sábado, 18 de fevereiro de 2017

Mais uma vez



 Rexona-Sesc 3x1 Dentil/Praia Clube - Final Sul-americano de clubes

Mais uma vez o Praia Clube sucumbiu ao Rexona. Mais uma vez o Rexona é campeão, desta vez do Sul-americano.

E olha que o Rexona deu chance, jogou mal durante uns 70% da partida.

Venceu o primeiro set mesmo entregando 12 pontos em erros – o que é muito para qualquer equipe é gigante para o time carioca.

Roberta só foi se encontrar no quarto set, quando o jogo estava dominado. Até aquele momento, porém, foram só bolas imprecisas. Não entendi, aliás, porque o Bernardo não optou pela Camila Adão no terceiro set como fez com a Mayhara no lugar da Carol.

Carol foi um bom símbolo do Rexona que esteve em quadra em boa parte da partida: hesitante, sempre no quase. Ataques com pouca agressividade, largadas sendo usadas demais, saques fáceis e erros bobos.

E mesmo assim, o Praia não conseguiu sobrar na partida, com exceção do segundo set. Por quê? Porque desperdiçou oportunidades de contra-ataque e devolveu, solidariamente, os pontos em erros que recebeu.

E não é nem a quantidade de falhas ou desperdícios que me refiro. É o momento em que eles são cometidos. O terceiro set escapou das mãos do Praia por isso.

Na hora final de um set decisivo, a Claudinha força mal um levantamento, a Ramirez isola uma bola, a Álix espirra um passe, a Fabiana toca na rede.

Pronto. Ali se vai mais uma chance do Praia finalmente vencer o Rexona.

No Rexona aconteceu o oposto. Na hora da decisão é que as coisas funcionaram perfeitamente. A defesa começou a pegar tudo quanto era ataque mineiro e as atacantes a definirem de primeira os contra-ataques.

Aí o saque da Jucy entra, a Monique vira tudo quanto é bola, a Fabi varre a quadra, a Gabi se vira mesmo com um triplo a sua frente.

Estão vendo a diferença? Quando apertou, as jogadoras do Rexona apareceram; as do Praia sumiram.
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O Praia é bastante sensível à pressão, ainda mais quando enfrenta o Rexona. Fica difícil segurar o efeito cascata quando dois erros acontecem em sequência. O time se desmonta.

E como o Picinin tem um poder de motivação muito semelhante ao do Luizomar (ou seja, nenhum) e ninguém no grupo assume este papel, o Praia fica sem qualquer poder de reação.

O Rexona, que não tem nada a ver com isso, continua no alto do pódio - às vezes, até abusando da sorte - esperando alguém que consiga tirá-lo de lá.



O rolê é mineiro

Camponesa/Minas 3x0 Vôlei Nestlé

Foto: João Neto/Photojump


Todo mundo reclamando e lamentando que o jogo entre Minas e Osasco não seria transmitido pela televisão. Afinal, era o clássico e a partida mais equilibrada da rodada, sem contar que rolava uma expectativa extra depois daquele jogão da semifinal da Copa Brasil duas semanas atrás.

Pois nada disso se cumpriu. O jogo não mereceu o título de clássico, não foi equilibrado e nem em sonho lembrou o confronto da Copa Brasil. E para chegar a esta conclusão nem é preciso ter assistido à partida.

Quem acompanhou pelo Twitter a “narração” da partida, logo percebeu que o Minas sobrou. O Osasco correu atrás o tempo todo. Nos finais dos sets, reagiu discretamente, mas nada que não fosse contornado rapidamente pelo time mineiro.

Curiosamente, o fundamento em que o Osasco ficou devendo foi o ataque. Mesmo com todo o seu arsenal pelas pontas e as trocas usuais e constantes do Luizomar, ninguém deu a segurança na definição como a Hooker deu ao Minas.

A Dani não tem sido nenhum exemplo de equilíbrio na distribuição, mas acredito que o fato de as centrais mal terem sido acionadas no ataque se deveu à má recepção. O mesmo não se pode dizer da Naiane e do passe com qual a levantadora do Minas trabalhou.


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O Minas, assim, devolveu os 3x0 que levou no primeiro turno. Mas não foi simplesmente uma revanche de placar. Esta vitória tem um peso bem maior. Afinal, lá em dezembro, o Minas improvisava a Mara como oposto. Vencê-lo era uma obrigação para os três favoritos.

Hoje a situação é outra. Os efeitos negativos da derrota para o Osasco vão além da possibilidade de comprometer a sua colocação. Primeiro que, ao levar este passeio – e com o time completo, vale lembrar, o que não aconteceu na Copa Brasil –, o Osasco não consegue afastar a aura de desconfiança que sempre paira sobre sua equipe.

Segundo, dá ainda mais moral para um Minas que vem embalado neste returno e que ameaça seriamente as equipes do pódio atual da SL.


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Demais resultados da rodada

Terracap/Brasília 1x3 Dentil/Praia Clube (24/01)

Rexona-Sesc 3x0 Rio do Sul (08/02)

Renata Valinhos 0x3 Sesi-SP

Fluminense 3x0 São Cristóvão Saúde/São Caetano

Genter Bauru 3x1 Pinheiros

- Sobre a partida que nos coube assistir, uma boa vitória do Bauru sobre o Pinheiros. Os erros foram a tônica dos dois times, mas o Bauru teve um pouco mais de paciência – na comparação com ele mesmo – para trabalhar o ataque. E teve muito mais poder de definição tanto na virada como nos contra-ataques.

É impressionante como o ataque do Pinheiros cai de produção ao longo da partida. Por isso, surpreendeu-me o fato de o Paulo de Tarso não ter utilizado a Ju Nogueira numa tentativa de revitalizar o seu poder ofensivo.

No Bauru, surpreendeu a escalação da equipe sem a Thaisinha, melhor atacante do time. Não vi exatamente uma melhora no passe, que, acredito, deveria ser a intenção da troca. Nem a Brenda Castillo foi bem no fundamento.

Contudo, não se pode dizer que a Thaisinha fez falta. Foi uma boa noite do Bauru, com as atacantes de ponta virando, principalmente a Bruna, além de uma relação saque-bloqueio (quando não erravam o saque) que funcionou também muito bem.


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Os 4 passos que levaram o Minas ao G4



Com a vitória por 3x1 sobre o Brasília, o Minas assumiu a quarta colocação da Superliga 16/17 desbancando justamente a equipe do DF. Mas o caminho rumo ao G4 não se resume a esta partida.

Vamos recapitular os passos que levaram o time mineiro da rabeira ao topo: 



1- Chegada da Hooker 
 
 Fotos Minas: Orlando Bento

O Minas tinha séries dificuldades em colocar a bola no chão no ataque, dependendo quase que exclusivamente da Rosamaria. A norte-americana chegou, pegou ritmo de jogo mais rápido do que se imaginava e já está na liderança da pontuação no ataque.


2- Adaptação da Rosamaria 
Um receio que havia com a chegada da Hooker era o deslocamento da Rosamaria para jogar como ponteira passadora. Afinal, corria-se o risco de se ter grandes prejuízos na recepção e ainda perder uma atacante importante para o time até o momento. Com uma estratégia que a esconde boa parte das vezes do passe, Rosamaria tem formado com Hooker um dupla poderosa de ataque - ao menos na SL.

3- Reforço da Jaqueline 
A Jaqueline só foi ser titular nestas duas últimas rodadas, mas o efeito que provocou sua chegada já vem desde o início do ano. Primeiro porque, provavelmente por se sentir ameaçada, a Pri Daroit cresceu bastante. Ficou ainda mais segura no passe e teve papel importante em diversas partidas no ataque. Segundo que, titular ou reserva, a Jaque dá mais opções de composição ao Paulo Coco.

4- A queda dos adversários 
Foto: Felipe Costa/Ponto MKT Esportivo

Enquanto o Minas tentava se encontrar, Brasília e Bauru aproveitaram a brecha para subir nas tabelas no primeiro turno e ocupar o espaço que poderia ser da equipe mineira. Porém, nenhuma das duas equipes conseguiu se sustentar no returno e muito menos deter o avanço do Minas na tabela.

O Brasília, depois de flertar com a terceira posição, se despede do top 4 da SL, num caminho que não deve ter mais volta. 


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Rumo ao o top 3?

Apesar de ser importante se colocar entre os quatro primeiros, o ideal para o Minas seria mesmo alcançar a terceira colocação. Digo isso, claro, para evitar um possível confronto com o Rexona na semifinal.

Para alcançar o top 3, a disputa está mais distante, com Osasco e Praia 10 pontos à frente. Neste final de turno, a tabela fica complicada para todos e, mesmo que o Minas vença os confrontos diretos, a briga vai ficar equilibrada. Aí é que acredito que a demora da montagem do time e os pontos perdido no primeiro turno irão fazer falta. 

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Demais resultados da 6ª rodada:

São Cristóvão Saúde/São Caetano 1x3 Genter Bauru

Vôlei Nestlé 3x2 Fluminense

Pinheiros 2x3 Renata Valinhos

Rio do Sul 0x3 Dentil/Praia Clubes (31/01)

Sesi 0x3 Rexona (24/01)

- E o Valinhos que conseguiu sua primeira vitória na SL 16/17? E logo contra o Pinheiros, que vinha fazendo um bom returno! Com este resultado e com o Fluminense mostrando poder de reação e conquistando bons resultados, será que o Pinheiros consegue roubar a sétima colocação do tricolor carioca?

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Inspiração no passado


Semana passada o treinador Talmo de Oliveira relembrou, na sua conta do Twitter, o título sul-americano conquistado em 2014 pelo Sesi.


Naquela época, o Sesi vinha de uma recuperação incrível. Com um início de Superliga ruim, terminou o primeiro turno na sétima colocação. Melhorou seu desempenho no segundo turno e sua classificação no campeonato e, neste meio tempo, ficou com o vice campeonato da Copa Brasil ao perder a disputa para o Osasco.
 
Sesi e Osasco voltaram a se enfrentar na final do Sul-americano. E desta vez, o resultado foi este que o Talmo celebrou na sua timeline. 

Na SL 13/14, o Osasco estava invicto no campeonato e líder absoluto. A perda do título sul-americano acabou se refletindo na SL. Quem não se lembra da eliminação do super time osasquense nas semifinais para o mesmo Sesi?

O Sesi não tinha ganho – e até hoje não ganhou – o campeonato paulista ou algum título nacional. O primeiro troféu a entrar na coleção foi logo um de status internacional - e que ainda o garantiu no Mundial de Clubes daquele ano do qual saiu com a terceira colocação.


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Será que o Praia Clube e o Picinin conseguem se inspirar na trajetória do Sesi para a disputa do Sul-americano 2017 que se inicia nesta terça? 

Ou o fato de que, para emular o Sesi, o Praia terá que superar um obstáculo chamado Rexona (e Bernardinho) - e não Osasco (e Luizomar) - destrói qualquer aspiração?


sábado, 11 de fevereiro de 2017

O Brasília voltou?

Vôlei Nestlé 3x1 Terracap/Brasília

 Foto: João Pires/Fotojump


Aquele Brasília do primeiro turno voltou?

Se pegarmos como base o equilíbrio que se mostrou na partida contra o Osasco, podemos dizer que sim. O time comandado por Anderson desafiou o dono da casa com um bom saque e bom volume defensivo. 

Deu gosto de ver a postura com que o Brasília entrou em quadra, se desdobrando para se manter páreo a páreo – e até, em alguns sets, superar – o poder de ataque do adversário. Este espírito se assemelha àquele visto no primeiro turno e que fez a equipe candanga surpreender os favoritos.

Só que, de lá para cá, houve pouca – para não dizer nenhuma – evolução.  O Brasília de hoje é exatamente o mesmo do primeiro turno. Ou até pior, se levarmos em consideração que, ultimamente, ele tem concentrado muito seu jogo pelas pontas e desperdiçado aquelas que eram as suas melhores opções de ataque, as jogadas com as centrais.

E o Brasília continua com pouco poder de definição pelas pontas, contando somente com alguns momentos inspirados da Paula e carregando a responsabilidade na Amanda que, apesar de estar fazendo uma surpreendente SL, não deveria ser a carregadora do piano.
 
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Embora tenha demonstrado um bom volume de jogo, o Brasília ainda perdeu oportunidades nas fallhas de cobertura dos seus ataques ou na qualidade da primeira bola da defesa para a continuidade das jogadas. No cuidado da armação dos contra-ataques, o Osasco foi superior. 


Até mesmo porque a Dani Lins pode pegar qualquer bola e jogar para a Tandara que a atacante resolve praticamente tudo. A mesma tranquilidade não tem a Macris. Mas exatamente por isso, acho que a levantadora do Brasília não deveria inventar. Ela faz umas jogadas muito arriscadas nos contra-ataques que, invariavelmente, não saem em boas condições para as atacantes. 

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Falando em Tandara, é ótimo vê-la novamente jogando bem. Depois de duas temporadas apagadas, está nos fazendo relembrar a razão porque sempre temos tanta expectativa por ela na seleção - mesmo que nunca concretizada. 

Em cada time que passa (em condições físicas normais), ela toma conta do ataque. Na maioria deles (caso do Sesi, por exemplo), a concentração do jogo na Tandara era uma necessidade. Agora não. O Osasco tem uma série de opções de boa qualidade no ataque para equilibrar a distribuição. Contra o Brasília, Malesevic apareceu muitíssimo bem na hora do aperto do quarto set.

A semifinal da Copa Brasil já mostrou que o time sobrevive sem ter a Tandara e esta deveria ser uma lição para que evoluísse na Superliga. Mas a Dani voltou a apelar frequentemente para a Tandara.  

Essa é uma das razões pelas quais acho que o Osasco ainda joga abaixo do seu verdadeiro potencial. É muito desperdício, poderia ter um jogo bem mais rico. 

Outra razão é aquela sua inconstância característica. Na partida contra o Brasília, colocou o adversário na disputa por erros de saque e de finalização. A sorte do Osasco é que, pelo jeito, sua maneira de ser está contagiando até o líder da SL.

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Demais resultados da 5ª rodada:
 
Rexona-Sesc 3x2 Pinheiros

Dentil/Praia Clube 3x0 Sesi

Camponesa/Minas 3x0 Rio do Sul

Renata Valinhos 0x3São Cristóvão Saúde/São Caetano

- Mais um 3x2 para a conta do Rexona num segundo turno bem mais ou menos da equipe carioca. Mais uma vez o time baixou a guarda na recepção e na concentração. Se isso já foi suficiente para o Sanca reagir, imagina para o sempre guerreiro e melhor qualificado Pinheiros. 

A gente sabe que, quando chega a hora de decidir, o Rexona coloca a cabeça no lugar. Contra Sanca e Pinheiros, equipes contra as quais é bastante superior, isto bastou. Mas com estas inconstâncias, o Rexona deixa rastros da sua fragilidade que, se Praia e Minas não desprezarem, podem servir de pistas importantes para uma virada de jogo nesta SL.