domingo, 29 de maio de 2016

Ainda é cedo

Menos sonolenta e com as atacantes Martínez e De La Cruz mais inspiradas, a República Dominicana conseguiu dar mais trabalho à seleção brasileira neste segundo jogo. Não chegou a justificar o nome de “Desafio de vôlei” dado aos amistosos em São José dos Pinhais, mas pelo menos serviu para dar um pouco de ritmo de jogo ao time brasileiro e expor o quanto de trabalho tem pela frente até que ele ganhe uma cara.

Neste segundo amistoso, com um melhor volume de jogo por parte das dominicanas, ficou  mais difícil para o ataque brasileiro pontuar de primeira. Acho que somente a Fabiana conseguiu colocar a bola no chão com facilidade. No mais, tivemos que contar com as trapalhadas do adversário na armação de seus contra-ataques para pontuar. 

O jogo brasileiro, curiosamente, fluiu melhor com a entrada da Roberta. Dani estava meio displicente na distribuição das jogadas. Garay e Sheilla ganharam mais poder de ataque com bolas mais aos seus estilos, velozes. 


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Fica difícil fazer uma avaliação sem levar em conta a vibe fria, nublada e preguiçosa que tomou conta destes amistosos. Fora as centrais, a Roberta e a Garay, todas as jogadoras pareciam envolvidas neste clima murrinho. Portanto, é muito precipitado fazer previsões tendo como base somente estes dois jogos que, como falamos, foram muito fracos. O que vou registrar aqui são algumas constatações:

- A Roberta entrou muito bem nos dois jogos. Tranquila e à vontade. Cometeu uns erros no segundo jogo de armação de contra-ataque, mas não se abalou e fez um jogo mais bem pensado e equilibrado do que o da Dani.

- A Léia esteve “fora” da partida que jogou. Não foi segura na recepção e comeu mosca na defesa. A diferença entre ela e a Brait neste momento de preparação é enorme - mesmo porque a Léia não comanda o fundo de quadra com a mesma confiança e habilidade que a rival de posição.

- Sob a Natália rondavam muitas expectativas e vê-la penar na recepção na primeira partida e, em ambos os confrontos, ser pouco efetiva no ataque provoca uma certa decepção. Esteve com forças e potência reduzidas.

O que será destas jogadoras e das demais no Grand Prix só o tempo nos dirá. Só espero que, no caso da Natália, a primeira impressão não seja aquela que fique. 



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Arrivederci, Picci
 
O Marco Bonitta revelou neste sábado (28) a lista de 16 jogadoras inscritas para o GP. E nela não consta o nome de Francesca Piccinini. Como para bom entendedor uma lista pro GP basta, a jogadora nem esperou o óbvio acontecer (que ela não estará na lista das 12 atletas para Rio 2016) e anunciou sua aposentadoria da seleção.

É mais uma jogadora referência que dá adeus à sua seleção. Itália foi sinônimo de Picci por mais de uma década não só pelo apelo midiático que ela tinha, mas também pela bola que jogava. Jogadora técnica e de composição garantiu que a seleção italiana tivesse no fundo de quadra (na recepção e defesa) seu ponto forte.

As escolhas de Bonitta estão sempre envoltas de polêmica e essa não é diferente. Mas a opção dele me parece bastante compreensível e natural. Os dois belos jogos na fase final da Liga dos Campeões acabaram, com as atuações ruins no pré-olímpico, por se confirmarem em exceções. Bonitta segue a sua política de renovação e de aposta nas jovens promissoras que atuam na mesma posição. Com a experiente Del Core em uma fase melhor e a reserva Gennari, representando a nova geração, Bonitta achou que não havia espaço para mais uma jogadora ao estilo de Piccinini.

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Os primeiros passos rumo ao tri



Finalmente chegou o momento do reencontro com a seleção brasileira!

Li um comentário por aí de que valeria mais a pena fazer um jogo entre as jogadoras da seleção do que contra a República Dominicana. Não sei se chega a este ponto, mas é quase. Não se viu muita diferença entre uma equipe que recém saiu de uma competição e outra que vem de mais de um mês de treinamento e sem jogar. As dominicanas, mantendo o costume, foram bastante frágeis na recepção e erraram bastante, sendo pouco combativas à seleção brasileira.

Muito do que se viu em quadra nesta primeira partida foi o que se viu no ano passado. Um Brasil jogando melhor com a posse de bola, no saque e bloqueio – ainda que tenha tido muitos erros de saque –, do que no sistema ofensivo.

A Natália foi a jogadora que teve mais dificuldades, desde a recepção até o ataque. Garay se saiu melhor entre as ponteiras e a Tandara teve uma atuação bem discreta. Vocês comentavam que o Brasil precisa de maiores variações de jogadas, com o que concordo. Hoje a Dani Lins usou bastante as jogadas de meio-fundo, o que é um bom sinal, pois são bolas importantes para o time. Mas somente a Garay teve bom aproveitamento nelas. 


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No ataque, as centrais foram opções importantes. Dani foi bastante democrática na sua distribuição para Adenízia e Juciely, que aproveitaram bem suas chances – apesar da Jucy ter tido problemas na china, ainda pouco entrosada com a Dani. No mais, foram bem no bloqueio e tiveram problemas no saque.

Pela escalação fica claro que estes amistosos e, provavelmente as primeiras fases do Grand Prix também, servirão de testes para as meios de rede reservas. Se pensarmos bem, a não ser que ocorra algum problema físico, esta é a única posição em aberto para definir o grupo das 12 para os Jogos. Até mesmo a de levantadora me parece já encaminhada. Caso a Fabíola não esteja pronta a tempo, a vaga deve ficar com a Roberta.

Não acho que este foi um teste de nível para ver quem sai à frente nesta disputa, mas pelos indícios deixados por Jucy e Adê neste primeiro round, a briga vai ser duríssima e ponto a ponto. Mais até do que eu imaginava antes de começar esta temporada da seleção. E olha que a Carol nem deu o ar da sua graça ainda. Vamos ver como elas se saem quando os confrontos forem mais puxados do que este contra a fraca Rep. Dominicana.





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Montreux Volley Masters
 
A seleção B viaja neste sábado para Suiça onde vai disputar o Montreux a partir do dia 31. Como comentamos, a Naiane se juntou ao grupo há duas semanas depois do corte da levantadora Lyara. Achei uma escolha natural visto que ela conhece o grupo, na maior parte composto por jogadoras da seleção sub-23, e, da mesma forma, a Roberta tem mais entrosamento com as adultas por causa do Rexona. Mas também não deixa de ser uma clara indicação de quem é a preferida do Zé Roberto para substituir a Fabíola. Por isso, na minha leitura, como comentei acima, a vaga de levantadora já está definida, somente à espera da recuperação ou não da Fabíola.

O grupo que vai disputar o Montreux:

Líberos: Laís e Érica;

Levantadoras: Juma e Naiane;

Centrais: Fran, Mara, Saraelen e Lays;

Ponteiras: Gabi, Rosamaria, Maira e Drussyla

Opostos: Paula Borgo e Lorenne.

 
O curioso desta lista é que a Rosamaria é classificada como ponteira. Eu nunca a vi jogar desta forma, vocês já? De qualquer forma, só nos mostra como estamos em falta nesta posição quando se sai daquelas que estão no grupo principal.

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Jogos 2016 tomando forma


 A FIVB divulgou os grupos da Olimpíada. Eis:

 
Grupo A

Brasil

Rússia

Japão

Coreia

Argentina

Camarões



Grupo B

EUA

China

Sérvia

Itália

Holanda

Porto Rico



Como se pode ver, o grupo do Brasil é bem mais tranquilo – claro que considerando o fato de que não teremos aquele apagão de 2012. A seleção deve brigar pelo primeiro lugar com a Rússia. Enquanto as russas tem certa dificuldade em enfrentar o Japão nossa pedrinha no sapato poder ser a Coreia.

O problema é que, apesar de não termos tanto que nos preocupar com a classificação, o mesmo não se pode dizer do cruzamento das quartas. O grupo B terá confrontos mais equilibrados com EUA, China e Sérvia, além de Itália e Holanda de bônus para atrapalhar. Isso pode colocar qualquer uma do trio principal no caminho do Brasil, principalmente se ficarmos em segundo lugar.

Sei que quem quer ser campeão não “pode escolher adversário”, mas que os cruzamentos dão uma mãozinha de vez em quando, isso dão.

sábado, 21 de maio de 2016

O quarteto coadjuvante

O pré-olímpico de Tóquio não precisou chegar ao fim para sabermos os quatro qualificados para os Jogos 2016: Coreia, Itália, Holanda e Japão.

O torneio também não precisou terminar para desmanchar muitas das minhas perspectivas. Uma delas, sobre o desempenho da República Dominicana. Achava difícil ela conseguir uma classificação, mas não imaginava que seria um saco de pancadas e que jogasse tão mal. Diferentemente do que eu disse, mesmo se ela estivesse no outro classificatório, não conseguiria uma vaga do jeito que está jogando.

A Rep. Dominicana esteve sem qualquer organização e confusa. Se já errava bastante antes, agora então... Nem seus pontos fortes, o ataque e a defesa, estiveram bem. Não fizeram frente a nenhum time de peso - sequer ao Peru, que, mostrando mais valor de grupo, foi o melhor representante latino-americano da competição. Como comentamos nos últimos posts, o ciclo do Marcos Kiwek acabou. Percebe-se que o trabalho dele chegou ao limite e não mais consegue se refletir em quadra. 

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Outra expectativa que se dissolveu foi referente ao equilíbrio das partidas. O torneio até que foi embolado, mas os jogos em si não. Itália levou uma lavada da Holanda, que levou uma da Coreia, que, por sua vez, foi vencida com superioridade pela Itália. E no meio disso tudo, o Japão não venceu nenhum dos top de linha.

Estes altos e baixos nos mostram como nenhuma destas seleções tem consistência e é confiável. A não ser que um golpe de sorte favoreça os cruzamentos, dificilmente alguma delas passa das quartas. Chegam ao Rio para serem coadjuvantes.

Delas, Coreia me surpreendeu por ter mostrado um pouco além da Kim – ainda que se mantenha como uma Kimdependente.Teve um saque muito bom, o que foi fundamental para vencer partidas contra Japão e Holanda, e bom volume de jogo. Só que a levantadora é muito limitada em qualidade e estratégia. Entendo que com uma jogadora como a Kim em quadra fica difícil fazer um jogo equilibrado na distribuição, mas se percebe claramente que não há um pensamento por trás de nada, ela simplesmente quer se livrar da bola.

Já a Holanda se mostrou muito frágil na recepção e, provavelmente por isso, ficou muito nas mãos da Slöetjes. Ainda bem que a oposto correspondeu de forma brilhante, mas a seleção holandesa tem que ser mais do que isso se quiser incomodar na Olimpíada. O grande ponto desta nova fase holandesa é exatamente ter um grupo de atacantes qualificadas e, com o Guidetti, ter construído um jogo mais veloz e menos “bola alta na ponta para o oposto”. No fim, neste pré-olímpico, a Holanda esteve mais com a cara do tempo em que contava com a Flier. E, mesmo nos seus primeiros passos, ela pode ser mais do que isso.



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Enganei-me quando pensei que a Itália estaria vulnerável no levantamento. Gostei do torneio da Orro. Jogou à vontade, foi objetiva, optando sempre pela maior distância e colocando as centrais para jogar. Aliás, como vocês bem observaram, a Itália foi uma das poucas - senão a única – seleções a realmente contar com a participação das meios, seja como opção de ataque seja no bloqueio. As demais estiveram bem apagadas. Claro que ainda acho que o ideal seria ter uma levantadora mais experiente, nem que fosse para o banco, mas já deu para perceber que a vibe do Bonitta será mesmo apostar nas jovens. Mesmo porque, fora a Del Core e a Guiggi, as veteranas não têm dado provas de que merecem a confiança. Estão nas mãos de Egonu e Sylla – e até de Diouf, que ficou fora do pré – a responsabilidade de resolver a crônica falta de poder de ataque italiano. A Itália virá ao Rio com um time de olho em 2020. Seria bem irônico se desta vez, quando não há qualquer expectativa em torno dela (ao contrário das últimas edições), ela passasse das quartas-de-final de uma Olimpíada.

O Japão chega ao Rio sem qualquer chance de repetir a campanha da última Olimpíada. Nestes quatro anos, a seleção passou por uma semi-renovação que trouxe mais perdas do que ganhos. A verdade é que está sendo cada vez mais difícil para as japonesas fazerem frente às seleções do topo e terem poder de decisão. Continuam uma equipe que erra pouco, mas, ao mesmo tempo, estão bastante irregulares no desempenho individual, principalmente no ataque. Sem Ebata e com a Saori rendendo menos do que antes, o pré-olímpico ficou nas mãos da eficiente Nagoka. 



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Pé esse:

- Leyva, do Peru, é impressionante. Tem algo único nela, algo que não sei bem como descrever. Em alguns lances ela me lembrou (atenção, lembrou apenas!) a Mireya Luis – pelo jeito da batida, não pela impulsão. Pena que, como informou o Saída de Rede, a confederação peruana não permite as jogadoras saírem do país antes dos 22 anos.

- Foi de cortar o coração ver as tailandesas após a derrota do Japão no tie-break. Deu pena ver o esforço delas sem ter em retribuição a conquista da vaga. Mas a Tailândia é ainda um time pouco eficiente e despreparado para momentos decisivos. Se tivesse uma Kim, talvez conseguisse resultados mais significativos. 



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Mercado
 
A Tandara é do Osasco. Bom reforço se considerarmos que veremos a Tandara da época do Sesi ou do Campinas. A gravidez, naturalmente, mexeu com seu desempenho em quadra. Sabemos que ela tem capacidade de carregar times nas costas, mas não tem porque ser assim no Osasco com a companhia da Paula. O problema a meu ver para o time é que ele continuará bastante exposto na recepção – e, assim, dependente das jogadas pelas pontas. Nem no banco há opção de alguém mais técnico, por enquanto. Haja trabalho para Brait e Dani Lins! 


quarta-feira, 18 de maio de 2016

Tchau, querida Gamova



Ekaterina Gamova anunciou nesta quarta-feira sua aposentadoria. Não joga sequer a Olimpíada no Rio.

O título do post foi somente uma brincadeira mesmo porque, apesar de ter sido o carrasco do Brasil nos mundiais, não comemoro a sua saída das quadras. Gamova foi uma grande personagem do vôlei feminino e uma das atacantes mais impressionantes que vi jogar. Era do estilo de jogadora que ganhava uma partida sozinha, como bem sabemos.

Assim como a Sokolova, que oficialmente deu adeus à seleção e deve ter a mesma decisão em relação à sua carreira, Gamova é o símbolo de uma geração russa que foi o pesadelo brasileiro. Um monstro que tanto nos apavorou e que, por isso mesmo, nos fez regozijar com suas lágrimas quando, finalmente, a superamos em 2012.
 
É triste quando um nome como o dela se despede sem títulos e sem conseguir ter um papel importante na sua equipe. É triste quando o “tchau” foge ao controle da atleta e acontece por limitações físicas e de idade e não por escolha própria. E quando se constata que nem ela nem Sokolova farão realmente falta à seleção russa nestes Jogos.

Nos últimos dois anos, os nomes de Gamova e Sokolova eram cercados de expectativas a cada competição que a Rússia entrava. Nunca se sabia se elas teriam condições de jogar e o quanto poderiam contribuir à seleção. No fim, acho que, sem querer, a Rússia dá um passo importante para olhar definitivamente para o futuro, sem se amarrar ao joga-não-joga destes dois gênios do voleibol que foram tão importantes na sua história, mas que, ultimamente, pouco acrescentavam à equipe. 


A seleção russa tem nomes que as substituem à altura, para nosso azar. Por isso, como torcedora do Brasil, não fico aliviada com estas aposentadorias porque não eram Gamova nem Sokolova nossas reais preocupações. Goncharova e Kosheleva é que, ainda que menos assustadores, podem virar nossos novos pesadelos. 



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Novas do mercado
 
Não é oficial ainda, mas as notícias dão conta de que a Natália vai mesmo para a Turquia, mais especificamente para o Fernebahce. 

Será uma prova e tanto para quem somente nesta última Superliga voltou a jogar no seu melhor nível. Gostaria que ela ficasse mais uma temporada aqui, como já comentei, para consolidar este bom momento. Porém, acredito que ela tenha condições de brigar pela titularidade no time, se este for o caso, e se destacar na Europa.

Aliás, acho que este ano deve marcar o início de uma nova etapa na carreira da Natália, que surgiu como uma grande promessa - o “diamante bruto a ser lapidado” - e quando estava prestes a brilhar, enfrentou o problema no tumor na tíbia que atrasou e enrolou o seu desenvolvimento. Agora é a vez da Natália se apresentar na sua plenitude, conjugando sua melhor condição técnica e física com a maturidade. Os primeiros sinais deste novo momento foram vistos na SL e acredito que se confirme durante a Olimpíada e na sua primeira experiência no exterior. 

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O Praia Clube anunciou nesta terça-feira (17) dois reforços: Ellen, ex-Sesi, e Carla, ex-Minas. Mais uma vez o time tem um banco de reservas de qualidade e com variadas opções para o Picinin. Fora que as jogadoras serão uma pedra no sapato das titulares, o que é sempre positivo - basta o treinador não se embananar com isso, como alguns colegas dele nas últimas temporadas.

quinta-feira, 12 de maio de 2016

As últimas vagas #RoadtoRio



Nesta sexta (13) inicia em Tóquio o classificatório para a Olimpíada 2016. Será a derradeira chance de conquistar a vaga para oito seleções: Japão, Coreia do Sul, Cazaquistão, Tailândia, Itália, Holanda, República Dominicana e Peru. E no final de maio acontece o último pré-olímpico, que reserva uma vaga a uma destas seleções: Quênia, Porto Rico, Argélia e Colômbia.

Disputada em pontos corridos, a competição de Tóquio oferece três vagas e mais uma reservada à melhor seleção asiática classificada. Se uma asiática estiver no pódio, a outra melhor asiática se classifica.

Ou seja, a missão é dificílima para a República Dominicana. Acho que teremos Japão, Holanda e Itália – não necessariamente nesta ordem – ocupando as três primeiras colocações. Com esta composição, a quarta vaga deverá ser motivo de briga entre Coreia e Tailândia. 


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Apesar de achar que já tenham os passaportes carimbados, é possível que haja tropeços das seleções europeias e suas classificações para Rio 2016 sejam mais complicadas do que o esperado. O principal complicador para elas é o pouco tempo de preparação que tiveram em comparação às adversárias. Tá certo que boa parte da Holanda, graças ao Guidetti, já vem treinando e jogando junto durante toda a temporada no Vakifbank. Ainda assim, tem a questão do entrosamento com levantadora e o enfrentamento de seleções com características de jogo bastante diferente das suas.

O mesmo acontece com a Itália, que me parece ainda mais vulnerável do que a inexperiente equipe holandesa. Isso pelo falto de que, se conta com jogadoras experientes pelas pontas e pelo meio (Piccinini, Guiggi, Del Core, Centoni), tem no levantamento duas jovens com questionáveis qualidades técnicas: Orro e Malinov. Signorile, que era para formar a dupla com Orro e também não é das mais qualificadas, foi cortada por problemas físicos. É uma temeridade colocar logo no levantamento duas jogadoras tão verdes. Por mais que não tenha ido bem no pré-olímpico europeu em janeiro, não descartaria a Ferretti com fez o Bonitta. 



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O Japão, com seu misto de jogadoras experientes e novatas, mas ainda sem contar com o destaque Shinnabe, deve levar a vaga asiática com folga. Apesar de ter feito uma Copa do Mundo muito irregular, não vejo outra seleção que possa tirar sua vaga.

A Coreia, como sempre, dependerá do desempenho da Kim. Se ela estiver inspirada, bate Tailândia e Rep. Dominicana, seus adversários mais diretos.

A Tailândia consegue sempre melhores resultados contra suas colegas asiáticas do que com as demais seleções, é verdade. Ainda assim, o fato de ser um time baixo e de pouca força acaba por limitar as suas aspirações.

A Rep. Dominicana tem nomes bons, mas acho que, enquanto time, andou para trás. Tem feito campeonatos mundiais ruins, só conseguindo algum destaque no continente. Para piorar, a Bethania de la Cruz, principal atacante do time, não estará nas suas melhores condições por voltar de uma cirurgia no ombro. Fica difícil, neste pré-olímpico, conseguir uma das três primeiras colocações. A seleção foi prejudicada por este regulamento que a colocou, sendo vice-campeã da Norceca, no torneio classificatório mais complicado. A terceira colocada da Norceca, Porto Rico, estará num que a Rep. Dominicana, apesar das suas irregularidades, tiraria de letra.



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Sobre o mercado

- O Praia renovou com a Ramirez e, assim como o Rexona, mantém sua base para a próxima temporada. Neste tempo de vacas magras, isto é uma vantagem.

- O Brasília deu sinais de vida e renovou com Macris e Roberta. Paula e Vivian devem seguir o mesmo caminho. Ainda faltam muitos nomes para completar o elenco e o time chega atrasado nas negociações, mas só o fato de saber que o time permanecerá para a próxima temporada é um alívio.

sábado, 7 de maio de 2016

Sob os holofotes



Quem segue as redes sociais da CBV e das atletas da seleção estão podendo acompanhar que a rotina de treinos está bastante pesada em Saquarema. Fecharam-se quatro semanas de preparação forte – uma vantagem na corrida contra as demais seleções. Um adendo: o Zé Roberto disse que tinha pouco tempo de preparação, mas, no fim, por ter poucas jogadoras fora do Brasil, ele deve ter sido o treinador que mais cedo conseguiu reunir a maior parte do seu elenco.

Mas quem acompanha as redes sociais também percebeu que estas quatro semanas foram agitadas em Saquarema. Seguem os “eventos” que aconteceram por lá: uma oficina de maquiagem e uma sessão de fotos da Eudora; um desfile dos novos uniformes (horríveis) da Olympikus; gravação de chamadas para o SporTV do Grand Prix e da Liga Mundial; gravação de uma reportagem da Globo com a Fabiana, no dia em que ela carregou a tocha olímpica; e alguns dias de atendimento à imprensa.

Tudo isso, claro, foi feito nos intervalos do treino. Ou seja, a preparação não foi deixada de lado e não se instaurou ali, ao menos para quem vê de fora, um clima de oba-oba.
O vôlei é um esporte bem sucedido e vencedor e, dentre tantas modalidades, é um dos com maior apelo popular nos Jogos. É natural que seja atraente para imprensa e patrocinadores, portanto. Mas tudo isso também nos sinaliza a atenção que o vôlei vai receber na Olimpíada do Rio – e, consequentemente, a pressão.



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Posso estar enganada, mas não lembro de em outros anos Saquarema ter sido assim tão “invadida”. Posso também exagerar, mas acho isso perigoso.
Acho que empresas e imprensa estão tendo acesso fácil e frequente ao local de treinamento das seleções, que deveria ser um lugar mais reservado e isolado, de total foco na preparação.  Entendo o quanto estas ações ajudam a divulgar o vôlei e que, na sua essência, "não tem nada demais". Só que também vejo que, de uma hora para outra, pode-se escorregar para um caminho difícil de controlar. 

As seleções de vôlei estão sob os holofotes e, a cada entrevista, os atletas devem perceber isso. Percebem que, mais do nunca, estão sendo muito requisitados. Percebem que, mais do que em qualquer outra Olimpíada, milhões de torcedores estarão de olho no seu desempenho e no da seleção. Olimpíadas atraem todo tipo de torcedor, inclusive aquele que não tem a menor ideia de quais são as condições reais do atleta ou do time de conquistar uma medalha e sequer acompanhou 10% da trajetória deles nos últimos quatro anos. E eles são os primeiros a xingar muito no Twitter quando alguma coisa não ocorre bem. E os jogadores tem que saber que, de novo, mais do que nunca, serão alvos de críticas e julgamentos pesados - em quantidades tão grandes ou maiores do que serão elogiados e incensados.

A gente sempre espera que os atletas profissionais estejam preparados para lidar com estas pressões, mas não custa nada dar uma protegidinha neles, né? Principalmente em Saquarema. É um momento atípico de uma Olimpíada no Brasil, eu sei. Isso torna tudo mais complicado. Ainda assim, acho que dá para arranjar um meio-termo em que a imprensa e patrocinadores sejam atendidos de forma legal e as seleções façam seu trabalho sem distrações e sem precisarem se isolar em Santa Cruz Cabrália. Espero que – e acho que a tendência será mesmo essa -, um pouco antes de começar a Liga e o GP as seleções estejam mais resguardadas. Que todas as campanhas, entrevistas e reportagens especiais sejam feitas agora e, logo ali mais adiante, o foco esteja 100% na Rio 2016.



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Pê ésse:

- Ainda sobre o mesmo tema: com os Jogos aqui no Brasil, fica mais fácil para um jogador ser tentado com convites e patrocínios que o tirem do foco da preparação para a competição. Acho que tanto Zé Roberto como Bernardinho devem saber que podem enfrentar isso nestes meses que antecedem Rio 2016 e devem estar preparados para evitar que o deslumbramento contagie seus grupos. Até porque não vai pegar muito bem pro Zé Roberto usar a mesma desculpa para o mau desempenho de um time seu, como aconteceu em Atlanta 1996, com a seleção masculina, e no início de Londres 2012, com a feminina. Nos dois casos ele reclamou que o assédio em torno dos atletas foi muito grande após os títulos olímpicos de 1992 e 2008 e que isso, consequentemente, acabou atrapalhando a campanha nos Jogos subsequentes.

Aliás, ele adora dizer que as jogadoras “são procuradas por muitas revistas” (vide esta declaração no Fantástico) para exemplificar como isso atrapalha o trabalho com as mulheres. Caro, se você acha que este é um problema, então as proíba de fazer estes trabalhos. Você pode determinar esta regra autoritária. Será julgado severamente por isso, mas pode estipulá-la. Se não a estipular, que saiba então lidar com as consequências e não use mais este argumento como justificativa para os fracassos. E aqui não é nenhuma contestação feminista, não estou entrando no mérito das questões de vaidade e inveja femininas. É que irrita que ele venha sempre com esta questão/reclamação desde 2003 quando assumiu a seleção feminina. Se até agora não aprendeu a lidar com isso, esquece.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Centrais do Brasil



Finalmente as temporadas europeias estão chegando ao fim e, teoricamente, teremos maiores definições dos destinos das jogadoras brasileiras. Até o momento, sabe-se que teremos que nos despedir de Thaisa e, provavelmente de Adenízia e Natália, além de que não deveremos contar com a volta de Fernanda Garay, que declarou ter vontade de ficar pela Rússia. Pelo menos, há chance da Sheilla retornar à nossa Superliga.

Aliás, a SL 16/17 será bem de vacas magras. Gostamos de colocar a culpa no ranking por ser o responsável por “expulsar” grandes atletas do Brasil ou forçar mudanças nos times a contragosto de atletas e clubes, mas esquecemos que esta é uma pequena parte do problema do vôlei nacional. Quando uma jogadora de alto nível (ou de 7 pontos) como a Thaisa precisa sair do país para jogar, tendo em vista que, com todo o direito, não quer rebaixar seu salário ou se desvalorizar indo jogar num time de menores investimentos e ambições, é porque não temos investimento suficiente no Brasil no esporte.

Afinal, quem teria bala na agulha na SL feminina para bancar mais de duas atletas de 7 pontos, se fosse permitido? A Unilever e a Nestlé, e olha lá. Os demais não têm. Esta é a realidade brasileira, infelizmente. 


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Voltando à expectativa em relação às transferências... As  coisas andam devagar no topo da tabela no que se refere à montagem do elenco para a próxima temporada. Há ainda muito pontos de interrogação nas quatro primeiras colocadas das SL 15/16, principalmente se compararmos com as equipes da ponta de baixo da tabela que estão com titulares e reservas definidas. 

Por enquanto, as centrais tem roubado a cena neste primeiro momento de transferências no mercado. O Rexona garantiu sua dupla campeã (Carol e Jucy) e ainda renovou com a Mayhara. Cada uma sabe como gerir sua carreira, mas é uma pena a Mayhara ficar mais uma temporada no banco quando poderia ser titular tranquilamente em qualquer outra equipe, inclusive neste “novo” Osasco. Bom para o Rexona que se garante com muita tranquilidade nesta posição.

O Praia Clube também manteve sua dupla titular, N
atasha e Wal, e a reserva Edneia. renovaram. A capitã foi uma renovação e tanto para o time de Uberlândia. Se a vinda da Fabiana se confirmar, o Praia é outra equipe muito bem servida nesta posição. 

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Em compensação, Minas e Osasco, os times que completam o topo da tabela da SL 15/16, ainda possuem pelo menos uma vaga a definir. O curioso é que ambas as equipes disputam disputavam o mesmo nome para completar a dupla titular: Carol Gattaz. Uns sites dizem que ela está prestes a renovar com o Minas; outros dão como certa a ida para o Osasco. Atualizado: Gattaz renovou com o Minas.

Se ficar no Minas, Gattaz repete a parceria com a Mara que entra em débito com a torcida minastenista na próxima temporada. Ela fez bons jogos nas semifinais contra o Praia, mas poderia ter ido bem melhor durante o campeonato. Foi um ponto quase que apagado no bloqueio; e uma opção fraca para Naiane no ataque. Sem contar com a Vaquiria (que foi para o Bauru) no banco de reservas, a responsabilidade de fazer acontecer será bem maior para a Mara na próxima SL.

Se a Gattaz for fosse para Osasco, fará faria dupla com a Bia, ex-Sesi. Acho um bom nome, apesar de que a Bia já teve melhores temporadas do que esta última. E já esteve em melhor forma física também. O bom é que ela voltará a jogar com a Dani Lins. Quem sabe a parceria a ajude a recuperar seu papel no ataque que foi completamente aniquilado nesta temporada. 

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Falando em dupla de centrais, o Fluminense tirou Letícia Hage e Lara do Pinheiros. É uma jovem e boa dupla, mas que acho não vai ajudar muito a complementar o que está falta a este time: poder de ataque. Ju Costa, Sassá e Renatinha compõem as pontas.

O Bauru também tem seu meio-de-rede definido. As jovens Valquiria e Raquel e a já mais “rodada” Angélica. Essa precisa fazer um caminho de recuperação depois de uma temporada ruim no Sesi e, anteriormente, um mais ou menos no Brasília. Acho que, por ter no ataque o seu principal qualidade, a Angélica foi prejudicada pela indefinição de levantadoras, tanto no Brasília como no Sesi. Se isso prejudica até uma Fabiana, imagina uma Angélica. Num time mais redondo, ela encaixa e faz muito bem o seu papel. Vamos ver se será assim neste Bauru totalmente reformulado.


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- Sobre Natália na China: muito acham interessante esta opção porque possibilitaria que ela jogasse pelo Rexona na fase final da Superliga, já que o campeonato chinês termina antes do nosso. Eu acho que seria um erro ela escolher a China neste momento. Óbvio que não estou considerando o aspecto financeiro. Só acho que ela pode ir pra China agora, quando está preste a alcançar novamente a sua melhor fase na carreira, como pode ir quando estiver se aposentando e, da mesma forma, fazer o seu pé de meia. Uma oferta da Turquia ou da Rússia, se houvesse, é mais lisonjeiro e desafiador pelos campeonatos nacional e continental nos quais estão inseridos, além da disputa interna por posição com outras selecionáveis. A China costuma ter um ou dois times com investimentos grandes, que trazem estrangeiras – e nem sempre as mais tops.

- Sobre a Thaisa no Volero: esperava um desafio maior para a central. Claro que só o fato de sair do Brasil e do Osasco irá exigir dela uma adaptação por si só saudável e desafiadora. Mas ela será dona absoluta da posição – e, se bobear, do time. Sem contar que não existe adversário para o Volero na Suiça, somente na Europa. No fim, quem sai ganhando mesmo aí é o Volero que iria ficar com a Jucy e, ao que tudo indica, acabará com a Thaisa.


-  A tempo: o Praia renovou com Michelle e Tássia.

domingo, 17 de abril de 2016

Elas disseram adeus


Esta última semana foi marcada pela despedida de duas jogadoras emblemáticas do Osasco, a dupla de centrais Adenízia e Thaísa. A primeira, ao que tudo indica, por motivos técnicos não teve seu contrato renovado; a segunda, por questões de reajuste salarial rompeu a relação com o clube. 

Para as jogadoras, acho que pode ser bastante positivo a mudança de ares. Adenízia há duas ou três temporadas não vinha bem no clube. Ela precisa de uma renovação de desafios e de comando para se reencontrar. A cada temporada ruim no clube, ela se afasta do posto de reserva imediata de Thaisa e Fabiana na seleção. Em 2012 não havia ninguém que disputasse a posição com ela. Quatro anos depois, ao invés de ameaçar as titulares, é ela que tem seu posto no banco seriamente ameaçado.
 
No caso da Thaisa também será positivo um novo desafio, principalmente se ela for para o exterior. Não gosto quando jogadoras do nível dela saem do país, mas, neste caso, acho que seria extremamente positivo para a carreira dela sair do ambiente da Superliga, para se renovar e amenizar o desgaste que há da sua imagem por aqui. Thaisa, por sua personalidade e pela falta da mesma no treinador, se adonou do Osasco. E este tipo de relação não estava sendo saudável para nenhum dos lados. O ideal, é claro, seria que ela fosse para um campeonato disputado, no qual ela tivesse que brigar por posição. Ou seja, um cenário que a tirasse desta posição um tanto intocável que vivia aqui no Osasco e que provavelmente viveria em outro clube no Brasil. 


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Esta nova política de menores gastos do Vôlei Nestlé é bastante compreensível para um patrocinador que investiu tanto dinheiro nas últimas temporadas e teve muito pouco retorno, com o time muitas vezes jogando abaixo do esperado. Só que talvez não precisasse ter chegado a este ponto se, uma ou duas temporadas atrás, tivesse afastado o Luizomar do comando do time principal.
 
De qualquer forma, se não houver mesmo planos de contratações de peso (nacionais ou internacionais) por parte do Osasco, teremos uma baixa na disputa pela próxima Superliga. Ainda mais com esta timidez inicial do Praia Clube, não deixando claro se terá bolso suficiente para bancar grandes jogadoras. Nestlé e Unilever são os únicos patrocinadores capazes de brigar com o mercado internacional para manter os grandes nomes brasileiros e trazer outros de fora. O Unilever, claro, ainda tem outro argumento forte para convencer as jogadoras a virem para o Rexona, o Bernardinho. O Nestlé só tinha o dinheiro mesmo. 


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Pê ésse:

- Além de Adê e Thaissa, muitas jogadoras importantes e interessantes ainda estão sem rumo definido ou oficialmente divulgado. Natália, Fabiana, Jaqueline, Tandara, Macris, Bia, Paula, Ellen e Carol Gattaz são algumas delas. Por esta altura no ano passado, logo depois do final da SL, os times já tinham uma cara mais definida para a temporada seguinte.
 
- Alguns clubes anunciam várias contratações; outros poucas. E tem o Brasília, que não dá sinal de vida. Será que o time continua? Seria uma pena se acabasse, ainda mais depois de ver o envolvimento da torcida com o time e a evolução do projeto nestes três últimos anos.

domingo, 10 de abril de 2016

Renascimento italiano



Tivemos o Final Four da Liga dos Campeões da Europa neste final de semana e o italiano Pomì Casalmaggiore saiu vencedor, quebrando a hegemonia turca e russa dos últimos cinco anos. 

É um resultado que recoloca o mercado italiano novamente entre os grandes e, mais importante, mostra como há ainda muita vida para um estilo de jogo que, sem tanta força e vigor físico, preza pela disciplina e pela técnica. 


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Nas duas partidas que fez nesta fase final, o Casalmaggiore brilhou pela qualidade na recepção e pelo repertório muito mais variado que, devido a este passe regular, a levantadora Carli Lloyd mostrou. Lloyd mostrou mais segurança também nas variações mesmo quando o passe não foi o melhor. E mais: o que destacou a equipe italiana na comparação com as rivais turcas e russa foi o enorme volume de jogo e a competência na construção e aproveitamento dos contra-ataques. Assim como o Rexona aqui na Superliga, o Casalmaggiore não desperdiçou ataques. Preferiu sempre trabalhar as bolas e reconquistá-las na defesa.

Mesmo sem contar com as atacantes mais badaladas internacionalmente, o Casalmaggiore não teve dificuldades neste fundamento. Muito porque teve Kozuch e Piccinini em um desempenho formidável nesta fase final. A italiana, então, teve grandes momentos na semifinal e na final, mostrando que, ao contrário do que se pensava, pode ainda ser útil para a seleção do seu país. Nos últimos anos, não se esperava muita coisa da Piccinini, a não ser garantir um bom fundo de quadra, mas nestes jogos ela foi a bola de segurança do Casalmaggiore por muitas vezes. E sempre, assim como a Kozuch, usando da habilidade para explorar o bloqueio pesado dos adversários.

Este Final Four não foi tão equilibrado quanto imaginava, mas gostei do resultado. Como disse, acho que mostra que, mais do que um elenco cinco estrelas, são necessárias inteligência e aplicação tática. O Fernerbache tem duas das melhores atacantes do mundo, a Kim e da Mihajlovic, mas uma levantadora medíocre no seu comando. A polonesa Skorupa está de parabéns por conseguir ter esta dupla à disposição e não saber aproveitar. Na semifinal, ela simplesmente esqueceu a coreana no ataque e sobrecarregou a sérvia. E o Vakifbank tem um elenco rico, mas mal administrado pelo Guidetti, que me parece não ter uma estratégia de jogo, se valendo mais das suas individualidades do que do conjunto. 



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Pê ésse:

- Sobre a Sheilla na reserva: se fosse em outros anos, diria que era preocupante. Porém, acho que o Guidetti está nos fazendo um favor poupando-a fisicamente e deixando-a inteira e com mais fome de bola. Não tenho dúvida de que esta situação incômoda dará a ela mais incentivo para que na seleção mostre que não é jogadora para ser dispensada assim tão facilmente. 


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Sobre o mercado:

- Segundo nosso amado blogueiro Voloch, a Fabiana irá para o Praia, que, por sua vez, já teria renovado com a Claudinha. Manter a levantadora foi um passo importante para o time e até para que a contratação da Fabiana seja melhor aproveitada. Jogar com as centrais não é uma limitação da Claudinha, que faz isso com tranquilidade. Se a vinda da central bi-campeã olímpica se confirmar, é de se criar grandes expectativas em torno do restante do elenco. Recriar a dupla com a Wal colocaria o Praia com a melhor dupla de centrais da SL. Mas nas pontas a coisa pode ser mais complicada. Acho difícil montar um time forte, com uma oposto ou ponteira sem trazer uma estrangeira ou repatriar Sheilla ou Garay. Não sei se o Praia terá caixa para bancar tudo isso.

- E o banco do Praia pode ficar mais pobre para a próxima temporada. Pri Daroit se foi para o Minas, o que gostei bastante. Pela capacidade de investimento do clube, acredito que estejam pensando nela como titular. Pri tem condições de ser titular de muitos times da SL e, apesar de ter sido muito útil no Praia na última temporada, era um desperdício estar na reserva. Dizem que o time de Uberlândia, por sua vez, está trazendo a Carla, do Minas.

- O Minas, aliás, renovou com Leia, Naiane, Mara e, segundo o Melhor do Vôlei, com a Rosamaria. Manteve o esqueleto desta temporada, o que é muito bom. Se a Jaque completar este time, vai ficar muito harmonioso.

- Lorenne, ex-Rexona, foi para o Sesi junto com Giovana e Isabela, ex-Rio do Sul. Acho bom que a Lorenne, depois de uma temporada de aprendizado com o Bernardinho, assuma a posição de titular em um time.

- O dolorido não é ver no Sesi desmontar do time feminino e apostar nas jovens. Isso pode acontecer em certas temporadas, o próprio Minas passou por isso recentemente. Mas é chato constatar que a versão masculina do time está contratando e repatriando Lucão e Bruninho. É o investimento em um time em detrimento do outro e, para variar, o feminino é que sai perdendo.

- O Melhor do Vôlei disse que a Jucy renovou com o Rexona, desmentindo a informação do Voloch de que iria para o Volero Zurich. Se ela saísse, o Rexona não precisaria ir muito longe para substituí-la, a meu ver. Eu apostaria na Mayhara mesmo, que, depois de boas temporadas no Praia, se escondeu na reserva do time carioca. Acho um desperdício para a SL, assim como a Pri Daroit, a Mayhara ficar no banco quando poderia acrescentar qualidade a outros times menores. Como vocês veem, estou querendo fazer uma “distribuição de riquezas” na SL.

- O Rexona vai precisar concentrar forças em manter a Natália ou achar uma substituta a sua altura que, no momento, não existe no mercado nacional. Se eu fosse a jogadora e tivesse a escolha, não iria para o exterior neste momento, aproveitaria mais uma temporada por aqui para afirmar este bom momento e ir para fora mais preparada. Ainda mais para a Turquia onde você tem que disputar posição com selecionáveis de todo o mundo e ainda corre grande risco de ser banco das holandesas.

- Não sei qual a intenção do Osasco em trazer a Paula Borgo. Se seguir a linha dos investimentos anteriores, ela deve ir para a reserva. Não acredito que eles coloquem uma jogadora ainda pouco “rodada” para esta posição. Se a intenção é que ela seja titular, é a primeira grande responsabilidade da oposto, um belo de um teste, mas que vai exigir do Osasco um investimento maior nas pontas para garantir um ataque forte


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Pê ésse:

- Que palhaçada a CBV premiar as melhores jogadoras da SL 15/16 uma semana depois, junto com a cerimônia do masculino.Não fizeram as plaquinhas a tempo?