sábado, 6 de fevereiro de 2016

Sexta de Carnaval para uns e de cinza para outros


Mal começou o Carnaval e o Praia Clube já está com a ressaca típica da quarta-feira de cinzas. Só assim para explicar a atuação do time na partida de ontem contra o Osasco.

Primeiro, o Praia entrou em baixíssima rotação em quadra. Foi massacrado pelo saque paulista até quando o mesmo não era dos mais difíceis. Ainda teve a infelicidade de, no primeiro set, perder sua principal jogadora, a Ramirez.

O time demorou a se encontrar e, principalmente, a encontrar a marcação do ataque do Osasco. Somente no final do segundo set, com algumas brechas dadas pelo Osasco, ele entrou na partida.

Mas o efeito durou pouco. A confusa e má recepção do Praia impossibilitou a recuperação no ataque, que só virava mesmo com a Malu, substituta da Ramirez. A jovem oposto entrou muito bem e soube segurar a responsabilidade de jogar uma partida inteira. 


E defensivamente, o Praia também foi muito pouco consistente. Só apresentou uma boa relação entre saque-bloqueio-defesa no terceiro set. 


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Será que o Praia virou o fio? Ele vinha numa sequência de partidas apresentando melhoras na sua linha de passe, seu grande calcanhar de Aquiles. Mas em duas partidas, contra Rexona e Osasco, a casa caiu legal. E aqui não falo dos resultados, mas das atuações.

Acho que a parada de Carnaval, ainda que curta, vem em um bom momento para o time dar um respiro. Mas o que não ajuda em nada é o próximo confronto ser contra o Rexona, contra quem o Praia, nesta temporada, simplesmente desaparece. E ficamos na torcida pela recuperação da Ramirez. As pretensões do Praia nesta SL mudam consideravelmente dependendo da presença ou não da cubana.


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Vamos falar de coisa boa? A vitória do Osasco. A folia começou mais cedo por lá. As meninas sambaram na partida de ontem.

Acho que esta vitória tem nome e sobrenome: Camila e Carcaces.

Falando primeiro da cubana, ela teve uma partida extraordinária no passe (se compararmos com ela mesma) e no ataque. Num dia “normal” de Carcaces não sei se a Dani Lins jogaria tão tranquila na distribuição das bolas.

No ataque, Carcaces definiu. Na hora do aperto, ela chamou o jogo pra si e correspondeu. Afinal, a preocupação com passe, desta vez, não a atrapalhou. Minha dúvida é se ela conseguirá repetir as mesmas atuações, principalmente na recepção. E isso é fundamental para que um dos rumos do Osasco se acerte.

Outro ponto que me deixa em dúvida quanto ao futuro do Osasco: na hora mais complicada, no terceiro set, o time se perdeu novamente. No tempo técnico, ninguém ouvia o Luizomar, queria cada uma resolver da sua maneira. Tentaram novamente se reerguer à base da individualidade e não do conjunto. 

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Agora, vi um Osasco muito bem defensivamente, comandado neste aspecto pela Camila Brait. E mais importante: trabalhou muitíssimo bem – e muito melhor que o Praia – os contra-ataques. Esta foi uma das vantagens do time paulista.

O saque foi bem também. Este tem sido um fundamento pouco aproveitado pelo Osasco e que, consequentemente, tem impossibilitado um bom rendimento do bloqueio, que costumava ser um ponto forte da equipe. Acho que o Praia se complicou demais em algumas situações que não eram das mais difíceis, mas a pressão exercida por sacadoras como a Dani e a Thaisa trouxeram apreensão à já instável linha de passe praiana. 

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Ainda acho, porém, que a Dani está equivocada e pouco criativa na sua distribuição pelas pontas. Acho que ela explorou demais a Carcaces mesmo em momentos que não era necessário e quando poderia, por exemplo, colocar a Lise para entrar no jogo. Ela manda uma bola pra belga e só vai lembrar da oposto dez jogadas depois. A Lise não consegue uma sequência na partida para engrenar. É um desperdício não aproveitar todas as opções de ataque que o Osasco tem.

Por alguns motivos que relatei acima, ainda tenho os pés atrás com o Osasco. Não me entusiasmo a ponto de achar que o time encontrou seu caminho de recuperação na temporada. Aliás, o Praia me ensinou recentemente que é melhor esperar para ver o que acontece para não se decepcionar. 

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Resultado da 7ª rodada do returno:

Vôlei Nestlé/Osasco 3x1 Dentil/Praia Clube

Pinheiros/Klar 1x3 Rexona/Ades

Renata Valinhos /Country 0x3 Rio do Sul/Equibrasil

Concilig Bauro 0x3 Terracap/Brasília

São Bernardo 0x3 Vôlei Nestlé/Osasco

Sesi 0x3 Camponesa/Minas

São Bernardo 2x3 São Cristóvão Saúde/São Caetano


- Sabem o set que o Rexona perdeu para o Pinheiros? Estava 16 a 5 na segunda parada técnica para o Rio. Só ele mesmo para complicar tanto uma partida. 



quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Só pra contrariar

Os times estão gostando de nos contrariar nesta temporada, não é mesmo? É só elogiarmos para que, na rodada seguinte, quebremos a cara.

Desta vez a decepção veio com o Rexona que sofreu para vencer o Brasília no retorno da Superliga. Dois dos três sets que ganhou foram de forma tranquila, mas quase que ele não consegue vencer o quarto que o levou para o tie-break.

Vá lá, vamos dar um desconto. O time deve ter relaxado após a conquista da Copa Brasil no sábado e depois de ter vencido o primeiro set com tranquilidade. Parece que sua relação saque-bloqueio também não foi das melhores e, principalmente, foi superada pela a do Brasília, time que, sim, se destacou defensivamente.

O bom desta partida, para o Rexona, é que a Carol acabou por ser bastante acionada pela Thompson e correspondeu em pontos. Talvez seja um sinal de que as duas estão finalmente se acertando. Outro ponto positivo é que dá uma acordada no time para não relaxar no restante da competição. Ou seja, o susto veio na hora certa. 
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No Brasília, vale destacar novamente as dificuldades em ter saídas de ataque além da Paula. Isso levou o treinador Manu Arnault a colocar Kasiely (Amanda), Roberta (Natália) e Domingas (Bárbara) para equilibrar a responsabilidade em pontuar no ataque. As mudanças deram certo.

Mas acredito que o maior trunfo da equipe foi, como mencionei acima, o desempenho defensivo. E, também, não ter se assustado com quem estava do outro lado da quadra. O Rexona dá brechas e o Brasília as aproveitou.

Só que o Brasília cometeu um erro fatal ao não vencer o quarto set. Foi ali que perdeu o jogo, quando deu oito pontos em erros. Isso desequilibrou a parcial a favor do Rexona. Por suas limitações, o Brasília acabou por dar chances demais a um time que, como sabemos, não foge de uma decisão. Pelo contrário, joga muito bem nestes momentos.

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Resultados da 6ª rodada do returno

São Cristóvão/São Caetano 3x2 Concilig/Bauru

Terracap/Brasília 2x3 Rexona/Ades

Vôlei Nestlé 3x0 Pinheiros/Klar

Dentil/Praia Clube 3x0 Sesi

Camponesa/Minas 3x0 Renata Valinhos/Country

Rio do Sul/Equibrasil 3x1 São Bernardo

 
- Não consegui assistir a toda partida entre Sanca e Bauru, a única com transmissão nesta rodada (aliás, desde o início do ano o Sportv tem ignorado legal a SL, transmitindo bem menos jogos). O que vi foi só uma equipe em quadra, o Sanca. Não deu pra entender como o Bauru, depois de vencer os dois primeiros sets, se transformou naquilo que vi em quadra no restante da partida. Um time que não impôs nenhuma resistência à recuperação do Sanca, que deu quase metade dos sets de graça em erros ao adversário. O Sanca simplesmente passou por cima comandado, no ataque, pela Thaisinha e, no levantamento, pela Ana Maria.

domingo, 31 de janeiro de 2016

Ninguém é páreo para o Rexona

Rexona 3x0 Dentil/Praia Clube

Esta final da Copa Brasil serviu para contrariar várias opiniões. As minhas, por exemplo. Sabem tudo aquilo que falei sobre o Praia Clube no post anterior? Esqueçam. Nada daquilo apareceu no jogo contra o Rexona.

Muito porque, novamente, a linha de passe esteve confusa nos posicionamentos e ruim na qualidade. Claudinha também não esteve bem. Não digo na distribuição, que foi limitada nas opções pela má recepção, mas na precisão das bolas, principalmente nos contra-ataques. O Praia Clube perdeu boas chances em bolas mal calibradas.

Nisso tudo, a consistência que tanto elogiei no post anterior, não apareceu. Os melhores momentos do Praia não se sustentavam pela falta de regularidade nos fundamentos. 


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Sabíamos que o passe é o ponto chave para o Praia se acertar e mostrar o seu melhor. E ele enfrentou o time com melhor disciplina e eficiência no saque. Ramirez, depois do primeiro set, foi anulada por esta pressão carioca no saque. Álix acabou por não ter sua parceira nos demais sets – e mesmo norte-americana não foi uma boa garantia de saída para o ataque.

Em compensação, a dupla Gabi e Natália, no Rexona, continua passando a patrola. Já contamos como elas estão voando e, melhor ainda, decidindo, principalmente a Natália. A Gabi tem tido também bons desempenhos no bloqueio, fundamento que, na final, junto com o saque, foi decisivo para a vitória. As cariocas marcaram em cima o tempo todo.

Outra que contrariou que meus últimos comentários, foi a Thompson. Ok, ela ainda foge das bolas de primeiro tempo, mas ontem ela colocou mais as centrais para o jogo e não só quando o placar permitia testes e erros. No segundo set, quando o placar estava apertado, ela acionou a Jucy numa china. É ainda uma jogada pelas pontas, mas é, ao menos, uma opção diferente à obviedade da Natália. 

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Enfim, foi uma pena que o Praia não tenha conseguido lidar a pressão do Rexona no saque e controlado sua recepção (aliás, por que o Picinin não tentou a Pri Daroit?) para entrar realmente em quadra na final. Mas a simples conquista da vaga na final deve ser comemorada por uma equipe que, com menos investimento e estrelas, tem feito um temporada muito boa e superior a de Osasco e Sesi.

Já o Rexona vive uma fase especial. Ele tem condições de bancar o seus erros e os riscos que toma. Ou seja, está um nível acima dos demais. No momento, a disputa do Rexona é com ele mesmo.

sábado, 30 de janeiro de 2016

Nunca antes

Dentil/Praia Clube 3x0 Camponesa/Minas

O placar pode enganar. A trajetória para que o Praia Clube conquistasse a sua primeira vaga numa final nacional foi suada. A partida contra o Minas teve os dois primeiros sets muito equilibrados, com as equipes se alternando na liderança do placar. Mas, para a vitória, era necessário algo que o Praia tem e o Minas não: consistência.

Este é um aspecto que tem pesado contra o Minas nesta temporada, principalmente nos jogos contra adversários mais fortes. Os bons momentos do time são sempre interrompidos por sequências de erros, distrações ou mesmo maus desempenhos de um ou outro fundamento, como o ataque.

Do outro lado da quadra, a única inconstância que afeta o Praia é no passe. Mas nesta partida, o fundamento esteve sob controle a maior parte do tempo. Aí foi um passo para que Claudinha abusasse de sua dupla de atacantes estrangeiras, Ramirez e Álix, ambas com atuações excelentes. O único ataque que não funcionou da melhor maneira foi o das centrais, mais especificamente da Wal.


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Defensivamente o Praia também foi muito bem. Foi difícil para as minastenistas colocarem a bola no chão. O Minas se esforçou para se equiparar neste aspecto ao adversário, mas faltou o quê? A mesma consistência do time ‘praiano’. Aliás, toda a partida deu esta impressão de que, para o Minas, as conquistas eram muito mais suadas do que para o Praia. Também pudera: além da regularidade, o time de Uberlândia contou com muito mais recursos individuais para fazer a diferença na hora do aperto.

No Minas, Carla está sendo a bola de segurança porque nenhuma das opostos está conseguindo cumprir com este papel. Tandara, assim como o time, teve bons momentos, mas não constância. Ela está longe de ser a jogadora de decisão que o Minas precisa. E não dá para ignorar o fato de que continua acima do peso e isso tem a impedido de ter maior explosão. Tandara sempre foi uma jogadora de biotipo mais “rechonchuudo”, deve estar encontrando dificuldades em “secar” mais rápido. E isso tem comprometido a recuperação mais rápida também do seu jogo.

Acho que, de forma geral, o Minas fez o que podia e esbarrou nas suas próprias limitações e num adversário que está num estágio de preparação acima. O Praia, quando consegue controlar sua recepção, joga muito redondo, pois é aplicado taticamente e tem jogadoras com poder de decisão.

Não só por estar numa final, mas também pela bola que tem jogado, afirmo: nunca o Praia Clube esteve tão perto de um título nacional. Só resta maturidade para encarar uma decisão nacional pela primeira vez contra o...



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... tarimbado Rexona, que superou o Osasco por 3x1. 

Eu estava prestes a preparar um texto largando mão definitivamente do Osasco. Preocupado com os seus problemas - os mesmos de sempre -, deixou o Rexona jogar muito à vontade. 

Mas aí veio o terceiro set. E mais: veio um tufão sobre Porto Alegre que me impediu de ver a recuperação do Osasco. Um cenário de tragédia atingiu a cidade e tenho sorte que, o único problema que me atingiu, foi a falta de luz e, consequentemente, não ter conferido a primeira atuação decente na temporada do Osasco contra os grandes.

Mas já vi que o Osasco foi guerreiro e deu sinais de que pode fazer frente ao Rexona na Superliga. Não conseguiu a vaga, mas certamente deu um up na moral.


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Adendos: 


- Por que a Van Heck é sempre a última opção da Dani Lins? Ao menos foi assim na primeira metadade do jogo que vi. Aliás,  acho que ainda não consegui ver a belga realmente jogar. Ou ela é pouco acionada ou é constantemente substituída.

- Algum leitor do blog comentou a “inutilidade” da Mara (não recordo quem, desculpe!) e devo concordar. Já vi melhores temporadas dela. Ao menos no bloqueio ela poderia contribuir mais. Não entendo porque o Paulo Coco não dá uma chance à Valquíria como titular.

- O que será que o Zé Roberto achou da atuação da Claudinha nesta semifinal? Ele eu não sei, mas eu gostei. Acho que esteve longe de um desempenho de uma levantadora “burra”.


terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Um líder quase perfeito


Com todas as equipes com o mesmo número de jogos na Superliga 15/16, temos o Rexona novamente na liderança da competição. Um pontinho apenas o afasta do segundo colocado, o Praia Clube – a grata surpresa desta temporada.

O Rexona voltou ao topo da tabela após vencer o Bauru por 3x0. Não foi dos jogos mais brilhantes da equipe carioca, mas, como sempre, ela conseguiu o resultado. Fez o suficiente para vencer e isso inclui o bom aproveitamento de contra-ataques e do desempenho do saque, principalmente com a Carol, que compensaram os muitos erros e as “furadas” de bloqueio. 


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O Rexona devolveu, com esta vitória sobre o Bauru, a única derrota que sofreu na SL até então, ainda no início do primeiro turno. Desde lá, a equipe carioca evolui, se estabilizou e se destacou das demais. Além de líder, ela se colocou um nível acima dos adversários. Mas existe um aspecto no qual o Rexona ainda não conseguiu evoluir.

Até agora, a combinação entre a Courtney Thompson e as centrais continua incerta. Não há dúvidas que a levantadora, mesmo que de uma maneira torta, tenta sempre colocá-las no jogo – talvez numa orientação insistente do Bernardinho. Porém, da mesma forma, nos deixa sempre a impressão que o entrosamento entre ela e as meios ainda não chegou no ponto ideal. Também não vemos tanto as jogadas pelo fundo meio. 

A Thompson não deixa de tentar todas estas jogadas durante as partidas, mas quando o bicho pegar, se ela continuar sem segurança, ela vai optar pelo mais óbvio. Acho que ela não está conseguindo aproveitar tudo o que as suas atacantes podem dar e o repertório do Rexona poderia ser mais rico do que está apresentando até o momento. O time continua conseguindo as vitórias, só que seria mais seguro entrar nas eliminatórias sem depender somente da excelente fase da Natália para decidir. 

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Copa Brasil

Falhei com vocês em não registrar a primeira fase da Copa Brasil. É que eu fiquei bastante irritada com a falta de notícias sobre as partidas. Tivemos confrontos bem interessantes e que, além de não terem sido transmitidos, foram tratados de forma displicente pela própria CBV.

A CBV não disponibiliza sequer um hotsite do torneio para que possamos acompanhar o ponto a ponto e as estatísticas finais dos jogos. Como comentar? À base da adivinhação?

Só sei que as semifinais (essas sim com transmissão do Sportv) prometem. Dois clássicos entre os quatro primeiros colocados da SL. Estou esperando uma postura diferente do Osasco em quadra. Acho que os últimos resultados aliviaram a pressão e estão dando confiança à equipe para fazer frente ao Rexona. O Minas, quem sabe, encontra no duelo com o Praia o ponto de recuperação na SL. Acho que a Copa Brasil, por seu caráter eliminatório, tem este poder.

Segue a tabela:

Semifinais (29/01)

19h: Dentil/Praia Clube x Camponesa/Minas

21h: Rexona-AdeS x Vôlei Nestlé

Final (30/01)


21h30 - ? x? 


terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Expectativa vs Realidade



Nada mais broxante do que um jogo que promete, mas não cumpre. Foi assim Minas vs Praia Clube. A expectativa era de um jogão, mas em 1h30 de partida praticamente só se viu a equipe de Uberlândia em quadra.

A resistência do Minas para fazer uma partida equilibrada foi pequena. Ela esteve ali no início do primeiro e segundo sets, mas se esvaneceu com as próprias dificuldades do time, que foram desde a má recepção até a fraca estratégia de saque.

A superioridade praiana foi sustentada pela consistência da sua recepção, comandado pela Tássia. A líbero tem sofrido nesta SL ao ter que cobrir suas colegas da linha de passe, o que nem sempre tem garantido uma boa qualidade para a Claudinha trabalhar. Ontem, a Tássia, no entanto, esteve muito bem na proteção de Ramirez e Álix e entregou bolas de qualidade para a levantadora fazer o seu melhor jogo e aproveitar o arsenal de ataque da equipe, principalmente as centrais. 
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Não resta dúvidas que a Tássia foi muito competente, só que não se pode ignorar a ajudinha recebida pelo saque do Minas. As sacadoras não exigiram tanto da movimentação da líbero na cobertura de Ramirez e da Álix, o que deixou a Claudinha muito à vontade no jogo.

A mesma facilidade não teve a levantadora do Minas, a Naiane. O passe não colaborou e ela não conseguiu ser precisa. Ao mesmo tempo, para infelicidade minastenista, não havia uma saída segura de ataque. Carla foi a melhor atacante, a única mais regular. Tandara e Rosamaria se alternaram como opostos e não corresponderam as necessidades de virada de bola do Minas.

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É preocupante esta queda de rendimento do Minas no segundo turno. Nem me refiro à perda da terceira colocação, que foi até um “extra” alcançado no primeiro turno. Sabe-se que o time tem limitações e que estava fazendo além do esperado dele. 
O problema é que, agora, o Minas está aquém do que é capaz. Se a tendência era de uma trajetória ascendente, agora ela aponta para o sentido oposto. É muito cedo para o Minas virar o fio. Vamos torcer para que, ao menos, o time consiga se estabilizar na média, o suficiente para entrar na fase eliminatória como um adversário competitivo.

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Resultados da 5ª rodada do returno:

Camponesa/Minas 0x3 Dentil/Praia Clube

Vôlei Nestlé/Osasco 3x0 Terracap/Brasília

Rexona 3x0 São Cristóvão Saúde/São Caetano

Pinheiros/Klar 2x3 Sesi

Concilig/Bauru 3x2 Rio do Sul/Equibrasil
 
Renata Valinhos Country 0x 3São Bernardo



- Na fase que vive o Osasco, vitórias tranquilas e convincentes contra São Caetano e Brasília precisam ser comemoradas. Parece que, mais por obrigação do que por opção, o Luizomar finalmente se decidiu por uma formação. Mesmo depois da derrota para o Rio do Sul, ele manteve a Ivna no lugar da Carcaces e conseguiu dois bons resultados, o que é de louvar. Vamos ver se, na hora de enfrentar os mais fortes, esta convicção permanece ou se o troca-troca volta a entrar em cena.
Tenho sempre o pé atrás em relação à Ivna e deixá-la como titular na ponta não seria a minha primeira opção. Mas tenho que admitir que, apesar dos números não serem muitos positivos nas estatística quanto à recepção, no ataque ela está indo bem. Ou seja, está conseguindo lidar com as duas responsabilidades. A minha desconfiança ainda permanece. Assim como com o Luizomar, quero esperar para ver como ela responderá aos jogos mais difíceis. Mas não se pode negar que os primeiros sinais desta composição do time tendo ela como titular na ponta foram positivos.

sábado, 16 de janeiro de 2016

A zebra e a quase zebra

O líder Rexona quase protagonizou a segunda zebra da rodada – a primeira foi a derrota do Minas que falaremos mais adiante. Foi por pouco, muito pouco mesmo, que o Rio do Sul não levou a partida e manteve a invencibilidade em casa.

Foi um duelo equilibrado onde as equipes fizeram com perfeição o mais difícil e se complicaram nas situações mais simples.

Enquanto o time de Santa Catarina brilhou pelo conjunto, o Rexona se salvou pela individualidade. Não foi uma noite boa para a equipe de Bernardinho. O ataque, com exceção da Natália, teve muita dificuldades em pontuar. A defesa, que tanto proporciona bons contra-ataques, não funcionou e dependeu muito do desempenho do bloqueio que, depois do terceiro set, desapareceu. Courtney não esteve também num bom dia na distribuição das bolas, esquecendo das centrais e concentrando o jogo pelas pontas. 



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Normalmente, nos últimos vitórias do Rexona, praticamente todo o time titular saía das partidas como merecedor do troféu Viva Vôlei. Ontem não. Só houve uma merecedora, a Natália. A ponteira foi o ponto de segurança no ataque e salvou o time nos momentos de apuros. Junto com o saque da Drussyla e as bobeadas do Rio do Sul, foi decisiva para as viradas do Rexona no placar.

A temporada de Natália tem sido excelente, o que nos dá grandes esperanças de que ela, depois de muitos anos, seja realmente merecedora do seu lugar na seleção e lute em condições para ser titular.

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No encerramento do primeiro turno, minha projeção era de que o Rio do Sul cairia de rendimento e não seria mais uma surpresa. Ledo engano. As catarinenses venceram Osasco e venderam caríssima a derrota para o líder da SL.

O pecado do Rio do Sul na noite de ontem foi ser inexperiente. Sentiu a pressão ao liderar o placar. Desperdiçou contra-ataques e cometeu erros bobos na recepção que deram a brecha necessária para o Rexona se recuperar. A irregularidade do passe, aliás, é o ponto que mais impede o Rio do Sul de ser um time mais forte na competição. Volta e meia, põe a perder, de forma boba, todo o trabalho suado dos demais fundamentos.

Ao contrário do seu adversário, se vencesse, seria difícil escolher para quem dar o Viva Vôlei. A levantadora Giovana, a maior pontuadora Helô, a Ju Nogueira – querendo mostrar serviço contra o ex-técnico e voando muito alto -, e até a central Francynne seriam sérias candidatas.

Grande campanha do Rio do Sul e do Spencer Lee. É o time que mais faz valer o fato de jogar em casa. Quem enfrenta-lo nas oitavas, vai ter trabalho para batê-lo. 

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A zebra desta rodada, como falei, ficou por conta do Minas, que perdeu para o Pinheiros. O ataque paulista, um dos maiores problemas nesta temporada da equipe, conseguiu fazer frente às mineiras. Por sua vez, o retorno para a SL da Rosamaria não tem sido dos melhores. Ela não tem feito boas partidas. O desempenho da oposto dá maior importância ainda para o retorno da Tandara para as pretensões do Minas na SL.

Mas o que me pareceu ter sido bastante decisivo nos sets finais que definiram a vitória ao Pinheiros foi o número de erros dados ao adversário. O Minas continua dando muitos pontos de graça e oportunidades para os adversários crescerem e equilibrarem partidas nas quais, na teoria, ele teria superioridade. 

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Resultados da 4ª rodada do returno 

São Bernardo 0x3 Concilig/Bauru

Pinheiros 0x3 Camponesa/Minas

Dentil/Praia Clube 3x0 Renata Valinhos/Country

Sesi 0x3 Terracap/Brasília

Rio do Sul/Equibrasil 2x3 Rexona/Ades

São Cristóvão/São Caetano 0x3 Vôlei Nestlé/Osasco

- Nem contabilizo as derrotas do Sesi como zebra, né? Pelo contrário, a derrota para o Brasília era previsível. Só não imaginei que fosse um 3x0. Destaque para o bom rendimento da oposto Bárbara, o que é importantíssimo para o Brasília conseguir ser mais competitivo na SL.

- E que boa notícia ver que o Osasco venceu - e muito bem - o cascudo São Caetano. Mesmo com Ivna no passe, o time não fraquejou. É esta firmeza, mesmo com os imprevistos e improvisos, que se espera de uma equipe grande e com recursos como o Osasco.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

É o fim



Os resultados de Sesi e Osasco nesta última rodada me levaram a duas constatações.

A primeira é que é muito irônico que num esporte como o vôlei, onde as trocas de treinadores durante uma competição são tão raras, as únicas cabeças que rolaram até agora nesta edição da SL foram dos comandantes do Pinheiros e do Bauru – times com bem menos investimento e, consequentemente, menor pressão por resultados do que Osasco e Sesi.

Apesar de não terem seus cargos ameaçados – ao menos que se saiba -, Luizomar e Talmo não se livram das contestações de quem acompanha o esporte. É compreensível. As inconstâncias de seus times não refletem os recursos que eles têm em mãos.

Ainda que mal montado, o grupo do Sesi sob o comando de Hairton Cabral, Spencer ou mesmo Wagão, renderia bem mais, não tenho dúvidas. O Osasco, então, nem se fala. As indefinições na escalação e a falta de um estilo de jogo bem definido pesam contra uma possível defesa de Talmo e Luizomar.

Por exemplo: sei que o Osasco, contra o Rio do Sul, pode alegar ter tido o desfalque da Carcaces e, durante a partida, da Suelle. Mas não é desculpa. Se o Luizomar tivesse uma base formada e bem definida, não seriam estes problemas que desmontariam o time. Só lembrando: o Rexona foi campeão da SL passada praticamente sem ter uma oposto. 


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As derrotas para times menores são aceitáveis quando são fora da curva. Acontece que as derrotas e os maus desempenhos de Sesi e Osasco estão sendo recorrentes nesta SL, o que me levou segunda constatação: é o fim de um ciclo nas duas equipes.

No caso do Osasco, é o fim de uma era, na verdade, já que lá se vai quase uma década de trabalho com o mesmo comandante. Fim que já vem sendo desenhado desde que o time foi desbancado pelo próprio Sesi na final da SL 13/14. Não há mais o que justifique a presença do Luizomar no comando da comissão técnica. Foram temporadas e temporadas de alto investimento para campanhas mais ou menos e de poucos títulos. Acabou. O Osasco precisa se renovar.

No Sesi também. O Talmo até agora não convenceu. Houve uma temporada na qual o Sesi até tinha uma cara, jogava muito bem defensivamente. Mas, no total, a trajetória do Talmo pela equipe pode ser resumida em confusão e irregularidade. Se observarmos bem, as principais conquistas e atuações do Sesi sob o comando do Talmo foram contra exatamente o Osasco de Luizomar. Coincidência? Acho que não.

Só espero que o fim do ciclo seja somente desses treinadores na liderança dos times, não da presença da Nestlé e do Sesi no vôlei feminino. Com novos técnicos – e melhores composições de elenco, no caso do Sesi -, as duas equipes podem viver tempos melhores. 

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Resultados da 3ª rodada do returno:

Sesi 3x2 São Cristóvão/São Caetano

Rexona/Ades 3x0 São Bernardo

Renata Valinhos/Country 3x2 Concilig/Bauru

Dentil/Praia Clube 3x1 Pinheiros/Klar

Terracap/Brasília 1x3 Camponesa/Minas

Rio do Sul/Equibrasil 3x2 Vôlei Nestlé/Osasco 


sábado, 9 de janeiro de 2016

Retorno previsível

A Superliga teve seu começo em 2016 com uma rodada bastante previsível, num sinal de que, neste segundo turno, teremos poucas surpresas. Os favoritos confirmaram sua superioridade,  inclusive o Sesi (ainda que tenha dado um sustinho depois de perder o primeiro set pro Rio do Sul).

Além do Sesi, a maior curiosidade neste retorno da SL estava no desempenho do Brasília. A equipe candanga deu sinais no final do primeiro turno que poderia ser um adversário mais complicado para vencer quando se reencontrasse com os times do topo da tabela. No entanto, apesar de um primeiro set arrasador e de ter atrapalhado a organização do Praia Clube, o Brasília não conseguiu ser um obstáculo tão grande assim para as mineiras. 


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O maior problema do Brasília é a falta de um trio de ponteiras confiável. O Manu ainda não encontrou quem melhor pode compor o ataque com a Paula. Das apresentações que vi do Brasília, prefiro a Amanda em vez da Kasy, que se mostra ainda muito insegura na hora do ataque. A Amanda parece mais maleável, até com mais recursos para atender as exigências do treinador.

E na posição de oposto, a eterna indefinição não tem ajudado em nada. Acho que, na partida de ontem, a Bárbara começou bem, mas não conseguiu ter uma sequência para deslanchar. A Macris não tem confiança nela e em nenhuma de suas opostas.

Assim, a saída do ataque acaba sempre pesando na Paula que é usada e abusada pela Macris – até, por vezes, numa insistência pouco inteligente. Entendo a dificuldade da levantadora. Ela fica limitada nas suas escolhas pela falta de competência das suas atacantes (aqui incluo também a Roberta, pelo meio, que não está conseguindo repetir a temporada passada). Só que tem certos momentos que a Macris quer ser objetiva, mas acaba sendo óbvia. 

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Já o Praia estava numa maré mansa absurda no início da partida (estes trocadilhos e referências com praia são tão bobos e irresistíveis!). Muito se comentou que a entrada da Pri Daroit acertou o passe e o fundo de quadra mineiro, e não deixa de ser verdade. Ela dividiu bem a responsabilidade com a Tássia. O Brasília bem que tentou desestabilizá-la, sempre à procura dela no saque, mas não conseguiu.

Mas acho que a entrada da Claudinha também foi essencial para a recuperação do Praia na partida. Ela deu melhor ritmo ao ataque e, principalmente, colocou o termômetro da equipe no jogo, a Ramirez. Quando se acertou, o Praia engrenou não só o ataque como também o bloqueio – fundamento que, no Brasília, desapareceu depois do primeiro set.

Ainda assim, o Praia me parece muito confuso na sua linha de passe. Vejo uma ansiedade na Tássia em querer cobrir todas e todo mundo e atrapalhando o trabalho das outras e dela mesma. Mesmo a Michele não tem garantido a melhor qualidade no fundamento. O time não está bem consistente na recepção, o que o expõe demais a estas situações de “pane”, nas quais não consegue virar e precisa correr atrás do placar, como a que aconteceu no primeiro set contra o Brasília. 


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Demais resultados da 2ª rodada do returno:

São Bernardo 0x3 Vôlei Nestlé/Osasco

Camponesa/Minas 3x1 São Cristóvão Saúde/São Caetano

Terracap/Brasília 1x3 Dentil/Praia Clube

Sesi 3x1 Rio do Sul/Equibrasil


Pinheiro x Renata Valinhos/Country (25/01)
 

Rexona x Concilig/Bauru (26/01) 


Seja bem-vinda, Rússia

Depois de comer mosca na Copa do Mundo, a Rússia conseguiu carimbar seu passaporte para a Olimpíada do Rio ao vencer, na final do pré-olímpico europeu, a Holanda por 3x1.

A trajetória para vaga não foi das mais inspiradas, é verdade. A Rússia, daquele seu jeito displicente de quem faz o esforço mínimo necessário para vencer, suou para ganhar da Polônia na fase classificatória e perdeu um set para a Itália quando poderia ter atropelado ambas as seleções nas duas ocasiões.

A verdade é que a dupla Goncharova-Kosheleva, grande trunfo russo, veio meio capenga em algumas partidas. Pra falar a verdade, nos jogos e nos momentos de aperto, quem virou e carregou o time foi mesmo a Kosheleva. Se a Goncha fosse mais regular, a Rússia teria conseguido a vaga com ainda mais tranquilidade. 
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Cheguei a comentar que, ao contrário da maioria dos participantes do blog, não estava considerando a qualidade dos jogos muito boa. Minha sensação esteve muito baseada nesta atitude da Rússia, que, baixou a guarda demais para equipes muito inferiores a ela, mas também na falta de volume de jogo e dos altos e baixos de todas as equipes.

Ainda assim, gostei muito do vôlei da Holanda. Ela, sem dúvida, se destaca entre os times que compõe o segundo escalão do vôlei europeu. Tanto que, depois de começar com o pé esquerdo perdendo para a Alemanha, venceu suas adversárias diretas com sobras.

A Holanda, desde a chegada do Guidetti, está com um estilo de jogo diferente das demais seleções europeias, muito mais semelhante a Brasil e EUA do que às suas colegas de continente. Saiu da dependência de uma jogadora, que costumava ser a Flier, para um jogo veloz, mais equilibrado na distribuição – quando o passe sai legal, claro. Além disso, conta com um grupo de atacantes mais rico e qualificado, que mescla força e habilidade.

O segundo set contra Rússia foi o melhor exemplo disso. Se não fossem as poucas bolas para as centrais e a ausência do bloqueio, diria que era o Brasil em quadra. Isso porque as jogadas eram velozes, o volume de jogo era muito bom e, quando o bloqueio adversário era pesado, as atacantes fugiam com inteligência dele. Obviamente, a Holanda sofre dos problemas típicos de um time em formação, como a inconsistência, os erros bobos, a inexperiência. Porém, acho que tem muito potencial para crescer e atrapalhar as seleções do topo do ranking, principalmente o Brasil, por se aproximar do nosso estilo de jogo. 

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Na disputa do terceiro lugar, quem perdesse via suas chances de disputar a Olimpíada 2016 irem por água abaixo. Confesso que torci para que isso acontecesse com a Itália. Como se viu, não adiantou em nada ficar agourando as italianas, elas se classificaram para o pré-olímpico mundial, que acontecesse entre 14 de maio e 5 de junho, ao vencerem a Turquia por 3x2.

A Turquia teve mais time, tanto que venceu com maior tranquilidade os seus sets, mas não soube definir. Cometeu erros demais quando não poderia e enquanto sua principal atacante, Neriman Ozsoy, não virou nas horas decisivas, a revelação italiana Egonu salvou sua seleção.

Se não fosse esta jovem atacante a Itália não teria nem chegado às semifinais. Ela faz o papel que se esperava da Diouf, que tem mais tamanho do que competência. Para ser mais justa, a veterana Del Core também foi decisiva nesta partida. 

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Minha implicância com a Itália é que não há nada nela que seja especial. Nem em conjunto nem em individualidade. No Mundial até que apresentou um bom volume de jogo. Neste pré-olímpico, nada. É um time que não me convence e não consigo entender como consegue certos resultados.

A Itália demorou a fazer sua renovação e quando o fez, foi de forma muito atrapalhada. Ela está prestes a ser ultrapassada e rebaixada para quinta, sexta força europeia. Pensei que seria neste pré-olímpico. Polônia e Bélgica estiveram perto de lhe roubar a vaga à semifinal, e a Turquia, o terceiro lugar. Talvez com a Egonu e a levantadora Orro se firmando na equipe adulta, a seleção se revitalize. Mas, pelo o que mostrou até agora e pelo o que as adversárias apresentaram neste pré, participar de uma Olimpíada será um objetivo cada vez mais distante para a Itália. 


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Pê ésse:
- Mais tarde, em um novo post, voltamos a falar da Superliga.