sexta-feira, 23 de setembro de 2016

O dia do fico

O Zé Roberto disse hoje ao povo que fica. A seleção brasileira feminina estará por mais um ciclo olímpico sob seu comando.

Seria uma insanidade negar a competência do Zé, um dos treinadores mais vitoriosos do mundo, ou mesmo resumi-lo a um supersticioso sortudo, como às vezes se lê por aí. Acontece que, entre tantas qualidades que o fazem vencedor, não está a de ser “pra frentex”, como diria meu pai nos anos 1970.

O Zé é conservador. Gosta de trabalhar com um grupo pequeno, manter a mesma base de time titular, fazer poucas trocas. O Grand Prix e suas quatro semanas de competição são, para ele, mais um torneio a vencer enquanto que, para outros treinadores, são um excelente campo de testes.

É o perfil do Zé. E, com já comentei anteriormente, não me parece o mais adequado para este novo momento da seleção brasileira que precisa praticamente começar do zero. O Zé vai precisar rasgar muitas certezas, reavaliar muitas convicções e abrir mão de vencer tudo e qualquer coisa para conseguir realmente fazer um processo de renovação que mire para além de 2020. 


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Eu já tinha minhas dúvidas da capacidade de reinvenção dele e, logo na primeira entrevista para anunciar sua permanência, ele confirmou o meu receio com esta declaração: “Ainda não estou muito convencido que algumas jogadoras não possam vir a jogar ainda pela seleção. Elas são jovens ainda por idade, são privilegiadas quanto ao físico. A tentativa sempre vai existir”.

Antes mesmo de ouvir esta afirmação, eu já pensava que seria uma grande surpresa se, ao primeiro sinal de dificuldade, ele não ligasse para Sheilla, Fabiana e, até, Fabizinha pedindo que elas voltem ao grupo. No fim, nem vai precisar de dificuldade alguma para que ele corra atrás do passado.

E, ao mesmo tempo, ele fala em renovação, em boas jogadoras da base que estão surgindo. De que adianta ter estas jogadoras se ele não consegue abrir mão das veteranas? Se não são as elas a dar um ponto final na sua história na seleção, o Zé não faz a fila andar. 

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Não me passou uma boa perspectiva as declarações do Zé Roberto. Imaginei que ele iria encarar esta nova etapa de uma maneira semelhante àquela que iniciou em 2005. Mas não. Ele não demonstrou, pelo que li na imprensa, este sentido de urgência por mudanças que aqui do lado de fora das quadras temos.

Também não parece ter compreendido a representatividade da eliminação na Olimpíada, da medalha de ouro da China e do pódio da Rio 2016. Por mais que tenha sido um azar o Brasil ter cruzado com a China nas quartas e que, provavelmente, se repetíssemos os Jogos agora os resultados seriam completamente diferentes, houve ali algumas lições a se tirar.

E o momento que se avizinha não é para ser encarado com esta vibe de “manutenção”, mas, sim, de “transformação”. Algo que, repito, vá além de 2020. Eu tenho medo (parafraseando Regina Duarte) de que a herança que ele deixe após 2020 (se ele deixar a seleção, claro) seja maldita mesmo com dois ouros na balança. 

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Minha plataforma

Como treinadora de arquibancada, o meu plano para a seleção nos próximos quatro anos teriam as seguintes propostas. Primeiro, trabalhar com grupos maiores, que contemplem até jogadoras da base. Segundo, ter um time B para as competições “B”, do estilo do Montreux. Acho que só assim poderemos amenizar a dependência que temos de algumas jogadoras, como foram os casos da Sheilla e da Jaqueline. As possíveis candidatas precisam jogar internacionalmente nem que seja em competições menores.

E, terceiro, começar com outros nomes no levantamento que não Dani Lins e Fabíola. Acho que chegou um ponto que a experiência tem valido pouco à seleção e é preciso ousar. Nomes mais jovens e que podem ser moldados ainda, a meu ver, valem o investimento. 


sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Uma jogadora de primeira na segunda

 
Demorou, mas a Fernanda Garay já definiu seu time para a temporada 2016/17: Guandong Evergrande, da China.

Apesar do nome indicar o contrário, o Evergrande já não é tão grande assim. Depois de um passado recente glorioso, tendo Lang Ping como treinadora e boa base da seleção dos EUA, está na segunda divisão, há três temporadas sem jogar na elite do campeonato chinês.

Ao que parece, o enredo financeiro do até então atual time da Garay, o Dínamo Moscou, acabou por atrasar a “entrada em mercado” da jogadora e dificultou que ela pudesse ser realmente considerada por outras equipes da Turquia, Itália ou mesmo da Rússia para compor os seus elencos. Sem contar a parte financeira. Pelo que se sabe, Garay não é para qualquer time, tem que ter muita grana para bancá-la. Tudo isso, claro, é a impressão que dá aqui de fora, de quem não acompanhou as movimentações de perto. 
 
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Acho que a Garay está descendo um nível na sua carreira e subindo dois, três na sua carteira. Como eu não compartilho da sua conta bancária, lamento que ela vá jogar na segunda divisão chinesa. Certamente seria melhor vê-la em quadra na Europa que, mesmo se (a depender do país) o campeonato nacional não seja de grande exigência, pelo menos tem os campeonatos continentais que possibilitam confrontos mais fortes. Além, é claro, de estar no meio de outras atletas de alto nível.
 
Desconheço o nível de preparação técnica e física que o Guandong Evergrande tem a oferecer, mas este também é outro receio que tenho com o destino da jogadora. É verdade que, em contrapartida, a Garay não é do tipo de relaxar e, até pelo seu histórico, tem uma ótima capacidade de se adaptar a diferentes processos de trabalho sem deixar a qualidade do seu vôlei cair muito. Esse é um dos poucos aspectos que amenizam o meu descontentamento, além do fato de que, 
por ter menor duração, a temporada na China pode possibilitar que a Garay venha a jogar por outra equipe ainda no início do ano que vem.
 
Toda minha preocupação em relação à escolha da Garay está principalmente ligada ao seu futuro na seleção. Não sei qual é a intenção dela referente ao time nacional, mas, como já comentei antes, considero-a importante para comandar o próximo ciclo. Ela está com 30 anos, mas acho que tem condições de chegar bem a uma próxima Olimpíada fisicamente e tecnicamente.
Temo que a segunda divisão da China precipite o início do fim.  Tomara que não.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Menos, bem menos



Depois de um pausa pós-Olimpíada, queria voltar com assuntos mais amenos. Mas a Thaisa não deixou: "Thaisa exige mudanças para permanecer na seleção"
 
Vou desconsiderar a chamada um tanto exagerada e os erros de informação da matéria (Thaisa foi um grande nome em 2008? Brasil caiu nas oitavas em 2016?) e focar somente no que ela falou no pequeno trecho do vídeo.

A Thaisa tem todo direito de ficar descontente por ter jogado pouco na Olimpíada, por ter tido uma temporada difícil, de correr contra o tempo para se recuperar e, no fim, não ter sido recompensada por todo o esforço. Tem todo o direito de ficar irritada com o Zé Roberto e não querer trabalhar com ele mais na seleção (pelo menos foi isso que deixou a entender...).

Thaisa tem todo o direito de SE colocar condições para permanecer na seleção. Agora, falar isto ao público, no momento em que ela tende a ser (se continuar) uma das referências para o grupo que inicia o próximo ciclo olímpico, é deixar claro que ela se coloca acima da seleção. Soa extremamente presunçoso.

Cheguei a comentar no post anterior que a Thaisa seria uma das poucas veteranas que manteria para compor a base do novo ciclo. No entanto, se é para começar deste jeito, é melhor nem continuar.

Thaisa está se saindo uma versão jovem da Venturini - com bem menos bola para exigir qualquer coisa que seja. Gosto da capacidade de revolta com os maus resultados e de autocrítica dela. Sempre apreciei a sua sinceridade, saindo daquele discursinho tradicional e ensaiado que se houve da maioria dos atletas. Ao mesmo tempo não me agrada em nada este tipo de atletas “estrelas” cujo mundo gira em torno de seus umbigos e são os primeiros a expor os colegas quando as coisas dão errado. E Thaisa está se encaminhando para ser um desses (ou ela é assim desde sempre e eu é que não tinha me dado conta). 


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Acho que o efeito negativo da sua personalidade (tanto comentado aqui pelo participante Nei em ocasiões anteriores) era até então, na seleção, amenizado pela Sheilla e pela Fabiana, que, com temperamentos conciliadores, exerciam maior liderança no grupo. Só que no próximo ciclo, a Thaisa, pelo seu histórico, será naturalmente uma das referências e lideranças do grupo. Ela terá mais voz. E que mensagem irá transmitir?

Ela poderia ter dito que está pensando se continua na seleção ou não. Ponto. Se as coisas que a desagradam não mudarem, sai. Mas no momento em que ela fala “Se tiver algumas mudanças na seleção, eu posso ficar. Se não tiver, dificilmente eu fico”, deixa a entender para suas colegas e comissão que, se permaneceu, é porque as coisas estão do jeito que ela quer. Ou seja, a Thaisa é a dona da porra toda. E vimos recentemente que esta postura não fez bem a ela nem ao Osasco.

Tomara que a experiência na Turquia dê a real dimensão à Thaisa da sua qualidade e da sua importância num grupo. Acho que ultimamente ela mesma perdeu esta noção. É uma jogadora especial, mas não é tudo isso que imagina ser e, até, pelo qual ela própria se cobra. 



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Esta se decidiu

Ao menos em 2017, a levantadora Alisha Glass não defenderá os EUA. Vai se dedicar à faculdade e à família. Deixou totalmente em aberto a sua volta em 2018.

Acho que a Glass, apesar de não ser das levantadoras mais regulares, deu uma cara mais moderna ao time norte-americano neste último ciclo, com um estilo de jogo mais leve e  variado do que suas antecessoras. Mas os EUA devem ficar bem entregues às mãos da Lloyd – isso se, bem ao estilo americano de ser, o Kiraly não comece tudo do zero.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

2020 e mais além


Com ou sem medalha, a seleção feminina chegaria neste momento. Finda a Olimpíada do Rio, o Brasil entra num processo obrigatório de renovação. Processo que por si só já é difícil e que, pelo conservadorismo do Zé Roberto e a falta de uma geração jovem mais qualificada, será ainda mais complicado.

As saídas de Fabiana e Sheilla deixam um hiato nas suas respectivas posições. Há tempos não temos ninguém em condições de disputar com titularidade da Sheilla, muito menos teremos uma substituta a sua altura agora. O mesmo se pode dizer da Fabiana. Temos centrais competentes até, mas sem o mesmo físico e capacidade de decisão da capitã.

Estas saídas vão exigir que a seleção se reinvente no modo de jogar e, mais importante, não tenha medo de fazer isso. O Brasil vai precisar romper com alguma de suas crenças e, provavelmente, rever nomes cativos até o momento. Por isso, acho que o Zé Roberto não tem o perfil que a seleção precisa daqui para frente. 


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O Zé teve a capacidade de reerguer a seleção em 2005 depois de um trauma parecido ao sofrido este ano. Mas construiu a base do que seria o time supercampeão aproveitando a renovação que o Marco Aurélio teve que fazer
à força depois da “rebelião” das comandadas titulares em 2002. Também teve ali, à disposição, uma geração especial: Paula, Jaqueline, Sheilla, Fabizinha, Fabi. Uns nomes com mais, outros com menos rodagem internacional, mas todos que, à época, já mostravam potencial.

Agora não há nomes que se destaquem da mesma maneira. Ao menos não na quantidade necessária. E aqueles poucos que se destacam, não tiveram oportunidades suficientes de defender a seleção principal. 

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Eu não sei qual é a intenção da CBV para o comando da seleção feminina. Arrisco o palpite de que tudo depende da vontade do Zé Roberto. Se ele quiser continuar, a CBV não o impedirá. E eu acho que (puro palpite mesmo) ele não vai querer encerrar seu ciclo na seleção desta maneira, sem uma medalha olímpica.

Sei que dizer adeus ao Zé provavelmente é dizer adeus a uma comissão técnica extremamente competente. Fisicamente nesta Olimpíada, não teve seleção melhor do que a brasileira. Ainda assim, a mudança me parece extremamente necessária neste momento. Não trocar agora pode nos custar muito caro mais adiante, ainda mais se o Zé não revir sua filosofia de trabalho.

Só não sei, sinceramente, qual nome poderia substituí-lo. Além de ser, obviamente, competente, o novo treinador teria que ter uma personalidade firme para defender seu trabalho das cobranças por resultados. Não pode ter medo de tentar, ainda que isso custe um período de seca de conquistas ao Brasil.

Marco Aurélio? Paulo Coco? Spencer Lee? Bernardinho? Fora o Bernardo, nenhum nome convence por completo. Uma prova de que temos um hiato nesta “posição” também e que o Brasil precisa se preparar melhor para o adeus do Zé e do Bernardinho que, mais cedo ou mais tarde, virá. 



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O desafio brasileiro estará não só na reconstrução do time como também no de acompanhar as demais seleções que já agora estão em um estágio mais avançado de renovação ou mesmo têm um grupo com mais vigor para enfrentar o novo ciclo.

A China nem se fala. Tem a “monstra” Zhu, de 22 anos, a central bloqueadora Yuan, de 20, que assumiu a titularidade somente nos Jogos, a levantadora Ding, de 26. Todas com um título olímpico nas costas.

A Sérvia também já tem um time bem estruturado para os próximos anos. Tem a Boskovic, com 19 anos. As centrais titulares e a reserva, além da Mihajlovic estão na casa dos 25 anos pra baixo. O cérebro da equipe, a levantadora Ognenovic, mesmo com 32 anos, pode fácil jogar mais um ciclo.

Os EUA têm um time novo também e está sempre formando boas peças de substituição. Até a Holanda começa este novo ciclo com uma base boa para se apoiar e crescer, e com nomes que podem chegar no auge nos próximos anos. 


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No Brasil, nosso “expoente” é a Natália, com 27 anos. E as aspas aqui não são nenhum demérito. É só uma indicação de que a jogadora não é nenhuma novidade e está se firmando, por diversas razões, somente agora na seleção. Acho que sim, ela será uma importante referência para o Brasil nos próximos anos e, ao contrário de muitos, confio na sua capacidade nesta função (não vou me estender para o post não ficar gigante, mas podemos debater isso mais a frente)

Além da Natália, vejo o novo caminho brasileiro sendo montado sobre outros dois experientes pilares: Thaisa e Garay.

A Jaqueline pode me contrariar, mas acho difícil ela conseguir se manter num alto nível, até pelo seu histórico de lesões. Deve seguir a mesma trajetória da Paula depois de Londres. Não a vejo como um dos esteios do novo ciclo, no máximo a vejo complementando o grupo.

Fica difícil imaginar, também, a Gabi, a nossa ‘baby’, como uma jogadora base para esta nova seleção. Acho que os próximos anos dirão se ela tem condições de compensar a baixa estatura e encarar jogos de nível internacional como titular. Por enquanto, não.

Para as demais vagas, deixo tudo em aberto para renovação, inclusive e principalmente no levantamento. É tempo de arriscar. Já se sabe o que vem da Dani Lins. Então, não teria medo de colocar Roberta, Naiane ou Claudinha pra comandar o time. 


 
Se o Zé permanecer, ele será obrigado a substituir algumas peças. Só que “renovação”, para ele, costuma ser chamar nomes diferentes dos atuais, mas que, no fim, representam o mesmo de sempre. Ou seja, se ele não se inovar, é capaz de voltar as irmãs Pavão, Gattaz ou, meu pior pesadelo, Ana Tiemi e Joycinha. 

E, independentemente da qualidade (ou não) de cada uma delas, o momento pede outra coisa. Pede olhar para 2020, 2024 e além.

domingo, 21 de agosto de 2016

Vermelhou


Senta que lá vem textão...


China 3x1 Sérvia

2008. O Brasil elimina a China, última campeã olímpica, em Pequim, e é pela primeira vez medalhista de ouro. Passam-se oito anos e os papeis se invertem. A China nos devolve a eliminação e se consagra campeã em solo brasileiro. 

Uma campeã que, se ainda requer alguns ajustes para se tornar um time mais confiável e redondo, trouxe à quadra um estilo de jogo moderno e arejado.

A China tem formado o seu estilo de jogo na mistura de escolas do vôlei. Tem grandes pitadas orientais, como o volume de jogo e a aceleração das jogadas; mas tem também uma dose de leste europeu, com gigantes em quadra e uma bola de segurança do estilo alta na ponta com a Zhu. E, para completar, é uma seleção com toques brasileiros na superação e na persistência.

Não é porque o ouro veio que a China se tornou a oitava maravilha do mundo e um modelo a ser copiado. Como comentarei mais abaixo, outros resultados poderiam acontecer facilmente nesta equilibrada edição dos Jogos. Mas não há como negar que a China com este título confirma o que já indicava no Mundial: o vôlei feminino está mudando de cara. Já passou da hora do Brasil se ligar e se mexer para não perder o trem dos acontecimentos. 

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Sobre a final especificamente, o passe acabou sendo decisivo nos dois primeiros sets. Os problemas na recepção tiraram um pouco a qualidade da disputa. No terceiro, a situação foi semelhante, mas o set ainda teve uma sobrevida de emoção com uma recuperação extraordinária da Sérvia no placar.

Com exceção do primeiro set, a China mostrou ter mais o controle da partida. Primeiro pelo volume de jogo que apresentou , segundo pela maior regularidade. A Sérvia perdeu ao longo da partida a paciência na troca de bolas e caiu na sua própria armadilha dos erros não forçados.

Sem contar que a Mihajlovic não se encontrou na partida. Ela foi bem marcada pela China e sem conseguir virar, saiu do jogo nos outros fundamentos. Em compensação, a Boskovic travou um duelo belíssimo com a Zhu, principalmente no quarto set. 



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EUA 3x1 Holanda

Falei tanto da pouca força de superação dos EUA que acabei queimando a língua nesta disputa de bronze. As meninas saíram de uma situação bastante delicada no terceiro set quando a Holanda se encaminhava para virar a partida em 2x1. Baixou uma cubana na Larson, que gritou na cara da adversária após um bloqueio. Ali acendeu a centelha da recuperação norte-americana.

Até então os EUA estavam naquele ritmo blasé olhando as holandesas brigarem até o fim por cada bola. Claro que a inferioridade técnica exigiria da Holanda este algo a mais para conseguir o bronze e elas colocaram tudo o que podiam dentro de quadra para equilibrar a partida.

Mas os EUA acordaram a tempo e fizeram valer a sua melhor qualidade. Inverteram a pressão que estavam levando no passe, caçando a Buijs no saque. A atacante, aliás, passou de heroína no segundo set, quando entrou e virou tudo que foi bola, à vilã do terceiro, quando foi pega no bloqueio e quinou os passes.

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No fim, os EUA saem dos Jogos com uma medalha de bronze e também com uma lição a trabalhar para os próximos anos. O time precisa saber se reinventar durante as partidas, ter bem mais jogo de cintura para quando as estatísticas não derem resposta dentro de quadra.

Já a Holanda sai com um honroso e surpreendente quarto lugar. Além da coragem que mencionei anteriormente, o time soube ler suas limitações e usar a força do grupo para amenizar suas fragilidades. 


No entanto, para se manter no grupo de elite, disputando as medalhas das principais competições, terá que ter uma parceira mais sólida para a Sloetjes. Até porque se viu que a oposto sentiu o peso nos momentos finais. Acho que Pietersen apareceu bem nesta Olimpíada no ataque e foi uma jogadora mais confiável neste fundamento do que a Buijs. Mas todas elas ainda pecam no fundo de quadra, tanto no passe como na defesa. Falta uma jogadora mais técnica até para possibilitar a Dikjema utilizar mais a Robin no meio. Quem sabe o Bernardinho, trabalhando com a Buijs nesta temporada no Rexona, dê uma mão neste sentido. 


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Balanço final
 
Antes de começar esta Olimpíada, fiz um post falando do equilíbrio que deveria ter nesta edição. Ainda assim, fui capaz de me surpreender com boa parte dos resultados.

Mesmo no vôlei, esporte onde os números e as probabilidades são bastante representativos do que se vê no campo de disputa, o imprevisível sempre pode acontecer. E, para nossa infelicidade, aconteceu. Mas não foi só o Brasil vítima deste “acaso”. Os EUA também foram, a Sérvia e a Holanda, no sentido oposto, também. 

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Pode-se dizer que esta Olimpíada inicia uma nova era no vôlei feminino. Uma era na qual o Brasil perde protagonismo e na qual os EUA vão ter que suar para se manter no topo contra equipes que chegam forte para ameaça-lo, como é o caso da Sérvia e Holanda, além da China, que tem tudo para comandar este ciclo. Acho até que o encontro entre Brasil e China foi bastante representativo disso. Foi o encontro do passado contra o futuro. E no fim dele e de toda a competição, prevaleceu o futuro.

Claro que esta interpretação só é possível de se fazer agora, com estes resultados. Não duvido que se os Jogos se repetissem daqui a um mês, os resultados seriam totalmente diferentes. Acho que, neste momento, ainda há equilíbrio entre estas seleções. Aí meu papo aqui seria completamente oposto, provavelmente dizendo que a experiência brasileira e norte-americana, por exemplo, fizeram a diferença.

Então não serei oportunista de dizer que era óbvio que o time brasileiro não tinha chance de conquistar a medalha, pois não se renovou, não tinha banco de reservas ou porque mostrou todas as suas cartas na fase final do Grand Prix.

Já vi time ser campeão de tudo quanto é jeito: sem ter banco de reservas de qualidade; sem treinar e se dedicar tanto quanto os adversários; compensando na garra a inferioridade na bola.

A verdade é que, felizmente, não há fórmula ideal para ser vitorioso no esporte. Cada equipe tem que procurar e construir a sua. E, ainda assim, sempre estará sujeita a um puxão de tapete quando se achava que tudo caminhava bem. E está aí a graça do esporte. Quem gosta de fórmulas e ciência exata, que acompanhe uma Olimpíada de Matemática. 

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Tudo isso para dizer que mesmo com um ciclo olímpico que, a meu ver, começou errado em 2013 - com o Zé Roberto convocando o seu time de Campinas para representar a seleção -, o Brasil poderia ter saído com uma medalha, inclusive a de ouro.

Aí todos os problemas que vínhamos apontando nos últimos anos não importariam em nada. Nem a teimosia do Zé, nem as oscilações da Dani, nem as quinadas de Garay e Natália no passe. Ganharíamos apesar de tudo isso. Mesmo a partida contra a China, com todos os problemas que o Brasil teve, podia ter acabado diferente. Assim como a China conquistou o ouro com muitas coisas ainda a melhorar.

E é assim. Todo time tem seus pontos fracos e, a depender do adversário e do jogo, eles podem pesar mais ou menos no resultado; podem ser superados ou não. Por isso, não vou girar minha metralhadora cheia de mágoas por aí e eleger culpados para a desclassificação. Vou aplaudir a China por ter sabido se reinventar na partida das quartas e na competição e lamentar que o Brasil, ao contrário de quatro anos atrás, não tenha tido esta capacidade. É do jogo.

Não adianta nada ficar remoendo esta derrota e tentando canalizar a dor do golpe em uma, duas pessoas ou, pior, achando que nada do trabalho nos últimos quatro anos prestou. Hora de trocar o disco. O mais importante agora é saber como se renovar para seguir em frente, passo que seria necessário independentemente do resultado conquistado no Rio. E é uma missão que não será nada fácil, pois o Brasil sai atrasado na corrida do próximo ciclo, como comentarei no post a seguir.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Os Jogos têm que continuar - Semifinais



Muito estranho não ver o Brasil nas semifinais... Certamente os Jogos perderam muito da sua graça, mas convido vocês a me acompanhar nas análises finais desta edição olímpica. É uma forma até de a gente tocar a v idapara frente e superar aquela derrota nas quartas ainda mal digerida.

Fora que não dá para ignorar ou minimizar o que aconteceu nestas duas grandes semifinais.

Sérvia 3x2 EUA

Que puxada de tapete a Sérvia deu no sonho americano de chegar a sua terceira final consecutiva!

Não foi uma partida regular por parte de nenhuma das equipes. Acho que ela não se estenderia ao tie-break e nem teria este resultado se os EUA tivessem tido mais controle sobre os seus erros.

Mas isso não foi um problema que as norte-americanas apresentaram somente nesta semifinal. Foi um sério calcanhar de Aquiles durante toda a competição. Contra a Sérvia, os erros constantes de saque tiraram a principal arma que os EUA poderiam ter a seu favor.

Para um time que tem na harmonia do conjunto e não exatamente nas individualidades o seu principal valor, dar tantos pontos em erros é quase suicídio.

Agora, a Sérvia teve muito mérito de, no início da partida, ter marcado muito bem as principais jogadas dos EUA. Aliás, o time teve um volume de jogo surpreendente. Matou as principais atacantes norte-americanas, forçando o Kiraly a trocar as titulares. Isso aliado a contusão da Akirandewo logo no início da partida, colocaram o poder ofensivo norte-americano contra a parede e a Glass um tanto perdida nas suas escolhas.

Defensivamente, os EUA demoraram, mas pegaram a Mihajlovic no bloqueio, enfraquecendo a força ofensiva da Sérvia num momento decisivo. Só que a Miha é mais do que uma grande atacante. No tie, comandou a virada sérvia no bloqueio (individual) e no saque juntamente com a Rasic. 



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A Sérvia teve muito mérito em acreditar e buscar a virada no tie-break. Soube desorganizar os planos dos EUA e, como sempre, as norte-americanas não souberam sair de uma situação complicada. Os EUA têm poder 0 de superação e de reviravoltas táticas.

A Sérvia tem-se tornado a cada torneio um time mais completo, porém é ainda muito imprevisível. Não está totalmente maduro. Os altos e baixos impedem que ela possa ser colocada no pódio das grandes seleções que têm marcado as finais das últimas edições dos Jogos. Mas verde ou não, a Sérvia terá uma medalha no peito.

Medalha que será conquistada com algo além daquilo que mostra na bola. Não sei definir se é força de vontade, perseverança, superação. Mas é algo que não se traduz em números e que dá alma ao corpo do time.

Coisa que os EUA não têm. Nunca tiveram, aliás. Em compensação, têm um jogo de muita qualidade e o qual admiro. Mas foi um jogo que apareceu sem o mesmo brilho nesta Olimpíada. O time foi muito inconstante para quem sempre teve a regularidade como característica. Não teve também suas pontas em campanhas inspiradas como no Mundial. Ficou aquém do que podia e do que esperávamos.

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China 3x1 Holanda

Sinceramente não esperava tamanho equilíbrio nesta semifinal. A minha expectativa em relação à China estava superior ao que ela apresentou, principalmente no repertório ofensivo que ficou extremamente concentrado na superpoderosa Zhu. Isso aconteceu porque a Holanda complicou realmente a vida chinesa no passe.

Ela fez muito bem o seu papel no saque e manteve a virada de bola razoavelmente funcionando, com a tradicional e constante troca de ponteiras. Aliás, achava que esta medida do Guidetti impedia que suas atacantes evoluíssem na partida. Mas, no fim, acaba por ser uma ação fundamental para o time manter o fôlego na virada de bola.

Só que a China foi muito comedida nos erros e neutralizou as ações da Sloetjes no bloqueio e na defesa. Se a Holanda não errasse tanto (o que foram os saques da Sloetjes?), a China não teria tantas oportunidades para recuperar os placares no primeiro e quarto sets.

Claro que há por trás destas recuperações também um trabalho de persistência chinesa. A China tira uns pontos aqui, outros acolá. Quando se vê, toma conta do placar. Muito traiçoeira. Se o Brasil não soube se proteger deste veneno, que dirá a Holanda, recém chegada ao mundo dos adultos do vôlei feminino. 


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De qualquer forma, a Holanda fez uma grande campanha e chegou mais longe do que se poderia imaginar. Corajosa, bagunçou a vida de todo mundo, inclusive, indiretamente, a do Brasil.

E a China chega à final com dois times possíveis de aparecer em quadra. Um que, com o passe na mão, tem um dos melhores senão o melhor e mais rico sistema ofensivo; outro que, com o passe quebrado, se assemelha à Rússia e fica na dependência de uma jogadora, a Zhu. O que, convenhamos, não é de todo o mal. 



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Quem leva o MVP desta Olimpíada? Mihajlovic ou Zhu?

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Parece que o jogo virou... - Brasil 2x3 China

Eliminação no handebol, no futebol, no vôlei de praia. O dia definitivamente não era para os esportes coletivos femininos. Eu sinceramente temia que o mesmo acontecesse no vôlei.

Meu medo foi embora depois do primeiro set perfeito da seleção. Pronto. O Brasil estava em quadra, o dia poderia terminar bem.

Só que a partir do segundo set a história mudou. Começou com alguns erros de saque, depois de recepção. Pronto. A China estava em quadra. 

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Foi ali no segundo set que se definiu a partida. O Brasil diminuiu a agressividade no saque. Como consequência, caiu no bloqueio e na defesa. A China, mais tranquila e confiante na virada de bola, começou a nos ameaçar no saque. Tudo o que o Brasil não poderia permitir.

A partir daí a seleção se perdeu na partida e só foi se encontrar no quarto set. Um tanto na marra, mais do que na qualidade. Voltou a fazer a China a sentir a pressão com a ajuda da torcida. Mas, como falei, os problemas não haviam sido realmente resolvidos. A recepção, a organização dos contra-ataques e o saque continuavam oscilando. 

Faltou à seleção maior tranquilidade para ter uma visão mais clara do jogo nos momentos de aperto. O Brasil errou demais e em momentos comprometedores. Esqueceu-se de que do outro lado da quadra havia um time imaturo e quem era o bicampeão olímpico. Acho que final do tie-break exemplifica bem isso.

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Os problemas que a seleção apresentou nesta partida não foram novidades: o passe, a irregularidade do saque e as oscilações da Dani. De novo, ela demorou demais para colocar as centrais no jogo. Fez escolhas erradas em momentos cruciais, como em acionar Garay e Natália quando elas recém tinham feito uma defesa e estavam estateladas no chão.

Nesta partida ficou claro o quanto o Zé Roberto  (não) confiava na Fabíola e na sua condição física. Se na hora do aperto, você não pode contar com sua levantadora reserva, não tem porque leva-la. A opção pela experiência da Fabíola era para isso, não? 

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Garay e Natália foram gigantes nesta partida no ataque. Pecaram naquilo que era reconhecidamente suas maiores fragilidades, o passe e isso nos custou alguns pontos, é verdade. Mas o Brasil teve nelas a segurança da definição durante o jogo.

Trago isso à tona pra dizer que, ao contrário do que vinha acontecendo, a virada de bola não foi a maior dificuldade do Brasil. Incrivelmente, o maior obstáculo foi jogar defensivamente e no contra-ataque, o que tinha sido nosso diferencial até então.

Lang Ping tirou uma carta na manga com a Liu, atacante que, assim como a Zhu, o Brasil não conseguiu achar na marcação. 

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Durante toda a fase de classificação, temi este confronto de quartas com a China. Ela não tinha jogado tudo o que podia e o Brasil, apesar das boas atuações, tinha sido muito pouco testado. No fim, a China aprontou o mesmo que o Brasil em 2012 e se credencia fortemente para o ouro.

O Brasil sai de cena junto com todo o grupo A, só que, no caso dele, sai cedo demais. Certamente tinha time para disputar medalha, inclusive o ouro. Mas competição é assim mesmo. Tem que contar com competência e sorte na hora certa. E o quesito sobre o qual tinha controle , a competência, o Brasil ficou aquém nesta quartas. Sorte e mérito da China.
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Com esta desclassificação prematura, encerra-se de forma melancólica um ciclo extremamente vitorioso. Fabiana e Sheilla já anunciaram que não defendem mais a seleção. O que virá para os próximos anos, deixo para um próximo post.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Pá Pum - Sérvia 3x0 Rússia


Pela segunda Olimpíada seguida, a Rússia cai nas quartas de final. Desta vez, porém, a eliminação foi rápida e indolor. Quer dizer, as russas não devem concordar comigo neste último adjetivo. Mas elas estiveram tão fora de jogo que não devem nem ter tido tempo ainda de assimilar a dor da derrota. A partida não durou sequer 1h30 (para ser mais específica, mal passou da primeira hora: 1h09).

A Rússia simplesmente foi patrolada pela Sérvia no primeiro set. Fica difícil para qualquer seleção colocar-se de pé depois de uma derrota por 25x9. O time russo tentou, reagiu no final do segundo set e fez um terceiro mais equilibrado.

Só que a Sérvia não recuou na pressão no saque. A linha de passe russo comprometeu, primeiro com Shcherban, depois com Voronkova. O melhor momento da Rússia na partida foi exatamente quando a líbero reserva Ezhova entrou no fundo de quadra. No mais, era Kosheleva e Goncharova tentando ir atrás do estrago feito na recepção.

Desestruturada, a Rússia não conseguiu bagunçar a casa sérvia. Com exceção de uma rede no terceiro set que travou, o ataque da Sérvia fluiu muito bem. A dupla Mihajlovic e Boskovic tirou o protagonismo da dupla de atacantes russa.

A vitória foi muito semelhante à conquistada contra a China, na qual a Sérvia não tomou conhecimento de quem estava do outro lado. Jogou, é verdade, sem grande pressão, o que permitiu melhor controle dos erros. 


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A Sérvia consegue, assim como a Holanda, a sua primeira classificação para uma semifinal olímpica. Depois de vários ensaios, finalmente consegue entrar no primeiro pelotão do vôlei internacional. E acho que tem condições de se manter nele.

Já a Rússia dá adeus a um ciclo para ser esquecido. Marichev mostrou não ter qualquer comando sobre as jogadoras muito menos coerência nas suas escolhas. O time russo viveu estes quatro anos sempre na expectativa de contar ou não com Sokolova e Gamova e esqueceu de andar para frente.

Todo o respeito que se prestou à Rússia neste ciclo foi muito mais referente ao seu passado e às duas jogadoras fora de série que têm, Kosheleva e Goncharova. É um desperdício tê-las na mesma geração e formar um time tão pouco competitivo como se mostrou a Rússia. Pelo bem do vôlei e da nossa rivalidade favorita, seria bom tê-la verdadeiramente de volta ao campo de batalha nos próximos anos. Um time que imponha respeito pelo o que é, não pelo que foi. 

O previsível - EUA 3x0 Japão


O Japão precisaria de uma combinação de fatores para conseguir a façanha de chegar à semifinal. Um deles seria contar com um Estados Unidos jogando bem abaixo do seu normal.

E olha que isso não ficou muito longe de acontecer. Os EUA deram muitos pontos em erros para o Japão, principalmente no segundo set. Erros bobos em toque de rede ou em ataques precipitados.

Senti ali em quadra uma certa displicência por parte das norte-americanas. Acho que os EUA pensaram que a vitória viria naturalmente e não mantiveram a concentração necessária para reagir quando foram mais exigidos no passe e no ataque, com a boa defesa japonesa. 
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Mas, como falei, somente as bobeadas norte-americanas não seriam suficientes para o Japão. Ele teria que saber manter a disputa no ataque. E isso foi difícil, mesmo tendo a Ishii com boa atuação. Sem um passe regular, e com Kimura bem marcada, a seleção ficou com menor poder de definição.

Poder que os EUA tiveram com todas as suas atacantes, com exceção da Murphy. A Glass jogou boa parte da partida com o passe na mão, tendo quase sempre as centrais à disposição.

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O Japão foi guerreiro, mas se despede da competição junto com a Coreia, o seu adversário da disputa de terceiro lugar em 2012. Acho que foi por lá que esta seleção parou, aliás.

E os EUA seguem para mais uma semifinal, como era esperado. 

A zebra é laranja - Holanda 3x1 Coreia

A Holanda fez história e garantiu pela primeira vez uma vaga numa semifinal olímpica.

A partida deixou clara a diferença de qualidade dos dois grupos. A Coreia precisaria mais do que a Kim inspirada para bater holandesas. Precisaria de uma estratégia de saque e ataque muito mais consistentes do que tinha demonstrado até então.

E não fez isso. O saque coreano só foi se aproveitar da problemática linha de passe holandesa no terceiro set, quando a Holanda, mal acostumada pela extrema facilidade dos dois primeiros sets, baixou a guarda.

Até aquele momento, o Guidetti nem tinha precisado se utilizar daquele usual troca-troca de ponteiras. Buijs e Pietersen jogavam soltas.

Se a Coreia não conseguiu ameaçar de forma convincente a Holanda tampouco fez bem a sua parte no passe e ataque. A impressão que a levantadora coreana passa é a de que não tem a mínima noção do que faz. Vai fazendo as escolhas aleatoriamente, sem pensar na marcação adversária ou na composição de sua rede.

Na Holanda, a Dikjema aproveitou muito pouco suas centrais, principalmente a Robin. Os dois primeiros sets permitiram isso, mas ela ignorou estas jogadas. Preferiu ficar pelas pontas. Pelo menos, elas responderam bem. 


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A equipe do Guidetti é a surpresa desta competição. Para esta conquista histórica, a Holanda contou com uma pitada de sorte no cruzamento de quarta de final, é verdade, mas, acima de tudo, demonstrou muita competência. 

  
O seu grande mérito foi, num grupo difícil, ter entrado com muita coragem para cima de todos os adversários. Perdeu o respeito pelas favoritas, no melhor sentido da expressão. 
 
Claro que somente isso não a levaria a uma boa colocação no grupo. A Holanda teve uma distribuição até o momento mais equilibrada e livrou-se um pouco da "Sloetjes-dependência". Ainda é a oposto a bola de segurança e de definição, mas as outras atacantes têm aliviado a responsabilidade durante o set.
A Holanda soube também explorar os pontos fracos das equipes mais fortes. Colocou chinesas e norte-americanas para errar, fazendo pressão no saque e com um bom volume de jogo.  

É ainda um time com problemas sérios na recepção e com jogadoras, como a Buijs, que ainda sentem o peso da decisão. Mas o mais importante já conseguiu, brigará por uma medalha. E agora entra na semifinal numa situação confortável, a de franco-atiradora.