sábado, 21 de janeiro de 2017

Na busca pelo top 4

Camponesa/Minas 3x0 Pinheiros


Foto: Orlando Bento/MTC

Pelo momento que os dois times vivem neste segundo turno, estava com boas expectativas para o encontro entre Minas e Pinheiros. Parte desta expectativa se cumpriu na disputa do segundo e terceiro sets, quando as duas equipes se desafiaram com bons saques e volume de jogo.

Mas a luta do Pinheiros para se manter no placar no mesmo ritmo que o Minas parou na sua própria limitação. A primeira, no passe. Nem a troca de líberos amenizou o estrago que a má recepção fez. O segundo, na eficiência da definição das jogadas por suas atacantes. 


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Para quem esperava ver o duelo entre duas das três maiores pontuadoras desta edição da Superliga a partida pode ter sido uma decepção. De um lado, a Rosamaria foi menos acionada do que o de costume. Do outro, a Bárbara foi anulada pelo bloqueio pesado do Minas desde o primeiro set quando a própria levantadora do Pinheiros, Ananda, encurralou a sua oposto com bolas espetadas na rede.

Só que o Minas pode se dar ao luxo de “dispensar” a Rosamaria, pois tem Hooker. A norte-americana fez sua melhor partida desde sua estreia no Minas. E, na partida desta sexta-feira, o time também teve Pri Daroit virando bem assim como Mara e Gattaz.

No Pinheiros, a Vanessa assumiu o papel de definição no ataque, mas não foi o suficiente para carregar o time a uma vitória. Até porque ela não foi tão acionada como deveria. 


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O Minas também teve muito mais tranquilidade e competência para trabalhar os contra-ataques, desde o passe até a definição. Já o Pinheiros desperdiçou alguns contra-ataques no segundo set que foram cruciais para a sua derrota na parcial. Pecou pela ansiedade de querer fechar logo o ponto.

Provavelmente sentiram-se ameaçadas – e com razão – pelo bloqueio do Minas, que teve na Mara sua principal estrela. A central, aliás, pela primeira vez vive uma boa fase no time mineiro, lembrando a boa temporada que fez no São Caetano três anos atrás.

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Por isso, o Minas pode comemorar não só a vitória como também a boa atuação. Teve um desempenho maduro e equilibrado em todos os fundamentos.

O Pinheiros pode não ser um concorrente direto na tabela, mas é um adversário complicado para se conseguir os 3 pontos – o Osasco que o diga. A vitória, além de não dar margem a recuos na sua evolução, é um passo fundamental para buscar os pontos perdidos no primeiro turno e alcançar o topo da tabela. 




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Dentil/Praia Clube 3x2 São Cristóvão Saúde/São Caetano

Enquanto o Minas mira o topo da tabela, o Praia se segura para não perder posições.

Pelos relatos pós-partida, o Praia parece ter sofrido com a estratégia de saque do Sanca, que complicou a sua reconhecida frágil linha de passe. E, para piorar, Ramirez não começou a partida, entrou somente como titular no terceiro set no lugar da sua substituta Malu.

A ausência da cubana deve ter não só complicado a composição do passe como também restringido as opções da Claudinha. Agora, não deixa de ser surpreendente e preocupante este resultado contra o Sanca.

Com todo o respeito ao Sanca, com ou sem Ramirez desde o início, o Praia tem que ganhar com bem mais tranquilidade. 


Fabiana falou que o jogo foi mais um aprendizado para a equipe. De tanto que o Praia “aprende” com seus maus desempenhos acho que já passou da hora de começar a dar a lição, não é mesmo?

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Sufoco contornado

Rexona-Sesc 3x1 Genter Bauru

Foto: Alexandre Loureiro/CBV

O Bauru não incomodou o Praia Clube nem o Osasco no primeiro turno da Superliga, mas pelo jeito gosta de complicar a vida do Rexona. No reencontro do segundo turno, o time paulista conseguiu novamente conquistar um set das cariocas. E olha que poderia ter levado dois, se no primeiro set não tivesse se atrapalhado com a boa sequência de saques da Drussyla. 

Até gostaria de poder dizer que a boa atuação nos dois primeiros sets foi total mérito do Bauru, mas não seria 100% correto.

É verdade que o time, mesmo sem uma recepção perfeita, conseguiu trabalhar com bolas velozes, virar com facilidade e complicar o passe adversário. No entanto, o Rexona colaborou para que o jogo do Bauru fluísse nos dois primeiros sets ao apresentar um saque fraco e bobear defensivamente.

O bloqueio do Rexona não conseguia sequer encostar nos ataques do Bauru. Ataques que mal apresentavam variações: eram bolas na ponta e deu. Atrás, Buijs comia mosca na defesa. Tanto que a entrada da Drussyla no lugar da holandesa foi fundamental para que a equipe, além de virar e vencer o primeiro set, melhorasse o saque e o fundo de quadra, exatamente os aspectos que faltavam para o time crescer e encurralar o Bauru. 


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O Bauru joga muito certinho e redondo quando não sofre qualquer pressão. No momento em que o adversário coloca maior agressividade no saque e trabalha mais a bola, o time se desestrutura e começa a cometer erros em sequência. Se as falhas não são na recepção, são no ataque. A equipe perde a capacidade de trabalhar a bola no ataque e confiar no seu bom sistema defensivo.

Na partida desta quinta-feira, o Bauru cometeu uma enxurrada de erros: 35. Contra qualquer equipe esse número, além de assustador, compromete o resultado. Contra o Rexona, sempre comedido nas falhas, nem se fala. 

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O Rexona ainda apresenta fragilidades na recepção, o que não tem poupado nem a líbero Fabi. Não duvido que Drussyla, mostrando cada vez mais segurança quando entra, tome o lugar da Buijs para que o time reforce não só o passe como também a defesa. 

A Roberta está ainda naquela de altos e baixos. Continuo achando que precisa melhorar a qualidade dos contra-ataques e aprimorar a china com a Jucy e as bolas de meio fundo em busca de maior regularidade. 


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Embora tenha ganhado com folga os dois últimos sets, o que o Rexona apresentou na vitória contra o Bauru não foi um bom voleibol. Mesmo assim, é curioso como o time passa sempre a confiança de que irá ou manter o bom desempenho durante a partida ou, como foi o caso contra o Bauru, se recuperar no placar. 

De outras equipes do mesmo nível, a expectativa é contrária. Fica sempre aquela desconfiança sobre até quando o time vai conseguir manter o ritmo ou se será capaz de reagir num momento de desvantagem.  

Ainda que com problemas sérios a resolver, o Rexona consegue ser menos suscetível a tropeços e resultados inesperados do que seus principais adversários. E fica difícil ameaçar a liderança isolada carioca na SL.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Quartas sem surpresas



Quartas de final Copa Banco do Brasil 

 
Rexona-Sesc 3x0 Fluminense

Terracap/Brasília 0x3 Camponesa/Minas

Vôlei Nestlé 3x2 Pinheiros

Genter Bauru 0x3 Dentil/Praia Clube


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Os confrontos de quartas de final da Copa Banco do Brasil nada mais são do que um retrato da colocação final do primeiro turno da Superliga. Só que a primeira fase do campeonato ficou lá no ano passado. Ainda que 2016 tenha terminado um pouco mais de 15 dias atrás, muita coisa mudou desde então. No fim, os resultados que saíram dos encontros da Copa Brasil
acabaram por ser mais fieis ao (pouco) do que se viu do segundo turno da SL em 2017.

Assim, duelos que poderiam ser mais equilibrados, como os casos de Minas vs Brasília e Bauru vs Praia Clube, acabaram em vitória simples dos times mineiros.

A boa fase do Brasília foi coisa do primeiro turno, assim como a indefinição do Minas. Agora, o time do Paulo Coco está em ascensão enquanto o Brasília sofre para manter a competitividade.

Depois de um final de turno ruim, o Praia se aprumou com a volta da Álix e não se assustou com o esforçado, porém limitado, Bauru, time que o havia superado na classificação do primeiro turno. 

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Em compensação, o Osasco que tão bem tinha terminado o primeiro turno da SL sofreu para passar pelo Pinheiros, em mais uma partida que acabou no tie-break.

É ótimo ver que o Pinheiros está crescendo e sendo aquele time coadjuvante que enriquece a competição, como de costume. Mas sabemos bem que este equilíbrio nos dois confrontos não aconteceu somente pela melhora da equipe da capital.

O Osasco tem uma contribuição importante ao não conseguir manter um bom nível de jogo durante as partidas. Mais uma vez deixou a recepção cair e recuou no saque, permitindo que o Pinheiros, sempre traiçoeiro, empatasse a partida em 2x2.

É irritante constatar que o Osasco continua inconfiável e desperdiçando seu potencial e investimento. Como esperança ao torcedor, ao menos é bom saber que, contra o Pinheiros, a Paula voltou a se destacar. A oposto foi a maior pontuadora da partida, relembrando à Dani Lins e ao Luizomar de que o Osasco pode ter outras saídas de ataque além da Tandara. 


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Sem surpresas na Copa Brasil, as coisas começaram a se ajeitar de acordo com aquilo que estamos acostumados a ver: Rexona hegemônico, Minas e Praia retomando seus lugares de favoritos e despachando as "surpresas", e o Osasco...  sendo Osasco.

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As semifinais: 

27/01 - Rexona-Sesc x Dentil/Praia Clube, às 19h30

27/01 - Vôlei Nestlé x Camponesa/Minas, às 22h


Será que é desta que o Praia vence o Rexona? O time do Rio é sempre muito impositivo contra o Praia, que, por sua vez, costuma afinar neste duelo. É uma boa oportunidade para as meninas de Uberlândia quebrarem esta freguesia já que tudo se resolve numa partida só. Mas do jeito que é frágil a recepção do Praia, o Rexona pode tomar conta do jogo somente usando o seu melhor fundamento, o saque.

Na segunda semifinal, impossível prever o resultado. Duas equipes de ataque e bloqueio fortes, mas, cada qual por uma razão, inconstantes. O Minas, por ainda estar consolidando a sua nova formação titular, e o Osasco por... ser Osasco. É da natureza do time do Luizomar estes altos e baixos à mistura. 


terça-feira, 17 de janeiro de 2017

O Fenerbahce também quer brilhar



 
Se no campeonato turco o Fenerbahce não tinha conseguido fazer frente aos seus rivais todo-poderosos Eczacibasi e VakifBank, na Copa Turca a história foi diferente. Depois de eliminar o Eczacibasi na semifinal, o Fener venceu com propriedade o Vakif na final por 3x0.

A partida só teve o primeiro set realmente equilibrado. O Vakif não esteve num dia bom, reflexo principalmente da má jornada da sua levantadora Naz Aydemir. Guidetti acabou abrindo mão da Naz numa inversão 5x1 logo no começo do segundo set. A questão é que, com isso, tirou a Sloetjes e colocou a Hill, o que não ajudou em nada a amenizar outro grande problema do Vakif nesta partida, o passe.

O Fener caçou a Zhu e nem sempre a líbero conseguiu encobri-la com qualidade na recepção. Foram sete pontos de saque para o Fener, um dos melhores fundamentos do time e que já havia sido essencial para a vitória também contra o Eczacibasi.

E foi no saque que a Natália teve seu melhor desempenho. Ela não correspondeu no ataque nos momentos mais críticos e se mostrou um tanto receosa em uma porção de oportunidades em que poderia encher a mão e prefiriu as largadas. 

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É bem verdade que a levantadora que iniciou a partida, a Ezgi, não ajudou em nada as atacantes do Fener. O treinador Abbondanza colocou o time em risco ao preferir começar com ela e a Grothues ao invés da Tomkom e Ushpelivan. Talvez quisesse ter mais segurança no passe com a holandesa como falso oposto. E de certa forma conseguiu, o Fener teve uma recepção, no geral, segura nos dois primeiros sets que jogou com esta composição.

Mas a Ezgi foi muito fraquinha no primeiro set, tanto na distribuição como na precisão dos levantamentos. Além das bolas grudadas na rede para as ponteiras, ela insistia com bolas  de fundo com a Natália quando tinha três atacantes na rede. E isso quase comprometeu a vitória no primeiro set.

Depois, Ezgi fez um bom segundo set com a tranquila vantagem que o time abriu logo no começo. Mas é covardia comparar com o que a qualidade que a Tomkom agrega ao time - ainda que eu ache que, por vezes, as bolas com a Kim estejam um pouco mais velozes do que a coreana consegue acompanhar.

O fato é que, independente da formação em quadra, o Fener manteve um padrão de jogo durante toda a partida e, com isso, controlou o confuso Vakif, perdido em erros de passe e pouco agressivo no ataque. 
 
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Com o título, o Fener começa a disputar um pouco mais de espaço sob os holofotes que até o momento tinham suas luzes voltadas principalmente para o Eczacibasi, campeão do mundo, e o VakifBank, atual campeão turco. Comparado aos seus principais rivais, o Fenerbahce tem um elenco (de titulares e reservas) um pouco mais modesto, mas poderoso o suficiente para equilibrar as disputas no campeonato turco e na Champions League.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Deu Natália, de novo



Está difícil para a Thaísa superar a Natália. No último ano, em três encontros decisivos, a ponteira se saiu vencedora sobre a central. Foi assim nas semifinais da Copa Brasil 2016 e da Superliga 15/16 com o Rexona contra o Osasco e foi assim agora na Turquia pela semifinal da Copa Turca quando o Fenerbahce bateu o Eczacibasi por 3x1.

Só que, no embate turco, Thaisa e Natália passaram longe de ter a relevância que tiveram para os times brasileiros na temporada passada. O Eczacibasi pouco usou a jogada com as centrais, principalmente porque o passe em nada colaborou para isso.

Sem Larson, machucada, a composição com Baladin e Kosheleva deixou o time extramamente exposto na recepção, o que comprometeu seriamente o desempenho da equipe. Thaisa passou em branco no bloqueio, fundamento que o Eczacibasi, aliás, dançou a partida inteira.

Pelo lado do Fernerbahce, o passe foi mais seguro e a qualidade da armação dos contra-ataques superior. A Tomkom ficou bastante à vontade para utilizar a central Erdem e a Kim foi, como sempre, a bola de segurança deixando a Natália bastante apagada neste quesito.

O Fenerbahce agora decide a Copa Turca contra o Vakifbank que venceu o Bursa com facilidade por 3x0.

domingo, 15 de janeiro de 2017

Thaisa x Natália: só uma chega à final



 
Quando começar a Copa Banco do Brasil na próxima terça-feira, o campeão da Copa Turca estará definido. As quartas de final aconteceram neste domingo e os times das brasileiras Joycinha, Natália e Thaisa se classificaram para as semifinais.

Aliás, Thaisa e Natália, com Eczacibasi e Fenerbache respectivamente, vão se enfrentar nesta segunda (16). Nenhuma das duas brasileiras teve grande destaque na vitória das suas equipes contra o Halbank e Saryer no primeiro jogo eliminatório.

Quem se destacou mesmo nas quartas foi a Joycinha, no disputado jogo entre Bursa e Galatasaray, que acabou 3x2 para o time da oposto, o Bursa. A brasileira foi a maior pontuadora da partida, com 24 pontos sendo 20 de ataque.

O Bursa vai precisar muito da Joycinha para responder ao rico repertório ofensivo do Vakifbank, equipe que enfrenta na semifinal.

No outro confronto, o Fenerbahce tenta vencer pela primeira vez nesta temporada um dos seus principais rivais nacionais. No campeonato turco, o time da Natália e da coreana Kim foi derrota pelo Eczacibasi e pelo Vakifbank. 


sábado, 14 de janeiro de 2017

Nem sempre a Tandara salva

Pinheiros 3x2 Vôlei Nestlé/Osasco
 
Foto: João Neto


A partida com transmissão da TV desta sexta-feira foi a do São Caetano com o Minas, mas é impossível não dar destaque para a vitória do Pinheiros sobre o Osasco.

No encontro das duas equipes no primeiro turno, comentei sobre as oscilações que continuavam a atormentar as atuações do Osasco. Dois meses e um turno depois, parece que permanece impossível colocar a mão no fogo pelo time do Luizomar.

É verdade que a Tandara não começou a partida, mas também é verdade que o Osasco tem mais time do que o Pinheiros para não precisar da jogadora para vencer. Mas não foi o que aconteceu. Depois de um primeiro set perfeito, o Osasco caiu muito de rendimento, principalmente na recepção, e teve que acionar a sua principal atleta.

O problema no passe amenizou da temporada passada para esta, porém continua a ser o ponto frágil da equipe. Não há nenhuma ponteira especialista no fundamento. Malesevic quebra o galho na maior parte das vezes, mas quando o problema aparece o grande remédio acaba por ser a Tandara, virando as bolas mais quadradas.

E foi o que aconteceu contra o Pinheiros. Jogando apenas três sets, Tandara acabou por ser a maior pontuadora da partida. Tudo o que o Osasco não precisaria, com os recursos ofensivos que tem, era criar uma “Tandara dependência”. Só que, pelo jeito, já criou. 
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Belo começo de returno do Pinheiros. Não esperava que o time conseguisse evitar a repetição do roteiro da primeira parte do campeonato. Vamos esperar que todo este esforço para conquistar pontos importantes contra Brasília e Osasco, no entanto, não tenha sido em vão. Estes pontos só farão diferença se contra os seus iguais ele não bobear.

Certamente este resultado criou uma expectativa diferente para o encontro das duas equipes na terça-feira pela Copa Banco do Brasil. Tomara que haja o mesmo equilíbrio da SL.


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São Cristóvão Saúde/São Caetano 0x3 Camponesa/Minas

Vitória tranquila do Minas, baseada muito na qualidade da virada de bola. Está difícil ver um time com facilidade de colocar no chão a primeira bola. Claro que a fragilidade do Sanca, que não conseguiu desestabilizar a recepção do Minas, colaborou para que o ataque mineiro fosse eficiente no side out.

E  contrariando os meus receios, a Rosamaria tem se saído muito bem como ponteira passadora. Manteve o ritmo de aproveitamento no ataque e, bem protegida na linha de passe, não tem comprometido na recepção. Pelo menos quando está na rede, ela praticamente não fica exposta ao saque adversário, com a quadra tomada por Leia e Pri Daroit. Quando está no fundo, acaba por ser inevitável ter que enfrentar o passe e, nestes momentos, alguns problemas aparecem.

Por isso seria bom que a Naiane ganhasse mais confiança e trabalhasse melhor a bola da Hooker. Como a bola com a Rosa está funcionando perfeitamente, ela se esquece da oposto e também das centrais. E contra o Sanca teria sido uma ótima oportunidade para fazer o contrário: esquecer a Rosa e explorar as outras jogadas.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Daria para voar um pouco mais alto


Genter Bauru 0x3 Dentil/Praia Clube


Foto: Neide Carlos


O Bauru conquistou o quarto lugar no primeiro turno da Superliga porque venceu as partidas que estavam ao seu alcance - e, de bônus, ainda surpreendeu o Minas na estreia do campeonato. Contra os demais times de maior investimento, perdeu sem muita resistência.

E acho que é isso que se deve esperar do Bauru no restante da competição, nem mais nem menos. Até porque o time chegou ao segundo turno com o mesmo estilo, apostando nas trocas constantes como paliativos para o seu elenco mediano ao invés de investir numa evolução técnica e tática individual e de grupo.

Sem um elenco estrelar, com a Brenda Castillo sendo a única jogadora de alto nível – Mari, infelizmente, não é mais - o Bauru teria somente uma arma para enfrentar com maior equilíbrio os favoritos: o conjunto.

Mas quanto mais se desenrola a competição, menos se enxerga esta qualidade. O Bauru se resume a uma série de tentativas e erros, com alguns poucos acertos pelo caminho, principalmente quando enfrenta os grandes. 
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Contra o Praia, o Marcos Kwiek resolveu começar com a Bruna como oposto. Pouco se viu da jogadora que foi logo substituída, juntamente com a Juma, por Mari e Lyara. O mesmo destino teve a Mari Cassemiro, trocada pela Dayse.

Lyara se acertou na distribuição do segundo set, mas, no geral, pecou na qualidade dos levantamentos. Dayse melhorou um pouquinho a recepção, mas não contribuiu em nada no ataque. Mari esteve naquela média de pontuar sem ser decisiva. Em resumo, as substituições deram uma sobrevida ao time, mas não foram suficientes para que ele sustentasse um nível de jogo competitivo contra o Praia. 



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O troca-troca impede que o time evolua e tenha um jogo mais refinado, sem tantas falhas. Tanto que chega na hora da decisão, como aconteceu no segundo set contra o Praia, e não há nenhuma jogadora, com exceção da Thaisinha, preparada para enfrentar este momento. Aí é bola mal levantada, erro bobo de recepção ou ataque...

Talvez para o Kwiek esta seja a única forma do Bauru conquistar alguns bons resultados. Classificar-se para a Copa Brasil e ir para as quartas de final da SL não deixam de ser conquistas importantes para o jovem time.

Mas eu acredito que o Bauru poderia ir um pouco mais além, voar um pouco mais alto. Não, dificilmente bateria Rexona, Osasco ou Praia. Mas poderia dar muito mais trabalho se fosse mais disciplinado e organizado. E, para isso, esta estratégia - ou ansiedade - do Kwiek em não dar continuidade a um elenco titular não contribui em nada.

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Pelo lado do Praia Clube, o Picinin não quer saber de ter que substituir ninguém. Agora com o time titular, sem os desfalques que incomodaram no primeiro turno da Ramirez, e, depois, da Álix, o Praia ganhou outra postura em quadra.

Não foi uma partida exemplar já que a equipe se perdeu em algumas viradas de bola e erros, mas respondeu como se esperava dela nos momentos mais críticos. A recepção não foi das melhores, mas a Claudinha teve habilidade para manter um padrão nos levantamentos sem comprometer o fluxo de ataque. As jogadas com as centrais é que não foram muito precisas e em nada variadas, o que acaba sempre por ser um desperdício quando se tem duas jogadoras como Wal e Fabi.

O Praia foi gigante no bloqueio, que apareceu nos momentos mais decisivos do segundo set e apagou de vez qualquer força de reação que o Bauru pudesse ter no terceiro set.

Desnecessário dizer que a mesma postura agressiva que veio principalmente pelo saque e pelo bloqueio precisa aparecer novamente contra o Bauru no jogo eliminatório da Copa Brasil na próxima terça-feira.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

O quebra-cabeça Eczacibasi



 
A Champions League está recém na fase de grupos, mas já colocou frente a frente os dois principais clubes da Turquia do momento.

E, assim como aconteceu no campeonato turco, o Vakifbank venceu o Eczacibasi, fora de casa, por 3x2.

A partida poderia ter sido resolvida no quarto set, a bem da verdade. O Vakifbank - depois de levar os dois primeiros sets e perder o terceiro - tinha maior controle do jogo naquela parcial. Porém, o time travou numa rede de dois em que a Gödze cruzava com Thaisa e Boskovic na entrada e o Guidetti nada fez para mudar a situação.

Depois, como de costume, o treinador reclamou de uma marcação da arbitragem e levou cartão vermelho, sendo expulso do set. O time se perdeu ali e acabou teve que disputar o tie-break, o qual venceu com certa tranquilidade. 
 
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Só que a impressão que ficou, ao final da partida, é que o Vakifbank jogou a sua média enquanto o Eczacibasi esteve bem abaixo do que pode render. O Vakif, é verdade, teve com um reforço importante. A Sloetjes não ficou sob a sombra da Zhu e foi bem mais contributiva no ataque e no saque. Mas, no geral, o time não foi em nada brilhante.

No Eczacibasi, Kosheleva esteve numa dia muito ruim na recepção e no ataque. A jovem Baladin deu uma melhorada na equipe quando entrou no lugar da russa. As demais jogadoras  tiveram altos e baixos. Thaisa encaixou uma boa sequência de saques, mas, na média, assim como suas colegas, não teve consistência. 
 
O time cometeu muitos erros e não estava tão envolvido na partida quanto o adversário.  Parecia mais peças soltas de um quebra-cabeça que só por alguns momentos se encaixavam.

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É provável que o fato da limitação de estrangeiras no campeonato turco interfira nesta falta de coesão que o Eczacibasi demonstrou no jogo da liga europeia. O Vakifbank tem mantido o mesmo time titular, com a Hill no banco e a Gödze de titular. Sem contar que a levantadora é a Naz, turca. Ou seja, a equipe tem um padrão de jogo – só atrapalhado, por vezes, pelas trocas sem sentido do Guidetti.

No Eczacibasi, a levantadora sérvia Ognjenovic é constantemente poupada no campeonato turco. E o Barbolini precisa fazer rodízio com as centrais e ponteiras. 

Com a formula de competição modificada, a Champions dará mais chances de classificação da fase de grupos para o playoff, que contará com seis equipes. Agora além dos primeiros colocados em cada grupo, os dois melhores segundo colocados se classificam. 
 
Mas o risco existe para o Eczacibasi que pode, com um elenco muito melhor do que do ano passado, parar no meio do caminho novamente.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Vira, vira


Camponesa/Minas 3x2 Genter Bauru 

 
Foto: Orlando Bento/MTC

O Minas abre 2x0. O Bauru empata e abre vantagem de 9x3 no tie-break. O Minas se recupera e vence o quinto set e a partida.

Não chega a ser surpreendente o fato de que nem o Minas nem o Bauru tenham conseguido segurar suas vantagens na partida. As duas equipes ainda passam por um processo de consolidação e enfrentam um descompasso entre aquilo que podem e realmente entregam em quadra.

Por enquanto, são dois times pouco confiáveis neste sentido. Mas o Minas parece mais adiantado nesta jornada de estruturação ao ter definido e mantido o seu time titular já há algumas rodadas.

O deslocamento da Rosamaria de oposto para ponteira não a fez cair de rendimento, o que foi ótimo. Contra o Bauru, Naiane acionou muito mais a Hooker e equilibrou a distribuição que ultimamente estava concentrada na Rosa.

Ainda assim, o Minas tem margem para crescer. Margem que pode vir pelo melhor aproveitamento de ataque da Hooker e do uso das centrais pela Naiane. Há também o reforço da Jaqueline que estreou nesta partida. Conquistando ou não a titularidade, é uma segurança para o fundo de quadra. 

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Mesmo tendo um início complicado, o Minas deve fazer um segundo turno de recuperação, tanto na bola quanto na tabela. E deve, inclusive, se favorecer da queda de rendimento do Brasília e, quem sabe até, da inconstância do Bauru.

O Bauru chega ao segundo turno ainda tateando a melhor formação para ter em quadra. Desde o início da SL há uma indefinição na posição de oposto. Começou com a Dayse, a Bruna assumiu e, por fim, a Mari foi efetivada nas últimas rodadas.

Só que o desempenho da Mari tem sido mais discreto do que o da Bruna. Ela tem tido bom aproveitamento, mas a Bruna mostrou, com aproveitamento semelhante, ter maior poder de desafogo para o ataque, liderando a pontuação do time no fundamento.A Bruna parece ser melhor parceira para a Thaisinha.

Os participantes do blog já indicaram a possibilidade da Bruna jogar como ponteira passadora. Ela entrou assim contra o Minas, no lugar da Mari Cassemiro, e depois foi deslocada para a saída no lugar da Mari. A sorte do Bauru foi a Rivera não estar disponível para a partida senão o Kwiek teria acionado a dominicana e não a Bruna, que comandou a recuperação do time.

Sinceramente, não tenho registro da Bruna como ponteira passadora para subscrever esta sugestão. O que acho é que há de se ter uma definição o quando antes do time titular. Do jeito que está, o que era para ser uma vantagem do Bauru – ter peças polivalentes – acaba por prejudicar. O Kwiek está parecendo o Talmo no Sesi na temporada 12/13: muitas opções e poucas convicções.



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 Rexona-Sesc 3x1 Fluminense
 

Não há razões para duvidar da Venturini. Com todo respeito ao Fluminense, o Rexona tem que estar algumas rotações abaixo para ter alguma complicação ao enfrentar o tricolor.

Gabi definitivamente virou a bola de segurança da Roberta e do Rexona. E, como vimos em outras temporadas, sabemos que ela responde bem a esta responsabilidade.

O mais curioso é como a Carol tem sido acionada pela Roberta. Se bobear, ela e Jucy vão trocar de papeis nesta SL, com a Carol se destacando no ataque e a Jucy no bloqueio.