segunda-feira, 2 de maio de 2016

Centrais do Brasil



Finalmente as temporadas europeias estão chegando ao fim e, teoricamente, teremos maiores definições dos destinos das jogadoras brasileiras. Até o momento, sabe-se que teremos que nos despedir de Thaisa e, provavelmente de Adenízia e Natália, além de que não deveremos contar com a volta de Fernanda Garay, que declarou ter vontade de ficar pela Rússia. Pelo menos, há chance da Sheilla retornar à nossa Superliga.

Aliás, a SL 16/17 será bem de vacas magras. Gostamos de colocar a culpa no ranking por ser o responsável por “expulsar” grandes atletas do Brasil ou forçar mudanças nos times a contragosto de atletas e clubes, mas esquecemos que esta é uma pequena parte do problema do vôlei nacional. Quando uma jogadora de alto nível (ou de 7 pontos) como a Thaisa precisa sair do país para jogar, tendo em vista que, com todo o direito, não quer rebaixar seu salário ou se desvalorizar indo jogar num time de menores investimentos e ambições, é porque não temos investimento suficiente no Brasil no esporte.

Afinal, quem teria bala na agulha na SL feminina para bancar mais de duas atletas de 7 pontos, se fosse permitido? A Unilever e a Nestlé, e olha lá. Os demais não têm. Esta é a realidade brasileira, infelizmente. 
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Voltando à expectativa em relação às transferências... As  coisas andam devagar no topo da tabela no que se refere à montagem do elenco para a próxima temporada. Há ainda muito pontos de interrogação nas quatro primeiras colocadas das SL 15/16, principalmente se compararmos com as equipes da ponta de baixo da tabela que estão com titulares e reservas definidas. 

Por enquanto, as centrais tem roubado a cena neste primeiro momento de transferências no mercado. O Rexona garantiu sua dupla campeã (Carol e Jucy) e ainda renovou com a Mayhara. Cada uma sabe como gerir sua carreira, mas é uma pena a Mayhara ficar mais uma temporada no banco quando poderia ser titular tranquilamente em qualquer outra equipe, inclusive neste “novo” Osasco. Bom para o Rexona que se garante com muita tranquilidade nesta posição.

O Praia Clube também manteve sua dupla titular, N
atasha e Wal, e a reserva Edneia. renovaram. A capitã foi uma renovação e tanto para o time de Uberlândia. Se a vinda da Fabiana se confirmar, o Praia é outra equipe muito bem servida nesta posição. 

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Em compensação, Minas e Osasco, os times que completam o topo da tabela da SL 15/16, ainda possuem pelo menos uma vaga a definir. O curisoso é que ambas as equipes disputam o mesmo nome para completar a dupla titular: Carol Gattaz. Uns sites dizem que ela está prestes a renovar com o Minas; outros dão como certa a ida para o Osasco.

Se ficar no Minas, Gattaz repete a parceria com a Mara que entra em débito com a torcida minastenista na próxima temporada. Ela fez bons jogos nas semifinais contra o Praia, mas poderia ter ido bem melhor durante o campeonato. Foi um ponto quase que apagado no bloqueio; e uma opção fraca para Naiane no ataque. Sem contar com a Vaquiria (que foi para o Bauru) no banco de reservas, a responsabilidade de fazer acontecer será bem maior para a Mara na próxima SL.

Se a Gattaz fora para Osasco, fará dupla com a Bia, ex-Sesi. Acho um bom nome, apesar de que a Bia já teve melhores temporadas do que esta última. E já esteve em melhor forma física também. O bom é que ela voltará a jogar com a Dani Lins. Quem sabe a parceria a ajude a recuperar seu papel no ataque que foi completamente aniquilado nesta temporada. 

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Falando em dupla de centrais, o Fluminense tirou Letícia Hage e Lara do Pinheiros. É uma jovem e boa dupla, mas que acho não vai ajudar muito a complementar o que está falta a este time: poder de ataque. Ju Costa, Sassá e Renatinha compõem as pontas.

O Bauru também tem seu meio-de-rede definido. As jovens Valquiria e Raquel e a já mais “rodada” Angélica. Essa precisa fazer um caminho de recuperação depois de uma temporada ruim no Sesi e, anteriormente, um mais ou menos no Brasília. Acho que, por ter no ataque o seu principal qualidade, a Angélica foi prejudicada pela indefinição de levantadoras, tanto no Brasília como no Sesi. Se isso prejudica até uma Fabiana, imagina uma Angélica. Num time mais redondo, ela encaixa e faz muito bem o seu papel. Vamos ver se será assim neste Bauru totalmente reformulado.


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- Sobre Natália na China: muito acham interessante esta opção porque possibilitaria que ela jogasse pelo Rexona na fase final da Superliga, já que o campeonato chinês termina antes do nosso. Eu acho que seria um erro ela escolher a China neste momento. Óbvio que não estou considerando o aspecto financeiro. Só acho que ela pode ir pra China agora, quando está preste a alcançar novamente a sua melhor fase na carreira, como pode ir quando estiver se aposentando e, da mesma forma, fazer o seu pé de meia. Uma oferta da Turquia ou da Rússia, se houvesse, é mais lisonjeiro e desafiador pelos campeonatos nacional e continental nos quais estão inseridos, além da disputa interna por posição com outras selecionáveis. A China costuma ter um ou dois times com investimentos grandes, que trazem estrangeiras – e nem sempre as mais tops.

- Sobre a Thaisa no Volero: esperava um desafio maior para a central. Claro que só o fato de sair do Brasil e do Osasco irá exigir dela uma adaptação por si só saudável e desafiadora. Mas ela será dona absoluta da posição – e, se bobear, do time. Sem contar que não existe adversário para o Volero na Suiça, somente na Europa. No fim, quem sai ganhando mesmo aí é o Volero que iria ficar com a Jucy e, ao que tudo indica, acabará com a Thaisa.
-  A tempo: o Praia renovou com Michelle e Tássia.

domingo, 17 de abril de 2016

Elas disseram adeus


Esta última semana foi marcada pela despedida de duas jogadoras emblemáticas do Osasco, a dupla de centrais Adenízia e Thaísa. A primeira, ao que tudo indica, por motivos técnicos não teve seu contrato renovado; a segunda, por questões de reajuste salarial rompeu a relação com o clube. 

Para as jogadoras, acho que pode ser bastante positivo a mudança de ares. Adenízia há duas ou três temporadas não vinha bem no clube. Ela precisa de uma renovação de desafios e de comando para se reencontrar. A cada temporada ruim no clube, ela se afasta do posto de reserva imediata de Thaisa e Fabiana na seleção. Em 2012 não havia ninguém que disputasse a posição com ela. Quatro anos depois, ao invés de ameaçar as titulares, é ela que tem seu posto no banco seriamente ameaçado.
 
No caso da Thaisa também será positivo um novo desafio, principalmente se ela for para o exterior. Não gosto quando jogadoras do nível dela saem do país, mas, neste caso, acho que seria extremamente positivo para a carreira dela sair do ambiente da Superliga, para se renovar e amenizar o desgaste que há da sua imagem por aqui. Thaisa, por sua personalidade e pela falta da mesma no treinador, se adonou do Osasco. E este tipo de relação não estava sendo saudável para nenhum dos lados. O ideal, é claro, seria que ela fosse para um campeonato disputado, no qual ela tivesse que brigar por posição. Ou seja, um cenário que a tirasse desta posição um tanto intocável que vivia aqui no Osasco e que provavelmente viveria em outro clube no Brasil. 


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Esta nova política de menores gastos do Vôlei Nestlé é bastante compreensível para um patrocinador que investiu tanto dinheiro nas últimas temporadas e teve muito pouco retorno, com o time muitas vezes jogando abaixo do esperado. Só que talvez não precisasse ter chegado a este ponto se, uma ou duas temporadas atrás, tivesse afastado o Luizomar do comando do time principal.
 
De qualquer forma, se não houver mesmo planos de contratações de peso (nacionais ou internacionais) por parte do Osasco, teremos uma baixa na disputa pela próxima Superliga. Ainda mais com esta timidez inicial do Praia Clube, não deixando claro se terá bolso suficiente para bancar grandes jogadoras. Nestlé e Unilever são os únicos patrocinadores capazes de brigar com o mercado internacional para manter os grandes nomes brasileiros e trazer outros de fora. O Unilever, claro, ainda tem outro argumento forte para convencer as jogadoras a virem para o Rexona, o Bernardinho. O Nestlé só tinha o dinheiro mesmo. 


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Pê ésse:

- Além de Adê e Thaissa, muitas jogadoras importantes e interessantes ainda estão sem rumo definido ou oficialmente divulgado. Natália, Fabiana, Jaqueline, Tandara, Macris, Bia, Paula, Ellen e Carol Gattaz são algumas delas. Por esta altura no ano passado, logo depois do final da SL, os times já tinham uma cara mais definida para a temporada seguinte.
 
- Alguns clubes anunciam várias contratações; outros poucas. E tem o Brasília, que não dá sinal de vida. Será que o time continua? Seria uma pena se acabasse, ainda mais depois de ver o envolvimento da torcida com o time e a evolução do projeto nestes três últimos anos.

domingo, 10 de abril de 2016

Renascimento italiano



Tivemos o Final Four da Liga dos Campeões da Europa neste final de semana e o italiano Pomì Casalmaggiore saiu vencedor, quebrando a hegemonia turca e russa dos últimos cinco anos. 

É um resultado que recoloca o mercado italiano novamente entre os grandes e, mais importante, mostra como há ainda muita vida para um estilo de jogo que, sem tanta força e vigor físico, preza pela disciplina e pela técnica. 


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Nas duas partidas que fez nesta fase final, o Casalmaggiore brilhou pela qualidade na recepção e pelo repertório muito mais variado que, devido a este passe regular, a levantadora Carli Lloyd mostrou. Lloyd mostrou mais segurança também nas variações mesmo quando o passe não foi o melhor. E mais: o que destacou a equipe italiana na comparação com as rivais turcas e russa foi o enorme volume de jogo e a competência na construção e aproveitamento dos contra-ataques. Assim como o Rexona aqui na Superliga, o Casalmaggiore não desperdiçou ataques. Preferiu sempre trabalhar as bolas e reconquistá-las na defesa.

Mesmo sem contar com as atacantes mais badaladas internacionalmente, o Casalmaggiore não teve dificuldades neste fundamento. Muito porque teve Kozuch e Piccinini em um desempenho formidável nesta fase final. A italiana, então, teve grandes momentos na semifinal e na final, mostrando que, ao contrário do que se pensava, pode ainda ser útil para a seleção do seu país. Nos últimos anos, não se esperava muita coisa da Piccinini, a não ser garantir um bom fundo de quadra, mas nestes jogos ela foi a bola de segurança do Casalmaggiore por muitas vezes. E sempre, assim como a Kozuch, usando da habilidade para explorar o bloqueio pesado dos adversários.

Este Final Four não foi tão equilibrado quanto imaginava, mas gostei do resultado. Como disse, acho que mostra que, mais do que um elenco cinco estrelas, são necessárias inteligência e aplicação tática. O Fernerbache tem duas das melhores atacantes do mundo, a Kim e da Mihajlovic, mas uma levantadora medíocre no seu comando. A polonesa Skorupa está de parabéns por conseguir ter esta dupla à disposição e não saber aproveitar. Na semifinal, ela simplesmente esqueceu a coreana no ataque e sobrecarregou a sérvia. E o Vakifbank tem um elenco rico, mas mal administrado pelo Guidetti, que me parece não ter uma estratégia de jogo, se valendo mais das suas individualidades do que do conjunto. 



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Pê ésse:

- Sobre a Sheilla na reserva: se fosse em outros anos, diria que era preocupante. Porém, acho que o Guidetti está nos fazendo um favor poupando-a fisicamente e deixando-a inteira e com mais fome de bola. Não tenho dúvida de que esta situação incômoda dará a ela mais incentivo para que na seleção mostre que não é jogadora para ser dispensada assim tão facilmente. 


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Sobre o mercado:

- Segundo nosso amado blogueiro Voloch, a Fabiana irá para o Praia, que, por sua vez, já teria renovado com a Claudinha. Manter a levantadora foi um passo importante para o time e até para que a contratação da Fabiana seja melhor aproveitada. Jogar com as centrais não é uma limitação da Claudinha, que faz isso com tranquilidade. Se a vinda da central bi-campeã olímpica se confirmar, é de se criar grandes expectativas em torno do restante do elenco. Recriar a dupla com a Wal colocaria o Praia com a melhor dupla de centrais da SL. Mas nas pontas a coisa pode ser mais complicada. Acho difícil montar um time forte, com uma oposto ou ponteira sem trazer uma estrangeira ou repatriar Sheilla ou Garay. Não sei se o Praia terá caixa para bancar tudo isso.

- E o banco do Praia pode ficar mais pobre para a próxima temporada. Pri Daroit se foi para o Minas, o que gostei bastante. Pela capacidade de investimento do clube, acredito que estejam pensando nela como titular. Pri tem condições de ser titular de muitos times da SL e, apesar de ter sido muito útil no Praia na última temporada, era um desperdício estar na reserva. Dizem que o time de Uberlândia, por sua vez, está trazendo a Carla, do Minas.

- O Minas, aliás, renovou com Leia, Naiane, Mara e, segundo o Melhor do Vôlei, com a Rosamaria. Manteve o esqueleto desta temporada, o que é muito bom. Se a Jaque completar este time, vai ficar muito harmonioso.

- Lorenne, ex-Rexona, foi para o Sesi junto com Giovana e Isabela, ex-Rio do Sul. Acho bom que a Lorenne, depois de uma temporada de aprendizado com o Bernardinho, assuma a posição de titular em um time.

- O dolorido não é ver no Sesi desmontar do time feminino e apostar nas jovens. Isso pode acontecer em certas temporadas, o próprio Minas passou por isso recentemente. Mas é chato constatar que a versão masculina do time está contratando e repatriando Lucão e Bruninho. É o investimento em um time em detrimento do outro e, para variar, o feminino é que sai perdendo.

- O Melhor do Vôlei disse que a Jucy renovou com o Rexona, desmentindo a informação do Voloch de que iria para o Volero Zurich. Se ela saísse, o Rexona não precisaria ir muito longe para substituí-la, a meu ver. Eu apostaria na Mayhara mesmo, que, depois de boas temporadas no Praia, se escondeu na reserva do time carioca. Acho um desperdício para a SL, assim como a Pri Daroit, a Mayhara ficar no banco quando poderia acrescentar qualidade a outros times menores. Como vocês veem, estou querendo fazer uma “distribuição de riquezas” na SL.

- O Rexona vai precisar concentrar forças em manter a Natália ou achar uma substituta a sua altura que, no momento, não existe no mercado nacional. Se eu fosse a jogadora e tivesse a escolha, não iria para o exterior neste momento, aproveitaria mais uma temporada por aqui para afirmar este bom momento e ir para fora mais preparada. Ainda mais para a Turquia onde você tem que disputar posição com selecionáveis de todo o mundo e ainda corre grande risco de ser banco das holandesas.

- Não sei qual a intenção do Osasco em trazer a Paula Borgo. Se seguir a linha dos investimentos anteriores, ela deve ir para a reserva. Não acredito que eles coloquem uma jogadora ainda pouco “rodada” para esta posição. Se a intenção é que ela seja titular, é a primeira grande responsabilidade da oposto, um belo de um teste, mas que vai exigir do Osasco um investimento maior nas pontas para garantir um ataque forte


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Pê ésse:

- Que palhaçada a CBV premiar as melhores jogadoras da SL 15/16 uma semana depois, junto com a cerimônia do masculino.Não fizeram as plaquinhas a tempo?

terça-feira, 5 de abril de 2016

Seleção Papo de Vôlei - Superliga 15/16


Paula Borgo - Walewska - Álix Klineman;
 Natália - Carol -  Claudinha;
 Leia; Spencer Lee


Esta foi a seleção da Superliga 15/16 escolhida pelos leitores do Papo de Vôlei!

Nossa tradicional votação recebeu 27 participações. A margem de erro (humano) é de dois votos para mais ou para menos. Sabe como é... a contagem é manual e pode dar confusão. =D

Nenhum nome se repetiu da seleção do ano passado. Aliás, dos oito eleitos ao final, seis comparecem pela primeira vez na seleção do Papo. Somente Wal e Spencer já tinham aparecido em edições anteriores.

A Walewska, aliás, tomou conta da posição e garantiu a primeira vaga de central com 26 votos. O melhor ataque - junto com Fabiana - do campeonato tem como companhia o melhor bloqueio da SL, Ana Carol (13 votos), que superou em 5 votos a Gattaz. Thaisa, rainha da posição nas edições anteriores, sequer foi citada neste ano.

Pelas pontas, optamos pelas maiores pontuadoras. Natália se aproximou de conquistar a unanimidade, recebendo 25 votos enquanto Álix recebeu quase a metade (13). Ainda assim, a norte-americana superou com folga Gabi e Paula Pequeno, outras jogadoras lembradas na eleição.

Na posição de oposto, Helô e Paula Borgo foram as mais votadas, sendo que a jogadora do Pinheiros ficou na frente com 13 votos.

Se na seleção brasileira não tem chances, na do Papo Claudinha (14) foi nome certo. A levantadora do Praia Clube desbancou Naiane (6), que na edição passada tinha sido a escolhida.

Para líbero, a disputa foi dura! Camila Brait saiu na frente sendo, no final das votações, superada em apenas um voto pela Leia (11). A reviravolta até exigiu uma recontagem de votos porque aqui no Papo a coisa é séria. Léia desbancou a hegemonia da colega de Osasco, que, em quatro edições, só havia sido quebrada uma vez pela Fabi.

E para treinar toda esta mulherada, Spencer Lee, com 15 votos. Acho que o pessoal tá cansado de ver o Bernardinho ganhando tudo, né?

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Sobre outros assuntos:


- Nesta segunda a CBV divulgou a pontuação das jogadoras para a próxima edição (veja aqui). A novidade é que a Gabi, do Rexona, agora é uma jogadora de 7 pontos. Desta forma, são 9 jogadoras neste grupo. Está meio inchado este grupo de elite, não? Parte destes nomes não faz muito sentido permanecer ali, além de que, como sabemos, limita por demais a permanência dessas jogadoras no Brasil. 

- Este momento pós-SL é sempre de muita especulação e poucas certezas. Costumo comentar somente quando tudo está confirmado. Agora, esta história que dizem do Spencer Lee ir para Osasco compor a comissão técnica é muito estranha e não consigo me segurar para comentar. Primeiro porque não faz sentido o Spencer aceitar ir para Osasco para ser “adjunto” do Luizomar. Segundo, não faz sentido o Osasco trazê-lo e permanecer com o Luizomar.

Pensei em várias hipóteses para justificar isso. Uma é que, por respeito à história e à saúde do Luizomar, o Osasco não quer demiti-lo agora. Por isso, tira o Spencer do mercado para garanti-lo na próxima temporada e para evitar que ele seja contratado por outras equipes. Seria um pé na bunda lento, que só se concretizaria após o fim da próxima temporada. Outra é que o clube, por não querer demiti-lo agora e conhecendo a personalidade dele, acha que o Spencer, mesmo em uma posição inferior, pode se sobressair ao Luizomar e assumir de fato o comando da equipe. Viajei demais? 

Conjecturas à parte, se isso realmente se concretizar, será uma pena para SL não termos a qualidade do trabalho do Spencer no comando direto de outra equipe.

- Até o momento, temos confirmados o desmonte do Sesi, a ida da Mari PB para o Volero Zürich e da Ju Nogueira para o Pinheiros. O Bauru trouxe Arlene, Brenda Castillo, Thaisinha e renovou com Bruna e Mari Casemiro.

segunda-feira, 4 de abril de 2016

#RoadtoRio



Eis a lista de convocadas do Zé Roberto para temporada de 2016 da seleção brasileira (lembrando que as 12 convocadas para os Jogos do Rio serão definidas somente em julho, após o Grand Prix):


Levantadoras: Dani Lins, Fabíola, Roberta e Naiane

Opostas: Sheila, Tandara e Monique

Ponteiras: Jaqueline, Natália, Gabi, Mari Paraíba e Fê Garay

Centrais: Fabiana, Thaisa, Carol, Jucy e Adenízia

Líberos: Camila Brait e Leia



Convocação dentro do esperado pelo que tem sido este ciclo. Zé Roberto manteve a base e valorizou aquelas que se saíram bem no ano de testes que foi 2015 na seleção. 


O que saiu um pouco do roteiro foi a convocação das levantadoras. Apesar de não ser uma surpresa, afinal trabalhou recentemente com o Paulo Coco e foi bem nas duas últimas SL, o nome da Naiane é uma novidade. A levantadora Roberta também passou de uma opção remota e de uma levantadora em observação para uma com chances reais no grupo final. Macris, por outro lado, não foi aprovada nos testes do ano passado e não consta na lista.

A verdade é que chegamos no ano olímpico bastante vulneráveis no levantamento. Estamos nas mãos da Dani Lins. Como segunda opção, temos a Fabíola sem garantia alguma de que estará bem fisicamente e com ritmo para os Jogos e duas levantadoras inexperientes em seleção principal. Acho que teremos mais uma Olimpíada sem uma opção segura de inversão de 5x1. Em 2008 não foi sequer necessário usar este recurso. Em 2012, não funcionou.

Ainda assim, prefiro o risco de testar as novatas do que optar pela segurança da Macris, que seria sim, uma garantia de qualidade nas inversões, mas que, ao meu ver, não combina com o futuro da seleção. 
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Na posição de oposta temos outro posto vulnerável. Acho a Monique muito merecedora desta convocação pelo que fez nesta temporada, principalmente na fase final. Mas continuo com dificuldades de vê-la em condições de estar entre as 12 da seleção. Isso porque a oposto reserva tem que ser muito decisiva nas poucas chances que entra em quadra, para bloqueio e ataque, e ela me parece mais uma jogadora de complementação, que se beneficia de um grupo harmonioso ao seu redor. E ela tem um perfil muito parecido com o da Sheilla - que, esperamos, recupere seu melhor momento nestes meses de preparação com a seleção. Mas continuo com minha mente aberta sobre ela. Como sempre falo aqui, duvidava da Fernanda Garay na seleção e ela mostrou como eu estava errada.

A Tandara se encaixaria mais no perfil que espero de uma oposto reserva. Até porque ela dá uma opção diferente ao Zé Roberto, de mais força e potência, além de jogar como ponteira. Mas estamos ainda esperando ela provar sua capacidade na seleção. Pelo menos temos a Natália, que pode ocupar bem esta lacuna caso seja necessário.

Falando em Natália, se no ano passado eu dizia que ela não estava ainda em condições de disputar posição com Garay e Jaqueline, agora está. Acho que ela ameaça as duas, por mais que o Zé Roberto não goste de abrir mão de uma ponteira no estilo da Jaque, o que é compreensível. Mas a Natália em boa forma, dá opções diversas de composição.

De forma geral, estamos bem servidos de ponteiras e não acho que teremos uma grande disputa por vaga. Mari PB deve ser a que vai “rodar” deste grupo inicial. 


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E pelo meio, o grupo competente de sempre. Resta saber se o Zé Roberto trabalha com a possibilidade de contar com 3 ou 4 centrais na Olimpíada. Vamos ver como as meninas se sairão nos jogos que antecedem a competição para também termos uma ideia do que vale mais a pena. A princípio, acho que preencher além de 3 vagas com centrais um desperdício. 

De qualquer forma, estamos bem servidos. Acho que a Jucy, novamente, sai atrás nesta disputa pela questão da altura e pela idade. A Adenízia, ao meu ver, de novo não fez uma boa temporada. No entanto, no ano passado, na seleção, foi muito bem. Nada impede que ela possa mostrar novamente seu valor, principalmente no ataque. Não gosto do perfil dela de jogadora, prefiro as personalidades da Carol e da Jucy em quadra, por exemplo. Por isso, caso tivesse que optar por uma delas para ocupar somente uma posição de reserva de Fabiana e Thaisa, escolheria a Carol.

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Temos boas peças para encararmos mais uma Olimpíada. Acho que, com esta lista, não há muito espaço para o Zé Roberto fazer escolhas polêmicas, ao menos não no nível de como foi em 2012. A não ser que ele invente de trazer de volta Joycinha e Ana Tiemi... A torcida agora é que, além de que todas possam brigar por posição nas suas melhores condições físicas, nomes cruciais como Dani Lins, Sheilla e Jaqueline reencontrem suas melhores fases neste curto caminho até Rio 2016.

domingo, 3 de abril de 2016

A 11ª estrela



O legal do Rexona ganhar tantas Superliga é que a gente se especializa nos prefixos matemáticos. Enea, deca e agora hendecacampeão ou undecacampeão. O nome é feio, mas a conquista foi bonita. Bonita não só porque o Rexona foi melhor time durante toda a temporada, mas porque também teve um adversário à altura. O Praia Clube valorizou demais o 11º título do superfinalista e ameaçou de verdade a hegemonia carioca.

Acho que vimos uma grande final de SL, pela emoção com as viradas no placar e pela qualidade. O equilíbrio da partida foi conquistado por ambas as equipes e não foi consequência dos erros delas. Acho até que merecíamos ter visto um tie-break. 



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Eu me surpreendi positivamente com a postura do Praia nesta final. Depois daquela final apática contra o mesmo Rexona na Copa Brasil, tinha medo que o time mineiro novamente se acuasse com a pressão carioca. Foi o que aconteceu no primeiro set. Mas, a partir do segundo, com Álix e Ramirez entrando mais na partida e o sistema defensivo mineiro finalmente aparecendo, a história foi diferente. O Praia, com a recepção estabilizada, não se intimidou e enfrentou de igual para igual o Rexona.

Claro que faltou ao Praia a maturidade do Rexona nos momentos decisivos. O Rexona é traiçoeiro. Um erro de ataque, um toque na rede do bloqueio, um desperdício de contra-ataque, uma escolha errada no levantamento e, pronto, o Rexona toma conta. E o Praia pecou neste sentido. 


O Rexona fez aquilo que fez a temporada inteira. Quando a bola não estava legal para o ataque, colocava pro outro lado. Apostou no seu sistema defensivo e na qualidade da sua armação de contra-ataque, desafiando o Praia a fazer o mesmo. Só que o time de Uberlândia nem sempre, e principalmente nos momentos finais do set, soube trabalhar nos contra-ataques com a mesma perfeição carioca.

E as falhas vieram ou nos primeiros toques do contra-ataque ou nas escolhas da Claudinha. O terceiro set foi um bom exemplo da estrada que a Claudinha ainda tem que percorrer e da orientação que ainda necessita para se tornar uma grande levantadora. A escolha insistente pela Michelle ajudou a recuperação do Rexona no set. Não sei se ali faltou instrução do treinador ou foi pura teimosia da levantadora. Ainda assim, quero deixar meus parabéns ao Praia por ter acreditado na Claudinha, que tem grande responsabilidade pela conquista do time nesta temporada, não há dúvida.


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Do outro lado de quadra, gostei de ver a maturidade da Roberta, que também pôde ser comprovada na sua entrevista após a partida. Eu acho que ela pecou na precisão de alguns levantamentos para a Jucy na china e para a Natália no início da partida, mas ela, de forma geral, fez escolhas muito corretas e não se abalou com os erros. O fato do Rexona ser campeão praticamente sem contar com a Natália no ataque é graças à jovem levantadora. Ela que colocou suas demais atacantes pra jogar e recuperou a confiança no ataque de Jucy, Monique e Gabi.

Falando no ataque carioca, devo dizer que foi uma decepção o jogo da Natália hoje no ataque. Detesto admitir que, na disputa direta de posição, ela foi goleada pela norte-americana Álix. A Natália sucumbiu à forte marcação do Praia. Ela vai ser alvo da defesa e do bloqueio adversários tanto no clube como na seleção e ela não pode se deixar abalar. O Praia foi competente ao tirá-la do jogo, mas a Natália não poderia ter ficado “cega” como ficou. Chegou um momento que, contra um bloqueio da Claudinha e da Wal, ela atacava somente na direção da central. Ela tem inteligência e habilidade para usar de outros artifícios e fugir da marcação. Pelo menos a pressão que sofreu não afetou o desempenho dela nos demais fundamentos.

E ainda bem que Gabi e Monique estiveram afiadas para compensar a falta da companheira. As duas foram o nome do Rexona na partida, cada uma em um momento. A Monique, aliás, cresceu muito nesta fase final e acabou por encarnar o papel que se espera de uma oposto, mas não exatamente dela, que é o do poder de decisão. 



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E chegamos ao final de mais uma Superliga e digo, com tranquilidade, a melhor dos últimos anos. O nível técnico não foi dos melhores, é verdade, mas fazia tempo que não víamos disputas tão acirradas na fase final.

Acabamos por cobrar demais as equipes para fazerem frente ao Rexona e esquecemos como isso é complicado. O Rexona é muito experiente, muito bem estruturado, tem apoio constante de uma multinacional e tem um comando técnico de primeiro nível. Uma combinação perfeita que não se encontra em Osasco, Minas, Sesi e Praia. Ainda. Quem sabe assim, aos poucos, com um projeto persistente e constante como o do Praia, comendo pelas beiradas como os mineiros gostam, o império carioca vai sendo invadido e derrubado - pelo bem do vôlei brasileiro!


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Pê ésse: 

- Ainda bem que as duas equipes não foram afetadas pelo horário do jogo e entraram em quadra aceleradas e atentas. Mas colocar uma final de jogo único para as 9 horas da manhã é dar muita chance para um jogo de baixa de qualidade e sonolento, o que seria uma injustiça para esta SL.
 
- Amanhã comentamos a convocação do Sr. Zé Roberto Guimarães.