dos resultados.

Mesmo no vôlei, esporte onde os números e as probabilidades são bastante representativos do que se vê no campo de disputa, o imprevisível sempre pode acontecer. E, para nossa infelicidade, aconteceu. Mas não foi só o Brasil vítima deste “acaso”. Os EUA também foram, a Sérvia e a Holanda, no sentido oposto, também. 

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Pode-se dizer que esta Olimpíada inicia uma nova era no vôlei feminino. Uma era na qual o Brasil perde protagonismo e na qual os EUA vão ter que suar para se manter no topo contra equipes que chegam forte para ameaça-lo, como é o caso da Sérvia e Holanda, além da China, que tem tudo para comandar este ciclo. Acho até que o encontro entre Brasil e China foi bastante representativo disso. Foi o encontro do passado contra o futuro. E no fim dele e de toda a competição, prevaleceu o futuro.

Claro que esta interpretação só é possível de se fazer agora, com estes resultados. Não duvido que se os Jogos se repetissem daqui a um mês, os resultados seriam totalmente diferentes. Acho que, neste momento, ainda há equilíbrio entre estas seleções. Aí meu papo aqui seria completamente oposto, provavelmente dizendo que a experiência brasileira e norte-americana, por exemplo, fizeram a diferença.

Então não serei oportunista de dizer que era óbvio que o time brasileiro não tinha chance de conquistar a medalha, pois não se renovou, não tinha banco de reservas ou porque mostrou todas as suas cartas na fase final do Grand Prix.

Já vi time ser campeão de tudo quanto é jeito: sem ter banco de reservas de qualidade; sem treinar e se dedicar tanto quanto os adversários; compensando na garra a inferioridade na bola.

A verdade é que, felizmente, não há fórmula ideal para ser vitorioso no esporte. Cada equipe tem que procurar e construir a sua. E, ainda assim, sempre estará sujeita a um puxão de tapete quando se achava que tudo caminhava bem. E está aí a graça do esporte. Quem gosta de fórmulas e ciência exata, que acompanhe uma Olimpíada de Matemática. 

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Tudo isso para dizer que mesmo com um ciclo olímpico que, a meu ver, começou errado em 2013 - com o Zé Roberto convocando o seu time de Campinas para representar a seleção -, o Brasil poderia ter saído com uma medalha, inclusive a de ouro.

Aí todos os problemas que vínhamos apontando nos últimos anos não importariam em nada. Nem a teimosia do Zé, nem as oscilações da Dani, nem as quinadas de Garay e Natália no passe. Ganharíamos apesar de tudo isso. Mesmo a partida contra a China, com todos os problemas que o Brasil teve, podia ter acabado diferente. Assim como a China conquistou o ouro com muitas coisas ainda a melhorar.

E é assim. Todo time tem seus pontos fracos e, a depender do adversário e do jogo, eles podem pesar mais ou menos no resultado; podem ser superados ou não. Por isso, não vou girar minha metralhadora cheia de mágoas por aí e eleger culpados para a desclassificação. Vou aplaudir a China por ter sabido se reinventar na partida das quartas e na competição e lamentar que o Brasil, ao contrário de quatro anos atrás, não tenha tido esta capacidade. É do jogo.

Não adianta nada ficar remoendo esta derrota e tentando canalizar a dor do golpe em uma, duas pessoas ou, pior, achando que nada do trabalho nos últimos quatro anos prestou. Hora de trocar o disco. O mais importante agora é saber como se renovar para seguir em frente, passo que seria necessário independentemente do resultado conquistado no Rio. E é uma missão que não será nada fácil, pois o Brasil sai atrasado na corrida do próximo ciclo, como comentarei no post a seguir.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Os Jogos têm que continuar - Semifinais



Muito estranho não ver o Brasil nas semifinais... Certamente os Jogos perderam muito da sua graça, mas convido vocês a me acompanhar nas análises finais desta edição olímpica. É uma forma até de a gente tocar a v idapara frente e superar aquela derrota nas quartas ainda mal digerida.

Fora que não dá para ignorar ou minimizar o que aconteceu nestas duas grandes semifinais.

Sérvia 3x2 EUA

Que puxada de tapete a Sérvia deu no sonho americano de chegar a sua terceira final consecutiva!

Não foi uma partida regular por parte de nenhuma das equipes. Acho que ela não se estenderia ao tie-break e nem teria este resultado se os EUA tivessem tido mais controle sobre os seus erros.

Mas isso não foi um problema que as norte-americanas apresentaram somente nesta semifinal. Foi um sério calcanhar de Aquiles durante toda a competição. Contra a Sérvia, os erros constantes de saque tiraram a principal arma que os EUA poderiam ter a seu favor.

Para um time que tem na harmonia do conjunto e não exatamente nas individualidades o seu principal valor, dar tantos pontos em erros é quase suicídio.

Agora, a Sérvia teve muito mérito de, no início da partida, ter marcado muito bem as principais jogadas dos EUA. Aliás, o time teve um volume de jogo surpreendente. Matou as principais atacantes norte-americanas, forçando o Kiraly a trocar as titulares. Isso aliado a contusão da Akirandewo logo no início da partida, colocaram o poder ofensivo norte-americano contra a parede e a Glass um tanto perdida nas suas escolhas.

Defensivamente, os EUA demoraram, mas pegaram a Mihajlovic no bloqueio, enfraquecendo a força ofensiva da Sérvia num momento decisivo. Só que a Miha é mais do que uma grande atacante. No tie, comandou a virada sérvia no bloqueio (individual) e no saque juntamente com a Rasic. 



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A Sérvia teve muito mérito em acreditar e buscar a virada no tie-break. Soube desorganizar os planos dos EUA e, como sempre, as norte-americanas não souberam sair de uma situação complicada. Os EUA têm poder 0 de superação e de reviravoltas táticas.

A Sérvia tem-se tornado a cada torneio um time mais completo, porém é ainda muito imprevisível. Não está totalmente maduro. Os altos e baixos impedem que ela possa ser colocada no pódio das grandes seleções que têm marcado as finais das últimas edições dos Jogos. Mas verde ou não, a Sérvia terá uma medalha no peito.

Medalha que será conquistada com algo além daquilo que mostra na bola. Não sei definir se é força de vontade, perseverança, superação. Mas é algo que não se traduz em números e que dá alma ao corpo do time.

Coisa que os EUA não têm. Nunca tiveram, aliás. Em compensação, têm um jogo de muita qualidade e o qual admiro. Mas foi um jogo que apareceu sem o mesmo brilho nesta Olimpíada. O time foi muito inconstante para quem sempre teve a regularidade como característica. Não teve também suas pontas em campanhas inspiradas como no Mundial. Ficou aquém do que podia e do que esperávamos.

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China 3x1 Holanda

Sinceramente não esperava tamanho equilíbrio nesta semifinal. A minha expectativa em relação à China estava superior ao que ela apresentou, principalmente no repertório ofensivo que ficou extremamente concentrado na superpoderosa Zhu. Isso aconteceu porque a Holanda complicou realmente a vida chinesa no passe.

Ela fez muito bem o seu papel no saque e manteve a virada de bola razoavelmente funcionando, com a tradicional e constante troca de ponteiras. Aliás, achava que esta medida do Guidetti impedia que suas atacantes evoluíssem na partida. Mas, no fim, acaba por ser uma ação fundamental para o time manter o fôlego na virada de bola.

Só que a China foi muito comedida nos erros e neutralizou as ações da Sloetjes no bloqueio e na defesa. Se a Holanda não errasse tanto (o que foram os saques da Sloetjes?), a China não teria tantas oportunidades para recuperar os placares no primeiro e quarto sets.

Claro que há por trás destas recuperações também um trabalho de persistência chinesa. A China tira uns pontos aqui, outros acolá. Quando se vê, toma conta do placar. Muito traiçoeira. Se o Brasil não soube se proteger deste veneno, que dirá a Holanda, recém chegada ao mundo dos adultos do vôlei feminino. 


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De qualquer forma, a Holanda fez uma grande campanha e chegou mais longe do que se poderia imaginar. Corajosa, bagunçou a vida de todo mundo, inclusive, indiretamente, a do Brasil.

E a China chega à final com dois times possíveis de aparecer em quadra. Um que, com o passe na mão, tem um dos melhores senão o melhor e mais rico sistema ofensivo; outro que, com o passe quebrado, se assemelha à Rússia e fica na dependência de uma jogadora, a Zhu. O que, convenhamos, não é de todo o mal. 



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Quem leva o MVP desta Olimpíada? Mihajlovic ou Zhu?

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Parece que o jogo virou... - Brasil 2x3 China

Eliminação no handebol, no futebol, no vôlei de praia. O dia definitivamente não era para os esportes coletivos femininos. Eu sinceramente temia que o mesmo acontecesse no vôlei.

Meu medo foi embora depois do primeiro set perfeito da seleção. Pronto. O Brasil estava em quadra, o dia poderia terminar bem.

Só que a partir do segundo set a história mudou. Começou com alguns erros de saque, depois de recepção. Pronto. A China estava em quadra. 

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Foi ali no segundo set que se definiu a partida. O Brasil diminuiu a agressividade no saque. Como consequência, caiu no bloqueio e na defesa. A China, mais tranquila e confiante na virada de bola, começou a nos ameaçar no saque. Tudo o que o Brasil não poderia permitir.

A partir daí a seleção se perdeu na partida e só foi se encontrar no quarto set. Um tanto na marra, mais do que na qualidade. Voltou a fazer a China a sentir a pressão com a ajuda da torcida. Mas, como falei, os problemas não haviam sido realmente resolvidos. A recepção, a organização dos contra-ataques e o saque continuavam oscilando. 

Faltou à seleção maior tranquilidade para ter uma visão mais clara do jogo nos momentos de aperto. O Brasil errou demais e em momentos comprometedores. Esqueceu-se de que do outro lado da quadra havia um time imaturo e quem era o bicampeão olímpico. Acho que final do tie-break exemplifica bem isso.

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Os problemas que a seleção apresentou nesta partida não foram novidades: o passe, a irregularidade do saque e as oscilações da Dani. De novo, ela demorou demais para colocar as centrais no jogo. Fez escolhas erradas em momentos cruciais, como em acionar Garay e Natália quando elas recém tinham feito uma defesa e estavam estateladas no chão.

Nesta partida ficou claro o quanto o Zé Roberto  (não) confiava na Fabíola e na sua condição física. Se na hora do aperto, você não pode contar com sua levantadora reserva, não tem porque leva-la. A opção pela experiência da Fabíola era para isso, não? 

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Garay e Natália foram gigantes nesta partida no ataque. Pecaram naquilo que era reconhecidamente suas maiores fragilidades, o passe e isso nos custou alguns pontos, é verdade. Mas o Brasil teve nelas a segurança da definição durante o jogo.

Trago isso à tona pra dizer que, ao contrário do que vinha acontecendo, a virada de bola não foi a maior dificuldade do Brasil. Incrivelmente, o maior obstáculo foi jogar defensivamente e no contra-ataque, o que tinha sido nosso diferencial até então.

Lang Ping tirou uma carta na manga com a Liu, atacante que, assim como a Zhu, o Brasil não conseguiu achar na marcação. 

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Durante toda a fase de classificação, temi este confronto de quartas com a China. Ela não tinha jogado tudo o que podia e o Brasil, apesar das boas atuações, tinha sido muito pouco testado. No fim, a China aprontou o mesmo que o Brasil em 2012 e se credencia fortemente para o ouro.

O Brasil sai de cena junto com todo o grupo A, só que, no caso dele, sai cedo demais. Certamente tinha time para disputar medalha, inclusive o ouro. Mas competição é assim mesmo. Tem que contar com competência e sorte na hora certa. E o quesito sobre o qual tinha controle , a competência, o Brasil ficou aquém nesta quartas. Sorte e mérito da China.
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Com esta desclassificação prematura, encerra-se de forma melancólica um ciclo extremamente vitorioso. Fabiana e Sheilla já anunciaram que não defendem mais a seleção. O que virá para os próximos anos, deixo para um próximo post.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Pá Pum - Sérvia 3x0 Rússia


Pela segunda Olimpíada seguida, a Rússia cai nas quartas de final. Desta vez, porém, a eliminação foi rápida e indolor. Quer dizer, as russas não devem concordar comigo neste último adjetivo. Mas elas estiveram tão fora de jogo que não devem nem ter tido tempo ainda de assimilar a dor da derrota. A partida não durou sequer 1h30 (para ser mais específica, mal passou da primeira hora: 1h09).

A Rússia simplesmente foi patrolada pela Sérvia no primeiro set. Fica difícil para qualquer seleção colocar-se de pé depois de uma derrota por 25x9. O time russo tentou, reagiu no final do segundo set e fez um terceiro mais equilibrado.

Só que a Sérvia não recuou na pressão no saque. A linha de passe russo comprometeu, primeiro com Shcherban, depois com Voronkova. O melhor momento da Rússia na partida foi exatamente quando a líbero reserva Ezhova entrou no fundo de quadra. No mais, era Kosheleva e Goncharova tentando ir atrás do estrago feito na recepção.

Desestruturada, a Rússia não conseguiu bagunçar a casa sérvia. Com exceção de uma rede no terceiro set que travou, o ataque da Sérvia fluiu muito bem. A dupla Mihajlovic e Boskovic tirou o protagonismo da dupla de atacantes russa.

A vitória foi muito semelhante à conquistada contra a China, na qual a Sérvia não tomou conhecimento de quem estava do outro lado. Jogou, é verdade, sem grande pressão, o que permitiu melhor controle dos erros. 


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A Sérvia consegue, assim como a Holanda, a sua primeira classificação para uma semifinal olímpica. Depois de vários ensaios, finalmente consegue entrar no primeiro pelotão do vôlei internacional. E acho que tem condições de se manter nele.

Já a Rússia dá adeus a um ciclo para ser esquecido. Marichev mostrou não ter qualquer comando sobre as jogadoras muito menos coerência nas suas escolhas. O time russo viveu estes quatro anos sempre na expectativa de contar ou não com Sokolova e Gamova e esqueceu de andar para frente.

Todo o respeito que se prestou à Rússia neste ciclo foi muito mais referente ao seu passado e às duas jogadoras fora de série que têm, Kosheleva e Goncharova. É um desperdício tê-las na mesma geração e formar um time tão pouco competitivo como se mostrou a Rússia. Pelo bem do vôlei e da nossa rivalidade favorita, seria bom tê-la verdadeiramente de volta ao campo de batalha nos próximos anos. Um time que imponha respeito pelo o que é, não pelo que foi. 

O previsível - EUA 3x0 Japão


O Japão precisaria de uma combinação de fatores para conseguir a façanha de chegar à semifinal. Um deles seria contar com um Estados Unidos jogando bem abaixo do seu normal.

E olha que isso não ficou muito longe de acontecer. Os EUA deram muitos pontos em erros para o Japão, principalmente no segundo set. Erros bobos em toque de rede ou em ataques precipitados.

Senti ali em quadra uma certa displicência por parte das norte-americanas. Acho que os EUA pensaram que a vitória viria naturalmente e não mantiveram a concentração necessária para reagir quando foram mais exigidos no passe e no ataque, com a boa defesa japonesa. 
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Mas, como falei, somente as bobeadas norte-americanas não seriam suficientes para o Japão. Ele teria que saber manter a disputa no ataque. E isso foi difícil, mesmo tendo a Ishii com boa atuação. Sem um passe regular, e com Kimura bem marcada, a seleção ficou com menor poder de definição.

Poder que os EUA tiveram com todas as suas atacantes, com exceção da Murphy. A Glass jogou boa parte da partida com o passe na mão, tendo quase sempre as centrais à disposição.

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O Japão foi guerreiro, mas se despede da competição junto com a Coreia, o seu adversário da disputa de terceiro lugar em 2012. Acho que foi por lá que esta seleção parou, aliás.

E os EUA seguem para mais uma semifinal, como era esperado. 

A zebra é laranja - Holanda 3x1 Coreia

A Holanda fez história e garantiu pela primeira vez uma vaga numa semifinal olímpica.

A partida deixou clara a diferença de qualidade dos dois grupos. A Coreia precisaria mais do que a Kim inspirada para bater holandesas. Precisaria de uma estratégia de saque e ataque muito mais consistentes do que tinha demonstrado até então.

E não fez isso. O saque coreano só foi se aproveitar da problemática linha de passe holandesa no terceiro set, quando a Holanda, mal acostumada pela extrema facilidade dos dois primeiros sets, baixou a guarda.

Até aquele momento, o Guidetti nem tinha precisado se utilizar daquele usual troca-troca de ponteiras. Buijs e Pietersen jogavam soltas.

Se a Coreia não conseguiu ameaçar de forma convincente a Holanda tampouco fez bem a sua parte no passe e ataque. A impressão que a levantadora coreana passa é a de que não tem a mínima noção do que faz. Vai fazendo as escolhas aleatoriamente, sem pensar na marcação adversária ou na composição de sua rede.

Na Holanda, a Dikjema aproveitou muito pouco suas centrais, principalmente a Robin. Os dois primeiros sets permitiram isso, mas ela ignorou estas jogadas. Preferiu ficar pelas pontas. Pelo menos, elas responderam bem. 


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A equipe do Guidetti é a surpresa desta competição. Para esta conquista histórica, a Holanda contou com uma pitada de sorte no cruzamento de quarta de final, é verdade, mas, acima de tudo, demonstrou muita competência. 

  
O seu grande mérito foi, num grupo difícil, ter entrado com muita coragem para cima de todos os adversários. Perdeu o respeito pelas favoritas, no melhor sentido da expressão. 
 
Claro que somente isso não a levaria a uma boa colocação no grupo. A Holanda teve uma distribuição até o momento mais equilibrada e livrou-se um pouco da "Sloetjes-dependência". Ainda é a oposto a bola de segurança e de definição, mas as outras atacantes têm aliviado a responsabilidade durante o set.
A Holanda soube também explorar os pontos fracos das equipes mais fortes. Colocou chinesas e norte-americanas para errar, fazendo pressão no saque e com um bom volume de jogo.  

É ainda um time com problemas sérios na recepção e com jogadoras, como a Buijs, que ainda sentem o peso da decisão. Mas o mais importante já conseguiu, brigará por uma medalha. E agora entra na semifinal numa situação confortável, a de franco-atiradora.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Agora é matar ou morrer

No fim, o sorteio acabou por definir o cruzamento natural entre os segundo e o terceiro colocados de cada grupo.

Os confrontos de quartas de final será o seguinte:

Coreia x Holanda – 10h

A Holanda se deu bem, a Rússia seria um adversário mais difícil. Acho que o time holandês tem demonstrado ter muito mais recursos do que o coreano. Se encontrar a marcação sobre a Kim e ter controle sobre seus erros não forçados, a Holanda tem ótimas chances de fazer história nesta Olimpíada.

O curioso é que se pode dizer que, por trajetórias semelhantes, a Holanda em 2016 é a Coreia de 2012. Bateram uma das equipes favoritas do grupo e encontraram cruzamentos mais favoráveis nas quartas.

Por consequência, o mesmo se pode dizer da China e do Brasil. A seleção chinesa começou mal os Jogos e se classificou em quarto, assim como o Brasil em 2012. Claro, sem tanto drama e sofrimento, mas acabou proporcionando uma quartas de final dura que eliminará uma das favoritas ao pódio antes da hora.

Espero que as semelhanças neste caso parem por aí. 
 
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Sérvia x Rússia – 18h

Disputa, a meu ver, muito em aberto. São duas equipes semelhantes nos seus pontos fracos (recepção e excesso de erros) e fortes (poder ofensivo e bloqueio). Só que acredito que a Sérvia vive um melhor momento.

É um time de mais recursos ofensivos por ter uma levantadora bem mais habilidosa do que as duas burocráticas que compõe o time russo. No saque, também, leva uma certa vantagem pelo que apresentou até o momento.

Em compensação, é uma seleção ainda instável e pode ser a sua principal inimiga por causa disso. A Rússia tem mais cancha para estes momentos e, se a Sérvia baixar a guarda e o Marichev não atrapalhar, pode tomar o controle da partida. 

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EUA x Japão – 14h

Brasil x China – 22h15

Estes dois confrontos já comentei no post abaixo. Os EUA têm o caminho tranquilo, mas pega na semifinal o vencedor de Rússia e Sérvia.

Acredito que o vencedor de China e Brasil estará na final. Se a China vencer o Brasil é porque terá se reencontrado na competição e chegará embalada na semifinal. E se o Brasil passar, ele saberá como bater tanto Coreia como esta ‘nova’ Holanda. Contra as duas, o jogo brasileiro encaixa muito bem. 

O melhor nos números e na bola - Brasil 3x0 Rússia


O Brasil encerrou a primeira fase invicto e sem perder nenhum set. Pelos adversários enfrentados, isso diz muito pouco. O importante é saber como a seleção obteve estes resultados. Observando isso, podemos ficar otimistas para esta nova fase da Olimpíada.

No último confronto, o adversário mais forte. Com exceção do primeiro set, quando a Rússia nos presenteou com muitos pontos em erros, a vitória foi conquistada por mérito próprio.

Conquistada através de, novamente, muito volume de jogo e qualidade nos contra-ataques. O Brasil demorou a engrenar na marcação, mas quando encontrou o tempo das atacantes russas, tanto no bloqueio como na defesa, teve a chave para disparar no placar. 
 
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Dani demorou a utilizar as centrais, mas nossas ponteiras se viraram muito bem. Natália teve momentos sensacionais, montando na bola; Sheilla foi decisiva, abusando da habilidade; e Garay carregou bem a responsabilidade de pontuar nos primeiros sets.

Saiu da partida muito em função do passe ruim. Algumas vezes ela se precipitou e até se meteu na frente da Léia. O problema maior não é nem entregar um passe ruim para a Dani. Ainda que dê muito mais trabalho, o Brasil tem conseguido passar a bola pro outro lado e trabalhar na defesa e contra-ataque para compensar a dificuldade na recepção e virada de bola. O mais comprometedor é quinar e dar pontos em erros no passe para o adversário. A Jaque entrou e ajudou a estancar o que poderia ser um caminho para a Rússia nos bater.

Foi importante, de qualquer forma, termos tido esta situação agora até para ver como o time se saía. E a equipe absorveu bem a entrada da Jaque e a falta de uma saída importante no ataque que vinha sendo a Garay. O melhor passe possibilitou que Fabiana e Thaisa entrassem mais no jogo e não sobrecarregasse a Sheilla e Natália.

No mais, a relação saque e bloqueio esteve muito bem. Muitas vezes o Brasil chegou com o triplo pra cima de Kosheleva e Cia. Dani se destacou nestes dois fundamentos. E, no levantamento, esteve muito bem, acertando a bola da Natália. Cresceu com a qualidade do passe, mas, o mais importante, foi correta nos contra-ataques. Ainda assim, é capaz de momentos muito broxantes, de erros que são difíceis de se explicar... (sim, esta observação final é só para não deixar de pegar no pé dela).

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Bom, esta fase foi ótima. Agora ponto final, novo parágrafo. Outro campeonato começa.

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Quartas de final - Brasil x China

A China que se vê nestes Jogos está longe de ser assustadora, mas ainda acho que tem potencial para ser perigosa. No primeiro set contra os EUA, ela deu sinais daquela China que nos atormentou no Grand Prix. Tomara que não, mas pode ter sido um início de recuperação.

Para barrar isso, o Brasil precisa seguir dois caminhos. O primeiro, o do saque. E não precisa ser dos mais forçados, elas se complicam com certa facilidade. O importante é evitar que a Ding ou a Wei joguem com velocidade.

O segundo caminho é pelo volume de jogo. A China não sustenta por muito tempo a troca de bolas sem cometer erros. E o Brasil tem mostrado que está com a defesa e a paciência necessárias para forçar as chinesas a falharem.

Não era definitivamente o confronto que se esperava nesta fase. A lembrança do último encontro não é das melhores e acho que é importante termos ela presente para sabermos que a China não é somente isso que apresentou até agora. Mas o momento é outro. A confiança e a segurança estão do lado brasileiro. Que continuem por aqui.

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Sérvia 2x3 Holanda
Jogo de placar equilibrado, mas de qualidade duvidosa.

Se a Sérvia tivesse contado com a Mihajlovic (não sei bem por qual razão foi poupada pelo Terzic) talvez tivesse levado a vitória. Mas não deixaria de apresentar uma enxurrada de erros como lhe é comum.

A Holanda, no entanto, não ficou atrás neste quesito. Depois de dois primeiros sets muito convincentes, nos quais teve controle da recepção e uma boa marcação das jogadas com as centrais da Sérvia, perdeu força ofensiva com erros no passe. Para seu desespero, seu principal desafogo, a Sloetjes, também caiu de rendimento. Sorte que depois de muito troca-troca, a Holanda encontrou na Pietersen a segurança pelas pontas no tie-break.

A levantadora Ognenovic foi outra jogadora que se perdeu durante a partida, errando jogadas banais e fazendo escolhas precipitadas. A inversão feita pelo Terzic trouxe maior fôlego para o ataque sérvio, com a Brakocevic relembrando, ao menos no começo, a melhor fase de sua carreira. Ainda assim, a mudança não trouxe aquilo que o time mais precisava: regularidade. Quase perdeu vantagens importantes conquistadas no terceiro e quarto sets.

A Sérvia lutou para chegar no tie-break talvez mais porque soubesse que o pontinho conquistado ali a faria escapar do quarto lugar do que porque queria a vitória. Só isso para explicar a insistência da levantadora em acionar a Busa, que tinha ficado de escanteio a partida inteira, mesmo ela cometendo erro atrás de erro. E também o Terzic inabalável no banco, sem pedir tempo ou fazer qualquer alteração enquanto assistia o barco afundar. 

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EUA 3x1 China

O que imaginávamos que seria a decisão do primeiro lugar do grupo antes da Olimpíada começar se transformou num jogo apenas para cumprir tabela. Independentemente do resultado, nem EUA perderiam seu primeiro lugar nem a China alcançaria melhor posição que a quarta.

Mas as duas equipes levaram a sério a partida. A China precisava disso para tentar reencontrar seu vôlei. Até que conseguiu, mas somente durante o primeiro set. Depois dele, as chinesas não conseguiram mais pressionar a linha de passe norte-americana. Do contrário, foram elas que sofreram com uma recepção muito ruim.

Lang Ping optou pela experiência na ponta, começando com a Rui. Só que ela foi caçada pelo saque dos EUA e não respondeu bem. Fica ainda mais difícil para um time tão jovem como o chinês quando logo as jogadoras mais experientes não conseguem dar estabilidade a ele.

Mais uma vez o jogo chinês ficou concentrado na Zhu, que teve até um aproveitamento melhor do que vinha apresentando nas outras partidas. O ataque em si não foi o maior problema da China. O que pesou contra foi a falta de qualidade, paciência e experiência para trabalhar a troca de bola contra uns EUA de ótimo volume de jogo. Os EUA foram muito mais organizados e certeiros no seus contra-ataques.

Percebe-se que a Glass pôde acelerar o jogo pela quantidade de vezes que acionou a Larson e a Akirandewo. Murphy apareceu bem, mas está longe de ser a bola de segurança, papel que cabe à central.

Hill tem alternado altos e baixos no torneio, mas uma coisa é certa até o momento: está penando no passe. Robinson, que até o ano passado não era nenhuma especialista neste fundamento, tem melhorado a linha de passe quando entra em alguns momentos no fundo de quadra.

A queda de rendimento chinesa possibilitou até que o Kiraly colocasse outras jogadoras para ganhar ritmo. Harmotto foi uma delas, Robinson foi outra e não fez os EUA sentirem falta da Hill. A ponteira pode não ameaçar a titularidade da MVP do Mundial, mas é um exemplo dos bons recursos do banco norte-americano. 

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Quartas de final - EUA x Japão

Os EUA agora pegam o Japão. O adversário vai destoar dos últimos enfrentados, deve dar muito pouco trabalho. Classificação garantida para as semi, portanto. Esta é recompensa para quem, no grupo da morte, saiu vivo e com muito poucos arranhões. 
 
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Demais resultados da última rodada:

Itália 3x0 Porto Rico (Grupo B)

Coreia 3x0 Camarões (Grupo A)
 
Japão 3x0 Argentina (Grupo A)

sábado, 13 de agosto de 2016

O troco - Brasil 3x0 Coreia


Sem chance para surpresa nesta Olimpíada. O Brasil devolveu o 3x0 sofrido em Londres e enterrou de vez este fantasminha que nunca deveria ter existido.

O Brasil de 2016 vive um momento completamente diferente do que vivia em 2012 na fase classificatória. A seleção começou estes Jogos muito solta. O jogo brasileiro flui com facilidade e o volume de jogo está de alto nível.

Assim, o principal adversário que poderia estar em quadra – o próprio Brasil – não apareceu. Nada de erros de graça ou cochiladas. No máximo, alguns problemas isolados na recepção com Natália e Garay, que foram rapidamente superados.

A única queda significativa de desempenho do time aconteceu no terceiro set e foi causada pelas mudanças no time. Jaque e Gabi entraram em quadra, o que deu uma travada no nosso ataque. Jaque ainda errou uma recepção que possibilitou o empate coreano. Ainda assim, este aperto foi “friamente calculado” pelo Zé Roberto, que, mesmo com os problemas, não desistiu das modificações. E fez a escolha certa. O Brasil precisa passar por estes momentos e precisa testar a composição da linha de passe com a Jaque. 
 
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O segundo adversário, a Kim, o Brasil matou logo no primeiro set. A seleção veio com a atacante bem estudada e colocou as marcações em prática com um bom posicionamento na defesa.

A marcação fez a Kim recuar a ponto de o treinador coreano, numa decisão rara, substituí-la. Ele mostrou que a existe vida sem a Kim, mas que ela não tem a menor graça. Até que vimos a oposta Kim e a central Yang terem maior protagonismo e conseguirem bons ataques, mas a Coreia sem a Kim somente sobrevive. Vira uma Tailândia sem criatividade e sem velocidade.

No mais, para vencer a Coreia com Kim ou sem Kim, o Brasil manteve uma boa regularidade e qualidade nos saques. Só nisso já conquistou metade dos pontos no set, tamanha a fragilidade da recepção coreana.

Sem se apressar, soube trabalhar a bola para pontuar na hora certa. Natália teve uma grande noite no ataque, mostrando aquela potência física vista no Rexona na última temporada. Ao contrário de outras partidas - acho que até por causa da melhora do levantemento -, teve um repertório de golpes mais variado, mesclando força e jeito, paralela e diagonal.

Depois de dois asiáticos (ou três, contando a super defesa da Argentina), o Brasil pega a Rússia com suas bolas lentas com Goncharova e Kosheleva. Não tenho dúvidas de que a seleção vai mudar a chave rapidamente e se adaptar defensivamente muito bem para este outro estilo de ataque. A minha preocupação está no nosso passe porque o saque russo, como comentarei a seguir, venceu o Japão nesta rodada. 

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Rússia 3x0 Japão

Esta geração japonesa não é da mais habilidosas na linha de passe, mas acho que nunca vi um desempenho tão ruim da recepção japonesa como neste jogo. O Japão já tinha demonstrado fortemente este problema contra o Brasil, mas contra a Rússia foi mais grave.

E, surpreendentemente, a Rússia não foi tomada de altos e baixos. Pelo menos não neste fundamento - nos demais não se pode dizer o mesmo.

O Japão poderia ter complicado a partida se tivesse feito a mesma pressão contra a Rússia no saque. Fez isso no segundo set e se aproximou da vitória. A entrada da Miyashita no levantamento também deu uma melhorada no time, pois ela deu uma leve acelerada ao ataque japonês e quebrou o forte bloqueio russo.

Mas fica difícil para uma seleção ambicionar mais do que um, no máximo, dois sets contra times como a Rússia, quando, além de um passe ruim, tem pouca força de ataque. Como tenho falado, o Japão retrocedeu. Perdeu em qualidade técnica no fundo da quadra e não evoluiu fisicamente para ter maior força ofensiva. O Japão precisa de um trabalho bem mais transformador de renovação, uma repaginação mesmo.

A Rússia, por sua vez, continua a mesma. Inclusive na displicência. Em pleno sufoco do segundo set, as russas achavam tudo engraçado. A impressão que deu é que elas não estavam nem aí para a possibilidade de derrota no set ou mesmo pela situação ridícula de parar constantemente num bloqueio 20cm mais baixo do que elas. 

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Sérvia 3x0 China

Vitória maiúscula da Sérvia. A China mal viu a cor da bola nos dois primeiros sets, totalmente desestruturada pelo saque adversário. A pressão só não foi maior porque a própria Sérvia caiu de rendimento a cada final de set, principalmente no saque.

A China sofreu demais na virada de bola enquanto os contra-ataques da Sérvia foram fatais com a dupla Mihajlovic e Boskovic muito bem. A Sérvia foi superior até mesmo no sistema defensivo.

É surpreendente como a China, mesmo com as brechas dadas pela Sérvia em erros, não conseguiu se encontrar na partida. A seleção não está assim não consistente como eu imaginava que estaria nestes Jogos. Tanto Holanda como Sérvia são equipes que cometem muitos erros e que se desestabilizam facilmente quando o passe não funciona. Mas a China não soube em nenhum destes confrontos: primeiro, trabalhar sob pressão; segundo, aproveitar os pontos fracos dos adversários para impor seu jogo.

Jogo que, até o momento, tem ficado muito parecido com o que apresentou na Copa do Mundo e se afastado do mostrou no Grand Prix. Ou seja, muito concentrado nas bolas com a Ting Zhu e sem velocidade. O time tem sentido falta de uma saída boa com as opostos também. A jovem Gong não está segurando bem a responsabilidade de ser titular e a sua reserva, Yang, não tem melhorado a situação.

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Decepcionante a forma que o time começou esta Olimpíada e a posição que, ao que tudo indica, terminará no grupo - ou seja, em quarto. Ainda assim, me preocupo com o provável confronto com o Brasil nas quartas. Entre Holanda e China, ainda prefiro a Holanda. A China tem potencial para mostrar mais do que mostrou até agora, a Holanda dificilmente sairá do que vimos até o momento e que já é um nível de superação. Entre China e Sérvia, prefiro a China.

Mas preferência não define nada. Temos que esperar os dois grandes jogos de domingo que envolvem, em confrontos diretos, exatamente as quatro seleções classificadas do Grupo B: Holanda vs Sérvia e China vs EUA. 

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Demais resultados da 4º rodada:
 
EUA 3x1 Itália (Grupo B)
 
Argentina 3x2 Camarões (Grupo A)
 
Holanda 3x0 Porto Rico (Grupo B)