segunda-feira, 26 de junho de 2017

Os EUA tocam em frente

EUA campeão da Copa Panamericana 2017 vôlei feminino

Olhem esta foto da seleção dos Estados Unidos. Vocês identificam alguma cara conhecida? 
Forçando a memória, só reconheço a número 14, a ponteira Michele Bartsch-Hackley, que vestiu a camisa norte-americana no Grand Prix ano passado e nos Jogos Pan-americanos de 2015.

As demais, todas caras novas. Uma parte treina com a seleção permanente, outra parte joga em ligas secundárias da Europa ou América Central.

Pois este grupo novato sagrou-se campeão da Copa Pan-americana neste final de semana. Os EUA bateram por 3x1 a República Dominicana, essa sim com sua força máxima - inclusive com o reforço da Bethania De La Cruz. 



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Os EUA dão o peso que a Copa Pan-amaricana merece num calendário apertado de competições que uma seleção do nível dela costuma ter. E acaba, com o título ou não, sempre saindo vencedor pelo material humano que prepara.

Boa parte do elenco campeão este ano disputou o torneio em 2016. E todo ele estará, com o reforço de algumas jogadoras mais experientes, no Grand Prix mês que vem.

Não será de se surpreender se, mais um pouco, vejamos a oposto Liz McMahon desbancando a Kelly Murphy; ou a levantadora Micha Hancock brigando de igual para igual com a Lloyd pela vaga da Glass; ou a meio-de-rede Paige Tapp incomodando a Rachel Adams. 

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Os EUA têm um ritmo de renovação intenso e têm dosado bem os seus recursos nos últimos anos entre as diversas competições em que participa.

Não importa quantas destas jogadoras que surgem estão na média ou acima dela, quantas delas são  Murphy ou são Hooker. O mais interessante deste processo é que existe sempre uma jogadora sendo preparada e a briga está sempre em aberto. A seleção dos EUA está sempre em movimento.

Um cenário que é positivo tanto para quem começa a sua trajetória e busca seu espaço no time como para quem já o conquistou. Óbvio que a experiência conta, mas Hill, Akirandewo e Cia sabem que não podem se fiar somente no histórico para garantir seus lugares.
 
Claro que a seleção dos EUA tem aspectos que não aprecio, mas ela tem algo que me agrada que é esta capacidade de “tocar para frente”. Aspecto que ganha maior valor principalmente quando temos como comparação a seleção brasileira que, por vezes, parece parada no tempo. 



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+ Copa Pan-americana

- Na primeira experiência do Luizomar de Moura no comando do Peru, o treinador brasileiro saiu sem medalha. Perdeu a disputa do terceiro lugar para Porto Rico por 3x1. Mas leva para casa a boa vitória nas quartas de final em cima da Argentina, por 3x2.

- Depois de uma boa campanha no Montreux, a Argentina acabou a Copa Pan-americana em oitavo. O treinador argentino resolveu poupar suas melhores jogadoras, caso da Nizetich e da Mimi Sosa, nas disputas de quinto a oitavo lugar do torneio.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Inovação ou invenção?

Seguindo a sugestão de um dos participantes do Papo (obrigada, Evandro!), resolvi trazer para discussão as mudanças de regras que serão testadas no Mundial Sub-23 masculino e feminino, que acontecem em agosto e setembro. 
FIVB testa regras Mundial sub-23 Boskovic sacando vôlei

A primeira novidade está fora da quadra, na fórmula de contagem da partida. Serão disputas de melhor de 7 sets, cada um de 15 pontos.

Dentro da quadra, estão as outras duas novas regras:

1- No saque viagem ou flutuante, o jogador não poderá mais aterrissar dentro da quadra. Tanto o salto como a queda devem ser realizados antes da linha.

2- Os ataques realizados antes da linha de 3 metros só poderão cair no fundo da quadra do adversário, também antes da linha de 3 metros. Ou seja, nada de largadas atrás do bloqueio.


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Sempre me agradou o fato de que o vôlei não é uma modalidade engessada. De tempos em tempos, ele se atualiza, propõe mudanças para melhorar a dinâmica do jogo e para se adaptar melhor ao seu tempo.

Porém, de uns tempos para cá, tenho a impressão de que a criatividade da FIVB tem sido um tanto exagerada. Não sei se estou ficando velha - e, portanto, com mais aversão a mudanças - ou se realmente a federação está forçando a barra com algumas propostas.

Das alterações propostas para o Mundial Sub-23, a do saque é a que me parece mais compreensível e sobre a qual, a princípio, não tenho restrições. Acho que é uma regra que, caso adotada, teria maior repercussão no vôlei masculino em que os saques viagem são muito mais fortes e acabam resultados em mais aces ou em mais erros, não favorecendo a troca de bola de maior qualidade.

Acredito que o propósito desta regra, assim como a do ataque da linha dos 3, é manter a bola por mais tempo em jogo e melhorar o espetáculo.

Agora o que a FIVB não quer, para não afastar as TVs, é exatamente que as partidas durem mais tempo. Por isso, propõe, em contrabalanço às regras que tendem a aumentar o tempo de bola “rolando’, que os sets sejam menores, com duração de um tie-break. 

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O intuito da FIVB é atrair mais espectadores e, assim, maior visibilidade e mais patrocínios. Só que não sei se este é o caminho certo para isso, sinceramente.

Primeiro porque colocar mais regras - e ainda mais confusas como esta do ataque da linha dos 3 -, só torna o esporte mais hermético, complexo de entender e acompanhar.

Segundo, acredito que as propostas do ataque da linha dos 3 e dos sets menores acabam por limitar as ações/recursos dos jogadores e restringem a dinâmica de início-meio-fim de cada set. Ou seja,
ao contrário do que possa ser intenção da FIVB, tendem a empobrecer a qualidade e as emoções do jogo.

A forma de disputa em melhor de 7 sets, aliás, é bastante radical, o que me leva ao terceiro motivo para não achar que estas mudanças sejam o caminho certo: a nova fórmula até pode atrair novos espectadores, mas afasta os fieis torcedores que veem o esporte que gostam tendo a sua essência deturpada. 


terça-feira, 20 de junho de 2017

A força das circuntâncias


Depois do título em Montreux, o Brasil se prepara para o Grand Prix, o anual torneio-maratona do vôlei feminino. Nesta terça-feira, recomeçaram os treinos da seleção.

seleção brasileira vôlei feminino Grand Prix
Como já publicado no site da FIVB semana passada, a lista de 19 jogadoras seleção brasileira não conta com Gabi e Juciely. 

Os planos do Zé Roberto para o GP não estão saindo muito dentro do previsto. Ele queria trabalhar com 16 jogadoras para o torneio, mas Leia pediu dispensa e Gabi e Jucy estão sem condições físicas. Restaram 14 17 jogadoras, nas quais se incluem o grupo campeão do Montreux, os reforços de Monique e Macris, além da Bia que retorna após se recuperar de lesão.

Nenhuma das demais inscritas para o GP (Paula Borgo, Val, Juma e Saraelen) foi chamada para treinar com o grupo. 

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Apesar de, obviamente, não comemorar os problemas físicos da Gabi e da Jucy, estou achando ótimo estes e outros casos que estão obrigando o Zé Roberto a sair da rotina. Porque não sei o quanto o treinador estaria disposto a trazer novos nomes à seleção se não fossem os pedidos de dispensa e as limitações físicas.

É verdade que, mesmo neste cenário que o empurra para uma renovação, ele ainda consegue ser um tanto conservador - vide a questão das opostas. Mas as circunstâncias não deixaram alternativas ao treinador a não ser apostar em algumas caras novas para o grupo. 



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Por mais que Gabi e Jucy não tenham sido titulares nos últimos anos, não é nelas que reside a minha curiosidade em ver defendendo a seleção no GP, acho que já sabemos o que elas podem acrescentar. 

Pode-se dizer que é uma oportunidade que se perde em tê-las como protagonistas do time brasileiro, mas oportunidade maior perdida será se não se colocarmos as novatas para jogar. O GP tem rodadas a rodo para fazer testes. 

Mas sei que é pedir demais do Zé, já estou convencida que a minha curiosidade em ver Macris, Gabiru, Bia, Edinara e etc em quadra não será totalmente saciada. 


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+GP

- Os EUA irão para o GP com uma proposta semelhante ao Brasil, mas mais radical. Lloyd, Gibbmeyer, Dixon e Murphy formam a base para a maioria das novatas.

- A Sérvia, por sua vez, inscreveu sua força máxima. A dúvida é saber se o Terzic irá usar Mihajlovic, Rasic e Boskovic (que se recupera de uma lesão) em todas as rodadas. Pelo que conhecemos do treinador, não. Mas não se pode esquecer que o GP serve como preparação para o Europeu.

- A Rússia resolveu poupar suas duas maiores estrelas: Kosheleva e Goncharova não participam do GP. Em compensação, caras conhecidas como a de Shcherban, Zaryazhko e Startseva estão na lista russa.

- A China é que surpreende ao levar para o GP todo o time titular campeão olímpico. Não porque o time seja velho e precise de renovação, muito pelo contrário. É que a seleção costuma não dar bola para o torneio e, com o ritmo acelerado de renovação que tem, não seria nada anormal ver um grupo totalmente novo. De qualquer forma, muitas novatas vistas no Montreux vão estar disponíveis para o GP, caso da central Gao, da levantadora Diao e da ponteira Qian. 



sexta-feira, 16 de junho de 2017

E a aposta nas opostas?


Lorenne Edinara Paula Borgo seleção brasileira Vôlei feminino

Após as primeiras convocações e o primeiro torneio da seleção brasileira, os participantes do Papo de Vôlei levantaram uma questão sobre a posição de oposta.

A discussão basicamente se resume assim: as jogadoras designadas à posição foram aquelas que costumam jogar, na temporada de clubes, como ponteiras passadoras; e aquelas atletas que são especialistas na posição, como Lorenne e Paula Borgo, não foram sequer convidadas para treinar com a seleção. A única “oposta de raíz” no momento é a Monique, convocada para o Grand Prix.

Pensando sobre isso, me perguntei se não estamos de certa forma negligenciando a posição de oposta. Explico. 

Há um discurso bastante propagado na seleção de que faltam ponteiras passadoras de qualidade não só no Brasil como no mundo. Paulo Coco chegou a alegar que esta era uma das razões para sustentar a troca de posição da Rosamaria, justamente de oposta para ponteira passadora.

Percebe-se, por este início de trabalho, que a preocupação do Zé Roberto está concentrada na posição de ponteira. Por isso os únicos testes feitos no Montreux foram para este posto, com Rosamaria, Drussyla e Amanda. 



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Não sou contra os testes, pelo contrário. Para mim, o Montreux e a maior parte do GP seria jogado só com as novatas.

Como o número de ponteiras necessárias é maior do que em outras posições, é ótimo que estejamos sempre preparando novas jogadoras. Mesmo com o Brasil mantendo boa base do ciclo anterior, com Natália, Garay e Gabi – e até a Tandara poderia ser acrescentada - as novatas podem melhorar a briga por posição e a qualidade das opções à seleção. Tudo me parece bem encaminhado por ali.

Para oposta, no entanto, não percebo por parte da seleção nenhum sentido de urgência nem a mesma preocupação dedicada às ponteiras. No máximo, testamos timidamente Edinara e Fernanda Tomé em algumas inversões 5x1 no Montreux.

Apesar do insucesso na última década em achar uma reserva/sucessora para a Sheilla e de sabermos que a Sheilla, a princípio, não joga mais pela seleção, preferimos começar o novo ciclo apostando no mesmo.

Um "mesmo" que não convenceu nos últimos anos e no qual o Zé Roberto insiste. Até acho que a Tandara se saiu bem no Montreux como oposta, mas não é a posição em que ela se sente à vontade e que melhor pode render.

Aí chegamos para o Grand Prix e a “novidade” é a Monique. Por mais respeito e admiração que tenho pela Monique, a verdade é que, além da limitação de estatura, já sabemos o que ela pode mostrar.

Por outro lado, a Paula Borgo, que esteve na convocação inicial, sequer foi inscrita para o torneio e é provável que a Tomé nem permaneça no grupo para os treinos para o GP. 



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O Brasil não precisa se amarrar a um caminho conhecido (Tandara e Monique) logo de cara. 2017 é o ano para o novo acontecer.

Edinara, Paula Borgo, Lorenne e etc estão aí para serem testadas. Podem ter o destino da Joycinha na seleção e nunca se firmarem, mas só testando para saber.

Só que tudo isso tinha que ser para ontem. A seleção já começou perdendo tempo.

Tenho a impressão de que a comissão técnica acha que dá para dar um jeito com a posição e continuar se fiando (para não dizer se iludindo) na versatilidade da Tandara e da Natália - até que chegue o momento de apelar para a Sheilla voltar. 

segunda-feira, 12 de junho de 2017

O que o Brasil traz de Montreux?


No primeiro torneio do novo ciclo, o Brasil saiu com o título. Mas, para além da taça, o que de positivo e negativo a seleção traz de Montreux?

 
Saque 
O melhor fundamento da seleção neste início de trabalho. Muitas jogadoras deste elenco têm no saque um ponto forte e tiveram boas passagens no Montreux, como Roberta, Rosamaria, Carol e Tandara.

Bloqueio  

Como resultado do bom saque, o bloqueio apareceu muito bem, principalmente nas finais. Um time baixo como o brasileiro precisa desta relação bastante azeitada para funcionar defensivamente. Adenízia mostrou que está numa ótima fase neste fundamento e Carol a recuperar o seu melhor momento. E o Brasil ainda teve as ponteiras complementando a boa marcação de bloqueio.

Rosamaria  

Na única posição aberta para testes em Montreux, Rosamaria levou vantagem sobre as concorrentes Drussyla e Amanda. Entrou como titular nos momentos mais importantes do torneio (semifinal e final) e fez bem a sua parte, inclusive sendo decisiva nas duas partidas.

Edinara 

Nas inversões, ganhou a disputa com a Fernanda Tomé. E esteve bem no ataque quando acionada. Foi pouco o que se viu, mas o suficiente para chamar a atenção pelo lado positivo. Já é alguma coisa. 

Roberta
É uma escolha com potencial para polêmica, eu sei. Mas acho que a levantadora se saiu bem neste primeiro teste, ainda mais se levarmos em consideração a bagunça que esteve o passe no início do Montreux. Ela está longe de ser brilhante e das mais habilidosas levantadoras brasileiras, mas é cumpridora. Ou seja, obediente, dificilmente inventou ou fugiu das estratégias definidas pelo treinador. Faltam a ela ainda alguns predicados, o principal é o da regularidade na qualidade dos levantamentos. Mas ela fez o time andar e tem complementado a sua atuação com bom desempenho no saque e na defesa.

 


Passe  
Do início ao final do Montreux houve uma enorme evolução, mas foi o fundamento que mais deu prejuízo ao Brasil ao final de tudo. Se não foi pelos pontos em erros, foi pela restrição de opções de jogadas para a levantadora. Acho que a Natália tomou conta da responsabilidade e sustentou a melhora do jogo brasileiro no torneio. Mas não dá para ela carregar o peso sozinha. Ainda falta uma jogadora que possa compartilhar com qualidade a função com a Natália. 

Jogada com as centrais

Um pouco por falta de qualidade dos levantamentos, um pouco por limitações do passe. A verdade é que as centrais não foram opções constantes e muito menos relevantes durante o Montreux. Ainda falta um caminho para serem incorporadas com maior naturalidade ao jogo brasileiro.

Natália  

A cobrança sobre a Natália é sempre grande. Não demonstrou estar entusiasmada com a missão de “comandar”, como uma das mais experientes, a renovação da seleção. Parecia cansada e esteve bem abaixo da sua capacidade no ataque. Talvez precisasse de uma folga maior antes de encarar a seleção. No entanto, cresceu durante o torneio no fundo de quadra. Tenho a impressão até que é esta função, de sustentação no passe e defesa, que o Zé Roberto pensa para ela cumprir neste momento. Ou seja, algo mais para a linha de uma ponteira de preparação.

Amanda  

A expectativa em torno da capacidade técnica da Amanda não se cumpriu neste primeiro teste. Ela entrou num momento de pressão para consertar o passe brasileiro, mas não convenceu de que era a solução do problema e de que valia a pena, com ela em quadra, o time perder um pouco da capacidade ofensiva. Para quem tem no fundo de quadra o seu ponto forte e um diferencial na comparação com as outras ponteiras à disposição, foi uma grande oportunidade de se destacar desperdiçada.

domingo, 11 de junho de 2017

Começo vencedor

Montreux - Brasil 3x0 Alemanha

seleção brasileira de vôlei feminino
Pode-se dizer que a final do Montreux foi um breve e menos intenso resumo da trajetória brasileira no torneio.

O Brasil começou a decisão com um passe que tirava a Roberta do lugar e que tornava o seu jogo mais lento, além dos erros de ataque e desperdícios de contra-ataques. Tinha dificuldade de marcar os bons contra-ataques da Alemanha, que novamente mostrou um ótimo volume de jogo.

No entanto, aos poucos, com uma boa passagem da Rosamaria no saque e graças às falhas alemãs, o Brasil foi se encontrando na marcação do bloqueio, controlando os seus erros e tomou conta do jogo, assim como fez na semifinal contra a China. 


Na virada de bola não foi tão eficiente como contra as chinesas, mas resolveu melhor as chances que criou nos contra-ataques, principalmente com a Rosa. 


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O Brasil, no Montreux, seguiu a lógica do seu treinador que preferiu dar corpo a uma base de time do que fazer experimentações. Assim, evoluiu e amadureceu durante o torneio e levantou sua primeira taça no ano.

A conquista de Montreux, por si só, tem pouco valor, mas a experiência deve ter valido a pena para algumas das novatas do grupo, caso da Roberta, Drussyla e Rosamaria. Dá confiança para um início de trabalho em busca de um espaço na seleção. 


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+Montreux
  
Seleção do torneio:

Levantadora: Roberta (Brasil)

Oposto: Gong (China)

Ponteiras: Natália (Brasil) e Nizetich (Argentina)

Centrais: Carol (Brasil) e Schölzel (Alemanha)

Líbero: Lenka Dürr (Alemanha)

MVP: Carol

A organização do torneio só considerou as seleções semifinalistas e ainda apelou para a vocação diplomática da Suíça para representar todas as nações no time das “melhores”. 
Assim se explica a ausência da oposto Lippman, da Alemanha, e a presença da ponteira Nizetich. A líbero alemã Dürr é que, para mim, é inquestionável. Esteve em tudo em que é canto da quadra para defender, além de ter qualidade no passe.

A Natália teve o reconhecimento pelo que fez no fundo de quadra. Apesar de ter feito uma boa final no ataque (está pegando bolas altíssimas, por sinal), ficou longe de ter um bom aproveitamento no ataque durante o Montreux.

A Carol não seria sequer minha MVP da seleção, imagina do torneio. Ela teve o mérito de, no Montreux, ter tido uma boa média nos três fundamentos que contam para as centrais (saque, bloqueio e ataque), mas foi pouco confiável. Ela me lembra a Carol Gattaz no seu início da seleção: é meio atrapalhada e comete erros bobos. 


A Adenízia roubou a cena no bloqueio no Montreux, merecia ter tido o reconhecimento.

 
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Pê ésse:

- No próximo post faremos um balanço sobre o que deu certo e o que não funcionou no primeiro torneio do ano da seleção brasileira.

sábado, 10 de junho de 2017

Montreux - Brasil 3x1 China


seleção feminina de vôlei Brasil
 
No primeiro encontro com a China depois da Olimpíada 2016, o Brasil fez a sua melhor apresentação na temporada.

Passe, virada de bola e contra-ataque funcionaram muito bem, o que fez o jogo brasileiro fluir com certa segurança em quase toda a partida.

Parte desta segurança no ataque, principalmente na virada, se deveu à presença da Rosamaria no time titular. Rosa esteve numa jornada especial tanto na recepção como no ataque. 
 
Além de poder de definição, mostrou um repertório completo de golpes, variando paralela e diagonais e explorando o bloqueio. Curiosamente, apesar de recente, tem feito uma parceria bastante entrosada com a Roberta. 

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O Brasil ainda teve um importante desafogo pelas pontas com a Tandara. A oposto foi o perfeito exemplo de como a seleção foi muito mais comedida nos erros de ataque nesta partida. Tandara foi precisa, mas sem perder a sua agressividade característica, saindo com um saldo positivo.

Outra jogadora que também fez bem o seu papel foi a Roberta. Foi objetiva na distribuição, aproveitando as atacantes que cruzavam com a levantadora chinesa na rede e as bolas de maior distância, além de ter caprichado nos levantamentos de contra-ataques. 
 
Faltou e falta ainda acertar a bola de primeiro tempo com a Carol, que precisa ser deslocada um pouco do centro para não pegar as adversárias, normalmente muito maiores do que a nossa meio, paradas e inteiras só à espera de bloquear. 
 
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Mais seguro no departamento ofensivo e mantendo o bom desempenho no bloqueio e na defesa (esta última ainda pode melhorar, principalmente nas coberturas de ataque), o Brasil conseguiu ter o comando do jogo o tempo inteiro.

A China, com uma maioria de novatas, é que teve que correr atrás. Venceu o terceiro set em duas bobeadas do passe brasileiro, que ainda é o ponto mais frágil do Brasil.

Porém, o que vimos neste jogo, ao contrário dos demais, é que a seleção não se afundou nos erros de recepção. Eles foram pontuais. O time teve maturidade para retomar o controle e se recuperar nos lances seguintes.

Acho que temos aí um sinal de evolução.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Montreux - Brasil 3x1 Tailândia

seleção brasileira vôlei feminino

O Brasil viveu seu primeiro momento de pressão na temporada. Precisava da vitória no Montreux para avançar às semifinais – e evitar um vexame que complicaria o início de trabalho.

E a seleção lidou bem com a responsabilidade. Claro que a fragilidade do adversário também ajudou. A Tailândia levou logo de cara cinco pontos de saque. Se o trabalho de pontuar no ataque já é difícil pela baixa estatura, sem um passe razoável ficou ainda mais complicado.


De qualquer maneira, o Brasil me pareceu mais interessado e combativo na partida do que nas anteriores. Acho que isso se mostrou principalmente no volume de jogo. Defensivamente conseguiu acompanhar o nível da Tailândia.

É bem verdade que o ritmo e concentração iniciais, mais uma vez, caíram no segundo set quando o Brasil cometeu erros, principalmente de saque, que encorajaram a Tailândia a buscar o resultado. Acabou por complicar algo que poderia ter sido simples. 


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A Tailândia concentrou o saque na Natália, o que, para o Brasil, foi bastante positivo, pois a ponteira manejou sem grande dificuldade a pouca agressividade tailandesa neste fundamento. E permitiu, assim, que a Roberta pudesse (finalmente!) usar as centrais – coisa que ela fez desde o início do primeiro set com sucesso.

O Brasil, com Adê e Carol ativas no ataque, pela primeira vez teve cara de Brasil nesta temporada.

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+Mais:

- Nas semifinais, o Brasil enfrentará a China. O time B chinês pode ter perdido para a Argentina e ter se classificado em segundo no grupo, mas o Brasil,  pela bola que vem jogando, não tá com muito mais moral no Montreux.

- Pelo jeito, a segunda vaga de ponteira passadora vai ficar no rodízio por um bom tempo. Apesar de ter despontado como favorita à vaga, Drussyla, surpreendentemente, foi muito mal no ataque contra Tailândia. Ela, Rosamaria e Amanda estão rendendo melhor quando entram durante a partida do que quando começam como titulares.

- Curiosidade desinteressante: a Tailândia perdeu pelo mesmo placar as três partidas que disputou e, em todas elas, venceu o segundo set.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

O melhor time da SL 17/18?


Superliga feminina

O Praia Clube confirmou na terça-feira a contratação da oposto norte-americana Nicole Fawcett. Desta forma, o time mineiro define seu time titular. 

 
Mantém uma base com a Claudinha no levantamento e com as centrais Fabiana e Wal. Reforça as pontas com Fernanda Garay e Amanda, além de Fawcett, e traz Suelen para a posição de líbero.

Espera-se que, assim, corrija seu principal problema das últimas temporadas: o passe. Sei que na seleção, por enquanto, Suelen e Amanda não tem sido garantia de boa recepção. Ainda assim acredito que a dupla, juntamente com a Garay, promete uma linha de passe bem mais estável ao Praia do que a anterior com Tássia, Álix e Ramirez.

Fawcett é um belo complemento para a força ofensiva do time. Chega para esta segunda experiência no Brasil mais madura e fisicamente mais preparada para uma posição de grande exigência, mais leve e com maior potência de ataque. 
 
Só por curiosidade, vale lembrar que, quando esteve no Minas na temporada 2010/11, Fawcett jogou com a Claudinha. 
 
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Com a Fawcett e sem indícios de que os demais clubes farão grandes investimentos, pode-se dizer que o Praia terá, no papel, o melhor time titular na Superliga 17/18: alto, agressivo ofensivamente e equilibrado.

A questão é saber se a Claudinha, com a orientação do Paulo Coco, saberá conduzir as peças corretamente. O time tem tudo para encaixar e dar à levantadora estabilidade e segurança. Não pode é ela ser o ponto de instabilidade e vir com as suas invencionices nos momentos errados.
 
De qualquer forma, o Praia mais uma vez chegará à SL cercado de grandes expectativas. Até agora, o clube não soube lidar com papel de favorito. 
 
O Paulo Coco também teve dificuldades em trabalhar com o Minas nesta situação na temporada passada. Em compensação, agora terá em mãos um time mais experiente e completo desde o início da SL. Talvez esteja aí o ponto da virada para o Praia.

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Montreux - Brasil 2x3 Alemanha


Não demorou muito para o Brasil sofrer a sua primeira derrota na temporada. Logo na segunda rodada do Montreux, a seleção brasileira foi superada pela esforçada e combativa Alemanha.


Natália vôlei feminino seleção brasileira


O jogo foi bastante equilibrado – para o bem e para o mal. As duas equipes trabalharam melhor com a posse do saque e no bloqueio. Enfrentaram dificuldades no passe e virada de bola, além de cometerem erros bobos no ataque.

Porém, seria injusto se a Alemanha não saísse vencedora do confronto. Mais redondo, o time alemão teve muito mais volume de jogo e melhor qualidade e aproveitamento nos contra-ataques. Mesmo quando teve problemas na virada de bola, recuperou-se de forma mais rápida do que o Brasil.

Na seleção brasileira, os erros de passe tiraram o time da disputa em vários momentos da partida. O Brasil perdeu e deu amplas vantagens ao adversário no placar por causa da dificuldade na virada. Isso exigiu um esforço a mais da equipe, sempre em busca da recuperação no placar. E algumas vantagens concedidas acabaram, como se viu, sendo irrecuperáveis e comprometendo o resultado final.

Faltou à equipe saber se virar quando o passe não vinha perfeito. E defensivamente a seleção também deixou a desejar ao deixar passar bolas fáceis de recuperar e armar o contra-ataque. Passou o jogo inteiro sem conseguir marcar a primeira bola alemã que não tinha grande velocidade nem potência, por exemplo. 


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Ninguém esperava que o recomeço seria fácil e este início de temporada tem seguido à risca a expectativa.

O Brasil sempre se valeu do coletivo, de um conjunto organizado, da habilidade, da velocidade e do bom volume defensivo. Características que estão sendo difíceis para a equipe atual desenvolver. O difícil é apontar se isso se deve somente ao pouco tempo de trabalho e à falta de entrosamento ou ao perfil e limitação de algumas jogadoras.

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Pê ésse:

- Show de erros de Brasil e Alemanha, show de erros da arbitragem também. Erros primários dos juízes, incluindo os de linha, que desqualificam a partida e o torneio. Aliás, contra a Polônia a arbitragem também não tinha sido boa.

- Para quem está preocupado com a seleção nas mãos das jovens levantadoras Roberta e Naiane, a boa notícia é que a Macris foi chamada para treinar para o Grand Prix, juntamente com a Monique. O Zé Roberto havia anunciado que irá trabalhar somente com 16 jogadoras da lista de 24 inscritas
para a competição. Tinha minhas dúvidas se a Macris seria testada. Que bom que foi.

- Outra jogadora que deve ficar também para a disputa do GP é a Drussyla. Ao contrário da Edinara, ela não está na lista de convocadas para a seleção sub-23 que começa a se preparar este mês para o Mundial da Eslovênia que acontece em setembro. Provavelmente, a ponteira vai permanecer treinando com o grupo principal para depois servir a sub-23.