segunda-feira, 27 de março de 2017

Sayounara, Saori



Mais um adeus na temporada, desta vez internacional. Neste final de semana, Saori Kimura se despediu das quadras no All-Star Game da liga japonesa. Ela já tinha anunciado que esta seria a sua última temporada e no sábado foi o seu adeus definitivo.
 
Saori foi símbolo de uma espécie de renascimento da seleção japonesa lá pelo final da primeira década dos anos 2000 até o bronze conquistado em Londres, em 2012. 

A seleção que, até então, tinha como referência jogadoras baixinhas e habilidosas como a levantadora Takeshita e a líbero Sano, agora contava no seu elenco também com uma grande atacante, que, mesmo não tendo a força como maior característica, comandava a pontuação e era capaz de carregar o piano.
 
Saori acabou, por esta capacidade, por colocar o Japão em outro nível de competitividade e fez com que nós, estrangeiros, olhássemos para a sua seleção de outra forma. 

Pelo Japão conquistou o bronze em Londres e no Mundial de 2010. Tem quatro títulos do campeonato japonês com o Toray Arrows, clube em que jogou praticamente toda sua carreira, tendo uma breve e vitoriosa passagem pela Turquia. Antes de defender o Galatasaray, esteve no Vakifbank, onde venceu a liga turca e uma Champions League na temporada 2012/13.
 
E ela se despede de tudo isso precocemente aos 30 anos. Uma pena. Não me importaria nada que este post ficasse desatualizado caso a Saori mudasse de ideia e ficasse mais uns anos em quadra. 

sábado, 25 de março de 2017

Sem zebra no Praia

Quartas de final - 3º jogo 

Dentil/Praia Clube 3x1 Terracap Brasília

 
Foto: Túlio Calegari/Praia Clube

Quem achou que o Brasília ia cometer o crime nesta quarta de final levanta mão porque estamos no mesmo grupo.

O primeiro set deu a impressão de que o Brasília conseguiria novamente desestabilizar o Praia Clube com seu enorme volume de jogo e bom aproveitamento no contra-ataque. Até mesmo porque os sinais do lado mineiro não eram muito alvissareiros. O Picinin falava e ninguém prestava atenção, o ataque só parava no bloque enquanto a defesa, imóvel, olhava largada atrás de largada cair a sua frente.

Mas como no primeiro encontro das equipes, o Praia soube reagir. E parte desta reação veio com uma jogadora do banco, a Ellen, numa troca surpreendentemente ágil e precisa do Picinin. O treinador não esperou o caldo entornar, como normalmente faz, para tentar alguma coisa.

Ellen deu maior qualidade ao fundo de quadra e segurança ao ataque mineiro. Sua entrada trouxe, como consequência, a Álix, um tanto apagada no primeiro set, para a partida. A linha de passe do Praia também se estabilizou e possibilitou uma bela partida da Claudinha. 


Pronto. Aquele time com tanta dificuldade em aproveitar os contra-ataques do primeiro set tinha virado o jogo em definitivo.O Praia assumiu a condição de favorito e fez valer a sua superioridade técnica.

Até a confiança, tanto em falta no time mineiro ultimamente, deu o ar da sua graça e foi perceptível claramente no rosto das jogadoras mesmo quando o placar não lhes era favorável. 

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Com a melhora do saque do Praia, o Brasília perdeu qualidade no passe e diminuiu suas opções de ataque. A marcação também não conseguiu fazer a diferença como no jogo anterior depois que o Praia se acertou na recepção. 

Uma pena que a partida tenha terminado num set com uma diferença grande no placar, mas isso não tira o brilho do Brasília nestas quartas de final.

O Brasília, como sabemos, jogou com fortes restrições de elenco que acabaram por dificultar voos mais altos na SL. Chegou até mais longe nestas quartas do que a campanha do segundo turno indicava, e isso foi importante para que a temporada de altos e baixos fechasse relativamente mais perto do topo.

Quem sabe isso dê uma animada nos patrocinadores para que o time possa se reforçar e cumprir o que ensaiou no primeiro turno ao bater os favoritos. Tenho simpatia pelo projeto comandado pela Leila e pela Ricarda e torço para que dê um passo à frente.

O Brasília acabou por trazer duas boas colaborações para a qualidade da SL: o treinador Anderson e a ponteira Amanda. E Paula, numa temporada mais irregular que a anterior, continua surpreendendo pela relevância que ainda tem quadra, apesar da trajetória de graves lesões e de alta exigência que teve durante a carreira na seleção e nos clubes. 


quinta-feira, 23 de março de 2017

Só Natália sorriu

Na rodada do Playoff da Champions League em que as brasileiras entraram quadra, só a Natália teve motivos para comemorar.


Eczacibasi 2x3 Fenerbahce
(25-16; 22-25; 19-25; 25-21; 12-15)

Mais uma vez um duelo entre Eczacibasi e Fenerbahce foi decidido somente no tie-break. Desta vez, o equilíbrio do placar, na verdade, refletiu muito a inconstância das duas equipes na partida.

Entre os altos e baixos, o Fener acabou por surfar o topo da onda exatamente no tie-break. Teve uma recuperação decisiva após um mal quarto set em que, mesmo com 9 pontos em erros do adversário, não conseguiu fechar a partida. Com passe ruim e bolas lentas, Natália e Kim ficaram presas ao bloqueio adversário. 

Achei que ali o Fener tinha perdido a mão da partida, mas, com mais volume de jogo no quinto set, o time cresceu e a coreana decidiu contra-ataques importantes. A marcação do Eczacibasi caiu assim como o rendimento das suas atacantes.

É curioso que, mesmo com a Tomkom em quadra a partir do segundo set, o Fener não teve uma distribuição equilibrada nem armações muito ágeis. Ficou bastante dependente das oscilações de Kim e Natália durante a partida.

O Eczacibasi, por outro lado, dividiu bem as responsabilidades entre as pontas e tentou aproveitar as boas jogadas que têm no meio de rede, mas as centrais não corresponderam. Adams foi bem marcada e a Thaisa abusou dos erros.

Jogo da volta é no dia 04 de abril. Será que teremos mais um tie-break para a coleção desta temporada?

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Volero Zurich 1x3 Vakifbank
(25-15; 20-25; 17-25; 21-25)

Desde que o Vakifbank entrou em quadra – ou seja, somente no segundo set -, a vida do Volero ficou muito difícil. 

Sem uma linha de passe qualificada, em que até a líbero fazia a levantadora correr atrás da bola, o Volero suou para conseguir efetivar a sua virada de bola. O Vakif até não foi tão agressivo no bloqueio, mas foi bem defensivamente e no aproveitamento dos contra-ataques.

Zhu demorou para entrar na partida e acabou por não ser a atacante de referência do Vakif. Mas o time teve em Sloetjes e Hill (que não comprometeu no passe) boas saídas para fazer fluir o ataque turco.

Fabíola se contundiu antes da partida e foi um desfalque importante. Dificilmente a brasileira conseguiria fazer milagre com o passe que a Zivkovic teve que trabalhar durante a partida, mas, talvez, a distribuição tivesse sido mais variada e o jogo suíço menos lento. Acho que isso acabou também por tirar um pouco a Carcaces da partida, deixando o jogo muito concentrado na oposto Olesia. 
      
A missão do Volero já era difícil, agora vai precisar que o apagão do Vakif no primeiro set desta partida se repita mais 3 vezes no mínimo para ter alguma chance.

quarta-feira, 22 de março de 2017

Patrolada russa

Liu-Jo Modena 0x3 Dinamo Moscow  
(22-25; 13-25; 13-25) 
 
 
A patrola russa passou pela Itália nesta primeira partida do confronto entre Modena e Dinamo Moscow, que define um dos classificados para o Final Four da Champions League.

Com exceção do primeiro set, em que o Modena conseguiu buscar e equilibrar o placar, só deu a artilharia pesada de Goncharova, Shcherban e De La Cruz.

Incrível como o time russo foi muito superior no fundo de quadra, principalmente na recepção. Shcherban e a líbero Malova mantiveram a segurança no passe para a Kosianenko trabalhar suas bolas lentas, mas precisas, para as pontas que tiveram, todas elas, excelente aproveitamento.

Do outro lado, o Modena teve um desempenho sofrível no passe. Cada passagem da Maja Poljak no saque era um bate-cabeça que não poupava nem a líbero Leonardi. Como consequência, o ataque do Modena não fluiu na virada de bola.

Sem contar com as centrais e com a Ozsoy numa atuação ruim, sobrou para a Brakocevic tentar definir os pontos. Mas a oposto não fez milagre. Até mesmo porque o Modena defensivamente não conseguiu compensar a dificuldade na virada e
construiu poucos contra-ataques.

Aliás, volume de jogo não foi o forte desta partida. 
 
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A missão do Modena é dificílima. Terá que vencer pelo mesmo placar ou 3x1 para levar a disputa ao Golden Set. Tudo isso, fora de casa. 
 
É, parece que o Conegliano será o único italiano no Final Four...

Minas de volta ao comando


Quartas de final – 2º jogo

Genter Bauru 0x3 Camponesa/Minas 
 
 
É raro, mas às vezes eu acerto nas minhas previsões. Imaginei que não teríamos, neste segundo encontro, uma partida tão equilibrada como a primeira. 
 
O Bauru sem dúvida deu trabalho nos dois primeiros sets, mas ficou difícil, desta vez, fazer frente a um Minas que - embora abaixo da sua capacidade - esteve muito melhor do que no primeiro jogo e com controle sobre a partida. 

Naiane, ainda que por vezes deixando a Hooker em bolas baixas, se acertou com a oposto. E melhor: saiu do seu roteiro e colocou as centrais, tanto a Mara como a Gattaz, para jogar.

Servindo-se de um passe bem mais seguro e com uma distribuição correta - chamando a Hooker para os momentos mais apertados -, a levantadora conseguiu quebrar a marcação do Bauru que tanto tinha atormentado o Minas na primeira partida.

Foi o Minas, por sinal, que dificultou o ataque do Bauru, principalmente no terceiro set. E mais: conseguiu desestabilizar o passe da equipe paulista. Rivera não teve boa atuação no fundamento, o que comprometeu a armação de ataque do Bauru.
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O que cobramos de ousadia no Anderson, treinador do Brasília, não falta ao Marcos Kiwek, do Bauru. Só não acho que é uma ousadia muito inteligente.

Talvez ele tenha tentado surpreender a defesa mineira ou mesmo não sofrer com um bloqueio baixo, mas a verdade é que, ao começar o jogo sem a Thaisinha no time titular, acabou por deixar a Bruna um tanto isolada no ataque. Mari está totalmente sem poder de definição. O tipo de ataque da Mari mais favoreceu o crescimento da defesa mineira do que outra coisa.

Está certo que quando a Thaisinha entrou, já tarde do terceiro set, não ajudou em nada. Mas achei desnecessária a mudança na estrutura do time que vinha jogando bem.

Este foi um bom exemplo do que foi o Kwiek no comando do Bauru durante esta temporada. Um time que sofreu com o troca-troca e a indefinição das titulares do início ao fim. Quando acertava o passe, perdia no ataque; quando acertava o ataque, caía a qualidade da recepção.

Mesmo assim, o Bauru conseguiu brilhar na defesa, tendo a líbero Brenda Castillo como destaque da temporada. E, no fim, o Bauru acabou por dar muita briga nestas quartas de final, chegando muito perto de uma vitória no primeiro jogo. Tá aí uma coisa que eu realmente não imaginava.

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Obrigado, Arlene

O repórter do SporTV ignorou, mas deu para perceber pelas imagens finais de que este foi o jogo de despedida da Arlene. A passagem da Arlene pela seleção, como líbero, foi curta e, por consequência, pouco premiada. Mas na minha opinião, ela foi a melhor líbero que a seleção já teve. Superou a Fabi ao ser mais completa, habilidosa tanto no passe como na defesa.

A entrega dela em quadra sempre foi comovente. Quando o Brasil venceu o ouro em 2008, uma das jogadoras que mais lamentei não ter experimentado a conquista foi a Arlene, que esteve presente na fatídica Olimpíada de 2004.

Ela merecia ter tido uma atenção maior por parte da imprensa ao dizer o seu tchau. Da minha parte, recebe os agradecimentos e toda a admiração.

terça-feira, 21 de março de 2017

Quando a defesa é o melhor ataque

Quartas de final – 2º jogo 

Terracap Brasília 3x0 Dentil/Praia Clube  


Foto: Felipe Costa/Ponto MKT Esportivo
 
No post sobre o primeiro duelo entre Praia Clube e Brasília comentei que não tinha sido uma partida em que os sistemas defensivos tinham imperado. E, por isso, o time com melhor armação ofensiva tinha vencido.

Nesta segunda partida, o cenário se inverteu. A defesa do Brasília falou mais alto. Foi ela que desestruturou o ataque do Praia Clube, que apresentou uma dificuldade enorme de colocar a bola no chão.

E o Praia não teve um décimo da disposição e da qualidade defensiva do Brasília. Assim, deixou o adversário jogar menos pressionado, sem coloca-lo em disputas de bola frequentes que poderiam induzi-lo ao erro. 
 
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É irônico que a derrota no primeiro set lá em Uberlândia, em que o Brasília foi muito superior, não tenha desestruturado o Praia como a deste jogo em que a disputa foi apertada. O time saiu dos eixos a partir do segundo set.

O que vinha funcionando mais ou menos, parou de funcionar. Claudinha perdeu a mão nas bolas para a Ramirez, não se acertou com a Natasha e a Álix não definia. Aliás, o Picinin demorou para tirar a Álix que estava mal defensivamente e não estava compensando no ataque. Tinha que ter apostado na Ellen antes para tentar recuperar o volume de jogo.

O Praia se atrapalhava na organização dos contra-ataques enquanto o Brasília tinha toda a calma e tranquilidade para trabalhar as bolas. E quanto mais o Praia tentava mexer com a recepção do Brasília, mais errava. 

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Ao contrário do Praia, o Brasília, com Amanda e Paula, definia os pontos com muito mais facilidade. Com o passe na mão, Macris conseguiu implementar aquela velocidade nas bolas que ela sabe fazer com perfeição. Não foram poucas as vezes que deixou suas ponteiras com o bloqueio quebrado.

O jogo não deixou de ser definido pelas suas principais atacantes na SL, mas a distribuição foi bem mais equilibrada e até a Andreia virou.

O Brasília esteve numa noite tão especial que até a inversão 5x1, pouco utilizada pelo Anderson, deu certo e salvou o time de uma recuperação do adversário no terceiro set. Ali e na decisão do primeiro set o Brasília mostrou que o vinha fazendo em quadra não era fruto do acaso. Ou seja, mostrou maturidade. 

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Se isso vai se repetir no terceiro e decisivo jogo no próximo sábado (25/03), impossível saber. Se o Brasília conseguir repetir a atuação desta noite, será um passo importante para desestabilizar o Praia. E, como sabemos, o time de Uberlândia costuma desabar defronte qualquer dificuldade técnica/tática. 
 
Só que quem é que garante que o Brasília repetirá o bom desempenho de hoje? Os dois times são os mais imprevisíveis desta SL.

Não passarão

Quartas de final – 2º jogo

Rexona-Sesc 3x0 Pinheiros


O jogo teve uma história muito parecida com a do primeiro encontro das equipes.

O Pinheiros ficou perdido na forte marcação de bloqueio do Rexona nos dois primeiros sets. Nem Barbara nem Vanessa nem Lana nem ninguém que veio do banco entre as inúmeras tentativas do treinador Paulo de Tarso conseguiu vencer a muralha carioca.

E se o ataque passava, estava lá a defesa do Rexona para pegar e armar o contra-ataque.

A equipe paulista foi reagir somente no terceiro set muito por conta dos bons saques que conseguiu encaixar e que ajudaram a efetivação do seu bloqueio. 

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Só que, mesmo a frente no placar, o Pinheiros demonstrava que não tinha muito fôlego para manter o confronto páreo a páreo por muito tempo. Ainda tinha dificuldades na virada de bola e no passe, o que dava um quê de insegurança ao time.

E foi exatamente numa sequência de saques da Jucy (sempre ela), ao final do terceiro set, que o Pinheiros travou e levou a virada.  Se é difícil para times do nível do Praia e do Minas não errarem e não sentirem a pressão da decisão quando enfrentam o Rexona, imagina para o Pinheiros.

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No Rexona, mais uma boa partida da Roberta na distribuição e da Gabi na definição. Jucy, além de decisiva no saque, teve ótima atuação no bloqueio. Tem formado uma rede boa de bloqueio com  Buijs, por sinal. 

A holandesa esteve um tanto discreta no ataque, mas foi importante no saque. A Fabi, desta vez, esteve atenta na defesa e bem mais calibrada no passe. Porém, este continua sendo o ponto fraco da equipe carioca. 

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Uma espécie de spin off do Rio do Sul 15/16, o Pinheiros poderia ter ido um pouco mais além nesta temporada. Se não na classificação, no desempenho.

Claro que entre a herança vinda de Santa Catarina não estava a Helô, principal força daquela equipe do Rio do Sul. E Ju Nogueira desfalcou o time no início da SL. Aliás, desconheço a razão de a Ju ter sido esquecida pelo treinador depois de sua recuperação.

Mas mesmo assim o Pinheiros tinha o potencial de ser uma equipe mais chata, no melhor do sentido. Sem grande volume defensivo nem grande presença no bloqueio, o time ficou muito dependente do seu pouco efetivo ataque.


Por mais que a Bárbara tenha feito uma ótima temporada, ela carregou um peso além das suas capacidades.


O Pinheiros teve mais a cara das suas jovens jogadoras, Maira, Milka, Lana e Ju Paes, do que das mais experientes Ananda, Vanessa, Mimi Sosa e Bárbara. Ou seja, inconstante e inseguro. 

Nestlé fez bem


Quartas de final – 2º jogo

Fluminense 0x3 Vôlei Nestlé 
 
Foto: João Neto
 
O início do primeiro set deu sinais de que o Fluminense conseguiria emular o desempenho da maior parte do primeiro confronto. Não foi o caso, a resistência tricolor do Fluminense nesta segunda partida durou pouco.
 
Seria difícil, por si só, a Renatinha repetir a atuação extraordinária do primeiro jogo e carregar o ataque carioca sem, novamente, a companhia de Ju Costa ou Sassá. Para piorar, o passe do Flu foi muito mal, o que impossibilitou a Pri Heldes de tentar uma saída mais constante com as centrais.

Não foram poucas as vezes que o passe nem chegou às mãos da levantadora, para falar a verdade. 

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O Osasco, por sua vez, muito mais estável no passe do que no primeiro confronto, acordou logo e tomou o controle da partida antes que degringolasse. A partir do segundo set, o jogo foi só dele.

A Dani Lins colocou suas centrais para jogar em tudo quanto foi situação, puxando bolas rápidas lindíssimas em contra-ataques. Show de habilidade da levantadora que foi muito bem acompanhado pela Bia e pela Nati Martins.

O Osasco que, nesta temporada, está tão focado nas pontas, procurando tanto o desafogo com a Tandara, nesta partida lembrou seu estilo de jogo dos anos anteriores quando tinha na Adenízia e na Thaisa opções constantes de ataque. 
 
Foi um Osasco mais coerente com as opções de ataque que tem à disposição nesta temporada. Seria ótimo levar um pouquinho da variação vista neste confronto de quartas para as semifinais.

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É uma pena que o Fluminense se despeça da Superliga com uma derrota feia como foi esta nos dois últimos sets, nos quais o Osasco passou o trator.

Ainda assim, dentro das suas limitações de elenco, que deixaram o time bastante precário ofensivamente e, como se pôde ver durante a competição, no passe, o Flu pode se orgulhar da sua campanha na SL, principalmente no segundo turno. Sem contar que sai da temporada com um título sobre o todo-poderoso Rexona.

Renatinha ressurgiu bem depois de uma temporada de idas e vindas no São Bernardo. Para o tempo e o desgaste que teve durante todos estes anos, é incrível que ela tenha segurado as pontas – literalmente – durante toda esta SL.

Já a Sassá se encaminha cada vez mais para ser uma jogadora de fundo de quadra ou assumir a posição de líbero.

Pelo pouco que se pôde ver da Ju Perdigão como reserva da Fabi no Rexona, esperava mais segurança da líbero nesta sua temporada como titular do Flu.

Ficaram um pouco abaixo também as centrais, Lara e Letícia Hage. A Letícia cresceu no final do campeonato no bloqueio e no saque, mas, em termos gerais, foi subaproveitada no ataque.

domingo, 19 de março de 2017

Salve, Hooker!

Quartas de final – 1º jogo

Camponesa/Minas 3x2 Genter Bauru 

Foto: Orlando Bento/MTC

Na teoria, o confronto entre 4º e 5º colocados é para ser o mais equilibrado das quartas de final. Na prática, porém, sabemos que a diferença de qualidade e de recursos individuais entre Minas e Bauru vai mais além dos
dois pontos que o separaram na tabela da fase classificatória.
 
Por isso, não deixa de ser surpreendente a dificuldade que o Minas passou para vencer o Bauru.

Podia até exaltar a força de reação da equipe mineira no quarto set, quando a parcial - e o jogo, por consequência - parecia escapar. Mas isso daria um sentido errado à vitória mineira. Ela não foi heroica, foi apenas no sufoco. 
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Não que o Bauru não tenha sido um adversário de qualidade. Diria, pelo contrário, que ele sim jogou o seu máximo. Tudo o que poderia colocar em quadra, o Bauru colocou.

Não conseguiu se livrar da quantidade absurda de erros que costuma dar ao adversário - o que o causou, por sinal, a derrota do terceiro set. Acrescento: ali, o Bauru deu um empurrãozinho para o Minas se encontrar na partida porque, até aquele momento no set, o time da casa ia aos trancos e barrancos em busca da pontuação.

Também, estava difícil para o Minas colocar a bola no chão (situação que se assemelhou, aliás, ao jogo de estreia da SL contra este mesmo Bauru). O que o Bauru, comandado pela Castillo, defendeu nesta partida foi incrível. Em alguns momentos parecia a seleção japonesa, com a diferença, positiva, de que conseguia fluir com tranquilidade o contra-ataque e a virada de bola com a Bruna e a Thaisinha. 

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E acho que o Minas perdeu o fio da recuperação ao se focar somente no problema ofensivo. Esqueceu de responder na mesma moeda. Ou seja, defensivamente o Minas deixou muito a desejar nos primeiros sets, tanto no bloqueio como no fundo de quadra.

Foi quando o volume de jogo começou a aparecer no terceiro set que o time conseguiu equilibrar a partida, dando uma baixada no ímpeto das atacantes do Bauru que viravam com muita facilidade.

Claro que a entrada da Karine também ajudou na recuperação do ataque. Mas não por causa da distribuição, como insistiu o comentarista Carlão durante a transmissão. Até porque, tanto para Naiane como para Karine, estava difícil fazer grandes escolhas com o passe que era oferecido. O que mudou é que, simplesmente, a experiente levantadora serve melhor a Hooker. Ela colocou na partida a única jogadora com poder de reverter aquela situação.

O ataque do Minas se resumiu a isso: Hooker. O que não é pouco, não é mesmo? 

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O Minas vai ao ginásio do Bauru na próxima terça-feira (21/03) para tentar garantir a vaga na semifinal. Tenho o palpite de que dificilmente teremos uma outra partida assim tão equilibrada. Isso porque, como falei acima, tivemos um time jogando quase que além dos seus limites e outro muito abaixo. Acho difícil o Minas repetir esta atuação tão ruim no ataque assim como o Bauru se manter neste nível de disputa.

sábado, 18 de março de 2017

Para além do feijão com arroz

Quartas de final – 1º jogo

Dentil/Praia Clube 3x1 Brasília 
 
 
Foto:Túlio Calegari/Praia Clube
 
Deve ter batido um medinho nos torcedores do Praia Clube quando viram o Brasília vencer o primeiro set com um jogo redondinho e de poucos erros enquanto a sua equipe se perdia em falhas de saque, passe e ataque.

Eu mesma fiquei com receio de que, emocionalmente, o Praia sentisse demais a derrota. Afinal, o time de Uberlândia não é dos mais estáveis da Superliga. Mas o Brasília também não.

O problema do Brasília, porém, é mais tático e técnico do que emocional. O que limitou que a equipe de Anderson Rodrigues perdesse a força a partir do segundo set foram os poucos recursos ofensivos. Nenhuma novidade, não é mesmo?

Já comentamos aqui que o Brasília praticamente joga com uma jogadora a menos em quadra, principalmente se considerarmos o momento do ataque. Andreia não “chegou” para esta temporada.

E Macris demonstrou nesta partida exatamente por que não consigo admirá-la. Ela tem de qualidade técnica o mesmo que tem de falta de criatividade. Se no início da campanha, o Brasília era só as centrais, agora é só as ponteiras. Falta equilíbrio e o fator surpresa na distribuição.

Na partida, a levantadora teve em sua defesa a queda de qualidade do passe, que foi acontecer mais significativamente no terceiro set. Mas até lá, houve muito pouca variação. Nem a recrimino por não acionar a Andreia, mas sim por desperdiçar a velocidade das suas centrais. 
 
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Sem grande variação, o Praia Clube acertou sua marcação nas bolas da Amanda e da Paula. Curiosamente, muito mais na defesa do que no bloqueio, que só foi aparecer mais para o final da partida. Com tranquilidade e qualidade, aproveitou muito melhor os contra-ataques.

A partida toda não foi de muito protagonismo dos sistemas defensivos. Saque e ataque falaram mais alto na disputa.Também foi um jogo de muitos erros de saque e ataque, o que baixou um pouco o nível do confronto. 

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Individualmente, o Praia teve os destaques da Michelle e da Claudinha. A ponteira foi responsável pelo crescimento do fundo de quadra mineiro e pela regularidade no ataque. 
 
A levantadora fez novamente uma partida correta tanto na distribuição como na qualidade, principalmente dos contra-ataques. Colocou todas as suas atacantes pra rodar e, desta vez, manteve a ousadia na dose certa. 
 
Em resumo, enquanto o Brasília serviu feijão com arroz, o Praia serviu um PF completo.
 
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Praia Clube e Brasília se enfrentam novamente na próxima terça-feira (21/03). Para empatar a série, o Brasília terá que tirar uma oposto da cartola e ampliar os horizontes da sua levantadora. Ou então, contar com um desencaixe muito grande do Praia. A esta altura do campeonato, a segunda opção, mesmo difícil, é a mais possível de acontecer.