sábado, 3 de dezembro de 2016

Procura-se o Minas


Vôlei Nestlé/Osasco 3x0 Camponesa/Minas

Uns dez minutos. Foi o tempo que durou a partida entre Osasco e Minas. A outra 1h17 min que registra a súmula não pode ser chamada de jogo. Foi somente um treino - não lá muito puxado – para a equipe da casa.

O Minas começou bem, chegando a liderar o primeiro set. Mas no momento em que a recepção caiu, o pesadelo começou. Era bola que não caía na quadra do Osasco, era bloqueio paulista, e Paula e Tandara resolvendo do lado de lá. A já pouca confiança do ataque mineiro foi indo para o brejo.

O Paulo Coco tentou mudar. Tirou Naiane, colocou Karine; voltou com Rosamaria como oposto e colocou Domingas no lugar de Mara. Nada foi suficiente para colocar o time em quadra novamente. 

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A situação não está fácil para o Minas. Não me lembro de ver um time de bons recursos ofensivos com tanta dificuldade de pontuar. E isso pesa na confiança das jogadoras e compromete até os outros fundamentos através dos quais o time poderia encontrar uma saída.

Contra o Osasco, o Minas não sacou bem e não explorou a fragilidade da Tandara no passe. Como consequência, dançou o tempo inteiro no bloqueio com as variações da Dani Lins. Teve bom volume de jogo, mas que se mostrou, na maioria das vezes, infrutífero.

Acho que neste ponto a Naiane tem responsabilidade porque falha algumas vezes na armação dos contra-ataques. Mas está difícil para ela e para a Karine confiar em qualquer uma das suas atacantes.

Naiane tentou colocar as centrais para jogar, mas elas, principalmente a Fran, não corresponderam. Rosa, bem marcada, não conseguiu diversificar seus golpes. Mara também. Domingas, mesmo enfrentando uma série de bloqueios quebrados, não definiu. No fim, Pri Daroit foi a única que se salvou (um pouco) no ataque.

A missão não está fácil nem para a veterana Karine muito menos para a jovem Naiane.

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Imagino que Hooker e Jaqueline só entrem em quadra no segundo turno – ou seja, no início do ano que vem. Até lá, o Minas enfrenta o Flu, Praia Clube, Rexona e Valinhos, nesta ordem.

Até o Flu, que considero um dos times com menor poder ofensivo desta SL, está à frente do Minas nas estatísticas de ataque da competição. Então não é de se duvidar que o tricolor carioca possa vencer as mineiras. Três pontos garantidos nesta sequência somente contra o Valinhos.

Ou seja, o Minas provavelmente terminará o primeiro turno na sétima ou sexta colocação, bem distante, em pontos, do quinto colocado. E terá muito a recuperar no returno para além dos pontos: a confiança. 
 
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Demais resultados da 7ª rodada:

Sesi 3x1 Renata Valinhos Country

São Cristóvão Saúde/São Caetano 0x3 Fluminense
 
Pinheiros 2x3 Genter Vôlei Bauru
 
Rio do Sul 0x3 Rexona/Sesc
 

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

E o Brasília aprontou mais uma


Dentil/Praia Clube 0x3 Terracap/Brasília
 
Quem diria que depois daquela derrota feia para o Rio do Sul e com uma sequência de jogos difíceis pela frente o Brasília iria se recuperar assim tão bem?

Com o time da capital federal não tem meio termo. Na derrota e nas vitórias, tudo é 3x0. O mais recente deles contra o Praia Clube, vitória que o levou para a segunda colocação, desbancando exatamente o time de Uberlândia.

É bom fazer a ressalva de que o Praia Clube teve dois importantes desfalques. Álix e Fabiana, contundidas, não jogaram. E, é claro, fizeram muita falta, principalmente a norte-americana. Com um passe ruim, a equipe sentiu falta de uma bola mais decisiva como a da Álix. 

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Mas isso não diminuiu em nada o mérito do Brasília, que fez o seu papel com perfeição. Primeiro, teve um bom saque, explorando as posições de intersecção entre as passadoras. Aí foi uma jogadora atrapalhando a outra e uma insegurança na entrega do passe que desestabilizou o jogo do Praia.

Em segundo lugar, teve ótimo volume de jogo, deixando o já pouco eficiente ataque praiano impaciente.

Para finalizar, a Macris teve uma estratégia de distribuição bastante objetiva, usando as jogadas de maior distância com bolas de velocidade. Mexeu bem com as suas opções de ataque e, consequentemente, com a marcação do Praia.

Como resultado, tivemos todas as atacantes virando bem, com exceção da Andreia. A Amanda tem mostrado qualidade na definição dos pontos como não se viu na temporada passada. Acredito que ela está crescendo com o time e, principalmente, com a Macris que tem a servido com bolas aceleradas.

Mesmo com os problemas de recepção que volta e meia apresenta – e que permitiram a aproximação do Praia em algumas parciais -, o Brasília consegue manter as opções de jogadas com as centrais sempre vivas. Vivian e Roberta tem participação ativa e importante nos jogos tanto no ataque como no bloqueio. E isso fez falta na temporada passada. O Brasília consegue, assim, definir um estilo de jogo, coisa que passou o campeonato de 15/16 sem alcançar. 
 
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O Brasília tem sido a boa surpresa desta edição e, com estes resultados, começa a embolar o topo da tabela. Quem deve se preocupar com isso, principalmente, é o Minas, que pode ter suas pretensões na fase final comprometidas pela demora dos seus reforços e pelo bom momento do Brasília.

O consolo do Minas é que, ao contrário dele, há pouca margem para o Brasília crescer. Um potencial de evolução, além do passe, é a utilização da Andreia, que tem estado completamente deslocada nas partidas. E não só no ataque. Vê-se pouco dela no saque e no bloqueio, por exemplo. Se nenhuma resposta vier da oposto, não há nenhuma grande arma no banco de reservas do Brasília. Terá que continuar a se valer do conjunto que tem sido a sua principal força até então. Mas será suficiente para bancar as primeiras colocações da SL?

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Sobre o Praia, o fato de a Michelle ter sido o principal (pra não dizer o único) desafogo do time no ataque traduz bastante a dificuldade da equipe na partida. Claudinha pouco pôde contar com as centrais pela dificuldade do passe e Ramirez, voltando a jogar após contusão, não rendeu. O time ficou muito amarrado ofensivamente e não conseguiu pressionar de maneira regular o Brasília em outras frentes.

Assim como comentei sobre a partida contra o Sesi, acho preocupante a maneira como o Praia responde sob pressão. Ele se desestrutura muito fácil às primeiras falhas de recepção. E é um parto fazer a equipe se estabilizar novamente. 

sábado, 26 de novembro de 2016

Brasília, veneno anti-monotonia



Camponesa/Minas 0x3 Brasília

Se tem um time que gostou de quebrar a monotonia da Superliga 16/17, este time é o Brasília. Depois de bater o Osasco por 3x0, repetiu o placar agora contra o Minas.

Com os resultados, pulou para a terceira colocação. O curioso é que, se não fosse aquela derrota contra o Rio do Sul – quando, por sinal, levou um banho de bola – estaria com a mesma pontuação dos líderes Rexona e Praia.

Esta sequência de resultados, que envolve uma derrota feia para um time menos qualificado e duas vitórias convincentes contra equipes mais fortes, deixa um ponto de interrogação sobre o que esperar do Brasília no campeonato. Virão mais surpresas positivas ou negativas?

De qualquer forma, o Brasília deu sinais nestas duas últimas partidas de que está buscando e – o mais importante - encontrando saídas de ataque alternativas à Paula. Seja com as centrais, principalmente a Vivian, seja com a Amanda (o que é um surpresa), a Macris tem aliviado a pressão para cima da Paula e feito uma distribuição bem mais equilibrada.

Só que todas as opções de ataque citadas acima necessitam de bolas mais aceleradas. Se a Andreia conseguisse aproveitar este bom momento das demais atacantes para também crescer, dando a alternativa de uma bola não tão veloz, o time certamente enfrentaria os próximos desafios com mais recursos. Mas a oposto – ao menos do que pude conferir na partida contra o Rio do Sul – está limitada a fazer a china, o que é muito pouco se lembrarmos a temporada que ela fez no Pinheiros. 
 
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Rexona 3x0 Sesi-SP

Graças ao SporTV estamos virando PHDs em Sesi na SL. Apesar de lamentar de que havia outras partidas mais interessantes para ver nas últimas rodadas, foi bom acompanhar esta mini trajetória da equipe paulista enfrentando os três principais clubes da competição.

O Sesi evoluiu e apagou de vez aquela imagem ruim que deixou no primeiro confronto contra o Osasco. Sofre ainda com uma certa indefinição pelas pontas, reflexo da fragilidade das jovens no passe, mas conseguiu amenizar isso com a entrada da Paquiardi. Um pouco mais experiente, ela deu uma base mais sólida para o time fazer o seu jogo fluir.

O Sesi tem um bom saque, arma que desestabiliza até mesmo os grandes, caso do Rexona. E isso pode ser melhor aproveitado a seu favor com o crescimento do bloqueio e, principalmente, da defesa. 
 
O primeiro fundamento já tem mostrado bons resultados com jogadoras como a Linda Jessica e a Lorenne. Já defensivamente, o processo de melhora é naturalmente mais demorado. Até mesmo porque envolve a qualidade de saber se organizar para o contra-ataque, coisa que, para o Sesi, ainda é feito à base de muitas atrapalhações. 
 
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Fluminense 0x3 Vôlei Nestlé/Osasco

Volta e meia comento aqui sobre a limitação ofensiva do Flu e como isso tem impedido o time de ser mais competitivo. Nesta derrota para o Osasco, porém, o poder ofensivo carioca ganhou um fôlego novo com Natasha e Arianne substituindo Ju Costa e Renatinha. Juntamente com Sassá, elas foram habilidosas para fugir do forte bloqueio do Osasco e encostar as parciais do segundo e terceiro sets.

Defensivamente, do saque à armação do contra-ataque, o Flu trabalha muito bem. Foi o sistema defensivo, em conjunto com as bobeadas do Osasco em erros de saque e ataque, que trouxe o tricolor para a disputa ponto a ponto nos dois últimos sets.

Só que o Flu funciona muito melhor no contra-ataque do que na virada de bola. Primeiro porque tem problemas na recepção. Segundo porque suas ponteiras não têm perfil de definição e sua oposto titular, a Renatinha, já sente o desgaste dos anos que passou sendo “carregadora de piano”.

Por isso, no que tange à questão das atacantes, mesmo que o Flu tenha acumulado mais uma derrota por 3x0, este insucesso contra o Osasco pode ter dado uma luz sobre o que o time pode tentar para dar um upgrade na SL. Depois de jogos ruins contra Brasília e Bauru, quando mal mexeu na escalação, quem sabe não está na hora de rever a composição da equipe? 


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Demais resultados da 6ª rodada

Genter Bauru 3x0 São Cristóvão Saúde/ São Caetano

Dentil Praia Clube 3x0 Rio do Sul

Renata Valinhos 0x3 Pinheiros

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Ela voltou


A novela Minas e Jaqueline teve um final feliz. Depois de semanas (meses?) de muita especulação, a jogadora confirmou nesta quinta-feira que retorna ao time mineiro.

Pela demora, já nem estava mais levando em conta esta possibilidade. Agora que ela se tornou real, acho que podemos ter outra expectativa em relação ao Minas na Superliga. 


É verdade que o fundo de quadra (passe e defesa), especialidade da Jaque, não tem sido um problema para o Minas. Mas desafio a me apontarem um time desta Superliga que não gostaria de tê-la no elenco. Ela é uma jogadora com qualidades raras hoje em dia e encaixa em qualquer elenco. Não é somente um reforço para o Minas e sim para a SL.

Com Hooker e Jaque, o time fica mais completo e com mais opções de composição e de troca. A combinação dos dois reforços ameniza o problema que comentei na semana passada em relação à transição da Rosamaria. Traz maior equilíbrio. Afinal, a Rosamaria, deslocada na ponta, pode ter uma cobertura mais qualificada no passe com a Jaque e uma parceria mais eficiente no ataque com a Hooker. 


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Agora, para o Minas ganhar um novo status na competição há uma longa e difícil jornada. Algumas expectativas precisam se confirmar. A primeira, que a Hooker retome o ritmo de jogo e corresponda no ataque, ainda que não seja aquela jogadora de 2012 – o que certamente não será. O mesmo vale para Jaque no que se refere ao ritmo de jogo. Ela está parada desde os Jogos.

Ou seja, até o Minas ter todas elas prontas e com o elenco em estágios de preparação semelhante levará um tempo. E, até lá, o time consegue se segurar sem despencar demais na tabela? Isso é importante para determinar a sua ambição na fase final. O Minas pode pagar um preço alto por demorar a definir a sua equipe.

Como também comentei num post anterior, o Minas ainda está à procura de um estilo de jogo e uma regularidade. Nas últimas partidas, começou a se preparar para receber a Hooker deslocando a Rosamaria para a ponta e colocando a central Mara como oposto.

Seria bem importante que o time, com esta composição, conseguisse evoluir e manter uma estrutura a qual os reforços somente se encaixassem. Porque senão, serão duas etapas de adaptação: a primeira, a atual; a segunda, com Jaque e Hooker. E, para isso, o Minas não tem tempo.


quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Esquentou

A quinta rodada elevou a temperatura de uma Superliga que andava bastante morna.   

O Osasco, para manter a tradição, tropeçou feio contra o Brasília. Levou 3x0 numa partida em que, curiosamente, seu ponto forte, o ataque, foi totalmente engolido pela relação saque-defesa do adversário.

E foi superado, inclusive, pelo ataque de Brasília, que não é dos mais inspiradores desta SL. Isso foi possível porque, além dos méritos defensivos, o time de Anderson Rodrigues - ao contrário do que aconteceu com o Rio do Sul - conseguiu manter um ritmo acelerado na montagem do ataque. Assim, Macris manteve todas as opções de ataque “vivas” e a central Vivian foi a que melhor tirou proveito, sendo a maior pontuadora da partida. 

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Se não conhecêssemos o histórico do Osasco até que poderíamos dizer que foi apenas uma noite ruim. Mas nós sabemos como é difícil confiar neste time sem que as lembranças dos últimos anos nos venham à mente. 

Eu achei que mesmo com os sustinhos que passou em algumas partidas, o Osasco tinha começado melhor esta temporada e chegaria mais “inteiro” para enfrentar Rexona e Praia. Agora fica a dúvida se o time saberá se levantar do tropeço mais forte ou, como nos anos anteriores, mais debilitado. 

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Outro time grande que sofreu na quinta rodada foi o Praia Clube. E olha que ele pegou o vice-lanterna da competição, o jovem Sesi.

Estava lamentando que o SporTV tinha programado para transmitir duas partidas do Sesi,  exatamente contra os líderes da SL enquanto tínhamos jogos mais interessantes para assistir. Mas o Sesi me surpreendeu positivamente e fez a disputa valer a pena de assistir.

Poderia dizer que o Praia é que surpreendeu negativamente, mas o problema que o time mostrou em quadra não foi nenhuma novidade: o passe. O mesmo fundamento que tinha funcionado tão bem na partida anterior, nesta foi um desastre. E, pior, a Michelle, que deveria ser um ponto de segurança na recepção, foi muito mal.

O mérito do Sesi foi saber não só identificar esta fragilidade como conseguir manter uma regularidade no saque para aproveitá-la ao máximo. Soube também fazer a troca de bola com qualidade e sem se precipitar. Claro que aqui e ali cometia alguns erros bobos, dentro daquilo que se espera de um time jovem, mas, ainda assim, controlou melhor suas falhas do que o experiente Praia Clube.

E isso é que foi decepcionante na equipe mineira. O Praia acusou o golpe todas as vezes em que foi pressionado. Se não fosse uma sequência de saques da Wal, explorando a também irregular recepção do Sesi, o jogo teria ido para o tie-break. 


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O Picinin, a meu ver, demorou em utilizar a Ellen no passe as vezes em que isso foi necessário. E a Claudinha, como já falei em outro post, nestes momentos mais críticos tem que deixar de querer ser genial e simplificar.

Mas, o mais importante, o Praia tem que aprender a sair do aperto sem baixar a guarda do jeito que baixa. Sim, tem uma questão técnica do passe, mas tem também um ponto emocional que o time não consegue superar. Se responde assim contra o Sesi, imagina como será contra o Rexona. 

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A rodada “quente” ainda foi completada pelas parciais apertadas da vitória do Rexona contra o Pinheiros e pelo sufoco do Minas para vencer o Rio do Sul. 
O time mineiro teve na Mara a sua melhor atacante, jogando como oposta. Mas mesmo assim, pelo que se lê das estatísticas, o Minas ainda está penando para colocar a bola no chão. Fora que a Rosamaria tá sendo mais acionada do que Gamova em seus áureos tempos na seleção russa. 

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Os resultados da 5ª rodada:

Terracap/BRB/Brasília 3x0 Vôlei Nestlé/Osasco

Sesi-SP 1x3 Dentil/Praia Clube

Pinheiros 0x3 Rexona

Rio do Sul/Equibrasil 2x3 Camponesa/Minas

Genter Bauru 3x0 Fluminense

Renata/Valinhos 0x3 São Cristóvão Saúde/ São Caetano

- O Bauru venceu bem o Fluminense, mostrando que o meio da tabela vai ser bastante embolada. Pra mim, este trio de ataque carioca é insuficiente para ajudar o time a ser mais competitivo. 


sábado, 19 de novembro de 2016

Na mais perfeita ordem



Dentil/Praia Clube 3x0 Pinheiros

Depois de aprontar para cima do Minas no meio da semana, o Pinheiros poderia ter sido o adversário ideal para o Praia Clube se complicar. Mas a equipe paulista não encontrou qualquer brecha na bem arrumada casa do time de Uberlândia.

O Praia beirou a perfeição nesta partida. O passe, que é o principal agente sabotador da equipe, funcionou corretamente. Tássia esteve segura e as “barbeiragens” foram apenas exceções.

Com esta estabilidade, a Claudinha deu show na distribuição, deixando por diversas vezes as atacantes com bloqueios quebrados. E o mais importante: a bola com a Fabiana funcionou perfeitamente, tanto na virada como no contra-ataque.

Claro que o teste não foi dos mais qualificados e o desafio maior é manter a regularidade do passe e o entrosamento com a Fabi nas próximas partidas. Mas o fato de tudo isso ter funcionado mostra a maturidade do time, que soube manter a partida sob o seu controle sem causar complicações desnecessárias. 


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Um vacilo do Praia era tudo o que o Pinheiros queria para ver se encontrava uma saída para o seu pobre jogo. Mas não. Quem vacilou – e muito – foi a própria equipe paulista.

Começava na recepção, passava pela pouca eficiência do ataque e terminava nos pontos em erros de saque e desperdícios de contra-ataques. O Pinheiros não conseguiu fazer o jogo fluir. Sufocado pelo alto bloqueio do Praia, faltou à equipe paulista a competência de trabalhar a bola no ataque e na defesa. 

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Ainda que tenha conseguido um resultado muito bom contra o Minas, esperava que o Pinheiros começasse esta SL com mais consistência. Aquele estilo jogueiro, de evitar o desperdício e de ser disciplinado não apareceu na maioria das partidas.

E individualmente o time também tem sido de altos e baixos. Ju Paes é um dos exemplos mais claros. Algumas vezes brilha na defesa, em outras é substituída por comprometer no passe como foi contra o Praia. Ananda também. É uma levantadora que trabalha bem com velocidade e sabe aproveitar as suas centrais, mas dá umas bobeadas nas bolas simples pelas pontas.

A boa notícia fica por conta da Bárbara que vem respondendo muito bem à responsabilidade de ser a bola de segurança do time. Ela tem me surpreendido, para falar a verdade.

Mas o Pinheiros é mais do que a Bárbara. Acho que tem qualidade para crescer e ser bem mais competitivo. Talvez passada esta sequência mais “barra pesada” a equipe consiga se estabilizar. 

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Demais resultados da 4ª rodada:

Vôlei Nestlé/Osasco 3x0 Rio do Sul (01/11)

Rexona/Sesc 3x0 São Cristóvão Saúde/ São Caetano

Camponesa/Minas 3x1 Sesi-SP

Renata Valinhos 1x3 Genter Bauru

Fluminense 0x3 Terracap/Brasília

 
- O Rexona só se complicou na partida contra o Sanca quando colocou as reservas nos lugares de Gabi, Fabi e Jucy. Ali, com a Drussyla cometendo alguns erros no passe, o time deu uma baixada na virada de bola. No mais, foi uma vitória tranquila. Mas, ao contrário de Claudinha e Fabi, que mostraram evolução, a sintonia entre Roberta e Jucy ainda deixa a desejar.

- O Minas está se preparando para receber a Hooker. Como adiantado pelo leitor do Papo, Gustavo, a Rosamaria jogou contra o Sesi como ponteira. Neste primeiro teste, sem problemas na recepção nem no ataque, ela continuou a maior pontuadora da equipe. Vejamos os próximos duelos. De qualquer forma, o importante era fazer logo esta transição da Rosa. Acho que, do jeito que as coisas estão, há pouco a se perder agora e muito a se ganhar mais adiante quando a Hooker se juntar ao time. 


quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Seja bem-vinda, Hooker! Só não repara a bagunça...


Nesta quinta-feira a norte-americana Destinee Hooker chegou a Belo Horizonte. A oposto coloca os pés em solo mineiro três dias depois de o Minas, time que irá defender no Brasil, ter sofrido a sua segunda derrota ((3x0 para o Pinheiros) em três partidas da Superliga 16/17 .

Ou seja, Hooker chega para alentar os corações minastenistas e dar um fio de esperança de recuperação da equipe no campeonato. Mas a missão não será nada fácil. Apesar de ser uma jogadora extraclasse, Hooker está há um bom tempo sem jogar. E o Minas está longe de estar com a casa pronta para acolhê-la. 


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O Minas não se encontrou ainda nesta SL. Vi somente a partida de estreia, mas pelos relatos e estatísticas é possível constatar que há semelhanças nas duas derrotas do time: o excesso de erros e a baixa eficiência do ataque, carregado quase que exclusivamente pela Rosamaria.

Mara faz mais uma temporada apagada no ataque. Não sei se é questão de falta de sintonia com a Naiane, mas a verdade é que, sem participação no ataque, ela some no bloqueio e, por consequência, do time.

Domingas não se encontrou também e tem tido uma desempenho muito ruim no ataque dando espaço para que a reserva Natália reivindique a posição de titular. Na outra ponta, a Pri Daroit tenta ajudar a Rosamaria, mas precisa lidar com as suas limitações em equilibrar a pressão de ser caçada na recepção e pontuar no ataque.

Aí o Minas fica dependente de uma boa recepção para poder usar a Carol Gattaz na china e, recorrentemente, da Rosamaria, uma oposta que tem dado sinais de evolução na comparação com a temporada passada, mas que não tem a característica da bola alta na ponta nem a explosão necessária para carregar um piano deste tamanho por muito tempo. 

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Neste contexto, a Hooker é o reforço ideal – considerando, claro, que a jogadora que entre em quadra nesta temporada seja uma próxima àquela que defendeu o Osasco em 2011/12. O Minas precisa de maior força de ataque e de alguém com poder de decisão e a norte-americana tem condições de sanar estas necessidades.

Só que a entrada da Hooker no time titular como oposto significa o deslocamento da Rosamaria para a ponta. O que a Rosamaria poderia acrescentar ao ataque, compondo com a Hooker uma dupla ofensiva poderosa, perde-se ao tê-la na recepção.

Vimos como a Rosa ficou limitada no ataque quando disputou como ponteira pela seleção o Montreux este ano. Por mais que ela já tenha jogado como ponteira nas seleções de base e no Campinas a verdade é que tecnicamente ela precisa evoluir no passe e adquirir maior segurança no fundamento. E isso requer mais tempo. 


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Esta adaptação não seria um grande problema se o Minas estivesse com a casa mais ou menos arrumada. Pelo contrário, o time não deu sinais de estar no caminho certo na busca da sua consolidação. Não há a informação de quando a Hooker poderá jogar – imagino que mais próximo do segundo turno -, mas a verdade é que a sua entrada causará uma mudança significativa num conjunto que já está bagunçado. 

Disse logo no início no texto que o Minas ainda não se encontrou na SL e, sinceramente, não sei se vai conseguir fazer isso a tempo de receber a Hooker como deve ser: um reforço e não um problema a mais para lidar.

domingo, 13 de novembro de 2016

Era uma vez uma rivalidade

Sesi-SP 0x3 Vôlei Nestlé/Osasco

Uma das poucas boas novidades dos últimos 5, 6 anos da Superliga foi o surgimento da equipe do Sesi. Ainda que nem sempre tenha cumprido a expectativa gerada, o Sesi foi o primeiro time, em anos, a quebrar a dobradinha Osasco e Rexona na final do campeonato. Melhor ainda, criou, em poucos anos, uma rivalidade especial com o Osasco, dividindo com ele o protagonismo no estado de São Paulo. 
No contexto do vôlei, em que as equipes duram tão pouco tempo, pode-se dizer até que Sesi vs Osasco virou um clássico, que teve seu ápice na temporada 13/14, exatamente quando o time da capital eliminou o rival na semifinal da SL.

Os maus resultados da temporada passada do Sesi – que conseguiu ser pior do que o Osasco, também em uma temporada para esquecer – enfraqueceram esta rivalidade. Mas ela esvaziou-se de vez neste ano com a decisão da direção do clube em “desinvestir” no time e optando por um elenco de iniciantes. Um processo, aliás, muito semelhante ao que aconteceu com o Minas anos atrás e que, também, acabou por deixar o confronto com o Osasco, um clássico do final dos anos 90 e início dos 2000, debilitado. 
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E foi nesta nova realidade que o Sesi recebeu o Osasco pela terceira rodada da SL 16/17. Uma partida que evidenciou o abismo que separa, no momento, as duas equipes. Com exceção do segundo set, em que cometeu uma série de erros, o Osasco sobrou em quadra.

Do outro lado, o Sesi - além de ter parecido um time colegial no primeiro set - cometeu erros básicos na recepção e teve dificuldade em fazer o jogo rolar por muito tempo sem cometer alguma falha. Reflexos claros da juventude que traz em quadra. Somente a Lorenne mostrou algum brilho individual neste duelo. 
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Acho importante que hajam times na Superliga que deem espaço para às jovens atletas aparecerem e assumirem uma responsabilidade. O São Caetano faz isso há anos com muita competência. Mas mesmo lá há um equilíbrio no elenco, uma mescla entre joves e experientes, que torna o time razoavelmente competitivo. Isso não se vê no Sesi.

Com a falta de um conjunto mais estável, que consiga fazer o jogo fluir, fica difícil avaliar o real potencial individual das jogadoras. E acho que, ao contrário do acontece no Sanca, Pinheiros, Rio do Sul, a experiência de ser titular para as jogadoras de maior destaque, como a Lorenne, acaba por acrescentar muito pouco ao seu desenvolvimento.

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Demais resultados da 3ª rodada:

Rio do Sul/Equibrasil 3x0 Terracap/BRB/Brasília

Genter Vôlei Bauru 1x3 Rexona-Sesc

São Cristóvão Saúde/São Caetano 0x3 Dentil/Praia Clube

Renata Valinhos 0x3 Fluminense 




Pinheiros 3x0 Camponesa/Minas


 
- Numa ironia do destino, Kasiely, que não ajudava no passe nem no ataque na temporada passada no Brasília, sambou na cara do seu ex-clube na quarta-feira sendo a maior pontuadora do confronto.

O Brasília não viu a cor da bola. O Rio do Sul com uma estratégia de saque inteligente e aplicada com disciplina pelas jogadoras durante toda a partida quebrou a recepção e a armação das jogadas do time candango.

O jogo do Brasília ficou lento e de bolas altas, e até mesmo a Paula - única atacante que se salvou na partida - teve imensas dificuldades de colocar a bola limpa no chão. A defesa do Rio do Sul chegava em todas. Para um time que tem pouco arsenal ofensivo, isso foi fatal.

Carol Leite, que tanto critiquei na temporada passada no Sesi, também fez uma partida para se redimir. Além de ter feito uma distribuição equilibrada, imprimiu velocidade nos contra-ataques e quando a recepção não vinha perfeita. Parte do brilho da Kasi se deve à levantadora.

sábado, 5 de novembro de 2016

Atacando como nunca, oscilando como sempre



Vôlei Nestlé/Osasco 3x1 Pinheiros

O Osasco não seria o Osasco se não tivesse tido um início de partida atribulado como foi contra o Pinheiros nesta sexta-feira. O desencontro da recepção e, como consequência, a pouca eficiência do ataque tiraram o time do Luizomar da disputa do primeiro set.

A partir do segundo set, sem Malesevic e com Gabiru no seu lugar, é que o Osasco começou realmente a entrar em quadra. O problema na recepção continuou, mas foi menos comprometedor, pois a Tandara, principal alvo do saque do Pinheiros, compensou no ataque. Ela e Paula Borgo fizeram uma ótima partida, soltando a mão e resolvendo os pepinos do time.

A mesma competência o Pinheiros não teve. Foi difícil para a equipe colocar a bola no chão. O bloqueio do Osasco apareceu a partir do segundo set e com ele cresceu o volume de jogo. E o elenco do time da capital paulista, já com pouco poder de decisão, não conseguiu resolver os ataques.

É verdade que a recepção do Pinheiros caiu demais em qualidade. Nem mesmo a líbero Ju Paes se salvou dos passes ruins. Ananda, apesar de correr muito para alcançar os passes, também cometeu erros de escolha, como a insistência com a central Lays. 
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Se individualmente poucas jogadoras passaram imunes à má partida, coletivamente o time também não respondeu. O Pinheiros não conseguiu fazer um jogo de troca de bolas, explorando os erros do adversário. Ele é que deu muito pontos em erros de ataque ou mesmo de bloqueio ao Osasco por querer se livrar da bola ao invés de trabalha-la. Acabaram por ajudar a consagrar a baixinha Gabiru no bloqueio.

O Pinheiros necessita urgentemente poder contar com a recuperação total da Ju Nogueira para dar mais opção ao ataque. Sem contar que precisa elevar a qualidade do seu fundo de quadra seja na linha de passe como na defesa para ser um time mais jogueiro e compensar a falta de um ataque mais incisivo. 

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Em três partidas - contra São Caetano, Rio do Sul (partida adiantada da 4ª rodada) e Pinheiros -, o Osasco perdeu dois sets. Eu poderia colocar estas parciais perdidas na conta do “ínicio de temporada” e não dar muita bola, mas quando falamos do Osasco deve-se sempre ficar mais atento a estes sinais. O time tem, naturalmente, esta inclinação para oscilações e para complicar partidas que são fáceis.

O Osasco tem se valido da sua força ofensiva para resolver seus outros problemas, principalmente o da recepção. É um avanço na comparação com a temporada passada, mas ainda não o suficiente para conquistar a confiança dos torcedores. Estes altos e baixos deixam ainda a dúvida se haverá realmente uma evolução entre o time anterior e o atual e se ele terá força para não se desmanchar frente ao Praia e ao Rexona.

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Demais resultados da 2ª rodada da SL 16/17:

Rexona/Sesc 3x0 Renata Valinhos/Country

Dentil/Praia Clube 3x0 Genter Bauru

Fluminense 3x0 Rio do Sul

Camponesa/Minas 3x0 São Cristóvão/ São Caetano

Terracap/BRB/ Brasília 3x0 Sesi

- Depois de uma primeira rodada complicada, os times mineiros reagiram bem. O Praia não se complicou contra o Bauru, que tinha sido o algoz do Minas na estreia da SL. Ficaria difícil não levar a partida com a equipe paulista dando mais de um set em pontos em erros, há que se ressaltar. Mas o Praia teve o desfalque da Álix e a Ellen a substituiu bem. Já o Minas parece ter se segurado nos erros e caprichado no ataque, com a Pri Daroit dando uma mãozinha à Rosamaria, para bater o Sanca.

- O Rexona não deu uma brecha para o Valinhos se criar contra ele. A dupla que infernizou o Praia na estreia da SL, a levantadora Ana Paula e a oposta Fran, sucumbiram ao ótimo volume de jogo carioca. O nível de concentração do Rexona se destaca dos demais times, por enquanto. Não que ele não cometa erros, que têm acontecido no passe e em ataques que, às vezes, são mal trabalhados pelas atacantes ou pela Roberta. Porém, as falhas não vêm em sequência, o que não compromete o fluxo de jogo. E, para completar, Monique continua mantendo o alto aproveitamento no ataque. 



quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Em um mês tudo pode mudar


Fluminense 0x3 Rexona/Sesc

Um pouco mais de um mês depois da final do Carioca, Fluminense e Rexona voltaram a se encontrar, agora pela na Superliga 16/17. 

Vendo a partida de estreia das duas equipes ficou difícil imaginar como o Fluminense conseguiu bater o Rexona naquela final. Um mês se passou e a realidade é outra. O tempo fez a diferença para que o Rexona, desta vez, fizesse valer a sua superioridade.

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Os dois times tiveram problemas na recepção, o que tem sido a tônica da SL já há algumas temporadas. Mas certamente quem enfrentou maiores problemas com este fundamento foi o Fluminense. O Rexona, ainda que entregasse algumas bolas de xeque para o adversário, teve sempre maior controle sobre suas ações de ataque.

E sobrou competência ao time do Bernardinho na organização e aproveitamento dos contra-ataques, exatamente o que o Fluminense, atrapalhado, não conseguiu fazer.

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O Flu sofre com um poder de ataque pouco decisivo pelas pontas. Renatinha não é mais a grande Renatinha de antes, naturalmente. Sassá nunca foi destaque no ataque e não seria agora que carregaria esta responsabilidade. E a Ju Costa continua, com todo respeito, levando toco atrás de toco.

Ainda que a o forte das centrais tricolores não seja o ataque, se a Pri Heldes não conseguir prender o bloqueio adversário com as jogadas com elas, ficará difícil para o ataque fluir. Mas claro, para isso o passe precisa ser mais regular, o que não aconteceu nesta estreia de SL.

A saída para o Flu é compensar com um melhor sistema defensivo. E isso o time fez contra o Rexona com um bom volume de jogo, ainda que pudesse ter sido mais eficiente na relação saque e bloqueio. Só que, como disse antes, não construiu bons contra-ataques e a falta deles acabou por colaborar para a disparidade do placar.

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Sobre o Rexona, é de se destacar a regularidade e concentração durante a partida. Provavelmente o Mundial colocou a equipe em uma rotação mais acima dos adversários neste início de SL. 

Foi bom ver a constância da Roberta e a sua tentativa de acertar a bola com a Jucy. Ela chamou constantemente a central e arriscou até algumas chutadas pelo meio que, inclusive, precisam de melhor entrosamento. Mas é neste momento, sem grande pressão, que a levantadora precisa ganhar segurança, não só com a Jucy, mas com todo o trabalho dela.

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Com o duelo carioca encerrou-se a primeira rodada da Superliga 16/17. Exceto a derrota do Minas e a falta de combatividade do Pinheiros contra o Brasília, aconteceu tudo dentro da normalidade – até mesmo os sets perdidos pelo Praia e pelo Osasco, normais para um início de campeonato.

Apesar de o Bauru ter se reforçado e ter potencial para fazer uma campanha bem melhor da realizada na temporada passada, pode-se dizer que a derrota dá uma abalada na confiança do Minas, ainda mais porque a equipe não jogou bem. O time precisa se recuperar rápido para não se enrolar neste início de SL e não chegar pressionado quando enfrentar os clubes do topo da tabela.


Demais resultados da 1ª rodada da SL 16/17:

Genter/Bauru 3x1 Camponesa/Minas

Renata Valinhos 1x3 Dentil/Praia Clune

Pinheiros 0x3 BRB Brasília

Vôlei Nestlé 3x1 São Cristóvão Saúde/São Caetano

Sesi 3x1 Rio do Sul