sexta-feira, 21 de julho de 2017

GP 2017 - Brasil 3x1 Holanda

torcida bloqueio seleção brasileira feminina de vôlei

Se o desempenho do bloqueio brasileiro contra a Bélgica já tinha sido excelente, o que dizer deste contra a Holanda? Foram 20 pontos, o dobro dos pontos feitos pelas holandesas.

A relação saque e bloqueio tem ditado o ritmo do Brasil em quadra. Desta vez, não foi diferente, mas a seleção teve alguns pontos positivos a mais na comparação com as últimas atuações.

A defesa e o aproveitamento dos contra-ataques melhoraram. A postura brasileira, de modo geral, foi mais agressiva e impositiva o que, me parece, desnorteou um pouco as holandesas. 

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O ponto de desequilíbrio, para as duas equipes, foi o passe. A Holanda sofreu com o saque brasileiro durante quase toda a partida. Muitas vezes o problema até não esteve diretamente no passe, mas na pouca habilidade da Dijkema em trabalhar com a bola que vinha fora da sua posição. A levantadora “matou” suas atacantes com bolas baixas, o que ajudou bastante o bloqueio brasileiro.

Por outro lado, o Brasil também sentiu dificuldades na recepção no terceiro e no início do quarto set. Natália teve momentos ruins no fundamento, principalmente na posição em que a Rosamaria fica mais exposta, ao centro da linha de passe e ao lado da Natália. Não só para cobrir a Rosa como em outros posicionamentos, Natália e Suelen estão batendo um pouco a cabeça para se entender e saber quem deve ir na bola.

Foi esta queda no passe que tirou o Brasil do terceiro set e quase comprometeu o quarto. Se a Holanda não tivesse dado alguns presentes para a seleção, não sei se o Brasil teria encontrado uma brecha para reagir no set.

Mas o importante é que, no fim, reagiu, tendo até a própria Natália como personagem das viradas e contra-ataques fundamentais para a recuperação brasileira. Foi importante que tanto ela como a Rosamaria e a Tandara tenham respondido bem no ataque já que o jogo brasileiro esteve muito concentrado nas pontas. 

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É bem provável que este cenário se repita contra os EUA, só que nossas atacantes das pontas deverão encontrar maior dificuldade em colocar bola no chão, pois as norte-americanas tem maior volume. 

A melhor resposta brasileira será, além de ter paciência na definição, também apresentar-se bem na defesa. A partida contra a Holanda e o dia de treino e estudo que haverá antes do confronto no domingo dão a esperança de que o Brasil pode realizar isto bem.

Falando em EUA, na outra partida do grupo, o time norte-americano venceu a Bélgica por 3x1.

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Resultados da 1ª rodada do 3º turno do GP: 

Grupo G 
Sérvia 3x0 Rússia

China 3x1 Japão 

Grupo H

Itália 3x1 Turquia

Tailândia 2x3 Rep. Dominicana

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Deem uma conferida nesta entrevista com a Thaisa, na ESPN:
Thaísa conta seu drama: ‘Ver minha perna definhando é assustador’

quinta-feira, 20 de julho de 2017

GP 2017 - Brasil 3x0 Bélgica

Tandara Carol bloqueio

Para começar a última e decisiva semana do Grand Prix, a vitória contra a Bélgica foi o resultado ideal. Porém, a seleção não passou muita segurança de que será capaz de, ao enfrentar Holanda e EUA na sequência do grupo, garantir a classificação para a fase final.

Como tem sido de costume neste GP, o Brasil começou o jogo devagar. Somente quando a relação saque/bloqueio se encontrou é que o restante da engrenagem começou a rodar. Mesmo assim, rodou meio que aos solavancos, com erros bobos que quebraram a continuidade do jogo. 

Os dois primeiros sets foram difíceis. O bloqueio salvou a seleção de ter se complicado ainda mais nas parciais já que o passe, a virada e o contra-ataque não tinham regularidade ou até, por vezes, comprometiam. 

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Defensivamente, saque e bloqueio tem se destacado, mas o fundo de quadra brasileiro ainda deve bastante. Não se percebe o mesmo volume que costumava caracterizar os times do Brasil. Faltam mobilidade e reflexo para chegar em mais bolas, além de qualidade no toque para iniciar o contra-ataque. 

A Roberta está tendo que correr atrás dos passes da virada e da defesa, o que, além de tirar a importante opção da primeira bola, deixa a levantadora em apuros. Sabe-se das dificuldades de toque que a Roberta naturalmente apresenta. Tanto contra a Bélgica como contra o Japão, ela teve problemas na precisão de algumas bolas, principalmente nos contra-ataques.

De qualquer forma, ela tem se virado bem. Sinceramente, não sei se a Macris (que esteve no banco hoje, milagrosamente), por exemplo, conseguiria fazer muito melhor com as bolas que são encaminhadas para a levantadora.

O fundo é que tem que dar uma bola mais redonda até para o jogo brasileiro ganhar corpo e ser mais competitivo contra Holanda e EUA. Nosso ataque só não teve problemas de definição (o aproveitamento de todas as atacantes brasileiras foi excelente) porque a Bélgica é muito fraca na defesa. 

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No outro jogo do grupo, os EUA bateram a Holanda por 3x1. As norte-americanas simplesmente anularam a Plak; e a Buijs, apesar de ter ido bem, não segurou o piano sozinha. Nos EUA, com um ataque mais equilibrado, a ponteira Bartsch se destacou, compensando um pouquinho as bobagens que fez no passe.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Semana decisiva

Começa a última semana da fase classificatória do Grand Prix e o Brasil terá que correr atrás do prejuízo das duas últimas rodadas para chegar à fase final.

Perder para Japão e Tailândia colocou a vaga brasileira em risco não só porque a seleção perdeu para adversários mais fracos, contra os quais se esperava garantir, no mínimo, os três pontos, como também acabou por beneficiar um adversário direto, o Japão.

Vejamos como está a classificação: 


Como se vê, está tudo bem embolado. O bom para o Brasil é que o Japão caiu num grupo complicado nesta semana, tendo que enfrentar China, Sérvia e Rússia. A Itália, acredito, deve dar uma disparada ao pegar Turquia, Tailândia e República Dominicana.

O Brasil poderia ter a vantagem de fazer esta semana decisiva em casa, mas nem isso será um grande ponto a favor. Além de chegar ao país vindo de uma viagem extremamente longa e desgastante do Japão, teve o início da semana de jogos antecipado de sexta para quinta-feira, para se acomodar às transmissões da Globo. Há um tempo mínimo para descanso ou treino. 


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Apesar de toda esta situação e do baque na confiança que foram as derrotas do final de semana, acho que o Brasil não vai se complicar contra a Bélgica e tem chances de vencer a Holanda.

Primeiro porque acredito na recuperação brasileira, principalmente por não ter nenhum embate contra times asiáticos. Segundo, porque a Holanda, apesar da boa pontuação, tem feito uma campanha, assim como a maioria das seleções, irregular, se complicando contra adversários que deveriam ser mais fáceis. E o mais importante: normalmente, o jogo brasileiro encaixa bem contra o holandês.

Já contra os EUA, o cenário é mais complicado de prever. Isso porque, tradicionalmente, é um confronto muito estudado, decidido no detalhe. Mesmo as novas formações das duas seleções não devem mudar isso. A vantagem que vejo para as norte-americanas, no momento, é que elas vieram de duas semanas em grupos mais fortes dos que os enfrentados pelo Brasil. 


Acho que o Brasil se classifica. Na rabeira, mas se classifica.

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Os jogos do Brasil:

20/07 – 15h05 – Brasil x Bélgica

21/07 – 15h05 – Brasil x Holanda

23/07 – 10h10 – Brasil x EUA 

domingo, 16 de julho de 2017

GP 2017 - Brasil 2x3 Japão



Brasil perde para o Japão no Grand Prix 2017 seleção brasileira vôlei feminino

Era para ser uma semana para o Brasil encaminhar sua classificação para a fase final do Grand Prix. Depois da vitória contra a Sérvia, parecia que a seleção iria confirmar essa expectativa, mas no fim, o jogo virou completamente. O Brasil terminou a segunda semana com três derrotas na competição.


Assim como contra a Tailândia, o Brasil não entrou bem na partida contra as donas da casa. O Japão. inteligentemente, resolveu trocar sua levantadora para usar a seu favor o efeito surpresa. E deu certo. A seleção brasileiro demorou a encontrar o ataque japonês na marcação.

Só a partir do terceiro set o Brasil conseguiu equilibrar a disputa e compensar a dificuldade que estava tendo na parte ofensiva com a relação saque/bloqueio. Porém, o maior problema brasileiro foi não manter constância em nada, inclusive no bloqueio. Quando parecia que o time tinha conseguido se estabilizar, vinha uma sequência de erros em passe, ataque ou saque. 
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Sem contar que, contra uma equipe tão técnica como a japonesa, o Brasil também precisava ser mais cuidadoso nos seus acabamentos de jogadas, o que não aconteceu. Já se sabia que seria difícil virar de primeira contra o Japão e que as jogadas iam se prolongar em troca de bolas. E nisso a seleção não trabalhou com a mesma qualidade que o adversário.

Como exemplo cito as inúmeras oportunidades de contra-ataques desperdiças por levantamentos ruins. Aliás, aqui se nota uma grande diferença entre a Gabiru e a Suelen na posição de líbero. A Suelen tem um toque qualificadíssimo enquanto a Gabiru compromete seriamente a definição do ataque com levantamentos mal executados. 

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É complicado achar a medida certa para a cobrança e a preocupação em relação às derrotas desta semana. Fica difícil entender como uma seleção tão superior fisicamente a Japão e Tailândia não consiga se impor e se perca tanto contra estes adversários. Ao mesmo tempo, é compreensível que, para um time novo como o brasileiro, haja uma dificuldade ao enfrentar adversários tão “redondos” e de conjuntos super acertados.

Isso de certa forma evidenciou como o conjunto brasileiro ainda está imaturo. E é neste ponto que acredito deva vir a cobrança. Se a seleção estivesse jogando a cada partida com uma formação diferente, seria compreensível a falta de cara e de regularidade do time. Mas não é o caso. A base é a mesma desde os primeiros amistosos. Era de se esperar, portanto, uma equipe mais coesa e encaixada. 

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Pê ésse:

- No mínimo curiosa a divisão de responsabilidades da comissão técnica do Japão. A treinadora é a ex-levantadora e medalhista olímpica Kumi Nakada, mas quem comanda os tempos técnicos é sempre o seu segundo assistente, o turco Ferhat Akbas. Acho bem bacana, aliás, este reforço internacional trazido pela seleção japonesa que precisava se renovar. Mas que, nas partidas, a Nakada parece somente uma “treinadora decorativa”, parece. Até porque ela mal se dirige às jogadoras nos tempos e durante a partida.




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Demais resultados da 3ª rodada do 2º turno do GP:

Grupo D
Sérvia 3x1 Tailândia

Grupo E

China 3x2 EUA

Itália 3x0 Turquia

Grupo F

Rep. Dominicana 3x2 Bélgica

Rússia x Holanda

- No grupo E, a Itália teve uma semana de revanches contra China e EUA. Paola Egonu continua com pontuações excelente no ataque a cada partida. Já os EUA, , mantendo a base titular, não conseguiram repetir o feito das três vitórias da semana passada e enfrentaram duas derrotas.

- No grupo F, a Holanda, que havia sido outra vítima do Japão na semana passada, está conseguindo se segurar na tabela mesmo sem poder contar com a Sloetjes.

sábado, 15 de julho de 2017

GP 2017 - Brasil 0x3 Tailândia

Brasil perde para Tailândia no Grand Prix 2017 volei feminino seleção brasileira
Se ontem o Brasil fez a sua melhor partida na temporada, hoje, contra a Tailândia, fez a pior.

Ao final da primeira semana de competição do Grand Prix, comentava que o Brasil teria o desafio de enfrentar nesta semana dois adversários com características diferentes das que a seleção vinha enfrentando no torneio e na temporada. Adversários de muito volume, o que desafiaria principalmente o ansioso e pouco definidor ataque brasileiro.

Pois o Brasil até que começou bem a partida neste sentido, com velocidade no ataque e com boa virada. Depois, porém, Natália, caçada pelo saque tailandês, não manteve uma regularidade no passe para que a seleção conseguisse fazer um jogo mais acelerado.

As atacantes também, por vezes, perderam a paciência no decorrer da partida e não usaram a vantagem da altura a seu favor. 

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Mas o maior problema brasileiro na partida foi não conseguir trabalhar bem a relação saque e bloqueio, que tem sido a sua maior qualidade na temporada. Primeiro por mérito tailandês, mais especificamente da levantadora Tomkom. Mesmo quando o passe saía um pouco da rede ela conseguia acelerar a jogada.

Segundo, por incompetência do Brasil que só foi mudar sua estratégia de saque, sacando cruzado e mais acelerado, no terceiro set quando a Tailândia já estava com muita moral e nada dava mais certo na seleção.

Acho que o Brasil também poderia ter optado por um saque curto para restringir a velocidade e as opções da Tomkom já que o bloqueio brasileiro dançou o tempo inteiro com as jogadas da levantadora. O bloqueio brasileiro, aliás, não achou o tempo de marcação das baixinhas tailandesas em nenhum momento da partida.

Defensivamente também o Brasil deixou a desejar ao desperdiçar bola fáceis por erros técnicos na defesa ou na armação dos contra-ataques. 


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Como um tradicional time asiático, a Tailândia quando engrena o seu ritmo de jogo fica difícil parar. O Brasil entrou na rotação tailandesa no primeiro set e não conseguiu sair mais. Aí os problemas graves levaram a outros pequenas falhas que, ao final, acabaram construindo o desastre. 

A seleção mostrou dificuldade em se adaptar a um estilo de jogo diferente e encontrar saídas aos desafios da partida – e sem ninguém dentro de quadra para liderar e nortear as companheiras neste sentido. A postura que tanto elogiei contra a Sérvia, desapareceu contra a Tailândia.

O Brasil teve um dia “não” logo depois de ter confirmado uma vitória importante contra a Sérvia, o que acaba por não só quebrar um pouco a confiança da equipe como nos lembrar como o time ainda está verde. 


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Demais resultados da 2ª rodada do 2º turno do GP:

Grupo D
Sérvia 3x0 Japão

Grupo E
EUA 2x3 Itália
China 3x1 Turquia

Grupo F
Holanda 3x2 Rep. Dominicana
Rússia x Bélgica

sexta-feira, 14 de julho de 2017

GP 2017 - Brasil 3x0 Sérvia

Brasil vence Sérvia Grand Prix 2017 seleção brasileira vôlei feminino

A madrugada desta sexta-feira nos reservou uma bela surpresa. Não só o Brasil deu o troco na Sérvia no Grand Prix como fez sua melhor partida na temporada.

É verdade que, tecnicamente, a seleção mostrou dificuldades em alguns aspectos, sobretudo na recepção. Mas levando-se em conta a qualidade do adversário e a postura que o time teve em quadra, dá para dizer que foi a melhor apresentação brasileira até aqui. 

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E se pode colocar na conta da Amanda a virada de atitude – e do jogo, por consequência – do Brasil na partida. O primeiro set se encaminhava para uma repetição do primeiro confronto entre as seleções na rodada anterior.

Ainda que o Brasil não estivesse tão ameaçado no saque e até tenha conseguido manter razoavelmente a sua virada de bola, a Sérvia jogava muito mais à vontade. Não sentia pressão no saque e, nas poucas trocas de bolas que o set permitiu, invariavelmente levava vantagem.

Até que a Amanda entrou para sacar e mudou a situação. A ponteira Busa e a líbero Pusic, que até então jogavam com a maior segurança no passe cobrindo a Mihajlovic, começaram a se atrapalhar. O bloqueio brasileiro apareceu e recolocou o time na partida.

A partir daí, o Brasil foi muito mais agressivo, uma postura que havia faltado no primeiro jogo. Para melhorar, o bloqueio, comandado pela Adenízia, encontrou a marcação na Mihajlovic e a tirou da partida – literalmente.

E aqui vai um aparte: nunca fui muito fã do entusiasmo da Adenízia em quadra, mas a energia dela, que começou como titular esta partida, deu ânimo a uma equipe que andava bastante apática. 


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A Sérvia reagiu no terceiro set com a entrada da levantadora
Antonijevic que, com um passe um pouco melhor, conseguiu dar uma acelerada nas jogadas. Abriu vantagem, mas novamente o Brasil buscou a recuperação no saque, primeiro com Roberta, depois com a Amanda.

E ofensivamente a seleção conseguiu se sair bem das armadilhas que armava contra ela própria com passes fora da rede. A Roberta não conseguiu efetivar a primeira bola, mas manteve a distribuição equilibrada e as atacantes, desta vez, fizeram o uso de outros recursos na definição. Natália esteve muito bem neste sentido, abrindo mão da força e optando pela categoria quando necessário. 

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O Zé Roberto optou para começar a partida pela Drussyla, Adenízia e Gabiru nos lugares de Rosamaria, Carol e Suelen, respectivamente. Adenízia, como já falei, deu um up no espírito da equipe e fez a diferença no bloqueio. Gabiru foi discreta, apareceu melhor defensivamente.

Drussyla manteve seus altos e baixos, com jogadas ou recepções exemplares alternadas com erros um tanto grosseiros. Parece que ela se sai melhor no mais difícil e peca nas jogadas mais fáceis. Mas, assim como foi com a Rosamaria, ela foi perseguida no passe e, de modo geral, saiu-se melhor ao pelo menos conseguir colocar a bola pra cima e não travar o jogo brasileiro.

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Demais resultados da 1ª rodada do 2º turno:

Grupo D

Japão 3x1 Tailândia

Grupo E

EUA 3x1 Turquia

China 0x3 Itália

Grupo F

Rússia 3x1 República Dominicana

Holanda 3x0 Bélgica

domingo, 9 de julho de 2017

GP 2017 - Brasil 3x2 Turquia

seleção brasileira feminina de vôlei

Não imaginava que o Brasil teria tanta dificuldade de vencer a Turquia e muito menos que corresse o risco de perder a partida, como aconteceu.

A Turquia veio para o GP com um time bastante renovado e o qual o Brasil havia batido com certa facilidade em dois amistosos antes do início do torneio. Pois talvez estes jogos de preparação é que tenham dado a arma que foi mais poderosa para o time do Guidetti no confronto deste domingo: a defesa.

A Turquia estava com o jogo brasileiro bem estudado e, mesmo em início de trabalho, o Guidetti já conseguiu dar um pouco da sua cara à equipe (não literalmente, ainda bem) ao desenvolver um sistema defensivo muito bom.

O Brasil respondeu bem defensivamente também, mas bobeou nas largadas e ao não conseguir frear o ímpeto da Baladin quando a ponteira entrou a partir do quarto set.

Ainda assim, a seleção voltou a sacar bem e a bloquear, o que compensou a dificuldade ofensiva e a falta de constância no ataque e contra-ataque. Por vezes o jogo brasileiro fluiu bem; por outras travou. E nessas horas de “baixa”, o saque, principalmente com a Rosamaria e a Roberta, nos salvou.
 
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Acho que uma parcela do problema ofensivo está no passe e outra na definição. Há ainda pouco jogo de cintura quando o passe aperta. A equipe costuma se precipitar e tenta resolver na marra ao invés de recorrer a outros recursos ou simplesmente passar a bola para o adversário e trabalhar na defesa.

E nisso concordo com aqueles que dizem que falta ao Brasil uma jogadora que assuma a responsabilidade de resolver a situação. A Tandara é quem mais tem se aproximado deste papel, mas, como sabemos, ela precisa ser mais comedida nos erros.

Do outro lado, a Natália cada vez mais se afasta desta função. Por enquanto no GP, temos visto o mesmo de Montreux: uma jogadora mais focada nas funções de fundo de quadra e apática no ataque. Pelo menos, desta vez, o Zé Roberto teve a coragem de tirá-la e apostar na Drussyla.

A jovem ponteira deu um fôlego no ataque brasileiro. Estava difícil para Rosamaria e Tandara sustentarem sozinhas um jogo em que a bola teimava em não cair. Mas o aproveitamento da Drussyla poderia ser muito melhor se ela tivesse mais visão de jogo. Não são poucas as vezes em que ela pega um bloqueio quebrado e, sem visão, direciona o ataque no lugar errado. 

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O Brasil agora se encaminha pro próximo turno em que enfrentará, com exceção da Sérvia novamente, um outro estilo de jogo desta primeira etapa do GP. Pega Tailândia e Japão, dois testes de paciência para o ataque que, até agora, tem sido o ponto mais oscilante da seleção. 

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Demais resultados da 3ª rodada do GP:

Grupo A

Sérvia 3x0 Bélgica

Grupo B
EUA 3x0 China

Itália 3x2 Rússia

Grupo C

Rep. Dominicana 3x1 Tailândia

Japão 3x2 Holanda

- No Grupo B, os EUA tomaram conta com 3 vitórias. A Rússia, com somente três jogadoras presentes na Rio 2016 e apostando na Filishtinskaia como levantadora, perdeu todos os seus jogos por 3x2. Por ironia, acabou por fazer mais pontos do que a Itália, sua algoz na última rodada. Porém, a azurra é líder absoluta no quesito pontos em erros ao adversário: deu, em cada partida, no mínimo 30 pontos em erros.

sábado, 8 de julho de 2017

GP 2017 - Brasil 0x3 Sérvia

Brasil perde para Sérvia no Grand Prix seleção brasileira vôlei feminino Mihajlovic


No post de ontem, disse que a Sérvia seria o grande primeiro teste da nova seleção brasileira. Pois desta prova, o Brasil saiu reprovado.

E nem falo isso por causa do resultado. Uma derrota para a vice-campeã olímpica, com praticamente sua força máxima, está dentro da normalidade. Sérvia e Brasil estão em momentos diferentes hoje.

O que fez o Brasil receber uma nota vermelha foi o desempenho em dois fundamentos. Primeiro na recepção. Ter dificuldades, ok. Agora, levar tantos pontos diretos em saque (11!) sai totalmente fora do aceitável. Ainda mais quando não é o saque da Mihajlovic, que muitas vezes entra como um ataque de rede. Isso é scout que a República Dominicana está acostumada a levar, não o Brasil.

Segundo, em um cenário como este, o Brasil não pode deixar de fazer bem o que melhor tem feito nesta temporada: sacar. A seleção não teve constância no saque durante a partida, tirou a pressão sobre a Sérvia que, como se sabe, não tem das linhas de passe mais qualificadas. Como consequência, o time brasileiro teve um desempenho fraquíssimo no bloqueio. 


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A verdade é que cada seleção adota um posicionamento na linha de passe que acabou por fazer a diferença no resultado final. De um lado, a Sérvia esconde bem a Mihajlovic no passe. Malesevic e a líbero cobrem a quadra deixando-a livre para atacar. Foram poucas as vezes em que o Brasil conseguiu “acertar” na Mihajlovic no saque.

Do lado brasileiro, Rosamaria, ainda se aperfeiçoando na recepção, fica bastante exposta. Acreditro que seja uma escolha do Zé Roberto não usar tanto a Suelen e a Natália para cobrir a Rosa para que a jogadora evolua no fundamento. E, pelo mesmo motivo, ele esperou bastante para usar o banco quando a Rosa cometeu erros em sequência no passe. Mas isso realmente acabou comprometendo o desempenho da linha de recepção e impactando na continuidade do jogo brasileiro. 

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Individualmente, Rosamaria foi a jogadora com mais dificuldades na partida. Foi perseguida no passe e no ataque não foi efetiva. Roberta forçou algumas bolas desnecessárias, mas manteve a distribuição e a qualidade dos levantamentos sob controle durante a maior parte da partida.

No meio, Bia se apresentou bem no ataque e tentou puxar uma reação do bloqueio no segundo set que acabou por não vir. Já a Carol, depois de um bom início no saque, acabou se escondendo na partida.

Pelas pontas, Tandara foi nossa melhor atacante e tem tido um ótimo aproveitamento dos ataques atrás da linha dos 3, tanto na saída como no meio. E isso até tem reforçado como a inversão do 5x1 com Monique e Naiane se faz totalmente desnecessária. O Brasil não ganha nem com altura - já que a Roberta é maior e bloqueia melhor do que a oposto reserva, nem com opção de ataque na rede.

Ainda espero mais da Natália, tanto no aspecto técnico como no de liderança. Numa partida como esta, ela tinha que chamar mais a responsabilidade para si. 

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Se o Brasil saísse com a vitória, seria surpreendente. A Sérvia está num nível superior ao nosso.

O Brasil precisava deste teste para deixar bem claro os problemas e fragilidades que ficaram escondidas contra os adversários mais fracos. Víamos sinais de problemas na recepção e de regularidade na virada de bola, e eles ficaram super evidentes contra a Sérvia.

O que me preocupa mais é saber se aquilo que vinha funcionando bem era tudo uma ilusão. Contra a Sérvia, o saque não funcionou, o bloqueio não apareceu e, apesar da boa construção, houve desperdício de contra-ataques.

E tão cedo acho difícil obtermos a resposta. É que o Brasil só volta e a enfrentar  um adversário mais forte na próxima rodada, quando irá se encontrar novamente com a Sérvia novamente. 

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Demais resultados da segunda rodada do GP:

Grupo A

Turquia 3x1 Bélgica

Grupo B

EUA 3x0 Itália

China 3x2 Rússia

Grupo C

Holanda 3x0 Tailândia

Japão 1x3 República Dominicana