quarta-feira, 20 de julho de 2016

De olho nelas: China e Itália



A lista do Brasil acabou por ofuscar as outras definições que saíram também na segunda-feira, mas não vamos deixar de comentar as escolhidas de China e Itália.
Depois de quase seis meses depois da primeira convocação, Lang Ping tem sua lista final:

Levantadoras: Wei e Ding

Opostos: Fangxu Yang e Gong

Centrais: X.Yuan, Y. Xu e Ni Yan

Ponteiras: Changning Zhang, Ruoqi Hui, Ting Zhu e Xiaotong Liu

Líbero: Li Lin

Lang Ping estava com uma boa dor de cabeça para definir suas levantadoras, o que o Zé Roberto gostaria de ter também. Contava com a Wei, a mais experiente e que esteve no Mundial e em Montreux este ano; a Shen, que foi titular na Copa do Mundo ano passado e jogou boa parte do GP, incluindo a fase final; e a Ding, que conquistou espaço neste ano e apareceu muito bem no GP (lembramos bem dela, infelizmente).

Como se pôde ver, a treinadora fez uma aposta mais baseada no momento e no futuro do que no histórico e experiência. Vai mesclar a experiência da Wei com o sangue novo e a ousadia da Ding.

O mesmo conceito ela leva para a posição de oposto, só que de maneira ainda mais radical. A mais experiente de todas, a Chunlei Zeng, com uma disputa de Olimpíada nas costas e destaque no Mundial, ficou de fora. Ela terá Yang, com experiência de Mundial, e a jovem Gong, que surgiu para seleção principal este ano.

Na verdade, nesta posição houve um grande rodízio e ninguém, nem mesmo a Zeng, parece ter se firmado. Até mesmo porque o jogo de segurança da China ultimamente tem sido com as ponteiras, principalmente com a Zhu.

Apesar de ter investido mais no futuro nestas posições, Lang Ping irá levar a experiente Ruoqi Hui para as pontas, mesmo que ela não tenha rendido bem no GP. 


**************************

Das 12, oitos estiveram presentes no time vice-campeão mundial em 2014. É uma boa base se levarmos em consideração que estamos falando da China, que trabalhou com um grupo numeroso neste período de dois anos. 


Ainda assim, esta trocas constantes de time titular e a inexperiência de jogadoras como Ding e Gong (quase ficou uma onomatopeia), por exemplo, podem pesar contra na hora de uma decisão no Rio.

Ao contrário de suas outras gerações, esta China não é tão fria e controlada. Ela se desestabiliza quando pressionada. Tem na recepção, como a maioria das seleções atuais, seu ponto chave. Só que se os EUA têm o passe nas mãos da levantadora ele ainda continua “batível”. Já a China, é quase impossível vencê-la sem quebrar sua recepção. Caso contrário, entra-se num ritmo muito acelerado de jogo difícil de ser marcado. 



**************************

As eleitas de Marco Bonitta:


Levantadoras: Eleonora Lo Bianco, Alessia Orro

Opostas: Valentina Diouf, Nadia Centoni

Ponteiras: Antonella Del Core, Mirian Sylla, Paola Egonu, Serena Ortolani

Centrais: Martina Guiggi, Christina Chirichella, Anna Danesi

Líbero: Monica De Gennaro


Dentro do esperado. Depois de confirmada a volta de Lo Bianco, a expectativa maior estava na recuperação ou não da levantadora Orro.

A composição de cada posição está bem interessante: é sempre uma mescla entre experientes e novatas. Um olho no Rio, o outro em Tóquio.

O problema é que, tirando Del Core e Lo Bianco, as experientes não são lá grande coisa. Pelo contrário, as jovens Egonu e Chirichella são bem mais interessantes que as veteranas que as acompanham. A posição de oposto continua sendo o ponto fraco da seleção que, até o surgimento da Diouf, teve que usar a central Gioli na posição. Mas Diouf tem mais tamanho do que competência e Centoni a acompanha na irregularidade.

Nas duas últimas Olimpíadas, a Itália foi foco de atenção por parte do Papo de Vôlei. Afinal, ela tinha vencido as duas Copas do Mundo que antecediam os Jogos. Mas nas duas ocasiões ela nunca confirmou a fama com a qual chegou na competição e morreu nas quartas-de-final.

Desta vez, talvez nem chegue às quartas. Está num grupo dificílimo e terá, para conseguir a vaga, vencer a Holanda, contra quem só tem sofrido derrotas nos últimos confrontos. Ou seja, não há qualquer expectativa em torno dela e, por consequência, qualquer pressão por resultado.

Pode ser uma despedida triste para uma geração que colocou a Itália em outro patamar do vôlei internacional, mas um começo fundamental para aquelas jogadoras que já compõem a nova geração e que têm tudo para comandar o próximo ciclo.



***************************

Não é o fim

A Camila Brait anunciou nesta terça (19) que não irá mais defender a seleção brasileira. A decisão é compreensível e talvez até a ajude a virar a página deste difícil momento. Colocar o foco na família e no clube vai ajudá-la a seguir adiante. Porém, é uma decisão claramente precipitada. Primeiro porque, pelo que sei, alguma mudança ainda pode ser feita no grupo que vai disputar a Olimpíada caso haja alguma contusão. Não consegui confirmar isso e posso estar falando uma bobagem enorme, mas acredito que são permitidas alterações até um dia ou dois antes de começar os Jogos se forem motivas por lesões.

E em segundo lugar e o mais importante: Camila tem idade e talento para defender o Brasil pelo menos por mais um ciclo. Claro que isso significaria adiar outros projetos e continuar colocando a vida pessoal em segundo plano. Mas acho que, depois de dar este tempo na relação com a seleção, ela naturalmente sentirá o desejo de lutar novamente pelo o sonho de disputar uma Olimpíada e voltará atrás desta decisão.

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Agora é que são elas: as 12 escolhidas


Que segunda! Estava com tudo pronto para postar sobre os elencos de China e Itália quando vejo a definição do Zé Roberto. Finalmente temos as 12 jogadoras que defenderão o Brasil na Olimpíada 2016.

 
Levantadoras: Dani Lins e Fabíola

Centrais: Fabiana, Thaisa, Juciely e Adenizia

Ponteiras: Fernanda Garay, Jaqueline, Natália e Gabi

Oposto: Sheilla

Líbero: Léia



Não dá para dizer que houve qualquer injustiça nesta lista, mas, é claro, podemos questionar algumas opções.

Tandara não merecia a vaga, como vimos. Não se recuperou fisicamente nem mostrou em quadra ser necessária para o time. Tendo esta decisão tomada - ou seja, irmos aos Jogos sem uma oposto reserva -, bastava definir se iríamos com quatro centrais ou duas líberos.

O Zé Roberto optou pela primeira opção.

Eu preferiria ter duas líberos, mas confesso aqui na maior sinceridade que não sei esta minha preferência é mais baseada pela cabeça ou pelo coração. Pela cabeça, eu argumento que a Léia merece – e muito – esta vaga, mas que tem um histórico de lesões preocupante e falta de experiência com a seleção na comparação direta com a Brait. É muita responsabilidade para ela.

Por sua vez, Brait, mesmo tendo caído de rendimento, é uma líbero no qual se pode confiar e, convenhamos, não foi mal – ela foi é superada pela Léia. Acho que, dado a circunstância, sentiria mais segurança tendo as duas líberos presentes no Rio 2016.

Pelo coração, digo que seria uma pena enorme cortar qualquer uma delas. Não ter Léia seria uma injustiça; não ter a Brait, é acabar com o sonho de uma atleta pela segunda vez. Caramba, é muito triste ver a Camila Brait morrer na praia de novo e agora sendo derrubada na reta final de um ciclo que ela dominou. 


*****************************

Secadas as lágrimas pela Brait e voltando à razão, devo dizer que entendo a intenção da comissão técnica em escolher quatro centrais. Podemos ter a Adenízia para uma inversão de rede maior e de bom bloqueio ao invés de ter a Gabi, por exemplo. Só acho que, pelas condições da Fabíola e por não termos uma oposto de origem, não usaremos a inversão. De novo será uma arma inútil ao Brasil.

Ao mesmo tempo, a terceira central mal será utilizada porque, pelo que vimos, dificilmente o Zé Roberto adaptará o meio de rede à velocidade do adversário. Sendo assim, uma na reserva seria suficiente para cobrir as duas situações. 

*****************************
Sobre a Fabíola, era totalmente previsível. Zé Roberto só abriria mão se ela estivesse com uma perna a menos.

Já comentei aqui que acho esta escolha uma temeridade, mesmo considerando o óbvio: que ela não irá para disputar a titularidade. Temos no banco a segurança de uma levantadora experiente, mas que estará completamente fora de ritmo de jogo. E nem sei se estará em forma. Uma coisa compensa a outra? Acho que não.

Nesta situação, na qual nenhuma levantadora reserva é uma opção inquestionável e prevendo que ela mal será utilizada, eu investiria no futuro. Ou seja, ficaria com a Roberta. Mesmo assim, não acho o corte da jovem levantadora injusto visto que as condições para a permanência dela estavam explícitas desde o início.

Agora, nem Fabíola nem Roberta mudaria a delicada situação que o Brasil chega neste Jogos e que vinha sendo discutida aqui desde o anúncio da gravidez da Fabíola. O Brasil está totalmente nas mãos da Dani Lins, uma jogadora inconstante. É ela e deu. Que Dani esteja inspirada e segura no Rio como esteve em Londres. 

****************************

Concordando ou não com as escolhas do Zé, é bom que a definição tenha sido feita com maior antecedência do que estava planejado. Este é sempre um momento delicado, o time precisa de um tempo para absorver e se recuperar, principalmente quando temos cortes de jogadoras queridas no grupo, como é o caso da Brait. 

Todo o processo de escolha das 12 parece ter sido levado de uma forma mais tranquila e transparente da vivenciada em 2012. E isto é um ganho. O ambiente pré-Londres esteve diretamente ligado ao desempenho ruim da seleção no início do campeonato. Acho que este erro não repetimos.

****************************

Um adendo 

 - No fim, a Monique tinha mais chances do que imaginávamos de estar entre as 12.

 

quinta-feira, 14 de julho de 2016

De olho nelas: Holanda


Sem surpresas, Giovani Guidetti definiu as 12 que virão à Rio 2016:

Levantadoras: Laura Dijkema, Femke Stoltenborg

Opostas: Lonneke Sloetjes, Judith Pietersen

Ponteiras: Anne Buijs, Maret Grothues, Celeste Plak,

Centrais: Robin de Kruijf, Yvon Belien, Quinta Steenbergen

Líberos: Debby Stam Pilon, Myrthe Schoot


Guidetti não tinha muitas opções mesmo. Desde o Mundial, ele estava optando por compor o grupo de 14 com três líberos de origem. Ultimamente, as escolhas variavam entre Stam, Schoot e Knip. Esta última pode-se dizer que é a ausência mais marcante na lista, pois foi a titular da fase final do Grand Prix.

Esta “obsessão” do treinador por líberos é justificável. O fundo de quadra não é o ponto forte de nenhuma de suas ponteiras. A recepção tem comprometido e empobrecido as jogadas holandesas. Depois do pré-olímpico mundial deste ano, comentei aqui que a Holanda em pouco tempo estava perdendo aquilo de bom que a chegada do Guidetti tinha trazido. Ou seja, um jogo mais veloz e menos dependente da oposto, que, nos velhos tempos, era a Flier.

Bons nomes no ataque como a central de Kruijf e a ponteira Buijs ficam muito em segundo plano com o passe que a Holanda tem oferecido à Dijkema. E acaba por ficar tudo nas mãos da Sloetjes, ótima jogadora, mas que não é nenhuma máquina.

A jovem Plak, que também é boa opção de ataque, rende muito mais quando entra ao longo da partida do que quando começa. Uma impressão que tenho, totalmente de leiga, é que ela não tem um bom preparo físico, perde logo a potência. Se viesse para o Rexona, como foi especulado antes da confirmação da Buijs, não tenho dúvida de que a menina teria um upgrade significativo físico e técnico a ponto de se firmar como titular. De qualquer forma, Plak é uma arma importante para o Guidetti mudar a cara do jogo. 

****************************
De volta aos Jogos - sua última participação foi em 2000 -, a Holanda teve o azar de cair no grupo mais difícil da competição. E tem boas chances de enfrentar o Brasil nas quartas de final.

Provavelmente brigará pela quarta vaga no grupo contra a Itália, sua freguês nas últimas competições. Só que, contra as grandes, a Holanda ainda não conseguiu ser uma ameaça real. Tem um caminho longo para isso. Somente agora no Grand Prix conseguiu vencer a Rússia, carrasco dos últimos torneios europeus, e conquistar o bronze.

Foi uma vitória em meio a muitas derrotas, mas as toucas começam a ser derrubadas assim. É só o favorito baixar a guarda. E a Rússia, confusa na sua preparação para estes Jogos, tem dado margem a isso. 

****************************
A Argentina, que está no grupo do Brasil, também definiu suas 12 jogadoras:
Levantadoras: Yael Castiglione, Clarisa Sagardía.

Opostas: Lucía Fresco, Leticia Boscacci.

Ponteiras: Yamila Nizetich, Josefina Fernández, Tanya Acosta, Morena Martínez

Meios de rede: Julieta Lazcano, Emilce Sosa, Florencia Busquets.

Líbero: Tatiana Rizzo.

****************************

Novidade: 

Em tempo de finais de Liga Mundial e preparação para Olimpíada, o Papo de Vôlei tem uma novidade. Estamos com uma parceria com o Espaço do Vôlei, site especializado em voleibol masculino. Para aqueles que querem saber de tudo da modalidade masculina, da seleção brasileira a times nacionais, o Espaço do Vôlei é o lugar perfeito. Pra conferir, é só clicar no banner na coluna ao lado ou ir para www.espacodovolei.com

terça-feira, 12 de julho de 2016

De olho nelas: EUA



Enquanto controlamos a nossa ansiedade para saber quais as 12 brasileiras que estarão nos Jogos 2016, podemos conferir as eleitas de Karch Kiraly:


Levantadoras: Alisha Glass, Carli Lloyd e Courtney Thompson 
Ponteiras: Jordan Larson, Kimberly Hill e Kelsey Robinson

Opostos: Kelly Murphy e Karsta Lowe

Centrais: Christa Harmotto, Foluke Akinradewo e Rachael Adams

Líbero: Kayla Banwarth



O grupo já estava praticamente definido quando se encaminhou para a final do Grand Prix. A grande dúvida do treinador era relacionada à ponteira Megan Hodge, que se recuperava de uma lesão no joelho.

No fim, ela ficou de fora. Mesmo há um bom tempo não figurando entre as titulares (por gravidez e contusões), é um grande desfalque para os EUA. Hodge é diferente de suas colegas de posição. Tem mais potência de ataque e impulsão. Também tem experiência olímpica. Fora a Larson, todas das pontas, incluindo as opostos, são estreantes em Olimpíada. Se até a incrível Hooker sentiu o peso da decisão em 2012, imagina o que pode acontecer com as meninas.


 *****************************

Em vez de optar por outra ponteira, também de pouca experiência, Kiraly levará três levantadoras. Sorte da Courtney Thompson. Ela pode entrar para um saque aqui e ali e trazer um pouco de experiência, mas a jogadora das inversões será mesmo a Lloyd, que ganhou espaço ano passado e depois da última temporada no Casalmaggiore. Thompson deverá cumprir outra função no time: coreógrafa do banco de reservas.

No fim, neste grupo teria espaço para Fawcett e até para a Richards, que foi dispensada já há mais tempo. Comentei aqui que achei o corte da Fawcett precipitado antes de ver a Murphy jogar a fase final. Depois das atuações apagadas da oposto, se eu fosse torcedora dos EUA, ficaria preocupada. É uma questão anímica para além de técnica. Ela parecia totalmente alheia ao que acontecia ao redor dela em quadra. Claro que ela tem tempo para entrar no ritmo até os Jogos, mas o Kiraly poderia ter trabalhado com uma margem maior de segurança até a decisão final das 12.

 *****************************

O título brasileiro do Grand Prix pode ter tirado um pouco do foco sobre as norte-americanas, mas os EUA permanecem uma das equipes favoritas ao ouro. E tenho minhas dúvidas como lidarão com esta responsabilidade.

O time dos EUA que chega ao Rio não é muito diferente daquele que chega a Londres em 2012. Uma equipe de conjunto forte, organizado e que erra pouco . Desta vez, porém, não tem nenhuma individualidade extraordinária, que há 4 anos era a Hooker.

Hooker era a única com capacidade de fugir do rígido script norte-americano. O pragmatismo ianque colabora para que a equipe mantenha quase sempre o mesmo padrão de jogo, o que é um ponto positivo. Mas também dá pouca margem para surpresas, sejam elas para o bem ou para o mal. Sei que isso é muito subjetivo de se comparar, mas o Brasil tem mais poder de superação e jogo de cintura para se adaptar às situações que, como vimos em Londres, podem ser as mais absurdas possíveis. 


 *****************************

Atualizando

Um nome a menos no grupo brasileiro: Mari PB foi cortada da seleção. Dispensa já previsível já que praticamente não foi utilizada no Grand Prix. Esteve no grupo para ser uma reserva de segurança caso alguma lesão com as ponteiras titulares acontecesse. Pelo jeito, Tandara teve uma sobrevida e será melhor avaliada.
 

domingo, 10 de julho de 2016

Homens de pouca fé, por que duvidaste do Brasil???



Brasil 3x2 EUA

Brincadeiras no título à parte, que bom que o tempo passa e coloca as coisas nos seus devidos lugares. O Brasil ficou, ao final do GP, no seu devido lugar. E não me refiro à primeira colocação. É o lugar de quem pode brigar de igual para igual com as melhores seleções. 
A vitória do Grand Prix não nos coloca no céu, imune a críticas, como a derrota contra a China não significava o fim do nosso time, a tragédia completa. O tempo ajudou o Brasil a se encontrar.  A achar seu jogo de conjunto forte, que compensa suas deficiências com muita aplicação tática e inteligência.  

************************************

Sempre colocamos os Estados Unidos um nível acima do Brasil. Só que esquecemos que os dois são muito semelhantes nas suas qualidades e fragilidades. Ambos têm ótimas centrais, fundamentais para o ataque funcionar bem; ambos têm uma linha de passe frágil; têm um bom saque e bom bloqueio - apesar de nesta partida esse fundamento não ter aparecido; têm levantadoras que vivem numa montanha russa, que um dia beiram à perfeição, noutro não acertam as bolas mais comuns.

A diferença nesta final esteve em quem melhor soube contornar sua maior dificuldade. Sim, o passe. Aquele que tirou o Brasil do jogo no primeiro set e o mesmo que deu a tranquilidade para a Dani Lins fazer sua melhor partida na seleção no Grand Prix com um distribuição perfeita e precisa. 

************************************
O Brasil no primeiro set não agredia os EUA de forma alguma. Primeiro porque o passe e os ataques não saíam bem; segundo porque, quando tinha a posse de bola, o saque não pressionava a recepção norte-americana.

Apesar da Natália receber a maior pressão no saque, o problema na recepção no primeiro set começou com a Garay. A ponteira acabou sendo substituída no início do segundo set pela Jaqueline, fazendo a composição que muitos, inclusive eu, gostariam de ver.

A entrada da Jaque diretamente pouco influenciou no passe, ela não recebeu nenhuma bola. A presença dela em quadra, na verdade, serviu para o saque americano ter menos opções e se concentrar na Natália, que respondeu bem e abriu um leque de possibilidades à Dani. A Jaque acabou mais por dar um novo ânimo na equipe e, curiosamente, fazer deslanchar nosso ataque e contra-ataque já que a Sheilla demorou a engrenar.

Por mim, a Jaque permaneceria no terceiro set. Mas ainda bem que o Zé Roberto voltou à composição com a Garay. Ela voltou segura no passe e continuou com sua boa atuação no ataque, dando o recado que, sim, é possível termos Natália e Garay como ponteiras e, volta e meia, contarmos com a Jaque para apagar o fogo. O Zé estava certo e eu errada. Por isso que ele é tri-campeão olímpico e eu comentarista de sofá.

A partir do momento que Garay e Natália se estabeleceram, o Brasil foi bastante superior aos EUA, inclusive nos ataques pelas pontas. Aquele quarto set só foi parar nas mãos dos EUA por uma inversão de 5x1 feita num momento desnecessário e desfeita tarde demais.


**********************************
Balanço Final

O Brasil começou o GP com algumas dúvidas e termina o torneio com o título e algumas certezas. A primeira é de que a Natália pode ser titular da seleção e pode repetir ali aquilo que joga no clube. A outra é de que a Sheilla ainda tem lenha pra queimar. Não será a protagonista do ataque, mas não deixará de ser decisiva e importante para o time.

Mais uma certeza, desta vez negativa: continuamos sem uma oposto reserva. Tandara não mudou seu status na seleção, continua sendo de pouca utilidade.

Aí caímos em outro problema que a seleção não conseguiu sanar neste período: ter uma boa inversão de 5x1. Em parte por causa da Tandara, outra pelo desentrosamento que a Roberta mostra nos levantamentos com as titulares.

A dúvida em relação à composição Garay e Natália também foi sanada. Sim, é possível elas serem as titulares se mantiverem um regularidade mínima no passe. Pode parecer meio óbvio, mas é que a ideia de tê-las junto, mesmo caindo o passe de rendimento, era que elas compensariam no ataque os problemas da recepção. Mas isso elas mostraram que não conseguem fazer. Nossas pontas, contando com a Sheilla, resolvem pepinos ocasionais, não frequentes. O Brasil precisa de um bom passe para o ataque, como um todo, funcionar. E também para poder enriquecer o repertório de ataque que ainda é limitado.

O Brasil enfrentou no GP todos os principais adversários dos Jogos Olímpicos. Perdeu para Sérvia e China e ganhou de Rússia e EUA. Claro que cada confronto foi em um momento diferente de preparação para cada seleção, mas é possível dizer que algumas concepções sobre os times na disputa pelo o ouro no Rio mudaram. Acho que a disputa será mais equilibrada do que imaginávamos. Sérvia deverá ser um adversário mais perigoso que a Rússia e o Brasil está um degrau mais próximo dos dois favoritos ao ouro, EUA e China. 

**********************************
Mais GP
- Mais uma atuação apagada da Murphy nesta fase final. Não sei porque o Kiraly não fez uma troca simples de opostos e só colocou a Lowe nas inversões – feitas e desfeitas, aliás, em momentos inúteis no início dos sets. A menina pelo menos teria mais energia em quadra. Murphy dá mais um motivo para achar que o corte da Fawcett foi precipitado. 
- Premiação individual doida a do GP. Sheilla como ponteira passadora, Tomkom, reserva da Tailândia, como melhor levantadora... Podiam criar o "Prêmio Takeshita", que obrigatoriamente é dado à jogadora da seleção local e evitar estes constrangimentos e injustiças.

**********************************
Mais Brasil


- Não imaginava que a Léia teria chances de jogar tampouco que ameaçaria seriamente a titularidade da Camila Brait. Acontece que o Zé Roberto deu esta chance e ela aproveitou com perfeição. Ainda faço ressalvas em relação ao exagero que, a meu ver, ainda ronda as atuações dela. Bolas que são em cima dela e que narrador e comentaristas exaltam como se fossem defesas do século. Acho que tiram o foco do que realmente importa no desempenho da Léia que é a segurança que ela vem apresentando no fundo de quadra e a confiança que tem dado ao time. Queria vê-la numa decisão porque, pelas atuações no Minas e pelo que vi no Grand Prix ano passado, ela não me passava confiança. Pois nesta final ela se mostrou muitíssimo à vontade.

Acho que, pelo passado que tem a Brait, ela merecia uma sequência de jogos para defender a sua posição. Não acho que foi uma disputa justa neste sentido. Agora, é inquestionável que a Léia esteve muitíssimo bem e que será muito difícil negá-la uma vaga nos Jogos Olimpícos. Ainda fica uma questão sobre a fragilidade física dela e a menor experiência internacional na comparação com a Brait, o que pode levar o Zé Roberto a optar por quem ela já conhece ou mesmo, sem uma oposto para chamar de sua, formar sua lista com duas líberos.

- Falando de Brait, chances e disputa por vaga, repito que a distribuição de oportunidades para as centrais foi desigual. Jucy pode conquistar a vaga de terceira central com mérito, mas não teve com quem brigar pela posição. Ao menos não vimos a Adenízia em quadra, como meio-de-rede, tanto quanto ela. Só se nos treinamentos a diferença é tão grande a ponto a Jucy ser inquestionável, o que não deve ser o caso. 
**********************************

Este foi o ano de incorporarmos o "undeca" ao nosso vocabulário, né? Primeiro o Rexona na Superliga, agora a seleção no GP. Que daqui a 40 dias possamos voltar ao velho e conhecido "tri". 

sábado, 9 de julho de 2016

GP - Brasil 3x0 Holanda

 
Nesta semifinal, ficou claro a diferença que a recepção faz no Brasil. Como ela pode alçar o ataque brasileiro a outro patamar - como aconteceu nos dois primeiros sets; e como pode prejudicar, não só o ataque, mas todo o bom trabalho feito nos outros fundamentos - vide o  terceiro set. 

A Holanda resolveu desde o início da partida sacar em cima da Natália, talvez mais preocupada com os ataque da jogadora do que com os da Garay. Se eu fosse o Guidetti, teria focado na Garay, a mais frágil da linha de passe brasileiro. Talvez ele tivesse um resultado mais ao seu gosto porque a sua estratégia só foi dar algum resultado no terceiro set, quando a Natália se desconcentrou, começou mal na recepção e a Holanda abriu vantagem.

Ali vimos aquele Brasil da primeira fase, com dificuldade na virada de bola e bem marcado. Até então, o passe brasileiro tinha dado condições de jogo para a Dani usar todas as atacantes e para o time manter um bom ritmo de virada de bola.

O terceiro set assustou um pouquinho por nos lembrar que ainda estamos vulneráveis na recepção, tão fundamental para nosso jogo fluir. Mesmo quando encostávamos no placar com um bom saque e contra-ataque, devolvíamos os pontos com problemas no passe. Demoramos a conseguir a virada no set, que veio com erros providenciais da Holanda e com uma sequência de bons saques da Roberta. 
 
********************************

Apesar de ter começado o post com o ponto negativo da apresentação brasileira, não vou deixar de ressaltar a “encaixotada” que o time deu na Holanda. O Brasil não deixou a Sloetjes jogar. Mal levou os dois primeiros pontos de bloqueio, a oposto sentiu a pressão, perdeu a confiança e começou a errar.

Com a boa marcação na Sloetjes e um bom saque, a seleção praticamente matou o adversário. A Dijkema só foi conseguir utilizar as centrais no terceiro set. A Holanda ganhou até uma sobrevida com a entrada da Plak, mas não resistiu a pressão e aos próprios erros. 
 
*********************************

No duelo particular com a Sloetjes, Sheilla, ainda que com menos pontos de ataque, saiu vencedora por não ter deixado seu time na mão. Não foi o destaque brasileiro porque não foi uma partida de destaques individuais. O conjunto esteve bem, com cada jogadora fazendo bem a sua parte e tendo seu momento de protagonismo.

A Thaisa encontrou seu saque, Fabiana pontuou no bloqueio em momentos decisivo, Natália manteve-se bem no ataque – e, apesar do terceiro set, é ainda melhor passadora que a Garay -, e Brait mostrou que está viva na disputa com a Léia. Nas primeiras partidas desta fase, aliás, as duas líberos deram um salto de qualidade no passe. O fundamento vinha sendo um problema inclusive para elas, mas tanto Léia como Brait, nas pouca vezes que tiveram que recepcionar nestas últimas partidas, mostraram segurança. 

*********************************
 
É claro que o grande teste está por vir e acontecerá amanhã, na final contra os Estados Unidos. Ali teremos uma melhor noção se a dupla Garay-Natália se sustenta na titularidade, por exemplo. 
 
Mas pelo menos entramos nesta final com um time que, pela sua evolução, passa muito mais confiança e que tem apresentado nesta fase final um jogo mais de acordo com seu potencial e apoiado principalmente naquilo que o Brasil tem de melhor: o conjunto.

*********************************
 
Mais GP
 
- Falando em EUA, a falta de repertório de ataque e o passe deficiente russos ajudaram a equipe norte-americana a conquistar a vaga na final. A Rússia até conseguiu fazer um boa marcação no bloqueio, mas nada que compensasse as trapalhadas na recepção. Os EUA teve na Hill sua melhor atacante e a participação das suas centrais no ataque como boa opção de escape, ainda que, com elas, a Glass tenha dado umas derrapadas no levantamento. Murphy continua devendo e Lowe entrou bem nas inversões. Este é o grande perigo dos EUA. Ao contrário da Holanda – e até do Brasil em certo ponto-, se uma atacante é anulada, o time americano continua vivo e ainda tem boas opções no banco para mudar a história do jogo.

quinta-feira, 7 de julho de 2016

GP - Brasil 3x0 Rússia



Mesmo sem Kosheleva, esperava que a partida contra a Rússia fosse mais desafiadora para o Brasil. 

Sem a ponteira, a seleção russa ficou sem estrutura no fundo e sem uma companhia no ataque para a Goncharova. A líbero Malova e a ponta Shcherban tiveram trabalho para esconder as duas opostos de origem (Goncharova e Malykh) que se revezavam na recepção. O Brasil demorou a se aproveitar disso, mas quando o fez, direcionando o saque para as “zonas de conflito”, a Rússia se desmanchou e se perdeu em erros.

Sorte nossa que a estratégia russa foi testar a Léia na recepção no início da partida. Segura, a nossa líbero deixou que Garay e Natália não tivessem que lidar com qualquer pressão no passe – só com os levantamentos estranhos da Dani Lins... Quando a Rússia finalmente testou-as, Garay e Natália responderam bem.

A Dani demorou um pouquinho para colocar as centrais no jogo, principalmente a Fabiana. Quando as colocou, nossas pontas agradeceram pelos bloqueios quebrados que enfrentaram. No ataque pelas pontas, Sheilla foi muito bem. Nossa oposto gosta de jogar contra a Rússia, né?


*****************************
Aquele time que não parecia time, mas sim um amontoado de jogadoras parece que ficou pela fase classificatória. Digo “parece” porque nunca se sabe se o espírito do Osasco não pode baixar novamente na seleção quando ela enfrentar China e Estados Unidos. Infelizmente, ao que tudo indica, a China não irá se classificar para as semifinais do GP. A China B seria muito mais interessante de enfrentar do que a Holanda.

De qualquer forma, o Brasil tem mostrado mais força de conjunto, que é o que se espera dele para compensar a falta de individualidades fortes e decisivas. Porém, ainda acho que a seleção está com um repertório de jogadas muito pobre. Não sei se não registrei na memória ou se faz tempo mesmo que a Fabiana não é acionada na china. O fundo meio com a Garay ou é pouco acionado ou não funciona.

As poucas variações, aparecerem e desaparecem a depender dos jogos, o que faz com que não saiam com a naturalidade e precisão necessárias. Isso acontece em primeiro lugar pelo nosso passe, que precisa dar uma regularidade para a Dani – o que se foi acontecer agora na fase final (e por enquanto). Mas a nossa levantadora também precisa ser mais criativa e confiar na sua habilidade.

Os contra-ataques são um exemplo. Hoje a Dani até jogou mais com as centrais, mas ela tem optado ultimamente pela bola simples na “ponta para onde aponta o nariz”. Ela tem habilidade para forçar um primeiro tempo mesmo com aqueles passes de contra-ataque que saem da rede. Ela tem habilidade para surpreender. 


*****************************

Mais GP

- No outro grupo da fase final do GP, vitória da Holanda sobre a China por 3x2. As equipes se assemelharam no volume de jogo e nos problemas de recepção, mas o que fez a diferença foi o bloqueio e o aproveitamento levemente superior das atacantes holandesas. Sloetjes roubou a cena com 25 pontos de ataque e cinco de bloqueio.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

GP - Brasil 3x0 Tailândia



O grande perigo deste confronto contra a Tailândia, assim como quando se enfrenta outras seleções asiáticas em suas casas, era entrar no turbilhão que se forma com a combinação entre o jogo acelerado das tailandesas com o barulhento entusiasmo de seus torcedores. É fácil perder o foco em situações assim.

Para minha surpresa, o ritmo do ginásio e do time tailandês foi nosso principal aliado. O Brasil entrou muito ligado na partida. A Tailândia forçou que a seleção brasileira mostrasse também seu ritmo de jogo logo de cara. Assim, ao contrário de outras partidas neste Grand Prix, viu-se um time com mais cara de Brasil desde o início da partida. Ou seja, um conjunto mais disciplinado e harmonioso, com bom volume de jogo e contra-ataques efetivos. 


 *****************************

O passe respondeu bem a um saque pouco forçado tailandês. Aí pudemos ver um jogo mais rápido por parte da Dani Lins, mas muito concentrado na Natália para meu gosto.

Não que a Natália não estivesse bem. Pelo contrário, foi a melhor partida dela pela seleção este ano. Variou golpes e potência, perdeu quase nenhuma oportunidade de contra-ataque. Na recepção também foi muito bem. Claro que jogou contra um bloqueio baixo, mas a Garay também e não teve o mesmo resultado. O importante é que a Natália ganhe cada vez mais confiança para, contra os grandes, fazer a diferença.

Ainda assim, mantenho a tradição de pegar no pé da Dani, neste caso pela insistência com a Natália.Tem sido assim nos últimos jogos, a variar a jogadora. Por vezes é a Garay, em outra ocasião foi a Jaque. Contra equipes mais fortes, vamos precisar de uma distribuição mais equilibrada e surpreendente. E, impressão minha ou rolou uns problemas de entrosamento na bola com a Sheilla? 

 *****************************

No mais, o Brasil ainda cometeu muitos pontos em erros que só não foram comprometedores pela natural superioridade física da nossa equipe. A maioria das falhas foi no saque. Era compreensível que tivéssemos um saque forçado para controlar a velocidade de ataque tailandês, mas este é um problema que vem se repetindo ao longo do GP. Thaisa continua devendo maior regularidade neste fundamento.

Nossas centrais dançaram no bloqueio, fundamento que acabou entrando melhor a partir do segundo set quando as brasileiras pegaram o tempo certo da marcação. Porém, Fabiana passou em branco no bloqueio e Thaisa fez três pontos, todos sem precisar se deslocar. Contra a Tailândia, isso não fez diferença, mas contra uma China... Sei que o que peço é impossível, mas o Zé Roberto poderia que ser mais flexível nas suas escolhas para compor o grupo titular mais de acordo com seus adversários.

Tenho para mim que a equipe que começou esta partida é a titular para a Olimpíada na escolha do Zé Roberto. Ainda tinha a esperança que poderíamos ver a Jaque compondo a linha de passe com a Natália, pois acho que, inevitavelmente, nossos problemas no passe voltarão a aparecer e a comprometer. Talvez a Jaque seja a “carta na manga” do Zé para os Jogos, quem sabe ele não quer revelar todos nossos segredos agora... Pelo menos é o que sempre ele diz quando insiste numa coisa e depois, no último momento, desiste e revê a decisão. E a gente finge que acredita. 



 *****************************
Mais GP
 
- Na outra partida da fase final do GP, os EUA venceram com tranquilidade a Holanda. Glass jogou fácil com todas as suas atacantes enquanto a Holanda sofreu no passe e não achou uma força efetiva no ataque em nenhuma de suas pontas, a não ser a carregadora de piano Slöetjes. Karch Kiraly, assim como o Zé, colocou em quadra aquele que deve ser seu time titular no Rio. Sem esconde-esconde, portanto.

- A China começa a fase final do GP com seu time B contra a Holanda amanhã. E o Brasil pega a Rússia sem Kosheleva, o que vai ser um desfalque bastante importante. Ao Brasil, cabe se adaptar a um estilo de jogo completamente diferente ao que enfrentou contra a Tailândia. Vamos ter uma noção mais clara se nosso passe e ataque realmente evoluíram ou foi tudo fruto de um adversário mais fraco.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Para manter a tradição



Estava todo mundo achando que a próxima temporada seria a primeira, depois de muitos anos, sem uma estrangeira no elenco do Osasco. Ledo engano. O Vôlei Nestlé não fugiu da tradição e anunciou a contratação de duas sérvias: a ponteira Malesevic e a oposto Bjelica.

A primeira é titular na seleção da Sérvia. Jogou a última temporada pelo Novara, onde tinha uma responsabilidade maior no ataque do que agora na seleção. Com Mihajlovic e Boskovic tomando conta do ataque, elaacaba por cumprir uma função mais de composição e de fundo de quadra. Mas não se pode dizer que ela seja uma especialista em passe e defesa, longe disso.

Então de certa forma o Osasco continua carente de uma jogadora mais técnica para auxiliar a Camila Brait. Porém, ao mesmo tempo, faltava ao Osasco uma ponteira de mais peso para acompanhar a Tandara – até mesmo para o caso de ela não corresponder - e a Malesevic é um bom reforço neste sentido.

Já a vinda da jovem oposto Bjelica atrapalha as pretensões da Paula Borgo e de quem, como eu, gostaria de vê-la jogando num time grande. Ainda que a Paula tenha condições de ser titular, há um obstáculo que pode atrapalhar a sua regularidade: a indefinição do Luizomar. Como sabemos, ele não é muito de firmar posições. O troca-troca constante, que não ajuda o time nem as atletas, pode acontecer também pelas pontas com Tandara, Malesevic e Gabi.

Os últimos anos nos vacinaram. A fartura de opções mais atrapalha do que ajuda o Luizomar. E, tirando a indiscutível Hooker e a Carcaces, as estrangeiras não tem tido um bom desempenho no Osasco. Ou seja, não se pode afirmar que, com estes reforços, a expectativa em relação à equipe paulista na próxima temporada tenha mudado. Para mim, ela continua correndo por fora pelo título, um nível abaixo de Praia e Rexona. 



********************************

Tá fora


- Os Karch Kiraly cortou a oposto Nicole Fawcett, campeã mundial pelos EUA em 2014. Apesar do bom Pan-americano e de ter sido a MVP do classificatório da Norceca, a experiente Fawcett encontrou uma concorrência forte na canhota e revelação Karsta Lowe. Lowe foi titular em boa parte da Copa do Mundo quando o time dos EUA não contou com a participação da Murphy. Não sou fã do jogo da Fawcett, acho-a muito pesada e de fôlego curto, mas acho que foi um corte prematuro. Pelo que acompanhei, ela vinha fazendo um bom GP e tendo bom aproveitamento no ataque. E a Lowe, apesar do potencial, tem características muito semelhantes à provável titular Murphy, também canhota. 


********************************

Já era esperado


- A China vai com o time B para a fase final do Grand Prix. Nem a treinadora Lang Ping acompanha o time. Boa parte da equipe que atropelou o Brasil na primeira fase volta pra China pra treinar para a Olimpíada. Ainda assim é o grupo que permanece no GP não deixa de ser forte. A maioria esteve na disputa da Copa do Mundo, caso da levantadora Shen e da oposto Zeng, titulares na ocasião.





A Lang Ping sempre faz isso, tira o time principal de quadra na hora decisiva do GP. Tenho que admitir que, mesmo com esta atitude, ela conseguiu o vice do Mundial e o titulo da Copa do Mundo. Mas ainda acho que, por ter um grupo jovem e no qual há uma rotatividade considerável, isso pode impedir que as suas jogadoras criem uma "casca" para decisões e pesar contra na Olimpíada.