sábado, 25 de fevereiro de 2017

Dentro da expectativa


Terracap/Brasília 0x3 Rexona-Sesc

Felipe Costa/Ponto MKT Esportivo
  
Foi 3x0, mas, mesmo com todas as suas limitações, o Brasília fez um confronto muito mais equilibrado com o Rexona do que o Praia Clube em todos os jogos desta temporada.

Faltou maior controle dos erros e maior frieza nos momentos decisivos do segundo e terceiro sets para o Brasília vencê-los.

Mas é bom ver que o time, depois de um início de returno ruim, recuperou aquela combatividade contra os grandes. Não o suficiente para batê-los, como aconteceu no primeiro turno, porque o time chegou ao seu limite. Mas ao menos está lá para incomodar.

E, na verdade, desde o início foi este o objetivo do Brasília. As vitórias contras os favoritos no primeiro turno acabaram por criar uma expectativa além daquilo que o time poderia dar. O que o Brasília apresentou contra o Rexona é mais condizente com o elenco que se tem em mãos no momento. 
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Aquilo que mais diferencia o Brasília na Superliga é também o que o torna bastante vulnerável. As jogadas com as centrais são a sua maior força. Macris tem facilidade para acionar Roberta e Vivian, sempre com velocidade, o que torna, normalmente, os pontos de ataque garantidos.

O problema é que há pouco além disso. Quando recebe um saque curto, como fez o Rexona algumas vezes na partida, Macris perde esta opção. E sem as centrais, cai peso demais sobre Amanda e Paula.

Por mais que a Amanda esteja em uma temporada especial e a Paula possa ter seus jogos inspirados, o poder de fogo pelas pontas do Brasília só chamusca, não queima. Principalmente se comparado às equipes do top 4.

Fica difícil pegar um Rexona, por exemplo, que conta quase sempre numa mesma partida com Monique, Buijs e Gabi decisivas. Talvez até por isso, a levantadora Roberta tenha diminuído o ritmo das bolas com a Jucy e Carol. As ponteiras estão dando confiança de que ela precisa.

A bola com a Jucy é mais arriscada e nem sempre está bem afinada, já a Carol não tem passado a segurança necessária. A Carol não tem tido uma boa temporada. Nas últimas partidas, tem segurado o braço no ataque e esteve perdida naquilo que é sua especialidade, o bloqueio. 

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Voltando ao Brasília, quem sabe não esteja no banco do Rexona um reforço para a próxima temporada: a Helô. Com uma oposto “de verdade”, o Brasília teria outro fôlego no ataque pelas pontas. Desde a temporada passada, falta alguém para esta posição.

Mas isso é para o futuro (ficamos na torcida para que o projeto continue, né. Aqui nunca se sabe...). 
Até o final desta SL, se o Brasília conseguir manter o nível de jogo que apresentou contra o Rexona, terá feito a sua parte.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

SOS Praia Clube



 
O Carnaval vai ser de muita ressaca e reflexão lá pelas bandas de Uberlândia.

O Praia Clube terá que, em uma semana, achar uma forma de reagir. O time chega ao final da fase classificatória e prestes a entrar na disputa das quartas com o emocional em frangalhos.

Os problemas técnicos que o Praia apresenta desde o início da temporada minaram a confiança da equipe. Não há um time da ponta da tabela contra quem o Praia consiga fazer frente.

No duelo pela vice-liderança com o Osasco, o Praia não conseguiu um mínimo de estabilidade para manter os raros bons momentos que teve na partida. O bom passe não durava, a virada de bola não durava, a boa armação de contra-ataque não durava.

Tudo está muito frágil no Praia Clube. 
 
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Mesmo contra um adversário debilitado, o Osasco conquistou com mérito a vice-liderança. Ao contrário do que aconteceu no jogo de ida, não presenteou o Praia Clube com erros e mais erros. 

Tandara respondeu bem no passe quando pressionada e continuou decisiva no ataque. Defensivamente o Osasco foi muito superior assim como no aproveitamento dos seus contra-ataques. 
 
Com esta vitória, praticamente garante o segundo lugar na fase classificatória. Mesmo precisando que o Praia ressurja no campeonato com resultados positivos na dura sequência de jogos que tem pela frente, prefiro dizer "praticamente" porque o Osasco não é nada confiável...
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É triste ver como o potencial do Praia não se desenvolve e como o time chega sem forças a esta fase do campeonato. Está se descredenciando completamente pela briga do título.

Não sei de onde Picinin e jogadoras poderão tirar a solução para uma reviravolta. Talvez uma troca de peças, quem sabe. 
 
Só sei que o Praia está tendo a pior morte possível de se acompanhar: lenta e dolorosa.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

O dream team virou pesadelo?



Elenco montado, parecia que o caminho vitorioso do Eczacibasi estava traçado nesta temporada. Depois da conquista do Mundial de Clubes, quando venceu sem ainda estar entrosado, dava a impressão de que o time de Kosheleva, Boscovic e Cia paparia todos os títulos que viessem pela frente.

Porém, o dream team não tem dado muito motivos para sonhar.

Desde o Mundial, o Eczacibasi não consegue superar seu maior rival na Turquia, o Vakifbank. A derrota mais recente foi nesta quarta, no segundo jogo entre as equipes na fase de grupos da Champion League. Com os 3x1, o Eczacibasi corre o risco de não se classificar para a próxima fase.

É a segunda derrota do Eczacibasi para o Vakif na mesma semana. Nas duas vezes, teve atuações que beiraram ao vexame. Na disputa do Europeu, em dois sets o desempenho foi vergonhoso. Desempenho esse protagonizado pela Kosheleva, que cometeu erros grosseiros de passe. Só no segundo set o Vakif fez 6 pontos de ace. 


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As limitações de estrangeiras em quadra no campeonato turco faz com que as ótimas opções de elenco do Eczacibasi percam um pouco do sentido. A temporada da Kosheleva no passe também não colabora em nada para que o time evolua.

Mas não é possível livrar a responsabilidade do Barbolini em não fazer este elenco brilhar. Ele não conseguiu até agora encontrar a melhor maneira de gerenciar o seu grupo entre as duas competições que o Eczacibasi disputa.

E o mais grave, o Eczacibasi não evoluiu, ficou parado no início da temporada. Desde lá apresenta os mesmos problemas na linha de recepção e acaba por se apoiar somente nas individualidades especiais que tem, especialmente na Boskovic.

Enquanto isso, por exemplo, o Vakif cresceu muito em conjunto desde a disputa do Mundial. Está com um volume de jogo muito bom, sendo bastante eficiente no aproveitamento dos contra-ataques e, até, compartilhando melhor a responsabilidade de ataque entre Zhu, Sloetjes e Hill.

Não é a toa que os placares das partidas do
Eczacibasi contra os seus principais adversários deixaram de ser apertados para se transformarem em derrotas mais dilatadas.

Pode ser que o Eczacibasi consiga a classificação para a próxima fase da Champions e certamente estará na disputa pelo título turco, mas vai se deparar com equipes, para além do Vakif, que estão em ritmo de crescimento.
E aí, mesmo o dream team terá que voltar para realidade para fazer frente a elas.


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Pê ésse:

- Boa notícia: a CBV vai transmitir pela sua página do Facebook o jogo entre Vôlei Nestlé e Praia Clube nesta quinta-feira (23), às 19h30. Mais: Rexona x Minas, no dia 7 de março, às 20h, também terá transmissão da CBV.

Partidas das quartas e semifinais que não tiverem transmissão da TV também devem ser exibidas.

A CBV agiu rápido às reclamações porque as estruturas já estão sendo montadas e testadas para a próxima temporada, quando se pretende ter um calendário de transmissões. Estamos evoluindo.

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Mais uma vez



 Rexona-Sesc 3x1 Dentil/Praia Clube - Final Sul-americano de clubes

Mais uma vez o Praia Clube sucumbiu ao Rexona. Mais uma vez o Rexona é campeão, desta vez do Sul-americano.

E olha que o Rexona deu chance, jogou mal durante uns 70% da partida.

Venceu o primeiro set mesmo entregando 12 pontos em erros – o que é muito para qualquer equipe é gigante para o time carioca.

Roberta só foi se encontrar no quarto set, quando o jogo estava dominado. Até aquele momento, porém, foram só bolas imprecisas. Não entendi, aliás, porque o Bernardo não optou pela Camila Adão no terceiro set como fez com a Mayhara no lugar da Carol.

Carol foi um bom símbolo do Rexona que esteve em quadra em boa parte da partida: hesitante, sempre no quase. Ataques com pouca agressividade, largadas sendo usadas demais, saques fáceis e erros bobos.

E mesmo assim, o Praia não conseguiu sobrar na partida, com exceção do segundo set. Por quê? Porque desperdiçou oportunidades de contra-ataque e devolveu, solidariamente, os pontos em erros que recebeu.

E não é nem a quantidade de falhas ou desperdícios que me refiro. É o momento em que eles são cometidos. O terceiro set escapou das mãos do Praia por isso.

Na hora final de um set decisivo, a Claudinha força mal um levantamento, a Ramirez isola uma bola, a Álix espirra um passe, a Fabiana toca na rede.

Pronto. Ali se vai mais uma chance do Praia finalmente vencer o Rexona.

No Rexona aconteceu o oposto. Na hora da decisão é que as coisas funcionaram perfeitamente. A defesa começou a pegar tudo quanto era ataque mineiro e as atacantes a definirem de primeira os contra-ataques.

Aí o saque da Jucy entra, a Monique vira tudo quanto é bola, a Fabi varre a quadra, a Gabi se vira mesmo com um triplo a sua frente.

Estão vendo a diferença? Quando apertou, as jogadoras do Rexona apareceram; as do Praia sumiram.
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O Praia é bastante sensível à pressão, ainda mais quando enfrenta o Rexona. Fica difícil segurar o efeito cascata quando dois erros acontecem em sequência. O time se desmonta.

E como o Picinin tem um poder de motivação muito semelhante ao do Luizomar (ou seja, nenhum) e ninguém no grupo assume este papel, o Praia fica sem qualquer poder de reação.

O Rexona, que não tem nada a ver com isso, continua no alto do pódio - às vezes, até abusando da sorte - esperando alguém que consiga tirá-lo de lá.



O rolê é mineiro

Camponesa/Minas 3x0 Vôlei Nestlé

Foto: João Neto/Photojump


Todo mundo reclamando e lamentando que o jogo entre Minas e Osasco não seria transmitido pela televisão. Afinal, era o clássico e a partida mais equilibrada da rodada, sem contar que rolava uma expectativa extra depois daquele jogão da semifinal da Copa Brasil duas semanas atrás.

Pois nada disso se cumpriu. O jogo não mereceu o título de clássico, não foi equilibrado e nem em sonho lembrou o confronto da Copa Brasil. E para chegar a esta conclusão nem é preciso ter assistido à partida.

Quem acompanhou pelo Twitter a “narração” da partida, logo percebeu que o Minas sobrou. O Osasco correu atrás o tempo todo. Nos finais dos sets, reagiu discretamente, mas nada que não fosse contornado rapidamente pelo time mineiro.

Curiosamente, o fundamento em que o Osasco ficou devendo foi o ataque. Mesmo com todo o seu arsenal pelas pontas e as trocas usuais e constantes do Luizomar, ninguém deu a segurança na definição como a Hooker deu ao Minas.

A Dani não tem sido nenhum exemplo de equilíbrio na distribuição, mas acredito que o fato de as centrais mal terem sido acionadas no ataque se deveu à má recepção. O mesmo não se pode dizer da Naiane e do passe com qual a levantadora do Minas trabalhou.


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O Minas, assim, devolveu os 3x0 que levou no primeiro turno. Mas não foi simplesmente uma revanche de placar. Esta vitória tem um peso bem maior. Afinal, lá em dezembro, o Minas improvisava a Mara como oposto. Vencê-lo era uma obrigação para os três favoritos.

Hoje a situação é outra. Os efeitos negativos da derrota para o Osasco vão além da possibilidade de comprometer a sua colocação. Primeiro que, ao levar este passeio – e com o time completo, vale lembrar, o que não aconteceu na Copa Brasil –, o Osasco não consegue afastar a aura de desconfiança que sempre paira sobre sua equipe.

Segundo, dá ainda mais moral para um Minas que vem embalado neste returno e que ameaça seriamente as equipes do pódio atual da SL.


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Demais resultados da rodada

Terracap/Brasília 1x3 Dentil/Praia Clube (24/01)

Rexona-Sesc 3x0 Rio do Sul (08/02)

Renata Valinhos 0x3 Sesi-SP

Fluminense 3x0 São Cristóvão Saúde/São Caetano

Genter Bauru 3x1 Pinheiros

- Sobre a partida que nos coube assistir, uma boa vitória do Bauru sobre o Pinheiros. Os erros foram a tônica dos dois times, mas o Bauru teve um pouco mais de paciência – na comparação com ele mesmo – para trabalhar o ataque. E teve muito mais poder de definição tanto na virada como nos contra-ataques.

É impressionante como o ataque do Pinheiros cai de produção ao longo da partida. Por isso, surpreendeu-me o fato de o Paulo de Tarso não ter utilizado a Ju Nogueira numa tentativa de revitalizar o seu poder ofensivo.

No Bauru, surpreendeu a escalação da equipe sem a Thaisinha, melhor atacante do time. Não vi exatamente uma melhora no passe, que, acredito, deveria ser a intenção da troca. Nem a Brenda Castillo foi bem no fundamento.

Contudo, não se pode dizer que a Thaisinha fez falta. Foi uma boa noite do Bauru, com as atacantes de ponta virando, principalmente a Bruna, além de uma relação saque-bloqueio (quando não erravam o saque) que funcionou também muito bem.


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Os 4 passos que levaram o Minas ao G4



Com a vitória por 3x1 sobre o Brasília, o Minas assumiu a quarta colocação da Superliga 16/17 desbancando justamente a equipe do DF. Mas o caminho rumo ao G4 não se resume a esta partida.

Vamos recapitular os passos que levaram o time mineiro da rabeira ao topo: 



1- Chegada da Hooker 
 
 Fotos Minas: Orlando Bento

O Minas tinha séries dificuldades em colocar a bola no chão no ataque, dependendo quase que exclusivamente da Rosamaria. A norte-americana chegou, pegou ritmo de jogo mais rápido do que se imaginava e já está na liderança da pontuação no ataque.


2- Adaptação da Rosamaria 
Um receio que havia com a chegada da Hooker era o deslocamento da Rosamaria para jogar como ponteira passadora. Afinal, corria-se o risco de se ter grandes prejuízos na recepção e ainda perder uma atacante importante para o time até o momento. Com uma estratégia que a esconde boa parte das vezes do passe, Rosamaria tem formado com Hooker um dupla poderosa de ataque - ao menos na SL.

3- Reforço da Jaqueline 
A Jaqueline só foi ser titular nestas duas últimas rodadas, mas o efeito que provocou sua chegada já vem desde o início do ano. Primeiro porque, provavelmente por se sentir ameaçada, a Pri Daroit cresceu bastante. Ficou ainda mais segura no passe e teve papel importante em diversas partidas no ataque. Segundo que, titular ou reserva, a Jaque dá mais opções de composição ao Paulo Coco.

4- A queda dos adversários 
Foto: Felipe Costa/Ponto MKT Esportivo

Enquanto o Minas tentava se encontrar, Brasília e Bauru aproveitaram a brecha para subir nas tabelas no primeiro turno e ocupar o espaço que poderia ser da equipe mineira. Porém, nenhuma das duas equipes conseguiu se sustentar no returno e muito menos deter o avanço do Minas na tabela.

O Brasília, depois de flertar com a terceira posição, se despede do top 4 da SL, num caminho que não deve ter mais volta. 


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Rumo ao o top 3?

Apesar de ser importante se colocar entre os quatro primeiros, o ideal para o Minas seria mesmo alcançar a terceira colocação. Digo isso, claro, para evitar um possível confronto com o Rexona na semifinal.

Para alcançar o top 3, a disputa está mais distante, com Osasco e Praia 10 pontos à frente. Neste final de turno, a tabela fica complicada para todos e, mesmo que o Minas vença os confrontos diretos, a briga vai ficar equilibrada. Aí é que acredito que a demora da montagem do time e os pontos perdido no primeiro turno irão fazer falta. 

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Demais resultados da 6ª rodada:

São Cristóvão Saúde/São Caetano 1x3 Genter Bauru

Vôlei Nestlé 3x2 Fluminense

Pinheiros 2x3 Renata Valinhos

Rio do Sul 0x3 Dentil/Praia Clubes (31/01)

Sesi 0x3 Rexona (24/01)

- E o Valinhos que conseguiu sua primeira vitória na SL 16/17? E logo contra o Pinheiros, que vinha fazendo um bom returno! Com este resultado e com o Fluminense mostrando poder de reação e conquistando bons resultados, será que o Pinheiros consegue roubar a sétima colocação do tricolor carioca?

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Inspiração no passado


Semana passada o treinador Talmo de Oliveira relembrou, na sua conta do Twitter, o título sul-americano conquistado em 2014 pelo Sesi.


Naquela época, o Sesi vinha de uma recuperação incrível. Com um início de Superliga ruim, terminou o primeiro turno na sétima colocação. Melhorou seu desempenho no segundo turno e sua classificação no campeonato e, neste meio tempo, ficou com o vice campeonato da Copa Brasil ao perder a disputa para o Osasco.
 
Sesi e Osasco voltaram a se enfrentar na final do Sul-americano. E desta vez, o resultado foi este que o Talmo celebrou na sua timeline. 

Na SL 13/14, o Osasco estava invicto no campeonato e líder absoluto. A perda do título sul-americano acabou se refletindo na SL. Quem não se lembra da eliminação do super time osasquense nas semifinais para o mesmo Sesi?

O Sesi não tinha ganho – e até hoje não ganhou – o campeonato paulista ou algum título nacional. O primeiro troféu a entrar na coleção foi logo um de status internacional - e que ainda o garantiu no Mundial de Clubes daquele ano do qual saiu com a terceira colocação.


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Será que o Praia Clube e o Picinin conseguem se inspirar na trajetória do Sesi para a disputa do Sul-americano 2017 que se inicia nesta terça? 

Ou o fato de que, para emular o Sesi, o Praia terá que superar um obstáculo chamado Rexona (e Bernardinho) - e não Osasco (e Luizomar) - destrói qualquer aspiração?