quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Elas querem conquistar a Europa


Nesta sexta-feira começa o Campeonato Europeu. É o torneio que encerra a temporada, iniciada em maio com o qualificatório para o Mundial, para as seleções do Velho Continente.

Os primeiros classificados de cada grupo garantem vaga direta nas quartas de final. O segundo e terceiros se enfrentam num play-off para definir as demais vagas nas quartas.

Vamos ver como as principais seleções chegam para a grande disputa continental?

Grupo A
Alemanha, Polônia, Hungria e Azerbaijão. 
Levantadoras: Hanke e Kemmsies
Opostas: Lippmann e Stigrot
Ponteiras: Brinker, Geerties, Poll e Großer
Centrais: Schölzel, Schwertmann, Pettke e Gründing
Líberos: Dürr e Pogany

A Alemanha mantém a base que conseguiu a vaga para o Mundial 2018 no início do ano. Classificação facilitada pelo fraco grupo em que era cabeça de chave. No Europeu, a chave é bem mais equilibrada. A Polônia, também com um grupo jovem, pode ser um adversário complicado assim como o Azerbaijão, que supreendeu no qualificatório europeu ao bater a Holanda. Destaques para a oposto Lippmann, a “matadora” do time, e para a experiente ponteira Brinker.

Grupo B 
Itália, Croácia, Bielorússia e Geórgia 
 
Levantadoras:Alessia Orro e Cambi 
Opostas: Egonu e Sorokaite
Ponteiras: Caterina Bosetti, Lucia Bosetti, Sara Loda e Tirozzi
Centrais: Sara Bonifacio, Cristina Chirichella, Anna Danesi, Raphaela Folie
Líberos: De Gennaro e Parrocchiale.

Apesar de estar no início de um novo trabalho, a Itália chega ao Europeu como uma das favoritas ao título. A prata no Grand Prix dá este crédito ao jovem time que tem dois desfalques: a levantadora Malinov, que está lesionada, e a ponteira Sylla, suspensa por ter sido pega no exame antidoping. Com Sorokaite em bom momento, Diouf foi cortada. Pelo jeito, mesmo sem a Sylla, Mazzanti não está querendo arriscar uma formação mais ofensiva com Egonu e/ou Diouf como passadoras e preferiu assim manter as ponteiras mais técnicas. A Itália não deve encontrar dificuldades para se classificar em primeiro. O adversário mais complicado deve ser a Croácia, que tem como principal estrela a oposta Samanta Fabris, bastante conhecida da liga italiana.

Grupo C  
Rússia, Ucrânia, Bulgária e Turquia
Levantadoras: Filishtinskaia e Pankova
Opostas: Goncharova e Voronkova
Ponteiras: Kosheleva, Shcherban, Parubets e Frolova
Centrais: Fetisova, Zaryazhko, Efimova e Evdokimova
Líberos: Kryuchkova e Tretyakova

Turquia

Levantadoras: Naz Akyol e Gamze Alikaya
Opostas: Meryem Boz, Polen Uslupehlivan
Ponteiras: Gözde Kırdar, Neriman Özsoy, Önal e Hande Baladın
Centrais: Eda Erdem Dündar, Bahar Toksoy Guidetti, Kübra Çalıskan e Beyza Arıcı
Líberos: Dalbeler e Aköz

Grupo complicado em que a Turquia é a estranha no ninho entre as seleções gigantes do leste Europeu. Bulgária vem embalada pela classificação para o Mundial e pode embolar o meio de campo das ditas favoritas Turquia e Rússia. A seleção turca conta com a volta das suas jogadoras mais experientes que ficaram fora do GP: a levantadora Naz e as ponteiras Godze e Neriman, além da boa central Eda. A Rússia chega para defender o título com o mesmo time que disputou a Copa dos Campeões, mas com uma mudança no banco, feita de última hora: sai o treinador Kuzyutkin, entra Ushakov, comandante do Dinamo Krasnodar. Parece que a confederação russa viu que sua escolha inicial não estava dando resultados. Quando Kuzyutkin retornou à seleção, ele disse que a permanência dele até Tóquio 2020 dependeria dos resultados do Europeu e do Mundial. Ele sequer durou até a primeira competição importante. A Rússia tende a ganhar com Ushakov, um treinador mais jovem. E, por ele ser já o assistente da seleção, não tumultua muito o ambiente da equipe antes do Europeu. Mas isso mostra como a Rússia está perdida na condução do novo ciclo.

Grupo D
Sérvia, Holanda, Bélgica e Rep. Tcheca
Levantadoras: Zivkovic e Mirkovic 
Opostas: Bjelica e Boskovic
Ponteiras: Mihajlovic, Malesevic, Busa e Milenkovic.
Centrais: Rasic, Veljkovic, Stevanovic e Popovic
Líberos: Blagojevic e Pusic 

Holanda 
Levantadoras: Dijkema e Stoltenborg
Oposta: Sloetjes
Ponteiras: Buijs, Plak, Daalderop, Grothues e Jasper
Centrais: De Kruijf, Belien, Koolhaas e Polder
Líberos: Schoot e Knip

Outro grupo complicado. A Holanda vem de uma temporada bastante desgastante, principalmente porque bobeou na primeira fase do classificatório para o Mundial e teve que disputar outro torneio para conseguir a vaga. Mas tem o retorno da Sloetjes, esta sim, mais descansada. Além disso, o treinador parece ter encontrado um formação mais equilibrada pelas pontas com Daalderop (a boa nova da temporada) e Grothues. Talvez não conte com central a De Kruijf nos primeiros jogos, machucada. Com exceção da central, a Holanda chega com o time inteiro. Ao contrário da Sérvia que teve uma zica danada durante a preparação para o Europeu. Mihajlovic, Zivkovic, Malagurski e Rasic tiveram lesões. Malagurski foi cortada; Rasic não deve jogar a primeira fase. Para completar, a levantadora Antonijeviç está também suspensa por doping (assim como a Sylla, espera a contraprova. Provavelmente ingeriram uma substância proibida sem intenção, num alimento). Antonijeviç, aliás, não consegue ter vida fácil na seleção. A Sérvia fez alguns amistosos e, capenga, sofreu derrotas para Turquia e Bulgária. O momento não é dos melhores, mas não deixa de ser uma das favoritas ao título.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Enquanto a Superliga não vem

vôlei feminino campeonato paulista 
Foto: João Pires/Fotojump

Nesta terça-feira aconteceu a última rodada da fase de classificação do Campeonato Paulista. Rodada que contou com a volta das selecionáveis a seus respectivos clubes assim como a do Zé Roberto ao comando do Barueri.

O retorno de Tandara e Bia, aliás, foi muito bem vindo para o Vôlei Nestlé. O time vinha de uma sequência de duas derrotas, para Sesi e São Caetano, e estava na penúltima colocação. Na última partida da primeira fase, com o reforço da ponteira e da central, o Osasco venceu o Pinheiros por 3x1, resultado que o levou para a quarta posição. Já o Pinheiro, mesmo com a derrota, manteve a liderança.

Para o Osasco, na verdade, tanto fazia a posição em que terminasse porque ele já está classificado, por ter sido campeão do ano passado, para as semifinais. Mas exatamente pelo seu tamanho e seu histórico, pegaria mal ficar nas últimas colocações.

Esta primeira fase foi bastante equilibrada e não seguiu muito a lógica. Ou seja, foi bem representativa de um início de temporada. O Bauru, por exemplo, assim como o Osasco, perdeu para o Sesi e para o Sanca para depois vencer o Pinheiros. O Sanca, por sua vez, depois de vencer os favoritos, perdeu para o Valinhos, que terminou na lanterna.

No meio deste enredo, as quartas de final, que acontecem dias 23 e 26 deste mês, ficaram definidas assim:

Pinheiros x Valinhos

Barueri x São Caetano

Bauru x Sesi 
 
 
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Enquanto estas equipes brigam por um lugar na semifinal do Paulista, o já classificado Osasco vai participar de um quadrangular, no Peru, com o Minas, o Fluminense e a seleção peruana, que se prepara para o qualificatório sul-americano ao Mundial 2018.

É uma ótima maneira para as equipes brasileiras também se prepararem para a Superliga 17/18, que começa somente dia 15/10. Porém, me preocupa o fato de que as jogadoras da seleção que compõem estes times mal tenham tido tempo para descansar antes de enfrentar a temporada de clubes. O que o time ganha de entrosamento neste início pode não servir para nada se as suas principais jogadoras não conseguirem chegar ao final desta maratona. 

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Thaisa de volta à Superliga 
 
A Thaisa e o Eczacibasi entraram em um acordo para esta temporada. A jogadora teve o seu contrato estendido até 2019, mas foi liberada para atuar por empréstimo no Brasil a a Superliga 17/18. Assim a jogadora, que deve voltar às quadras somente em janeiro, continua a sua recuperação aqui no país.

Claro que a Thaisa diz o contrário, mas a impressão que ficou na sua passagem pelo Eczacibasi é que faltou um maior cuidado com sua condição física pela equipe médica do clube, principalmente no trabalho preventivo. Então é bom saber que, neste momento delicado, ela poderá voltar às quadras sem pressa, sendo tratada por profissionais de confiança e, de quebra, contando com o apoio do time turco.

Agora, quem será que vai se candidatar na SL para receber a meio de rede?

sábado, 16 de setembro de 2017

Base sem pódio

Mais uma seleção de base brasileira ficou de fora do pódio num Mundial. Agora foi a vez da seleção sub-23 a cair antes das semifinais. 
seleção brasileira feminina de vôlei 2017
A seleção comandada pelo Wagão teve três vitórias e duas derrotas na fase de grupo. Começou a campanha ganhando de Quênia, Japão e Turquia - essa, provavelmente, o adversário mais forte da chave – para depois perder para Bulgária e Cuba.

É bem verdade que a fórmula de disputa do Mundial sub-23 é mais difícil. Em dois grupos de seis seleções, somente duas se classificam para as semifinais. Não há, como nos outros torneios de base, oitavas e quartas de final. Ou seja, não existe margem para tropeço na fase classificatória.

E o Brasil tropeçou no seu último confronto com Cuba, quando dependia dele mesmo para garantir a vaga na semifinal. Sem poder mais defender seu título, agora briga, no máximo, pela 5ª posição.

A seleção, que veio com uma artilharia pesada para o Mundial, foi superada exatamente no ataque nas duas derrotas que sofreu. No campeonato, Wagão escalou Drussyla e Maira nas pontas e alternou Edinara e Lorenne como opostos, dando preferência na maioria das vezes pela primeira. Em compensação, o bloqueio brasileiro se saiu bem, com maior regularidade, com destaque para a central Mayany, do Minas. 

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Estão na disputa pelas medalhas Turquia, República Dominicana, Bulgária e Eslovênia. Destaque para a Turquia que se garantiu nas semifinais nos Mundiais das três categorias. No sub-18 e sub-20, ficou em quarto. Quem sabe não esteja vindo uma geração forte para preencher o gap de renovação da seleção principal. 

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Por mais equilibrado e diversificado que costumem ser estes campeonatos de base, o Brasil invariavelmente se mantinha entre os melhores, o que não aconteceu este ano. Diria que foi um ano para se esquecer se não fosse importante lembrá-lo como forma de alerta para avaliarmos o que provocou campanhas abaixo da média brasileira nos últimos anos.

terça-feira, 12 de setembro de 2017

O 2017 delas


Para algumas jogadoras da seleção, 2017 foi o ano de oportunidades; para outras, de confirmação. Será que todas conseguiram aproveitar o ano da melhor maneira? O Papo  faz a sua avaliação.


Tandara  
No início do ano cheguei a comentar que achava desnecessária a convocação da Tandara para o Grand Prix, ainda mais se era para ela jogar como oposta. Cheguei a dizer algo parecido com “já se sabe o que ela vai render”. Pois me arrependo das minhas palavras. Que bom que a Tandara jogou o ano inteiro porque ela pôde evoluir. Conseguiu ser mais comedida nos erros, crescer na defesa e no saque. Até na postura em quadra ela está melhor, mais participativa e assumindo um papel de liderança. Claro que ainda há o que melhorar. Para uma oposta, precisa ser ainda mais confiável, diminuir ainda mais os desperdícios. Mas acho que 2017 pode ter sido um recomeço para a Tandara na seleção.

Natália
Foi uma temporada desgastante e difícil para a Natália. Ela assumiu dois papeis na seleção, este ano, diferentes dos quais estava acostumada. Primeiro, ganhou maiores responsabilidade no fundo de quadra, principalmente no passe. Teve que deixar em segundo plano aquele que é seu ponto forte, atacar, para se transformar numa espécie de jogadora de preparação. O outro papel que ela assumiu foi o de capitã, de referência para uma equipe composta por muitas novatas. Na média, ela se saiu bem no passe e no aproveitamento de ataque – os prêmios individuais confirmam isso. Mas na hora do aperto, nos momentos mais decisivos, ou ela não apareceu ou não correspondeu. Acho que a Natália não tem tamanho para abraçar todas estas responsabilidades que lhe foram dadas. Ela não é essa jogadora confiável que o Zé Roberto idealiza.

Roberta  

O Zé Roberto apostou nela e ela respondeu com obediência tática. Com isso, fez o jogo brasileiro andar com objetividade sem grandes tropeços. Pesa a seu favor ainda o bom desempenho em outros fundamentos, como saque e defesa. O problema continua na falta de um padrão na qualidade dos levantamentos. As atacantes estão toda hora pedindo acertos nas bolas e a imprecisão, volta e meia, prejudicou o Brasil, principalmente no aproveitamento de contra-ataques. A Roberta conseguiu achar uma bola de segurança no meio fundo importante para o time brasileiro nesta temporada, mas não encontrou a mesma a naturalidade para acionar as centrais, o que é uma perda significativa no repertório brasileiro. De qualquer forma, pelo que o Zé Roberto comentou, ela garantiu espaço na seleção e deve estar no Mundial em 2018.

Suelen e Gabiru
A Suelen teve uma oportunidade de ouro com o pedido de dispensa da Leia e tendo como outra concorrente uma caloura na posição. Acabou por não aproveitar da melhor maneira. Não se fez sentir presente em quadra, a não ser quando errava na recepção. Acrescentou pouco à defesa e não teve comando no fundo de quadra. A Gabiru cresceu durante o ano e se saiu bem na Copa dos Campeões. Defensivamente ela fez o time mais ágil e atento. Peca ainda na recepção, na imprecisão dos passes. Mas até nisso ela se mostrou mais segura e regular neste último torneio. Precisa refinar os toques de levantamento e do passe de contra-ataque, coisas que a Suelen faz com muita categoria, por sinal. Difícil saber se o projeto “Gabiru líbero” terá futuro. Tenho para mim que o Zé gostou do que viu na Copa dos Campeões, mas, com a Gabi jogando de ponteira na Superliga, ele vai deixar de lado esta aposta e optar pelo mais “seguro”, ou seja, pelas líberos de origem.

Gabi e Adenízia
Não jogaram a temporada inteira, mas entregaram aquilo que se conhece delas. A temporada na Itália fez bem para a Adenízia da seleção. Gabi também retornou bem depois do tratamento da lesão e foi uma surpresa positiva no ataque nesta Copa dos Campeões. Adenízia tem mais a almejar do que apenas fazer parte do grupo depois da saída da Fabiana. De qualquer forma, ela e Gabi têm lugar garantido..

Bia e Carol
Destacaram-se, sobretudo, no bloqueio. Bia ainda é um pouco lenta para enfrentar equipes mais velozes, mas se mostrou uma importante opção no ataque e foi a central com a qual a Roberta se sentiu mais à vontade para acionar. Ela e Adenízia, aliás, se viraram bem nas chinas nem sempre precisas da levantadora. Já a Carol precisa melhorar no ataque. A bola de primeiro tempo da Roberta está na mais correta, o problema maior é a mira da central. Em compensação, a Carol cresceu no saque com o decorrer das competições. Acho que tanto ela quanto a Bia deixaram uma boa imagem ao final do ano e devem permanecer na briga no próximo ano. Mesmo se tivermos a volta da Thaisa e da Jucy, é provável que haja uma vaga para a quarta central no Mundial 2018 – considerando que a Adê é presença certa.

Rosamaria e Drussyla  

Foi bom poder ver a Rosamaria em quadra pela seleção para dar uma ideia mais realista do nível de jogadora que é. Isso deixou muito claras as suas limitações – e nem digo no passe, o que já era esperado, mas no ataque. Ela teve um e outro bom jogo, como contra a Holanda aqui no Brasil, mas não me parece que tenha estofo, no momento, para estar na seleção. Também foi bom ver a Drussyla na seleção, pois deixou evidente o quanto ela precisa amadurecer. Ela tem personalidade, encara tudo de forma muito corajosa e isso é de se aplaudir. Tem algo de especial nesta garota. Mas ela precisa ter mais clareza na hora do ataque e uma regularidade maior em todos os aspectos. Ou seja, precisa ter mais tempo em quadra jogando. 

Amanda e Monique
A Amanda teve poucas chances para jogar como ponteira mesmo e, quando as teve, não foi nada bem no ataque. Difícil, pelo que se viu dela, apostar que consiga ir além da jogadora que entra para sacar e fazer o fundo de quadra na seleção. Ainda assim, caso a Jaqueline não volte, ela pode encontrar um espaço. A Monique também se limitou a passagens de saque e fundo de quadra e algumas inversões, na maioria, não muito frutíferas. Quando poderia ter sido aproveitada, como contra o Japão, foi esquecida pelo treinador. De qualquer forma, tem lugar cativo com o Zé Roberto.

Mara, Macris, Naiane
Pouco se viu das levantadoras, quase nada se viu da Mara. Serviram mais como “tampões” para fechar o grupo. Acredito que o futuro da Naiane na seleção, se acontecer, não é próximo e será realmente decidido depois desta temporada em Barueri com o Zé Roberto.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

2017 na balança

Com a prata da Copa dos Campões, o Brasil encerra a temporada com quatro medalhas e três títulos (Montreux, Grand Prix e Sulamericano). 
 
Em termos de resultados, superou as expectativas e o saldo é extremamente positivo.

Do ponto de vista de desempenho, a avaliação não é tão positiva – ainda mais considerando que a base da equipe foi a mesma durante todo o ano. Houve uma evolução num primeiro momento, entre o Montreux e o Grand Prix, mas o crescimento do time parou por aí. Quando achávamos que o time tinha alcançado um nível de qualidade bacana numa partida, ele fazia uma atuação péssima na seguinte. Ou seja, muito pouca consistência. Sem contar, é claro, as derrotas difíceis de engolir para Japão e Tailândia.

E é isso, o desempenho, que deixa um gosto um pouco amargo ao final de uma temporada bastante premiada.

Em termos individuais, o ano foi importante para dar rodagem a algumas jogadoras. Roberta, Drussyla, Gabiru, Bia, Rosamaria tiveram boas oportunidades pra jogar – se elas têm alguma chance no futuro, deixo para avaliar num próximo post. Mesmo assim, fica a sensação de que o ano não foi tão bem explorado para testes como poderia ter sido, seja porque alguns nomes ficaram de fora da lista de convocadas seja porque outros foram subaproveitados.
 
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O que se leva de 2017, no fim? Muito pouco.

Os pódios certamente deram um respaldo importante para as novatas, mas não devem servir de referência da real posição brasileira perante os adversários para o próximo ano.

O Brasil conseguiu ser competitivo dentro das limitações de recursos que tinha, e isso foi positivo. Porém, tanto individualmente como coletivamente, foi muito pouco inspirador.

Desta forma, termino a temporada pensando mais nas jogadoras que podem voltar para reforçar a seleção em 2018 do que no legado de 2017.

domingo, 10 de setembro de 2017

Despedida prateada

Brasil 3x0 EUA
O Brasil se despediu da Copa dos Campeões – e da temporada – com uma prata e uma bela atuação. Vitória convincente num jogo em que o controle esteve a maior parte do tempo nas mãos das brasileiras.

Ao contrário do que vimos em outras partidas do torneio, com exceção da Coreia, a seleção brasileira entrou bastante concentrada. Provavelmente o fato de conhecer os EUA de cor e salteado ajudou a equipe a entrar, desde o início, com um volume defensivo muito bom.

Isso ajudou para que o Brasil tivesse mais paciência na troca de bolas e se aproveitasse os erros norte-americanos. Aliás, surpreendeu o fato de que os EUA, também bastante conhecedores do jogo brasileiro, não tenha conseguido neutralizar os pontos fortes e colocado o Brasil mais vezes sob pressão.

Outro fator que fez a diferença a favor do Brasil foi o saque. As brasileiras conseguiram desestabilizar o passe norte-americano com bem mais frequência do que elas. Tanto que nem Carlini, a levantadora que começou a partida, nem a Lloyd, que entrou no terceiro set, conseguiram imprimir um padrão de jogo mais veloz. E mesmo as jogadas com as centrais, uma das forças dos EUA, foram bem marcadas pelo Brasil.

Do lado brasileiro, Gabi foi a personagem do jogo. Os EUA tiveram uma dificuldade enorme em pegar o tempo de ataque da atacante brasileira, cuja velocidade foi bem explorada pela Roberta. O passe teve seus momentos de pane, principalmente com a Natália, mas, em geral, permitiu que o ataque e a distribuição da Roberta fluísse com naturalidade. 

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Pê esse:

- Pela primeira vez vi o Kiraly respirar fundo (umas duas vezes) para não estourar e se irritar com suas jogadoras pelos erros cometidos. Sei que não faz muito o estilo dos norte-americanos, mas acho que um pouquinho mais de energia e cobrança não fariam mal a este time um tanto blasé.

- Seleção do campeonato:

Levantadora: Tominaga (Japão)

Oposta: Tandara (Brasil)

Ponteiras: Larson (EUA) e Zhu (China)

Centrais: Carol (Brasil) e Yuan (China)

Líbero: Inoue (Japão)

MVP: Zhu (China)

sábado, 9 de setembro de 2017

Copa dos Campeões - Brasil 3x0 Coreia



 seleção braisleira de vôlei feminino comemora Coreia

Pelo menos com esta seleção asiática, o Brasil (quase) não enfrentou problemas. Também, era só o que faltava a seleção brasileira se complicar com a Coreia, o saco de pancadas desta Copa dos Campeões. A FIVB convidou a Coreia para o torneio e ela agradeceu mandando um time B (quase C), sendo que o principal já não é lá essas coisas.

Enfim, o Brasil levou com tranquilidade os dois primeiro sets e relaxou no terceiro quando teve que correr atrás da Coreia a maior parte do set. Nem mesmo esta oscilação se pode dizer que foi algo fora do roteiro do que a seleção tem apresentado esta temporada.

Para completar, a única novidade brasileira em quadra foi a Rosamaria no lugar da Gabi. Não sei se esta é uma escolha técnica ou motivada por algum problema físico, mas preferia ter visto a Gabi como titular contra a Coreia e prefiro vê-la como titular contra os Estados Unidos, na última partida brasileira na Copa dos Campeões. Ela vinha bem no ataque e, dentro do possível, dá maior equilíbrio ao time no fundo de quadra. 


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Demais resultados da rodada:

China 3x0 Rússia

EUA 3x2 Japão

- Com os resultados de hoje, a China é a campeã. Mesmo que perca para o Japão e o Brasil (o único que ainda pode alcança-la em pontos) vença os EUA, a China ainda terá mais vitórias.

É uma recuperação depois de uma fase final de Grand Prix abaixo do esperado e que a deixou fora do pódio. Foi surpreendente a China vir com sua força máxima (com um e outro desfalque) para as disputas deste ano. E não sei também se não foi uma opção arriscada, principalmente pelo desgaste da Zhu (que quase ficou de fora da Copa dos Campeões por problemas físicos).

De qualquer forma, a China perdeu neste ano aquela aura de novidade que cercava o time desde o Mundial de 2014. Ela se expôs de forma mais clara e sentiu na pele a dificuldade, independentemente dos seus adversários, de manter um nível de jogo qualificado. Na Copa dos Campeões, o time conseguiu sanar os problemas de recepção e de ataque que a afetaram no GP e equilibrar as ações ofensivas com outras jogadoras, no caso a Zeng e a Zhang.

Acho que o um dos trunfos da China para o novo ciclo - além da Zhu, é claro – é ter uma levantadora habilidosa no comando do time. A Ding sabe tanto trabalhar com velocidade - puxando contra-ataques acelerados e precisos com as centrais, por exemplo - como fazer o básico de levantar uma bola alta na ponta para Zhu. Ou seja, mescla da antiga escola chinesa com a nova realidade da sua seleção.

Uma mistura de estilos que funcionou bem nesta Copa dos Campeões e deu, como resultado, o título.

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Copa dos Campeões - Brasil 2x3 Japão

seleção brasileira feminina de vôlei Copa dos Campeões Japão
Poderia ter sido um 3x0. Pro Japão, claro. Não fosse aquela reação brasileira no segundo set, quando o Japão vencia por 24x21 e travou na rede de dois, a partida teria sido uma lavada japonesa – uma merecida lavada, por sinal.

Se o Brasil vencesse a partida, por estes acasos do esporte, não saberia justificar. A seleção fez muito pouco por si. Com exceção do quarto set, quando o bloqueio finalmente fez valer a sua superioridade física, o Brasil não mostrou nada de bom. Nada que tivesse uma continuidade.

Teve somente breves momentos em que o saque entrava e em que a defesa mostrava volume. A única constância do time foi a dificuldade imensa em colocar uma bola no chão e de entregar o passe na mão da Roberta.

O Japão não venceu esta partida com mais tranquilidade porque é um time, ao contrário das suas formações anteriores, que erra demais. No segundo set, aquele em que poderia ter matado o Brasil, entregou 11 pontos. A maioria destas falhas aconteceram no ataque. Foram elas que mantiveram a seleção brasileira viva para além do que merecia nesta partida. 

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Contando Grand Prix e Copa dos Campeões, o Brasil enfrentou cinco vezes seleções asiáticas e perdeu todas. No Montreux, venceu Tailândia e China, ambas também com suas seleções B. A gente espera que pelo menos o Brasil vença a Coreia C na próxima partida da Copa dos Campeões. Ainda assim, o saldo brasileiro ficará negativo contra os times da Ásia em 2017.

Não sei explicar exatamente o que provocou este bloqueio brasileiro contra as asiáticas neste ano. Neste primeiro momento, levanto uma hipótese, relacionada ao estilo de jogo destas seleções e à imaturidade do time verde-amarelo.

Acho que a China se destoa um pouco daquilo que tradicionalmente se espera dos times asiáticos pelo físico e pelo perfil das jogadoras, mais fortes, altas e não tão técnicas quanto as japonesas e tailandesas. Mas todas estas seleções têm um ritmo de jogo - acelerado e de maior tempo de bola no alto - que exige do adversário uma regularidade de concentração e uma consistência nos fundamentos que o Brasil não apresentou nesta temporada.

Agora, difícil explicar como a Rússia, um time bem mais capenga do que o Brasil neste sentido, conseguiu bater o Japão, por exemplo. Talvez porque tenha feito valer a sua superioridade física, principalmente no bloqueio, coisa que o Brasil não fez.

Só espero que os resultados deste ano não respinguem no próximo. Ou seja, que o Brasil não comece a criar um respeito exagerado contra a Tailândia e, principalmente, contra o Japão que, pelo que alcançou este ano, já perdeu toda a reverência e todos os receios que tinha ao nos enfrentar. 

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Pê esse:

- Tirei o chapéu pro o Zé Roberto quando ele começou o terceiro set com Amanda e Monique. Para mim, estas substituições, sobretudo a entrada da Monique, deveriam ter sido consideradas até antes. Agora, não duram nada estas “ousadias” do Zé. Convicção zero. Tá certo que a Amanda também não se ajuda ao ficar duas vezes no menor bloqueio – que já é baixo – do Japão. Mas a Monique poderia ter continuado. Se tinha uma partida em que ela poderia acrescentar era essa. As japonesas se complicaram com o ataque dela no final do segundo set. Fora que ela poderia ajudar no fundo de quadra numa partida em que a Tandara estava tendo dificuldades na defesa. O Zé tem paciência demais com umas, e de menos com outras...

- Suelen é líbero e entrega três pontos, no início do tie-break, em erros de passe.

- A treinador japonesa, Nakada, já virou uma personagem. Não comanda os tempos técnicos, mal fala com suas jogadoras e dificilmente sai daquela expressão fechada. A televisão japonesa não tirou os olhos dela.

- Erika Araki é a Dani Scott do Japão. Desde o Mundial de 2006, está em todas as principais competições. Pela energia e regularidade, deve chegar aos 40 anos em quadra e na seleção. 

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Demais resultados da rodada:


China 3x0 Coreia

EUA 3x2 Rússia

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Copa dos Campeões - Brasil 2x3 China

seleção de vôlei feminina perde para China
É, está difícil para o Brasil superar a China nesta temporada. Desta vez, pelo menos, a seleção conseguiu fazer frente ao time chinês e chegou a sentir o cheiro da vitória.

É bem verdade que demorou até conseguir equilibrar a partida. Nos dois primeiros sets, a indicação era de mais um atropelo chinês. O Brasil não incomodava no saque (e errava quando tentava forçar) e não se encontrava no bloqueio e na defesa. Além disso, tinha problemas no passe e na virada de bola, com as atacantes brasileiras errando bastante e desperdiçando oportunidades.

O desempenho do sistema ofensivo mudou pouco durante a partida. Até o final, foi difícil para o Brasil colocar a bola no chão e os erros no passe volta e meia apareceram - e comprometeram no tie-break. A diferença entre os dois primeiros sets e o restante da partida é que a cobertura de ataque apareceu bem, dando maior respaldo às atacantes que, mais confiantes na sua defesa, não arriscavam tanto para fugir do bloqueio.

Mas o que fez o Brasil entrar mesmo na partida foi o crescimento da defesa, tanto do bloqueio como do fundo de quadra, incluindo as mencionadas coberturas do ataque. O bloqueio teve ótimas passagens parando a Zhu e salvando o time em momentos delicados. 
 
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É uma pena que, novamente, a seleção tenha demorado para se encontrar defensivamente. O time, quando entra com seu volume defensivo, ganha outra competitividade e é capaz, através dele, de reações no placar surpreendentes.

É compreensível que o sistema defensivo necessite um pouco mais de tempo para se ajustar ao ataque adversário, mas a resposta brasileira demorou demais a aparecer. Com a dificuldade ofensiva, o Brasil acabou virando presa fácil nos dois primeiros sets quando poderia ter feito, desde o início, um confronto mais parelho. Tudo acabou por se decidir no tie-break e a maior fragilidade brasileira no passe e na definição acabou por pesar contra a seleção. 

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Pê esse:

- Um dos pontos fracos do Brasil nesta temporada é as jogadas com as centrais. Cada vez que a Roberta aciona uma delas é sempre um ponto de interrogação. Nunca se sabe se o levantamento estará na medida exata e se, depois, a atacante não irá desperdiçar. A seleção se despede da temporada sem conseguir efetivar estas jogadas. 

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Demais resultados da rodada:

EUA 3x0 Coreia

Rússia 3x1 Japão

- Que curiosa as estatísticas do confronto Japão x Rússia: as japonesas superaram as russas em pontos de ataque, já as russas foram mais comedidas nos erros do que as japonesas. O resto está dentro do esperado: o Japão com mais pontos de saque, a Rússia dando de goleada no bloqueio.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Copa dos Campeões - Brasil 3x1 Rússia

seleção brasileira vôlei feminino Rússia
O Brasil estreou com vitória na Copa dos Campeões em uma partida bastante irregular, principalmente por parte da Rússia.

Dois dos três sets vencidos pelo Brasil, o primeiro e o último, foram de ampla superioridade brasileira. A Rússia teve dificuldade de manter uma sequência de jogo, muito por conta dos problemas de passe que o saque brasileiro provocou e das dificuldades que a líbero e a ponteira Frolova enfrentaram para cobrir sozinhas a Kosheleva da recepção.

No segundo e terceiro sets é que o Brasil foi mais testado e quase perdeu a mão da partida. Com a entrada da líbero Kryuchkova, o passe russo deu uma leve melhorada, ao menos o suficiente para deixar o fluir o ataque russo. Isso mostrou que a marcação brasileira, tanto no bloqueio como na defesa, estava com dificuldades de se acertar e provocar o contra-ataque.

A reação brasileira veio na finaleira do terceiro set e foi decisiva para o rumo da partida. Virou o 23 a 20 contra anulando a Kosheleva pela entrada e as bolas de fundo meio no bloqueio e aproveitando, com a eficiência matadora da Tandara, os contra-ataques.

Ali ficou claro como o sistema defensivo é o fiel da balança brasileira. Os problemas no passe aconteceram também, mas não foram eles que definiram os altos e baixos da atuação do time neste jogo. Quando o Brasil se encontra na defesa é que ele ganha corpo e encurrala o adversário testando a sua paciência – e qualidade - com volume de jogo e poucos erros. 

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Pê ésse:
 
- O treinador russo resolveu começar a partida sem as duas principais estrelas da seleção. Deve ter sido só para gastar substituição... Mal chegou ao segundo tempo técnico do primeiro set, Kosheleva e Goncharova já estavam no time. 
 
- Boa partida da Gabi e da Tandara no ataque. A ponteira se saiu bem contra o alto bloqueio russo usando a sua velocidade. A oposta também se destacou no saque, além de ter sido decisiva no momento mais importante da partida. A Roberta, apesar de algumas bolas baixas levantadas, também esteve bem. Deixou muitas vezes, principalmente nos contra-ataques, as atacantes com bloqueios quebrados.
 
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Demais resultados da rodada:

China 3x1 EUA

Japão 3x0 Coreia